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Com Miguel Videira. Miguel Videira com o Jornal das Duas na Rádio Observador. Miguel, boa tarde.

Boa tarde, Nelson.

Vamos começar este jornal por essa cerimónia de homenagem a Aníbal Cavaco Silva, a coincidir com os 40 anos da posse do primeiro executivo do antigo chefe de governo.

Está a decorrer na residência oficial do primeiro-ministro e conta com a presença de ministros do atual governo, mas também dos governos liderados por Aníbal Cavaco Silva entre 1985 e 1995, sendo que Cavaco Silva conquistou duas maiorias absolutas. Esta cerimónia começou com as intervenções do atual primeiro-ministro, Luís Montenegro, e depois de Cavaco Silva. Luís Montenegro disse, por exemplo, que há um Portugal antes e um Portugal depois de Cavaco Silva. Palavras agradecidas pelo antigo primeiro-ministro e presidente da República e que foram escutadas na residência oficial do primeiro-ministro pelo jornalista João Cama, que se junta agora a nós em direto. João, destaques destas intervenções.

Começou por Luís Montenegro, discursou perto de 15 minutos e deixou largos elogios, como acabaste de fazer referência, Miguel, mas também fez algumas comparações ao segundo executivo que lidera e também à visão reformista que encontra em Aníbal Cavaco Silva e um antigo primeiro-ministro que Luís Montenegro diz que teve o ciclo governativo mais proveitoso da história do país.

De um Portugal virado para o futuro, de um Portugal que, eu diria, finalmente almejou estar ao nível dos países mais desenvolvidos da Europa. E por mais que alguns possam ter dúvidas, eu creio que independentemente das perspetivas e da orientação política de cada português, é justo reconhecer que há um Portugal antes e o Portugal depois de Aníbal Cavaco Silva.

Um primeiro-ministro que Luís Montenegro marcou definitivamente a história do país e dias depois de o primeiro-ministro dizer que lidera um governo de inspiração sacarnista, vem agora esclarecer que a sua maior inspiração é mesmo o antigo primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva.

Que do ponto de vista da inspiração governativa, da forma de estar, lidar e executar a tarefa de coordenação do governo, a nossa e a minha referência e inspiração é precisamente Aníbal Cavaco Silva. E como ele, hoje sentimos a responsabilidade de sermos um farol para dar ao país uma orientação para o rumo que queremos seguir, como fez Cavaco Silva há 40 anos.

Depois do atual primeiro-ministro, discursou um discurso um pouco mais breve, aqui de Aníbal Cavaco Silva, lembrou o pior e o melhor momento desse primeiro governo que liderou e deixou também um recado para Luís Montenegro. Lembra Aníbal Cavaco Silva que na política ninguém é perfeito.

É impossível evitar falhas e erros. Como costumo dizer, nobody is perfect. Em política, os erros cometidos por um governo, mesmo que tal seja humano, não podem ser escondidos. E às vezes, os erros são mesmo inventados para serem notícia com estrondo. Em política, tal como no futebol, abundam os treinadores de bancada.

Aníbal Cavaco Silva, num discurso a propósito dos 40 anos da tomada de posse do seu primeiro governo, foram discursos que depois se seguiram de uma exposição fotográfica, já fora dos microfones da comunicação social, estreada por Luís Montenegro e também Aníbal Cavaco Silva no dia, Miguel Videira, em que se assinalam os 40 anos da tomada de posse do primeiro governo de Aníbal Cavaco Silva.

É uma exposição fotográfica da autoria do fotógrafo Rui Ochoa, que documentou boa parte dos anos de governação de Aníbal Cavaco Silva, primeiro-ministro de Portugal entre 1985 e 1995. Reportagem aqui em direto da residência oficial do primeiro-ministro, do jornalista do Observador, João Cama.

Miguel, há um novo balanço da Proteção Civil com as consequências do mau tempo das últimas horas.

Sim, foram registadas quase 800 ocorrências até ao meio-dia, ocorrências associadas à chuva e vento fortes. Há um desalojado em Paço de Arcos, de 20 anos, na habitação. Na Ericeira, duas pessoas foram resgatadas do mar e transportadas para o hospital. Lisboa e Vale do Tejo foi a região mais afetada pelo mau tempo.

Associado a este mau tempo, Portugal registou mais de 40 mil descargas elétricas atmosféricas nas últimas 24 horas.

É isso mesmo que revela à Rádio Observador o Instituto Português do Mar e da Atmosfera. A meteorologista Paula Leitão explica que este número, 40 mil descargas, é um número elevado e fora do vulgar.

