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Rádio Observador. Começa agora o Jornal das 14:00 da Rádio Observador, edição do jornalista Miguel Videira. Miguel, Donald Trump acaba de dizer que os Estados Unidos querem muito chegar a um acordo definitivo com o Irão.

E que já foi possível chegar a um entendimento em vários pontos, sem detalhar. É isso que acaba de dizer o presidente dos Estados Unidos, depois de esta manhã ter dado conta, através das redes sociais, de que há negociações a decorrer há 48 horas. Questionado sobre quem é o interlocutor iraniano, Trump não revela, para não pôr em risco a vida deste responsável pelo regime de Teerão. Vamos escutar o essencial dessas declarações de Trump, que ainda fala a esta hora.

Nós temos muitas conversas boas, temos muitos pontos em comum e temos todos os pontos em comum, aliás, e tivemos conversas muito fortes. O Steve Witkoff e o enviado especial Jared Kushner foram lá e tiveram conversas que correram perfeitamente. Se por acaso o acordo resultar, vamos resolver este conflito substancialmente, vamos resolver o conflito por completo. Nós temos muito em mente. As discussões ocorreram ontem, durante a tarde. Eles querem muito fazer um acordo e nós queremos fazer um acordo com eles. Nós talvez vamos reunirnos com eles hoje, provavelmente por volta das 17:00. É muito difícil falar com eles, é muito difícil falar porque as comunicações estão embaixo, mas nós vamos nos encontrar muito perto. Vamos ter um período de cinco dias, vamos ver como é que corre. Se correr bem, vamos resolver este conflito. Mas se não, vamos continuar a bombardearlos. Uma pergunta agora sobre com quem é que estão a falar. Estamos a falar com uma pessoa muito alta. Nós acabamos com a liderança deles por completo, mas estamos a lidar com um senhor que acredito que seja o mais respeitado e o real líder. Mas é difícil, nós acabamos com toda a gente. Mas não, não estamos a falar com o líder supremo. Nós nem sequer ouvimos falar do líder supremo, do filho do Khamenei. Nós não ouvimos nada do líder supremo. Nós nem sequer sabemos se ele está vivo. Mas as pessoas que aparentemente estão a liderar o país, nós acreditamos nelas, porque as coisas que eles estão a dizer-nos estão a acontecer, de facto. Isto porque eu não quero que este homem morra.

Martim Madeira aqui com a tradução daquilo que acabou de dizer Donald Trump, que termina precisamente nesta altura as declarações aos jornalistas feitas ali junto, presumo, ao Air Force One, o avião do presidente norte-americano em Palm Beach, na Flórida. Isto depois de, como disse esta manhã, ter anunciado na rede Truth Social que há negociações a decorrer há 48 horas, negociações que estão a correr bem, tendo em vista um cessar-fogo, um acordo definitivo para pôr termo à ofensiva militar conjunta de Estados Unidos e Israel, lançada em final de fevereiro.

Ainda assim, o regime iraniano não confirma que estejam a decorrer negociações com os Estados Unidos, tendo em vista um cessar-fogo.

Sim, ao contrário daquilo que Donald Trump escreveu na rede Truth Social. Ora, é o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, citado por um jornal detido pelo Estado do Irão, que diz que a declaração de Trump tem por objetivo controlar os preços da energia e ganhar tempo para levar por diante o plano de guerra norte-americano. Abbas Araghchi confirma que houve tentativas por parte dos países do Golfo para aliviar o clima de tensão e que a resposta do Irão foi: "É com os Estados Unidos, promotores da guerra, que devem falar".

O barril de petróleo continua a ser negociado a esta hora abaixo da barreira dos $100.

Uma consequência direta da declaração de Donald Trump, que anunciou essas negociações com o regime iraniano. Ora, a reação dos mercados foi imediata. É isso que explica o analista Filipe Garcia.

Teve um grande impacto. Aliás, para quem estava a acompanhar o mercado, foi até com alguma surpresa que se viu as alterações de preço acontecerem quase de um segundo para o outro. No caso do Brent, do petróleo, nós estávamos a transacionar a $114 e rapidamente houve aqui uma queda que faz com que agora estejamos a cotar nos 100,8, portanto, quase 14% de queda. As bolsas estavam aqui na Europa a cerca de 2%, passaram a subir entre 1% e 1,5%. Houve uma injeção de confiança, de otimismo nos mercados.

