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Miguel, é o nível mais elevado desde as primeiras inundações. O caudal do rio Mondego atingiu uma altura de pouco mais de quatro metros, junto à ponte de Santa Clara, em Coimbra.
É o constante do portal InfoÁgua, a contribuir para esta subida do nível das águas do Mondego, está não só a chuva, mas também as descargas da barragem da Aguieira. Está a libertar 725 metros cúbicos de água por segundo, o dobro face ao que se registava ontem às 8 p.m. A barragem da Aguieira está a 87% da capacidade, fato que motiva este aumento de descargas. Nesta altura, o caudal do Mondego é de 1900 metros cúbicos por segundo. É um fator de risco adicional de colapso dos diques do rio Mondego, com capacidade para aguentarem um caudal de 2000 metros cúbicos.
Um risco que está a preocupar as autoridades de Proteção Civil, autarcas, Agência Portuguesa do Ambiente e Proteção Civil estiveram, de resto, há pouco reunidos para fazer uma nova avaliação desta situação no Mondego.
Um encontro que decorreu nas instalações da APA, em Coimbra, e em que marcaram também presença o presidente da República, o primeiro-ministro e a ministra do Ambiente e Ciência. Os três visitaram há pouco os diques do Mondego, em risco de colapso. Uma visita acompanhada pelo jornalista Miguel Cordeiro. Miguel, apesar da preocupação com o caudal do Mondego, o primeiro-ministro procura transmitir uma mensagem de tranquilidade.
Sim, o primeiro-ministro foca-se também na mensagem que tem sido transmitida por diferentes autarcas, que é preciso ter cautela, mas que, para já, está ainda a situação sob controle. Mas sabendo que esse sob controle é uma situação de limite. O Mondego está à beira do limite em todos os níveis já registrados ao longo do dia de hoje. Está a bater muito perto dos 2000 metros cúbicos por segundo, na contagem feita precisamente na ponte do Açude, onde nos encontramos e onde há pouco Luís Montenegro falou aos jornalistas, ao lado de Marcelo Rebelo de Sousa e ao lado do presidente da APA. Falou dessa mensagem que tem sido transmitida pelos autarcas.
Os autarcas da região têm dito, o senhor presidente da APA: nós vivemos um tempo de grande exigência, de um desafio extremo. Estamos no limiar da capacidade possível para conter estas águas do rio Mondego e, portanto, a palavra é simultaneamente tranquilidade, porque tudo aquilo que pode ser feito, está a ser feito, incluindo a medida preventiva mais extrema, que é a evacuação. E tudo aquilo que puder ainda ser salvaguardado, vai ser salvaguardado do ponto de vista da gestão do caudal, do ponto de vista técnico e do ponto de vista da nossa interação com os nossos vizinhos espanhóis, que, aliás, é uma matéria que vem sendo feita desde o início do mês de janeiro. Eu próprio estive aqui no passado dia 29 de janeiro e já na altura nós estávamos a fazer cheias controladas para termos, nas nossas barragens, maior capacidade de encaixe quando chegassem os dias que chegaram agora, de maior exigência.
E o som que se escutava em fundo não era um ruído qualquer no rádio, era mesmo a força do rio a avançar sobre essa ponte do Açude, onde são feitas algumas das medições sobre o caudal do Mondego. Marcelo Rebelo de Sousa também falou e apontou para a situação complicada que se vive.
Pelo senhor presidente da APA, estamos no limiar. Estamos no limiar, vai melhorar um pouco, há uma aberta amanhã e piora no dia seguinte. Portanto, estamos mesmo nesse limiar. E é nesse limiar que se tem que gerir a situação que se vive. E é isso que está a ser feito pela APA, é isso que está a ser feito na gestão das barragens, é isso que está a ser feito na gestão com a Espanha. O que se pode fazer, está-se a fazer, é isso que se faz quando se evacua certas zonas. O que é possível fazer em conjunto, a APA, os presidentes de câmara, as instituições sociais, tudo está a ser feito, o Estado, está a ser feito numa situação em que estamos mesmo ali no limite. Nós estávamos ali a discutir a situação e enquanto discutimos, subiu o nível. Estávamos num determinado número e subiu no espaço de uma hora.
