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Tarde, são 2h. Edição das duas, na Rádio Observador, com o Miguel Cordeiro. Começamos com a Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas que, Miguel, exigem uma fixação do preço dos combustíveis.

"É preciso travar a especulação e proteger as empresas e os consumidores". É este o apelo de Jorge Pisco, presidente da Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas. Considera que fixar os preços dos combustíveis pode reforçar simultaneamente a capacidade inspetiva do Estado nos mercados dos bens alimentares, da energia e dos restantes fatores de produção. E sublinha Jorge Pisco que os descontos do ISP, anunciados pelo governo, não são suficientes. Fala mesmo num "bluff político".

É um bluff puro e simples aquilo que o governo anuncia e que, na realidade, nós o que vemos verificando é os aumentos desmesurados em termos de combustíveis, no desenvolvimento do gás. E aquilo que nós defendemos é um controle efetivo e urgente do mercado energético, garantindo transparência na formação dos preços e impedindo práticas especulativas que penalizam empresas e consumidores, a fixação de preços que trave a especulação e proteja as empresas e os consumidores. E isto é que é necessário que o governo tenha, nomeadamente, a atribuição de apoios financeiros do Estado a fundo perdido às empresas e às explorações agrícolas mais expostas ao agravamento dos preços dos combustíveis líquidos e do gás.

Declarações à Rádio Observador do presidente da Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas. Jorge Pisco diz que é urgente travar a escalada dos custos, que está a colocar em risco a sobrevivência de milhares de empresas e explorações agrícolas. As micro, pequenas e médias empresas representam a vasta maioria do tecido empresarial português.

E o governo prepara medidas para ajudar o setor da agricultura perante o aumento dos combustíveis, Miguel.

O ministro da Economia diz que o preço do gasóleo agrícola é particularmente preocupante. Refere que, muito brevemente, o governo vai anunciar medidas para proteger os agricultores. Esta manhã, Manuel Castro Almeida falou aos jornalistas e falou num trabalho do governo para conseguir uma proteção especial ao gasóleo que é utilizado pelos agricultores.

Há um dado que é particularmente preocupante, tem a ver com o gasóleo na agricultura, porque os agricultores não podem poupar no gasóleo, nos tratores e nas máquinas agrícolas. Portanto, não há um serviço onde se possa poupar. Eles têm que ter essa despesa e essa despesa depois vai se refletir também no supermercado. E, por isso, uma proteção especial ao gasóleo agrícola tem esta dupla vantagem. E é nisso que agora estamos a trabalhar e eu penso que muito brevemente o governo vai tomar medidas para proteger o gasóleo dos agricultores.

O ministro da Economia garante também que o governo está atento ao aumento dos combustíveis e que o governo avalia todos os dias a possibilidade de novas medidas, para lá do desconto no ISP, que está já em vigor. Sobre a agricultura, o ministro não se compromete com mais anúncios, diz que o governo está focado em aliviar este setor.

Para já, estamos centrados nesta medida da agricultura, que tem um efeito, como eu disse, na vida dos agricultores e depois no custo de vida, o efeito no supermercado, porque vai aliviar a pressão sobre os preços nos produtos agrícolas.

Falou o ministro da Economia esta manhã na Biblioteca Nacional. Esteve a emprestar uma turma de 21 novos inspetores da ASAE. Na semana passada, aqui na Rádio Observador, a Confederação de Agricultores de Portugal acusou o governo de não saber fazer contas, numa crítica à falta de apoio dado a este setor perante o aumento de combustíveis.

E entretanto, Miguel, José Luís Carneiro acusa hoje o governo de faltar à verdade quanto aos combustíveis.

Está em curso uma troca de palavras entre José Luís Carneiro e Hugo Soares, o líder do PS, diz que o Estado está a lucrar com os impostos. Disse isto no final da semana passada, acusou o governo de ganhar dinheiro com o aumento dos combustíveis. O secretário-geral do PSD, Hugo Soares, respondeu durante o fim de semana, acusou o líder do PS de estar mal habituado, de viver no passado e apontou para um período em que, de acordo com Hugo Soares, o governo do PS ganhava dinheiro com o aumento do preço dos combustíveis. Hoje, resposta de José Luís Carneiro. Diz que o governo e Hugo Soares estão a faltar à verdade e aponta para o lucro em torno dos impostos com os combustíveis.

O doutor Hugo Soares e o governo faltaram à verdade. Aliás, nós conseguimos demonstrá-lo. Eu levei dados objetivos, concretos, que apresentei no domingo passado para mostrar que o governo está a ganhar dinheiro com o aumento dos impostos sobre os combustíveis. E sou claro, quando o governo tomou posse em abril de 24, em comparação com o fim de 2025, o governo já ganhou mais de 1.048 milhões de euros com o aumento dos impostos sobre os combustíveis.

