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Miguel Cordeiro. Miguel Cordeiro, o DIED Luís Neves garantiu há pouco que não vai colocar o lugar à disposição.

O ministro da Administração Interna está, nesta altura, a responder aos deputados numa audição da Comissão de Assuntos Constitucionais. Só sai quando o governo terminar ou quando o primeiro-ministro entender. Foi esta a posição de Luís Neves logo na ronda inicial de respostas aos deputados. Nesta audição, Luís Neves começou por defender o trabalho que tem desenvolvido no Ministério da Administração Interna. Utilizou o discurso inicial quase todo para essa defesa. Depois, foi confrontado pelos deputados. Aí já garantiu que não sai do cargo, assumiu que cometeu alguns erros e explicou alguns dos casos polêmicos que remontam ao tempo em que era diretor da Polícia Judiciária. Esta é uma audição que está a ser acompanhada aqui na Rádio Observador, em emissão especial, com comentário, análise e reportagem. Nesta altura, no Parlamento, está o repórter Vasco Maldonado Correia, em direto. Vasco, esta é uma audição que começou pelas 10h. Ao que tudo indica, vai se prolongar bastante, uma vez que há vários deputados inscritos para esta segunda ronda e este prolongar pode obrigar a uma pausa nesta audição, devido à agenda preenchida do dia de hoje.

Foi, no mínimo, o que avisou, Miguel, a presidente da comissão. Há 30 deputados inscritos ao todo para esta segunda ronda. Já vários foram tomando, entretanto, a palavra. Cada um dispõe de dois minutos para intervir, o que quer dizer que esta segunda ronda vai demorar mais de uma hora, certamente, e só mais perto das 14h é que o ministro da Administração Interna vai começar a responder em bloco a todos esses 30 deputados, contabilizando todos esses atrasos e interrupções, que são normais neste tipo de audições. É bastante possível que a audição acabe por bater ali na hora das 15h, hora prevista para o início dos trabalhos no Hemiciclo, onde é hoje debatida e votada a moção de censura. É, por isso, uma grande maratona parlamentar que o ministro Luís Neves ainda vai ter de enfrentar e que provavelmente ainda nem sequer está a meio. Para já, a primeira ronda desta audição trouxe já vários momentos de maior tensão. Luís Neves apareceu aqui a tentar mostrar trabalho pelo que fez até agora no Ministério da Administração Interna, mas a maioria dos partidos da oposição vieram pedir mais esclarecimentos sobre todas as polêmicas em que o ministro está envolvido, começando pelo CHEGA. Pedro Pinto pediu a demissão do ministro e veio perguntar se já está combinado um prazo de saída com Luís Montenegro. Luís Neves respondeu assim:

"Qualquer ministro, eu próprio, dependemos, naturalmente, do senhor primeiro-ministro. É esse o momento que eu tenho para lhe dizer, nesta fase, à pergunta que eu estou. Quando é que vou embora? Quando o governo terminar ou quando o senhor primeiro-ministro entender."

Resposta de Luís Neves, que depois da insistência de Pedro Pinto, reforçou que não vai pôr o lugar à disposição. Pelo Partido Socialista, Isabel Moreira deixou um aviso ao ministro. Diz que todas as polêmicas em que está envolvido estão a causar um desgaste reputacional, não só à Polícia Judiciária, mas também ao próprio governo. Diz, por isso, que o primeiro-ministro deve avaliar se a situação atual é sustentável para o funcionamento das instituições.

"Cabe ao primeiro-ministro, naturalmente, avaliar se a permanência desta controvérsia, objetivamente falando, é compatível com a autoridade, disponibilidade e estabilidade necessárias para dirigir uma das tutelas mais sensíveis do Estado. O problema já não é apenas saber se o senhor ministro considera que mantém condições, é saber se o primeiro-ministro considera que o governo pode continuar indefinidamente neste estado de desgaste."

