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Notícias. Miguel Vieira com o jornal das 14h. Miguel, a Proteção Civil acaba de fazer um novo balanço das consequências desta passagem por Portugal da tempestade Ingrid.

Há registo de 231 ocorrências entre a meia-noite e o meio-dia. O chefe de operações da Proteção Civil, José Costa, acaba de explicar à jornalista do Observador, Matilde Malva Sabino, quais as situações mais comuns.

72 quedas de árvore, 70 limpezas de via, 44 quedas de estruturas, 26 movimentos de massa e nove inundações. Foram empenhados na resposta a estas ocorrências 733 operacionais e 330 meios terrestres. As regiões mais afetadas têm sido a região Norte, onde se verificaram 115 ocorrências, depois na região Centro, foram 51, na região de Lisboa e Vale do Tejo, 45, no Algarve, 12 e, por fim, na região do Alentejo, oito ocorrências.

O balanço mais recente da Proteção Civil, dos danos provocados pelo mau tempo, como ouvimos, queda de árvores é o tipo de ocorrência mais comum, foi o que disse José Costa à jornalista do Observador, Matilde Malva Sabino.

Bragança e Vila Real são dois dos distritos mais atingidos pela queda de neve nas últimas horas. Vários conselhos determinaram mesmo o encerramento de escolas durante esta tarde.

O caso do município brigantino, também a Câmara Municipal de Vila Real decidiu que o melhor é encerrar as escolas do concelho esta tarde. Alexandre Favães é o presidente da Câmara Municipal de Vila Real e está conosco neste jornal. Boa tarde, bem-vindo. O que é que motivou esta decisão?

Essencialmente, esta é uma decisão de natureza preventiva. Depois de uma avaliação que foi feita ontem, durante o dia de ontem, em que houve a decisão, que foi reconfirmada por volta das 6h da manhã, da manutenção daquilo que era a rede de transportes e também a abertura dos diferentes espaços de educação e ensino. Aquilo que fomos percebendo ao longo da manhã, e depois de um novo ponto de situação por volta do meio-dia, é com aquilo que possa vir a ser o agravamento das condições a meio, final de tarde, iriam poder implicar, no momento de regresso das crianças à escola, principalmente aquelas que usam a nossa rede de transportes, de criar algumas dificuldades. E por isso mesmo, de forma preventiva, o que nós sugerimos, e que foi acolhido pelos diferentes estabelecimentos de educação e ensino, foi suspender a atividade letiva para que aqueles que iriam ou que viriam agora no período da tarde para a escola já não viessem. Aqueles que estão e que têm a oportunidade de regressar imediatamente a casa via transporte escolares, o pudessem fazer também em plena segurança, mantendo-se as escolas abertas, para permitir que os restantes, de acordo com aquilo que também são as dinâmicas familiares, possam progressivamente ser recolhidos pelos pais em segurança para regressar aos seus lares. Como disse, esta é uma medida de natureza preventiva, face àquilo que é a previsão de agravamento das condições que iriam coincidir precisamente com o momento de regresso a casa da grande maioria dos nossos alunos.

Que retrato nos pode traçar a esta hora da cidade de Vila Real? É uma cidade pintada de branco?

Não, neste momento, aquilo que é malha urbana, efetivamente, não está pintada de branco. Temos algumas situações na zona periurbana e mais na zona da serra, que de fato já existe algum condicionamento. Vias estão profundamente condicionadas nesta altura, nomeadamente o acesso também àquilo que é a nossa zona do Alvão, na aldeia de Lamas de Olo, em que já existe, de fato, grande dificuldade. Também alguma dificuldade na zona de Campeã, Lamas. Ou seja, vamos tendo aqui na nossa zona envolvente, alguns espaços que vão ficando, de fato, já pintados de branco. Aquilo que é malha urbana, neste momento, está salvaguardada, mas como lhe digo, prevê-se esse agravamento. Veremos a evolução durante a tarde. Iremos fazer novo ponto de situação por volta das 18h, permitindo, aí sim, reavaliar outras medidas que nós pudéssemos, de alguma forma, também poder implementar. Temos, neste momento, pré-posicionados meios naquilo que são as vias principais e estruturais na nossa sede de concelho, nomeadamente o acesso à nossa ULS, ao nosso hospital, em que de fato está aí pré-posicionado. E depois, naturalmente, as equipas também dispersas, quer em termos de limpa-neves, quer em termos de espalhamento de sal, para permitir que, dentro daquilo que é possível, existam condições de segurança.