Filipe Garcia, analista de mercados, entrevistado há uma hora aqui na antena do Observador, dava conta dessa cotação de $101 do barril de Brent. Ora, a verdade é que no espaço de uma hora, essa cotação voltou a descer e de forma substancial. Nesta altura, está a ser vendido o barril de petróleo a $96,5. Filipe Garcia diz também que esta declaração de Donald Trump não foi, porventura, feita por acaso neste dia.

Esta pausa de cinco dias coincide em cheio com aquilo que é a semana dos mercados, ou seja, a ideia aqui é ir até ao fecho de sexta-feira sem haver grandes alterações em termos daquilo que seria os mercados e tentar que não houvesse aqui um aumentar cada vez maior da desconfiança e até algum pânico que pudesse instalar-se. Agora, também temos que ver que, do ponto de vista dos problemas de abastecimento da guerra como um todo, isto acaba por não ser uma evolução também por aí além.

Filipe Garcia chama também a atenção para o caráter de incerteza em torno daquela que vai ser a resposta dos mercados financeiros, dos investidores nos próximos dias

O eurodeputado do PSD, Sebastião Bugalho, deixa críticas à forma como decorreu a visita do líder do PS à Venezuela. Acusa José Luís Carneiro de falta de sentido de Estado.

Numa nota enviada ao Observador, Sebastião Bugalho acusa José Luís Carneiro de visitar e enaltecer um parlamento cuja eleição não foi reconhecida internacionalmente. O eurodeputado social-democrata não se conforma com os elogios feitos pelo secretário-geral do PS à suposta normalidade que se vive na Venezuela, ao mesmo tempo que pede a libertação dos presos políticos e acusa o líder socialista de falta de maturidade democrática. José Luís Carneiro esteve nos últimos dias na Venezuela, juntamente com uma comitiva do PS. Visitaram o Parlamento do país e estiveram em contato com a comunidade portuguesa de vários estados.

Sebastião Bugalho já tinha criticado esta visita antes mesmo dela ter começado, o que levou à resposta do socialista Eurico Brilhante Dias.

Que também fez parte da comitiva socialista que se deslocou à Venezuela. Esteve em direto no explicador de sábado de manhã, aqui na antena do Observador. Eurico Brilhante Dias garante que tem divergências políticas com o atual regime venezuelano, mas explica que a prioridade desta visita era mesmo a comunidade portuguesa.

A vinda à Venezuela é para contribuir para uma comunidade. São portugueses e nós trabalhamos para os portugueses. Nós não trabalhamos para este ou para aquele regime venezuelano, com os quais, aliás, temos as divergências políticas, programáticas conhecidas. O trabalho deve ser coletivo para servir esta gente que em muitos momentos foi muito importante para Portugal.

Eurico Brilhante Dias a responder às críticas de Sebastião Bugalho, ainda antes da visita do PS à Venezuela, críticas feitas em declarações à CNN Portugal. O eurodeputado social-democrata insiste, agora, numa nota enviada ao Observador, acusa o líder do PS de falta de maturidade democrática.

O ministro dos Assuntos Parlamentares acusa o PS de se ter transformado numa força de conservadorismo granítico.

É essa a expressão usada por Carlos Abreu Amorim durante as jornadas parlamentares do CDS-PP, que arrancaram hoje em Lisboa. Isto a pretexto do impasse em torno da escolha dos novos juízes do Tribunal Constitucional. O ministro dos Assuntos Parlamentares considera que o PS resiste à mudança de todas as formas.

O Partido Socialista transformou-se numa força de conservadorismo granítico. Eu vou explicar. São a grande força conservadora deste país, que ninguém tenha dúvida. Por uma razão simples: resistem à mudança com todas as suas forças. Preferem sempre a inação à transformação. Não querem mudar.

Carlos Abreu Amorim, ministro dos Assuntos Parlamentares, que marcou presença na abertura das jornadas parlamentares do CDS-PP.

E agora com nove minutos para lá das 14h, que outras notícias marcam esta hora, Miguel?

O número de desempregados inscritos nos centros de emprego caiu quase 10% no mês passado, em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional. Face ao mês de janeiro, registou-se também um recuo desta feita de 1,8%. Outros indicadores hoje conhecidos: o índice de preços da habitação aumentou mais de 17% no ano passado. É uma subida acima dos oito pontos percentuais que se registou em 2024 e é também a taxa mais elevada alguma vez registrada pelo Instituto Nacional de Estatística.

E é assim que fechamos o Jornal das duas, edição do jornalista Miguel Videira.