Isabel Moreira, deputada do Partido Socialista, nesta audição que já vai longa, em que Luís Neves já tentou esclarecer várias questões, em especial em relação ao atrelado com substâncias químicas usadas para o fabrico de droga, que foi enviado para o terreno de uma empresa de um empreiteiro amigo do ministro. Luís Neves foi questionado sobre eventuais contrapartidas que tenham sido exigidas por essa empresa para receber esses materiais, uma vez que se trata de uma empresa privada, e garantiu, o ministro, que nunca foi pago qualquer valor para que esse atrelado, essa galera, como também é chamado, ficasse ali guardado durante vários meses.

Vasco Maldonado Correia, em direto a partir da Assembleia da República, onde decorre esta audição ao ministro da Administração Interna. Mais de 30 deputados inscritos para esta segunda ronda. Nesta fase, os deputados estão a fazer as questões ao ministro da Administração Interna. Cada um tem dois minutos para fazer essas questões. Luís Neves responde, no fim, a todos. Vamos, na Rádio Observador, acompanhar esse momento em direto, as respostas de Luís Neves. Nesta altura, ainda estamos no período de questões. Já a seguir a este jornal, vamos ter uma edição especial do E o Vencedor É e logo depois vamos acompanhar em direto essas respostas do ministro da Administração Interna, com uma emissão a partir da Assembleia da República. Ainda hoje vamos também transmitir esse debate da moção de censura ao governo.

E sobre isso o Livre já anunciou: vai votar contra essa moção de censura por ter apenas Luís Neves como foco das críticas ao governo.

Isabel Mendes Lopes diz que o governo merece censura, sim, mas vai votar contra a iniciativa do partido de André Ventura. Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, a líder parlamentar e porta-voz do partido, o Livre, lamenta que o CHEGA queira apenas combater o ministro Luís Neves.

A moção de censura do CHEGA foca-se exclusivamente na atuação de Luís Neves e não censura nenhuma das outras políticas por parte do governo Nós sabemos o que o Chega quer. Quer sempre agenda midiática, quer ocupar todo o espaço e a verdade é que vai conseguindo, usando todo este folclore, usando todos os instrumentos ao seu dispor para estar sempre na ribalta e para, no fundo, estabelecer o tabuleiro em que os outros agentes políticos e os agentes midiáticos, todos jogam. O Livre recusa-se a atuar neste tabuleiro que é imposto pela extrema-direita todos os dias e, por isso, votará contra, convictamente, esta moção de censura.

Para além do Livre, também à esquerda, o PS vai abster-se. O PCP diz apenas que não vai acompanhar a moção, mas ainda não revelou o sentido de voto.

Foram divulgados os resultados do PISA. É o maior estudo internacional de educação realizado pela OCDE e os alunos portugueses tiveram os piores desempenhos acadêmicos de sempre na prova de leitura.

Foram recolhidos em Portugal dados de quase 7000 alunos em 225 escolas. Os jovens de 15 anos, avaliados no ano passado, voltaram a piorar a matemática, a leitura e as ciências. A OCDE refere que só estes números representam um regresso a valores próximos dos que foram observados em 2006 nas três disciplinas. As más notícias para Portugal não terminam aqui. Os alunos portugueses tiveram um desempenho à leitura pior do que no ano 2000 e em matemática obtiveram resultado próximo ao dos colegas que fizeram a prova em 2003. Em comparação com os 90 países envolvidos no PISA, neste estudo, Portugal continua perto da média da OCDE, mas perdeu conhecimento e há poucos alunos de excelência. Apenas 6% são top performers em ciências, 6% em matemática e só 3% em leitura. Portugal surge em 29° lugar a ciências, 26° em leitura e 30° em matemática neste resultado do PISA 2025.

É um relatório que também fala de outras temáticas relacionadas com a comunidade escolar. Há bons indicadores no que toca ao bullying, mas há mais alunos que se sentem aborrecidos na aprendizagem.

