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Jornal das Duas, na Rádio Observador, com Miguel Videira. Vários candidatos à Presidência da República manifestam reservas à integração de militares portugueses numa força de paz a destacar para a Ucrânia.

Foi um dos temas do debate das rádios que juntou oito candidatos a Belém, debate em que ficaram evidentes as diferenças neste tema da Ucrânia, mas também no que diz respeito à Justiça ou à Lei do Lobby. O debate organizado pela Rádio Observador, TSF, Rádio Renascença e Antena Um permitiu também perceber que todos os candidatos rejeitam a possibilidade do Presidente da República cumprir um único mandato e que a maioria entende que o chumbo de um Orçamento do Estado não deve conduzir obrigatoriamente à dissolução da Assembleia da República. O jornalista Miguel Gato ouviu a troca de argumentos ao longo das duas horas de um debate que teve alguns momentos, Miguel, mais acalorados.

O debate das rádios aqueceu pela primeira vez quando se falou em desistências de candidaturas à esquerda, em detrimento do apoio a António José Seguro.

Jorge Pinto, António Filipe, Catarina Martins, mais provavelmente nas próximas duas semanas e meia terem que desistir.

Eu não vou desistir. Já me fizeram esta pergunta várias vezes, eu dei sempre a mesma resposta. Acho insultuoso que a pergunta continue.

António Filipe também garante que não vai desistir da corrida a Belém. Menos taxativo é Jorge Pinto.

Não vai desistir dessa corrida?

Não me parece sequer que seja tema para este debate.

Quase todos os candidatos afastam a dissolução do Parlamento, em caso de chumbo do Orçamento do Estado. Só André Ventura e Cotrim de Figueiredo sublinham que a decisão depende do contexto. O tema dos almoços entre candidatos voltou à tona, com André Ventura a revelar um momento que Seguro garante que não aconteceu.

António José Seguro um dia, comigo, frente a frente, até me disse que quais eram as eleições mais fáceis para se ser eleito, se era as de eurodeputados, se era as legislativas.

E voltou também a troca de argumentos entre Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes sobre transparência.

E o que verdadeiramente está a degradar a nossa democracia, eu insisto neste ponto, é verdadeiramente a opacidade.

Forneci todos os esclarecimentos que entendia e insisto, em 18 anos não tive um problema com a Ordem dos Advogados, não tive um problema com a Autoridade Tributária, não tive um problema com o Ministério Público.

Sobre justiça, os candidatos rejeitam intervenção direta em casos concretos, mas dizem que é importante o Presidente da República dar um sinal.

Estou mesmo farto que em cada período eleitoral, quando nos aproximamos de uma eleição, nós temos sempre notícias mais ou menos filtradas pelo Ministério Público sobre uma qualquer investigação relacionada com um dos intervenientes políticos que vai a votos.

E é bom que se fale destas questões no espaço público, porque ninguém está acima do escrutínio.

Já sobre a Lei do Lobbying, todos os candidatos mostraram-se a favor de uma nova lei.

Vem até tarde. Eu não percebo por que o Parlamento demorou tantos anos a legislar sobre esta situação.

Ao contrário de António Filipe e também Catarina Martins.

Há uma lei do lobby no Parlamento Europeu e há eurodeputados que foram presos por favorecerem o Catar e Marrocos.

Neste debate, foi também discutida a integração de militares portugueses numa força multinacional de paz a ser destacada para a Ucrânia, uma possibilidade rejeitada por António Filipe.

Não vejo um interesse nacional que deva ser defendido com o envio de tropas portuguesas para a Ucrânia.

Henrique Gouveia e Melo também não é a favor, salvo se estiverem em causa interesses nacionais fortíssimos.

Qualquer força de manutenção de paz pode ser imediatamente envolvida num conflito e, portanto, é preciso ter muito cuidado. Eu não sou a favor dessa participação.

Ainda sobre a Ucrânia, o debate volta a aquecer num frente a frente entre André Ventura e Cotrim de Figueiredo.

Se estamos a pedir aos contribuintes portugueses um esforço de ajudar a Ucrânia, que o dinheiro não ande a pagar coisas que não deve. Ações da própria Justiça.

Isso é assustadoramente perto do discurso de Putin, André Ventura.

Não, desculpa. Eu acho que isso não tem nada a ver com a Ucrânia.

Só falta chamar de nazista.

Não, não tem nada a ver com isso.

Entre várias divergências, uma opinião unânime, oito dos 11 candidatos a Belém rejeitam a possibilidade de vir a ser instituído um mandato único do Presidente da República.

Miguel Cato, com o resumo do último debate entre os candidatos à Presidência da República. A campanha oficial arranca este domingo.

Apesar dos candidatos a Belém há muito estarem na estrada em ações de pré-campanha. E Miguel, o presidente da Assembleia da República não tem gostado de algumas coisas que tem ouvido.

Sim, num artigo publicado no semanário Expresso, Aguiar Branco chama, por exemplo, a atenção para o fato de serem temas de campanha matérias que são da exclusiva responsabilidade do Parlamento e dá como exemplo a revisão constitucional. Lamenta também que o debate esteja a resvalar para o que define como uma suspeição generalizada sobre os políticos. Escreve Aguiar Branco: "O escrutínio é indispensável, a desconfiança permanente, não".

Miguel, como já dissemos, a campanha oficial arranca este domingo.

Sim, e já se fazem as contas aos quilômetros que os 11 candidatos vão percorrer. Aqui conosco em estúdio está a jornalista Beatriz Félix. Beatriz, vamos lá então a esse itinerário dos diferentes candidatos a Belém.