José Luís Carneiro, em declarações à imprensa esta manhã, acusou os partidos de direita de chumbar as propostas do PS para responder ao aumento do preço dos combustíveis e faz até contas. José Luís Carneiro considera que se as medidas do PS fossem aprovadas, isso poderia levar uma redução de 17 cêntimos por cada litro de combustível.

Se as propostas que o Partido Socialista levou à Assembleia da República forem aprovadas, significa reduzir 17 cêntimos por cada litro de combustível. Nós já as apresentamos por duas vezes. A AD, os Liberais e o Chega chumbaram essas propostas e o nosso apelo é para que agora reponderem essa decisão e aprovem essas propostas do PS, porque elas permitirão reduzir 17 cêntimos.

Declarações do líder do Partido Socialista. Falou hoje em Espanha. Fez precisamente essa comparação no preço dos combustíveis e explicou que entre os dois países da Península Ibérica, entre Portugal e Espanha, o custo com os combustíveis varia entre os 30 e os 40 cêntimos por litro.

E vamos a Fernando Negrão, que afirma, Miguel, que os casos em volta de Luís Neves estão a desgastar a PJ.

À Rádio Observador, o antigo diretor da PJ e ex-vice-presidente da Assembleia da República pelo PSD critica a falta de medidas tomadas relativamente às polêmicas em torno do ministro da Administração Interna. Diz que o evoluir do caso acabou por desgastar a Polícia Judiciária.

Não desgastou nas primeiras semanas, mas desgasta pelo evoluir do tempo em que tudo isto se viu envolvido, sem ninguém tomar nenhuma medida. A partir de determinada altura, começou a desgastar a própria Polícia Judiciária, o que, naturalmente, e é unânime na população portuguesa, é um aspecto muito negativo.

Fernando Negrão, esta manhã na Rádio Observador.

Morreu Nuno Cardoso, antigo presidente da Câmara Municipal do Porto.

Tinha 64 anos. Morreu depois de estar internado duas semanas no Hospital de Santo António, no Porto, acabou por morrer esta madrugada. Foi presidente da Câmara Municipal do Porto entre 1999 e 2001. Chegou a esse cargo depois da saída de Fernando Gomes, que seguiu para o governo liderado por António Guterres, para ocupar o cargo de Ministro-Adjunto e da Administração Interna. Nesse sentido, Nuno Cardoso acabou por ser autarca entre 1999 e 2001. Tentou mais à frente candidatar-se por duas vezes, mas acabou por perder nas duas vezes em que tentou essa eleição. Morreu esta madrugada.

O líder do PS fala numa figura marcante. Já Pedro Duarte, o atual autarca, elogia a dedicação de Nuno Cardoso.

Numa publicação na rede social X, José Luís Carneiro lamenta a morte de Nuno Cardoso, que recordou como uma figura marcante da história recente da cidade invicta. O Partido Socialista partilhou uma nota de pesar pela morte do antigo autarca. Escreve o PS que Nuno Cardoso colocou a experiência e o conhecimento ao serviço dos portuenses, contribuindo para um desenvolvimento e afirmação. O presidente da Câmara do Porto, o atual presidente, também reagiu. Pedro Duarte, nas redes sociais, reconhece o percurso e o contributo dado ao Porto, destaca o impacto de Nuno Cardoso para a transformação da cidade. O funeral está agendado para amanhã, na Igreja da Lapa, na cidade do Porto. Segue depois o corpo para o Peso da Régua, de onde era natural Nuno Cardoso. Esta informação foi avançada pela família à Agência Lusa.

E são agora 14h08, Miguel, que outras notícias estão em destaque a esta hora?

A Federação Nacional da Educação quer saber quantos professores faltam nas escolas para a abertura do ano letivo. Num alerta divulgado em comunicado, a FNEPE pede esclarecimentos ao Ministério da Educação sobre essa falta de professores e questiona sobre quais os conselhos mais afetados e quantos alunos podem ser abrangidos por esta situação. José Sócrates apresentou uma queixa-crime contra o procurador Rosário Teixeira, por suspeita de falsidade de testemunho. É uma notícia avançada pela CNN Portugal. Em causa estão declarações prestadas pelo magistrado num processo administrativo relacionado com a Operação Marquês. Sócrates quer uma investigação independente e quer também que Rosário Teixeira seja afastado de qualquer investigação que o envolva. Onze alpinistas morreram na sequência de uma avalanche num monte na região do Cáucaso. A informação é avançada pelo Ministério de Situações de Emergência da República Russa de Cabárdia-Balcária. Os alpinistas faziam parte de um grupo de estágio para representantes das forças de segurança. Na sequência do acidente, foi aberta uma investigação militar por suspeitas de negligência.

Notícias de regresso às 14h30 com Miguel Cordar.