Neste caso, é um aumento de 10% relativamente a 2022. Quando questionados se aprender coisas novas é algo aborrecido, 15% dos estudantes portugueses respondeu sim. A exposição ao bullying também é um dos temas tratados neste estudo, como referias, Nelson. O PISA 2025 revela que apenas 15 dos 90 países apresentam níveis de exposição a práticas de bullying inferiores aos registados entre os jovens em Portugal.

Na reação a estes números, o secretário de Estado da Educação afirma que os resultados estão a gerar preocupação.

Alexandre Homem Cristo rejeita, ainda assim, que o atual governo tenha responsabilidade no agravamento das aprendizagens. O secretário de Estado espera que o próximo relatório do PISA, em 2029, os alunos portugueses já possam surgir acima da média da OCDE.

Que estes resultados, do ponto de vista da política pública, não estão diretamente ligados ao período deste governo, não significa que o governo não se sinta responsável por encontrar soluções e, naturalmente, as políticas públicas que têm em curso, virar esse resultado, e era a última nota que eu queria deixar. No programa de governo e desde o início da nossa tomada de funções em 2024, uma das ambições que assumimos foi precisamente a de colocar os desempenhos de alunos portugueses acima da média em 2029.

O secretário de Estado Alexandre Homem Cristo aponta para algumas melhorias para o futuro. Indica, entre elas, o investimento em bibliotecas para o primeiro ciclo e um novo programa de formação didática do ensino da leitura para professores, medidas que Alexandre Homem Cristo identifica também para melhorar próximos resultados no PISA face a Portugal. Nesta altura, estes dados mostram que os alunos portugueses pioraram a matemática, a leitura e as ciências.

Na atualidade internacional, falamos do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que terá sido avisado sobre o ataque do Hamas a 7 de outubro e, ao que parece, Miguel, não informou as forças de segurança do país.

Essa é a informação que consta no livro "Kidnapped: 840 Dias de Abandono". É um livro que hoje é citado pelo jornal Haaretz, um livro de dois jornalistas israelitas baseado em entrevistas a dezenas de fontes, incluindo altos responsáveis israelitas e estrangeiros, e que conta que Netanyahu terá sido avisado cerca de 10 dias antes do 6 de outubro de 2023 pelo presidente dos Emirados Árabes Unidos.

Vamos às notícias de âmbito local.

Almada. A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde vai abrir uma ação inspetiva ao Hospital Garcia de Orta depois da suspensão das consultas de gravidez não desejada. O processo pretende perceber como foi tomada a decisão e como estão a ser assegurados os cuidados às mulheres que recorrem à IVG. Em Sintra, cerca de 80 pinheiros infetados por um fungo vão ser abatidos na zona da Azóia. Por razões de segurança, vão existir condicionamentos ao trânsito nas estradas junto a esta zona, incluindo na Estrada Regional 247, informação divulgada pela Parques de Sintra à Agência Lusa. Nas Ambujas, esperam-se condicionamentos de trânsito e estacionamento em Alcoentre a partir de quinta-feira. A medida acontece durante a Festa de Alcoentre, que se prolonga até domingo. Aveiro. Um homem de 50 anos começou a ser julgado por 12 furtos. Os crimes foram cometidos entre outubro do ano passado e janeiro deste ano, em vários espaços comerciais da região. No Porto, a Câmara vai abater 19 árvores na Avenida dos Aliados, depois de ter identificado problemas que podem pôr em risco a segurança pública. A decisão surge depois da queda de uma árvore de grande porte em agosto, que provocou três feridos ligeiros. Na Marinha Grande, morreu Cesário Silva, diretor do Agrupamento de Escolas da Marinha Grande/Poente. A comunidade educativa lamenta a morte e destaca o trabalho desenvolvido por este responsável em defesa da escola pública e junto de alunos, famílias e professores.