Vamos a isso. E começamos com a rota de António José Seguro, que tem o objetivo de passar por todos os distritos do país e assim dar visibilidade a locais onde há falta de Estado, é o que diz António José Seguro, isto ao lado de José Luís Carneiro. Uma das novidades desta campanha é a transmissão por streaming de algumas destas iniciativas, de forma a chegar a mais pessoas. Luís Marques Mendes aposta numa campanha com visitas a instituições, contactos com a população e também sessões de esclarecimento ao lado de algumas figuras da AD, mas também a figura principal de Luís Montenegro. No dia 9 de janeiro, faz uma pausa nesta campanha para marcar presença no Conselho de Estado convocado pelo Presidente da República sobre a Ucrânia. Falamos agora de Henrique Gouveia e Melo, que parte para esta campanha sem qualquer apoio de fontes partidárias. Por isso, começa no Algarve, finaliza em Lisboa, mas a passar por cada um dos 18 distritos, entre almoços e ações de campanha, sempre com direito a discurso do almirante no final. Falamos também de André Ventura, que vai arrancar a partir do Algarve, esta que é a região que tem valido mais votos ao CHEGA nas últimas eleições. Diz que mais do que vencer, quer convencer e, por isso, traça também como principal meta garantir um lugar na segunda volta das presidenciais.

Beatriz, são oito os principais candidatos, tendo em conta as sondagens que vêm sendo reveladas. Já falaste de quatro, por onde vão andar os restantes?

É isso. Falta falar de João Cotrim Figueiredo, que tem em vista 10 dos 18 distritos. O último dia e também a marcar o encerramento da campanha vai ser em Braga, onde nas últimas eleições legislativas os liberais elegeram como deputado o ex-presidente da Iniciativa Liberal, Rui Rocha. Falta falar também de Catarina Martins, que é a candidata que mais vai poupar nos quilômetros percorridos, vai visitar apenas oito distritos e, com um orçamento reduzido, quer aproveitar esta campanha para falar sobre os problemas das pessoas e lançar também sementes para possíveis debates no futuro. Quanto a António Filipe, candidato apoiado pelo PCP, arranca a campanha oficial no domingo com um encontro simbólico com ex-presos políticos. Vai percorrer 11 dos 18 distritos e centra atenções em temas como habitação, saúde e salários, com forte presença em Lisboa e Setúbal. Para finalizar, falamos de Jorge Pinto, apoiado pelo Livre, que leva a caravana por 15 distritos, com especial atenção à área metropolitana de Lisboa.

E que vai acompanhar a noite eleitoral do próximo dia 18 de janeiro, em Amarante, a terra natal do candidato Abelha, Beatriz Félix, aqui com os itinerários e os temas que vão merecer especial atenção por parte dos candidatos Abelha.

O PS elogia a mensagem de Ano Novo do presidente da República. Os socialistas acusam o governo de tentar passar a ideia de que Portugal é um país dourado e consideram que Marcelo Rebelo de Sousa deixou claro que não é essa a visão que tem do país.

Sim, uma reação que surge pela voz do presidente do PS, depois do presidente da República ter alertado para um país adiado, de desleixo e trapalhadas e pedir mais saúde, habitação e justiça. Carlos César, o presidente do partido, afirma que os socialistas subscrevem os avisos feitos por Marcelo Rebelo de Sousa na mensagem de Ano Novo transmitida ontem à noite.

Vamos ainda ao desporto. José Mourinho diz que o objetivo do Benfica é sempre ganhar e que isso não muda com o Ano Novo.

Na conferência de imprensa, da antevisão do jogo com o Estoril, o treinador dos encarnados não poupou nos elogios à equipa da Linha de Cascais e ao treinador escocês Ian Cattro.

O objetivo é ganhar todos os jogos e quando não se consegue, o resultado é negativo para nós. O Estoril é boa equipa e é uma equipa difícil, é uma equipa que joga bem, que joga um futebol muito interessante. É uma equipa que, como todas aquelas que não jogam competições europeias, cada semana significa uma semana de trabalho, uma semana de trabalho com bons treinadores, como é o caso do Cattro. São semanas de progressão na qualidade, na dinâmica da equipa.

A equipa de José Mourinho procura regressar às vitórias depois do empate na última jornada frente ao Sporting Clube de Braga. Benfica joga amanhã frente ao Estoril, o palco é o Estádio da Luz, 18h, 17ª jornada do campeonato, jogo que pode acompanhar com relato e análise aqui na Rádio Observador. À semelhança do encontro agendado para esta sexta-feira, o Sporting desloca-se a Barcelos, vai defrontar o Gil Vicente. A bola começa a rolar quando faltarem 15 minutos para as 19h.

Também com relato aqui em direto na Rádio Observador. Duas e nove, Miguel, há outras notícias em destaque a esta hora.

Novo dia de protestos no Irão, no funeral de uma das vítimas mortais da manifestação de ontem, gritou-se pela morte do líder supremo iraniano, Ayatollah Ali Khamenei. Foi o que gritaram os manifestantes. Como disse, sexto dia de protestos. Ontem morreram seis pessoas em confrontos com as forças de segurança. Foram canceladas as ligações marítimas agendadas para amanhã entre a Madeira e o Porto Santo. O arquipélago está sob aviso de mau tempo, precisamente por causa da passagem da depressão Francis pelo arquipélago. Saída da ADSE ainda conta que o valor dos empréstimos à habitação cresceu quase 10% em novembro deste ano, face a novembro de 2024. Este valor sobe consecutivamente há 23 meses.

Jornal das duas, com Miguel Videra.