As estradas estão transitáveis a esta hora?

Globalmente, as estradas estão transitáveis. Exceção feita à essa que, de fato, existe um forte condicionamento na zona de Lamas de Olo. Existiu também, certamente está de conhecimento, o encerramento do IP4. Existiu também dois acidentes na A24, um na direção de Vila Real em direção a Vila Pouca e outro no sentido inverso. Felizmente, apenas com danos materiais, não existindo vítimas a lamentar, vítimas ligeiras, de fato, que não inspiravam, segundo a informação que nós temos, também preocupação. Como digo, o cenário neste momento na cidade é claramente de alguma acalmia, mas também se verificou no período da manhã, num determinado momento e de forma muito repentina, um agravamento, e é essa que nós estamos à espera no final da tarde. Aquilo que nós estamos a fazer é colocarmo-nos no terreno de forma preventiva para tentarmos, dentro daquilo que é possível, mitigar aquilo que possa vir a ser o impacto dessas condições naquilo que é o nosso território.

Face a essa previsão de agravamento do estado do tempo ao final da tarde. Alexandre Favães, agradeço a sua presença e os esclarecimentos que aqui nos prestou. Alexandre Favães, o presidente da Câmara Municipal de Vila Real, é um dos concelhos sede de distrito mais atingido pela queda de neve e pelas consequências da passagem pelo território continental da tempestade Ingrid.

Ao meio-dia havia cerca de 6500 clientes sem eletricidade, precisamente por causa do mau tempo.

Sim, problema que está a afetar as regiões Norte e Centro do país. Disso mesmo deu conta a rede da Agência Lusa. Avarias registadas, por exemplo, na zona de Guimarães, os distritos atingidos são Braga, Leiria e Porto.

Deixamos o mau tempo para olhar para a Assembleia da República. Vai ser discutido na especialidade o alargamento da licença de parentalidade, uma medida que foi discutida hoje no Parlamento, na sequência de uma petição de cidadãos.

A proposta baixa à especialidade com votos a favor de todos os partidos, à exceção de PSD e CDS, que se abstiveram. Chumbada foi a proposta do PCP, que queria descer o preço da botija de gás através do mecanismo de fixação do valor de venda. A direita votou contra, em peso, o PS absteve-se. Para partidos como PSD, CDS e Iniciativa Liberal, a receita deve passar por aumentar a competitividade do mercado, ao invés de tabelar o preço da botija de gás. É isso que diz, por exemplo, o deputado do CDS, João Almeida.

Isto não se corrige com a fixação de preços. Não se corrige com a fixação de preços, porque o instrumento é errado do ponto de vista económico e porque do ponto de vista ideológico, achamos que essa não é a forma mais justa de atuar perante a situação que temos. A situação que temos é uma situação de falha de mercado. O mercado deve existir, o mercado se funcionar, responderá, mas há uma série de condições que têm que ser verificadas. A concorrência existe e é justa e do nosso ponto de vista, não é garantido que a concorrência seja justa.

Como disse, não é um entendimento partilhado por todos os partidos com assento parlamentar. Por exemplo, o Bloco de Esquerda votou ao lado do PCP, entende que Portugal devia colocar os olhos em Espanha.

Neste debate, há uma curiosa ausência nas várias manifestações contra a intervenção do Estado no mercado energético. É que o Chega fala de vários países fora da Europa para dizer que não vale a pena o Estado intervir no preço de energia e fala de Espanha como um dos países onde, afastado qualquer intervenção socialista, o gás botija, curiosamente, é mais barato, custa metade. Por quê? Porque, curiosamente, o Estado espanhol, de três em três meses, regulamenta o preço do gás de botija. Por que será que na Península Ibérica, este belo território que se chama Portugal há mais de oito séculos, tem gás de botija mais caro que o espanhol?

Os argumentos invocados pelo deputado único do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, foi chumbada a proposta apresentada pelo PCP para fixar o controle do preço da botija de gás.

Vamos à segunda volta das presidenciais. Sem revelar diretamente o sentido de voto, Sebastião Bugalho diz que o eleitor da AD não vai escolher quem quer instabilidade.

