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O Jornal da Uma. Está a começar o Jornal da Uma, com edição do Miguel Videra. Miguel, há novas informações sobre o caso do avião com destino a Tel Aviv, que foi obrigado a aterrar de emergência na Arábia Saudita. Estão hospitalizados o piloto e também o copiloto.
Informação avançada pela principal operadora de aviação da Arábia Saudita em comunicado, sendo que, nesta altura, há fontes que adiantam que o copiloto, suspeito de atacar o piloto com o objetivo de fazer despenhar o avião, é, Teresa Freire, aqui conosco em estúdio, natural de Omã.
Nas redes sociais e na imprensa local têm circulado vídeos e mensagens de passageiros do avião. Revelam que o copiloto esfaqueou o piloto com um canivete com o objetivo de controlar o avião. Foi um passageiro que os conseguiu separar, enquanto outros dois pilotaram o voo até a aterragem. Ao chegarem a Tabuk, o piloto e o copiloto foram hospitalizados, enquanto os restantes passageiros receberam os cuidados necessários no terminal.
Teresa, este copiloto, adianta a CNN, suspeito de ferir o comandante, tem nacionalidade de Omã.
Este facto importa porque Omã e Israel não mantêm relações diplomáticas atualmente, o que significa que o copiloto não poderia entrar em Israel, para onde o voo se dirigia inicialmente. Já há também reações por parte de responsáveis. O ministro israelita da Segurança Nacional diz que devem escalar os conflitos no Médio Oriente até alcançar a vitória total no Irã, Líbano, Gaza, Judeia e Samaria. Já a ministra dos Transportes exige que sejam cancelados todos os voos operados pela Flydubai com destino e que saem de Israel.
Teresa Freire, que tem estado a acompanhar a evolução das informações que vão sendo conhecidas sobre este caso. Um avião que foi obrigado a aterrar de emergência na Arábia Saudita, tinha origem no Dubai, dirigia-se para Tel Aviv. Ocorreu um esfaqueamento, como a Teresa aqui nos contava, autor o copiloto, sendo que, de acordo com a CNN, as autoridades israelitas suspeitam que o incidente com a Flydubai possa ter sido uma tentativa de ataque terrorista. É nosso convidado desta edição da uma da tarde, José Correia Guedes, especialista em aviação. Boa tarde, bem-vindo, obrigado pela disponibilidade. Há algum indicador que nos permita dizer se estamos na presença de um ataque terrorista?
Não, eu creio que não. Pelo menos de momento. Nada parece apontar nesse sentido. Os elementos que eu pude analisar através do site Flight Radar, que nos fornece informação bastante detalhada sobre este tipo de incidentes. Houve uma luta a bordo, isso sim, confirma-se quando o avião estava em cruzeiro a 34 mil pés, a nível do três quatro zero, como nós dizemos. E de repente, através desses indicadores, é possível ver que há uma descida brutal. Não encontro outro adjetivo para comentar esse tipo de descida. Só para lhe dar uma ideia, há valores que aos passageiros diz pouco, mas quando um avião faz uma descida de emergência, normalmente por despressurização, em que o avião tem que descer rapidamente para um ambiente respirável, o melhor que nós conseguimos anda à volta dos seis, sete mil pés por minuto. Este avião, o incidente da Flydubai, ele chegou a atingir, ainda que instantaneamente, 32 mil pés por minuto. Isto é um foguete em sentido inverso, ou seja, a picar em direção ao solo, que eu penso que só se consegue... Eu nunca vi uma coisa destas.
De resto, a imprensa israelita dava conta da possibilidade de ser intenção do copiloto de fazer despenhar o avião. Estes números que aqui apresenta são compatíveis com esta tese?
Sim, apontam nesse sentido, porque uma razão de descida deste tipo só se consegue, para já, mergulhando a pique e com a ajuda dos motores. Portanto, é um processo completamente intencional. Ele não conseguiu, porque entretanto, há aqui também outro detalhe importante, que a porta do cockpit é blindada, portanto, para os passageiros terem tido acesso ao cockpit, alguém abriu a porta e eu suspeito que tenha sido o comandante, porque de outra forma não é possível entrar no cockpit. Entraram no cockpit, imobilizaram o que penso que é o copiloto, o atacante, e trataram o comandante e ele depois conseguiu aterrar o avião. À aterragem, constata-se que falta uma parte do leme de direção. Isto pode ter sido consequência de duas coisas: ou da descida brutal que o avião fez, ou então de uma manobra excessiva por parte do copiloto, de forma a fazer o avião picar. Portanto, estruturalmente, o leme de direção não aguentou aquele tipo de manobra que terá sido realmente exercido. Obviamente que os investigadores agora vão olhar para isto, para esta falha do rudder ou do leme de direção, se preferirem, porque pode ser um fator indicador do que realmente aconteceu. Estamos a falar apenas de factos. Em relação à possibilidade de se tratar de um atentado tipo 11 de setembro, que o avião quisesse chegar a Tel Aviv e despenhar-se, como corre aí muito nas redes sociais, eu acho pouco provável, porque a IDF, as Forças Armadas Israelitas, nunca iriam permitir a entrada de um avião nestas circunstâncias no seu espaço aéreo. Ele seria abatido muito antes de entrar no espaço aéreo israelita. Portanto, parece um pouco provável essa intenção. Neste momento, e obviamente estamos apenas no domínio da especulação em relação à motivação, eu apontaria para uma tentativa de suicídio em que o copiloto arrastaria consigo aqueles quase 200 passageiros. Infelizmente, isto não é novidade, já aconteceu algumas vezes no passado Acredito que o objetivo poderia ter sido esse. De momento, com os dados que temos, eu apostaria nessa possibilidade. Entretanto, se vierem outros dados posteriormente, serei o primeiro a corrigir. Mas para já, penso que estamos perante um caso destes.
