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Uma da tarde. Jornal da Uma, com edição do Luís Soares. Luís, o Ministro da Educação elogia a seriedade do antigo ministro João Costa, na análise que fez aos resultados dos testes PISA.

O antigo responsável socialista, em declarações via os meios de comunicação social, assume responsabilidades pelo fraco desempenho, mas considera que os dados têm que ser lidos, tendo em conta os anos da pandemia, a falta de professores e também o pouco acompanhamento das famílias. Confrontado com essas declarações, o atual ministro Fernando Alexandre elogia a análise do antecessor no cargo.

O ex-ministro João Costa foi bastante sério, rigoroso, é um acadêmico, também esperaria isso dele. E obviamente, os resultados de um exame que é feito em 2025, quando houve um governo que esteve oito anos e meio no poder, em que teve um secretário de Estado, que era o professor João Costa, que tinha a responsabilidade que tinha e depois foi ministro nos últimos dois anos, obviamente, as aprendizagens em 2025 não são responsabilidade de um governo que entrou a meio de 2024.

Declarações de Fernando Alexandre aos jornalistas, à margem da inauguração de uma residência universitária em Braga. Os dados dos testes PISA mostram que Portugal está em queda nas capacidades de leitura e também da matemática.

E a deputada socialista Marina Gonçalves considera que o antigo ministro da Educação, João Costa, não assumiu qualquer responsabilidade pelos resultados de Portugal.

Foi na comissão de inquérito desta manhã, aqui na Rádio Observador, a deputada socialista faz outra interpretação.

Eu acho que se interpretou muito mal as palavras de João Costa, porque João Costa o que disse foi que a responsabilidade não é uma responsabilidade deste governo, como não é só do governo de António Costa, do governo do Partido Socialista. Vamos aqui ver. Este período de avaliação tem uma pandemia no meio, que tem um impacto direto nos resultados do PISA. Não é só em Portugal, é em toda a Europa. Aliás, o retrocesso não é um retrocesso que se verifica só em Portugal, verifica-se em toda a Europa e tem muito a ver com isto. E há de ter muito a ver também com outras dimensões. Pelo menos no meu entendimento, aquilo que o João Costa disse, é porque o Partido Socialista tem uma postura bastante diferente do PSD. A culpa não é sempre dos outros. Nós também temos a nossa responsabilidade e a nossa cota parte de responsabilidade também a devemos assumir. Agora, João Costa não disse que o problema foi o Partido Socialista e que o PSD está a fazer tudo bem.

Marina Gonçalves, deputada do PS, na comissão de inquérito desta manhã. Já ontem o deputado Porfírio Silva relativizou as responsabilidades sobre os testes PISA e acusou o atual governo de não saber ler os dados.

E num último esforço para tentar evitar uma nova greve no INEM, a ministra da Saúde convocou pra amanhã uma reunião com o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar.

Ana Paula Martins convocou a reunião para às 08h30 da manhã. Além do sindicato, vai estar presente também o presidente do INEM, Luís Cabral. A ministra da Saúde vai tentar mediar um entendimento entre as partes e assim travar a paralisação dos técnicos prevista para a próxima segunda-feira e também para 28 de setembro. O sindicato já enviou uma contraproposta ao INEM, na qual se aproxima das posições do Conselho Diretivo do Instituto. Rui Lázaro diz estar pronto para algumas cedências, depois de ter recebido a indicação de que o sindicato se tinha mostrado disponível para ceder. Ana Paula Martins convocou, no meio desta semana, uma nova reunião para amanhã, cumprindo a promessa de tudo fazer até ao último segundo para evitar a greve, que será a concretizar-se a segunda paralisação mais significativa dos técnicos de emergência em menos de dois anos.

E na Operação Marquês, José Sócrates voltou hoje a tribunal para prestar declarações, depois de críticas ao coletivo sobre as renúncias dos advogados. O antigo primeiro-ministro esteve a falar sobre os temas relacionados com a Venezuela.

Em particular, a relação com o grupo Lena. O antigo primeiro-ministro responsabiliza o governo de Pedro Passos Coelho pelo acordo mais vantajoso para o grupo Lena na Venezuela. Mas a sessão começou com críticas ao tribunal acerca da renúncia dos advogados de José Sócrates e o advogado oficioso, nomeado pela Ordem, garante João Lourenço que vai fazer o trabalho possível, apesar de não estar articulado com o arguido.

Luís Carlos Esteves, ele que falou à saída deste período da manhã, desta décima sessão de julgamento da Operação Marquês, o advogado nomeado pelo Conselho Regional de Lisboa da Ordem dos Advogados, assim é que é o nome correto, referiu que já tentou algumas abordagens para com o ex-primeiro-ministro. No entanto, diz que apesar da dificuldade, vai continuar o trabalho para o qual foi nomeado.

É sempre uma posição complicada, não é fácil. Mas no sentido agora da sentença que foi proferida no tribunal aqui administrativo círculo, que acabou por confirmar a validade da nomeação. Enquanto a nomeação durar ou persistir nesse sentido, terei que fazer aquilo que me compete, que é assegurar a defesa do senhor engenheiro da melhor forma possível.

Luís Carlos Esteves, que esteve aqui há poucos dias também na defesa do antigo motorista de José Sócrates, João Perna, também não conseguiu nesse dia, naturalmente, falar com o ex-primeiro-ministro. Disse que abordou exatamente na manhã de hoje José Sócrates. No entanto, a resposta foi clara: não quero ser defendido por Luís Carlos Esteves.