O eurodeputado social-democrata deixa subentendido que vai optar por António José Seguro, embora não nomeie o candidato apoiado pelo PS. Numa entrevista gravada na quarta-feira, anteontem, durante a sessão plenária do Parlamento Europeu em Estrasburgo, e antes de Marques Mendes revelar o sentido de voto, Sebastião Bugalho disse que queria esperar para falar primeiro com o candidato que apoiou na primeira volta das presidenciais. Ainda assim, sempre foi dizendo que a escolha natural da AD deve recair em quem defende a estabilidade política.

A mim parece-me claro que um eleitor do PSD, um eleitor da AD, não quer instabilidade, não quer a tentação constante de convocar eleições ou dissolver a Assembleia da República. A mim parece-me ainda mais claro que numas eleições em que toda a gente enchia a boca com o nome de Francisco Sá Carneiro, que aqueles que conhecem o legado do Francisco Sá Carneiro sabem uma coisa: é que a grande batalha dele foi contra a presidencialização do regime, foi contra uma presidência que pudesse mandar no Parlamento, nos partidos, no país. Portanto, parece-me claro que essa opção não é próxima nem dos princípios, nem da conveniência política de quem se revê na Aliança Democrática.

A crítica a André Ventura por parte do eurodeputado do PSD, que fez uma grande parte da campanha presidencial na primeira volta ao lado de Luís Marques Mendes. Nesta entrevista à Vichi Soares da Rádio Observador, que pode escutar em observador.pt, Sebastião Bugalho critica ainda o secretário-geral do PS. Considera que José Luís Carneiro está a fazer um aproveitamento político das presidenciais.

Vamos à bola. Amanhã há Sporting-Arouca. Rui Borges espera um jogo difícil e muito imprevisível.

Na ressaca da vitória frente ao campeão europeu, Paris Saint-Germain, a contar para a Liga dos Campeões, Rui Borges prepara o próximo confronto amanhã contra o Arouca, o atual 13º classificado da Liga. O técnico leonino avisa que a deslocação a Arouca vai ser diferente e que o adversário tem uma ideia de jogo muito vincada. Para concluir que não vai ser pera doce.

Espero um jogo difícil, como eu disse, vai ser algo que vamos ter que nós perceber mais em cima do jogo, daquilo que serão as circunstâncias do jogo, do que serão as circunstâncias do tempo, mais propriamente disso. Em relação àquilo que será o adversário, é um adversário que tem uma ideia muito vincada, não muda. O seu treinador é fiel a ele, e bem, na minha opinião, faz sempre grandes trabalhos, são equipas sempre muito bem trabalhadas, por isso será um jogo difícil, é sempre uma saída difícil.

O Rui Borges fazia aqui referência às condições meteorológicas. Sim, porque há a possibilidade de queda de neve em Arouca.

A ambição e o querer ganhar tem que estar acima de tudo o resto. O ter a responsabilidade que temos que ganhar, ponto final. E temos que ter essa responsabilidade inerente em nós e os jogadores também, independentemente se for com neve ou sem neve, com chuva ou sem chuva. É no que for. E eles têm esse espírito de equipa, de grupo.

Com neve ou sem neve, diz Rui Borges, é para ganhar, a bola começa a rolar amanhã, 18h, partida com relato em direto aqui na antena do Observador.

Esse Arouca-Sporting para a 19ª jornada. Vamos a outras notícias também em destaque a esta hora, Miguel.

Dezoito de fevereiro é a data agendada pelo PS para a apreciação parlamentar do diploma que pretende revogar o novo regime do subsídio de mobilidade. Uma medida do governo que impõe que os cidadãos não tenham dívidas às Finanças e Segurança Social para poderem beneficiar deste apoio para a deslocação entre os arquipélagos da Madeira e dos Açores e o continente. Uma norma que, entretanto, foi suspensa até o final do mês, mas que a AD pretende reavaliar. As eucaristias já podem ser celebradas com vinho da Madeira. Uma notícia avançada pelo bispo do Funchal, à Agência Lusa. As exigências previstas pelo Código do Direito Canônico indicam que o vinho tem que partir da casta negra. Assim será. Os sacerdotes que pretenderem podem passar a usar o vinho de missa Madeira, fruto da vidaria, não contém produtos de tratamento. O produto foi hoje apresentado durante as jornadas de atualização do clero. Está pronto para ser exportado para o continente.

Fica por aqui o Jornal das duas, edição do Miguel Vidare.