Sendo que as informações oficiais até agora conhecidas não nos permitem compreender exatamente tudo aquilo que se passou. Agradeço, José Correia Guedes, a sua presença neste jornal da uma da tarde aqui, a ajudar-nos também a interpretar algumas informações, aquelas que vieram a público, particularmente aquele dado que aqui referia a descida a pique do avião, sendo que ainda não se sabe o que terá estado na origem dessa descida vertiginosa.
Miguel, a Assembleia da República vai discutir e votar esta tarde a nova lei do arrendamento, proposta pelo governo. A Associação de Inquilinos Lisbonense espera que seja chumbada.
A iniciativa inclui medidas como o aceleramento dos despachos por incumprimento do pagamento de rendas. O presidente da Associação de Inquilinos Lisbonense, Pedro Ventura, diz que esta nova legislação não vai contribuir para a estabilidade do setor e espera, por isso, que o documento mereça um rotundo não.
Fica muito claro que a aprovação das medidas do governo vai aumentar os despejos, não contribui para a estabilidade do setor do arrendamento. E é por isso mesmo que nós contamos que os partidos representados na Assembleia da República, com uma postura responsável e uma postura de preocupação perante as dificuldades que os portugueses estão a ultrapassar, chumbem claramente esta proposta.
O presidente da associação comentou também as medidas aprovadas ontem em Espanha, precisamente para combater a crise na habitação. Diz que medidas como a proibição da compra de imóveis por fundos de investimento já deviam ter sido adotadas em Portugal.
Esta medida de aquisição de imóveis por parte de fundos devia ter sido tomada no contexto português quando foi a crise de 2011, 2012 e 2013. Portanto, ela já peca por tardia.
O presidente da Associação de Inquilinos Lisbonense, em declarações à Rádio Observador, Pedro Ventura sublinha que a crise de habitação em Portugal é mais grave do que em Espanha.
E arrancou hoje a campanha sazonal de vacinação em Portugal.
No total, o SNS adquiriu mais de dois milhões de vacinas. Este ano a campanha traz uma novidade: o alargamento da vacinação gratuita às crianças dos dois aos quatro anos de idade. O lançamento oficial foi feito na Unidade de Saúde Familiar Rodrigues Miguéis e numa farmácia ali próxima, em Lisboa, por onde passou a repórter do Observador, Beatriz Félix.
No dia em que arranca a campanha sazonal de vacinação, começa a corrida aos centros de saúde e farmácias. A conta-gotas, as pessoas vão chegando para poder tomar as vacinas. Fortunato Carreteiro costuma ser utente assíduo nestas campanhas, mas hoje até nem era uma dessas pessoas.
Vim obter informação sobre a compatibilidade da toma da vacina com um outro medicamento que estou a tomar.
Esclarecidas as dúvidas, acabou por entrar para a contagem de vacinados e para quem tem receio, Fortunato garante: não custa nada.
Uma picadinha ligeira, neste caso, duas picadinhas ligeiras.
Fortunato Carreteiro acabou por escolher a Farmácia Benfilus para se vacinar. Uma das muitas pessoas que hoje aparecem neste estabelecimento, como conta a diretora técnica da farmácia, Teresa Rebochos. Diz que o primeiro dia vai de vento em popa e que este era já aguardado por muitos. As pessoas começam já com 15 dias, um mês antes, a perguntar quando é que podem vir vacinar. Estão ansiosos. O arranque da campanha de vacinação foi acompanhado pela diretora geral da Saúde, Rita Sá Machado, que fala na importância da vacinação.
É um passo importantíssimo naquela que é a nossa preparação do inverno e por isso mesmo é que nunca podemos deixar este passo esquecido.
E deixa ponto assente, não faltará opção para quem quer ser vacinado. A secretária de Estado da Saúde, Ana Polo, também esteve presente, repete o apelo à vacinação e assegura que o estoque não vai faltar. Venham se vacinar, porque na população que a Direção-Geral de Saúde define, não há falha de vacinas. Quem o quiser fazer, apenas se tem de dirigir ao centro de saúde de referência ou a uma das farmácias aderentes.
Beatriz Félix acompanhou o lançamento esta manhã da campanha sazonal de vacinação. Começou hoje, termina a 31 de março do próximo ano.
E assim termina o Jornal da Uma.