São números bastante elevados, não são extraordinários. Este tipo de situação meteorológica acontece com alguma frequência, principalmente nesta altura do outono, em que o ar ainda está quente, o mar está com a água bastante quente. São números que são interessantes, digamos, do ponto de vista de quem gosta de observar estas coisas. Já não são os números mais vulgares, já são os números que mostram alguma intensidade.

É isso que diz Paula Leitão, meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, entrevistada pela jornalista Nadine Soares.

Na justiça, a Polícia Judiciária fez hoje buscas na Câmara Municipal de Ourém.

Relacionadas com suspeitas de violação de regras urbanísticas, corrupção, branqueamento de capitais e fraude na obtenção de subsídio. De acordo com a investigação, várias empresas que pertencem ao mesmo grupo empresarial terão realizado atividades industriais em plena reserva ecológica nacional, sem as necessárias licenças e alvarás de construção, cuja atividade poderá ter causado potenciais danos ecológicos. Foram cumpridos 25 mandados de busca.

O advogado oficioso de José Sócrates admite recorrer da decisão do tribunal de não conceder um prazo para consultar os autos.

Quando foi chamado pelo tribunal para substituir o advogado Pedro Delilo, que renunciou à defesa de José Sócrates, José Manuel Ramos pediu 48 horas para se inteirar do processo, pedido que foi recusado. Admite agora recorrer desta decisão do coletivo de juízes.

Isto é recorrível, ainda se pode fazer aqui algumas coisas, mas não sei.

Admite recorrer?

Não admito recorrer, mas terá que ser analisado com mais calma.

O advogado oficioso de José Sócrates revela ainda que desde que foi nomeado tentou contactar o antigo primeiro-ministro. Confirma que ainda não conseguiu falar com José Sócrates, o que já tentou fazer através do anterior advogado Pedro Delilo.

Fiz diligências para o contactar. Contactei o anterior colega e mandei-lhe um e-mail.

Teve alguma resposta?

Até agora, que eu tenha visto, não. Também mandei às 11 da noite, só chegou já durante a noite.

José Manuel Ramos, declarações esta manhã à entrada para a audiência de julgamento da Operação Marquês.

João Massano, bastonário da Ordem dos Advogados, censura a decisão da juíza Susana Seca de recusar esse período de 48 horas que o advogado José Ramos pediu para se preparar para defender Sócrates.

Isto depois de, como dissemos, Pedro Delilo, o advogado de defesa do ex-primeiro-ministro, ter renunciado ao lugar invocando razões de natureza deontológica. João Massano, bastonário da Ordem dos Advogados, considera que tudo neste julgamento está a fugir à normalidade.

Preocupa-me muito. Parece ser que, neste momento, aquele processo, o que tem vindo a acontecer, já foge a tudo o que é normalidade no decorrer de um processo judicial. Ainda por cima, o meu colega limitou-se a pedir um prazo que até é exíguo, um prazo que é curto, 48 horas, num processo daqueles, e essa recusa parece-me que não é razoável.

É o que diz João Massano, o bastonário da Ordem dos Advogados, num comentário à decisão do coletivo de juízes da Operação Marquês, coletivo presidido pela juíza Susana Seca, de recusar o pedido de 48 horas do novo advogado de José Sócrates para se inteirar do processo.

Duas horas, 10 minutos. Miguel, que outras notícias estão a marcar a atualidade?

O governo regional dos Açores vai avançar com 1 milhão e 200 mil € para pagar salários em atraso aos funcionários da base das Lajes. Em causa, o chatão da administração norte-americana que deixou os trabalhadores das Lajes, na Ilha Terceira, com salários em atraso. Hoje o governo regional autorizou o Instituto da Segurança Social na região a celebrar contratos de financiamento junto da banca até esse valor de 1,2 milhões de euros. Carlos Moedas prolongou a suspensão de novas licenças de alojamento local por mais um mês. O prazo terminava esta sexta-feira. Hoje o presidente da Câmara de Lisboa assinou um despacho em que determina que o período em que a autarquia esteve em gestão limitada não deve ser contabilizado para os 12 meses de suspensão. Ou seja, os 26 dias que separam o dia das eleições, 12 de outubro, e o dia do fim da suspensão, 7 de outubro, vão começar a ser contados a partir do dia da cerimônia de posse do novo executivo municipal, que deve acontecer na próxima semana. A taxa de desemprego voltou a descer no terceiro trimestre do ano para 5,8%, uma redução de 0,1 pontos percentuais face ao trimestre anterior. Em comparação com o mesmo trimestre do ano passado, a redução é ainda mais acentuada, 0,3 pontos percentuais, dados revelados esta manhã pelo Instituto Nacional de Estatística.