Hoje foi tentido a manter aí algum contacto, não houve abertura para isso, portanto, também não tive para estar a insistir muito.

Mas tentou falar com ele?

Tentei. Não houve abertura nesse sentido, não houve também vontade de estabelecer nenhum contacto comigo, mas eu respeito. Não estou aqui também para tentar arranjar mais controvérsias.

Mas o engenheiro José Sócrates disse mesmo que não queria falar consigo, é isso?

Houve essa vontade da parte do senhor engenheiro, que eu compreendo e

Não tem nada a censurar sobre isso.

José Sócrates se apresenta aqui no campus de Justiça sem advogado, depois de a 14 de novembro o advogado Pedro Delimo ter renunciado a essa defesa do antigo primeiro-ministro. Ora, à entrada desta décima sessão de julgamento, José Sócrates já tinha recusado qualquer responsabilidade pelas renúncias dos advogados no julgamento. Já é o terceiro que faz essa recusa, Pedro Delimo, depois José Petro Preto e depois Sara Leitão Moreira. Nestes trabalhos da décima sessão de julgamento, estão em período de almoço, voltam às 14h.

João Lourenço, em direto do Campus da Justiça, onde hoje José Sócrates volta a prestar declarações no âmbito da Operação Marquês. A sessão, como ouvimos, é retomada depois de almoço.

E seguimos com uma notícia Observador. A Polícia Judiciária informou mal a Ministra da Justiça. Afinal, o orçamento apresentado à PJ era mesmo para a destruição exclusiva de produtos químicos na Operação Pacoba.

Entre os quais estavam centenas de bidões. O Observador sabe que o gabinete da ministra Rita Alercon Júdice recebeu informações erradas da Polícia Judiciária, tal como a própria admitiu ontem no Parlamento. Os mais de 60 bidões que continham químicos usados para a produção de droga representam apenas uma parte muito pequena de todo o material apreendido neste inquérito e, por isso, o valor de €144 mil pedido à Polícia Judiciária era referente à destruição de centenas de bidões e todos faziam parte do mesmo processo. Só esta semana a PJ deu conta do erro. A informação já foi retificada junto do gabinete da Ministra da Justiça.

E o Instituto Nacional de Estatística confirma que a taxa de inflação em Portugal acelerou para 3,3% em agosto.

Fica assim confirmada a estimativa rápida do INE, avançada há cerca de duas semanas. Este ritmo de subida dos preços representa uma aceleração em relação aos 3% que tinham sido registados em julho. Isto também em comparação com o mesmo mês do ano passado e é explicado, sobretudo, pelo aumento dos preços dos combustíveis. Já no que diz respeito à inflação subjacente, o índice que exclui produtos alimentares não transformados e energéticos, registou uma variação de 2,6%, a uma taxa idêntica à que tinha sido registrada em julho.

E agora que foi confirmado este valor, Luís, está confirmado também o valor das subidas das rendas no próximo ano.

Os senhores podem aumentar o valor das rendas até 2,56% no ano que vem. É um valor calculado com base nestes números da inflação de agosto. De acordo com os dados do INE, nos últimos 12 meses, até agosto, a variação média do índice de preços, excluindo a habitação, foi de 2,56%. É então este o valor que serve de base ao coeficiente utilizado para atualizar as rendas no próximo ano, ao abrigo do novo regime de arrendamento urbano.

Uma hora e oito minutos, Luís, que outras notícias vão marcando a atualidade esta quinta-feira?

O economista Ricardo Reis foi afastado da corrida ao cargo de economista-chefe do FMI por críticas às tarifas de Donald Trump. De acordo com o Financial Times, ele estaria na calha para se tornar líder do departamento de investigação económica do FMI. Teria sido afastado por ter criticado as tarifas de Donald Trump e iria também assumir o cargo de principal conselheiro económico do FMI. Os rebeldes xiitas houthis do Iêmen tomaram hoje o controle da cidade de Mocha, no mar Vermelho. De acordo com fonte iemenita, estavam a avançar já em direção ao estreito de Bab-el-Mandeb. Os avanços dos rebeldes apoiados pelo Irã seguem-se a bombardeamentos da coligação liderada pela Arábia Saudita, que apoia o governo do Iémen. Elementos associados ao grupo extremista Estado Islâmico reivindicaram o ataque no norte de Moçambique, que destruiu o acampamento turístico associado ao treinador de futebol Carlos Queiroz. A reivindicação foi feita através dos canais de propaganda do Estado Islâmico, refere que o ataque aconteceu na quinta-feira passada com os elementos do grupo que opera a partir da província vizinha de Cabo Delgado, incendiaram um posto da polícia com armas automáticas e o que resultou em ferimentos no elemento policial em incursão armada na reserva especial provocou pelo menos um morto. O Banco Central Europeu deve decidir daqui a cerca de cinco minutos uma nova subida das taxas diretoras. Vai ser a segunda subida este ano e pode não ser a última. Christine Lagarde já tinha alertado em julho para a probabilidade das taxas de juro terem de voltar a subir. Para já, a taxa de referência deve subir dos atuais 2,25% para 2,5%, isto num dia também em que o preço do petróleo Brent para entrega em novembro ultrapassou a barreira dos $102, máximos desde o mês de maio.

Luís Soares e o Jornal da Uma.