A explicação de Marcelo Rebelo de Sousa, uma explicação que surge também daquilo que ouviu do presidente da APA, José Pimenta Machado, recebeu o presidente da República, recebeu também Luís Montenegro, vários autarcas, membros da Proteção Civil, na sede da APA da região Centro, aqui em Coimbra, à beira do Mondego e depois também ao lado do presidente da República e do primeiro-ministro, explicou o que se está a passar no terreno, também nesta ponte do Açude, e até explicou um dos nomes que se dá ao Mondego: Bazófias, porque no verão está muito pequeno e no inverno atinge estas proporções. Vamos escutar.
Podem colapsar. O sistema foi dimensionado para isto. Nós neste momento estamos a tentar controlar na barragem da Aguieira e das Fronhas, em que eu posso modular o caudal, mas obviamente há muitas variáveis. O Riçeira, que eu fui aqui, junto aqui ao Mondego, esse é incontrolável. Então eu tenho que controlar nas duas barragens de controle, na Aguieira e nas Fronhas. Vivemos um tempo excepcional. Nós tivemos um pico ontem de precipitação excepcional. Hoje, outro, que entrou pelas 07:00 e que se vai prolongar até às 19:00. Amanhã, uma janela de tempo, vai chover, mas menos. E depois na sexta-feira, está previsto mais chuva.
Piora outra vez.
Piora. Portanto, vivemos num ciclo de três semanas, é isso.
Até ao fim de semana vamos estar sempre no limiar.
Sempre no limiar, até sábado
Esta é a situação. Podem ver o caudal do Mondego em Basófias. No verão é um fio de água, que no inverno transforma-se nisto.
A explicação de José Pimenta Machado, presidente da APA, depois dessa reunião, que durou cerca de uma hora e um quarto, na APA, em Coimbra. Agora, o presidente da República e o primeiro-ministro seguiram para o pavilhão multidesportivo Mário Mexia, onde estão cerca de 90 idosos que foram retirados de lares durante a madrugada e, para já, vão continuar neste pavilhão multidesportos em Coimbra.
É para lá que segue o repórter do Observador, Miguel Cordeiro, que está esta quarta-feira na cidade de Coimbra, epicentro das preocupações da Autoridade Nacional de Proteção Civil.
Miguel, por precaução, mais de 3000 residentes das zonas ribeirinhas dos concelhos de Coimbra, mas também de Soure, Montemor-o-Velho, já receberam a indicação para deixarem as casas.
Face a esse risco de colapso dos diques do rio Mondego, uma das freguesias em risco é a freguesia de São Martinho do Bispo. É nossa convidada a presidente da Junta desta freguesia do concelho de Coimbra. Bem-vinda, Laura Fonseca. Obrigado pela sua disponibilidade e por estar conosco. Começava por lhe perguntar quantas pessoas tiveram de sair de casa em função desta recomendação das autoridades de Proteção Civil, incluindo a Câmara Municipal de Coimbra.
Boa tarde. Daqui da União das Freguesias de São Martinho do Bispo e Ribeira de Frades, terão saído próximo de mil pessoas, se calhar nem tanto, mas muito próximo de mil pessoas que terão saído, também com a evacuação de três ERPI que foram evacuadas também aqui na freguesia.
Com resistência ou a população percebeu o risco associado ao eventual colapso dos diques do rio Mondego?
Não, foi tudo muito calmo, a evacuação. Não houve ninguém que oferecesse resistência. Foi tudo muito calmo. A população já estava alertada também para essa situação e correu tudo dentro da normalidade, com muita calma.
E quem ficou aí na freguesia, qual é o sentimento, de preocupação?
Sim, sempre há um pouco de preocupação, porque acaba sempre sendo uma incerteza até onde é que irá o nível da água. Mas estão calmos, porque tudo aquilo que podia ter sido feito e a gente prevê que possa vir a acontecer, foi acautelado.
Esta é uma situação nova para quem vive em São Martinho do Bispo ou já teve de lidar no passado com situações semelhantes?
Não. Já passámos uma grande cheia também em 2001, depois em 2019. Isto já tem sido algo recorrente, pelo menos essas duas grandes cheias que aqui ocorreram, sendo que vai sempre alagando e as partes mais ribeirinhas vão sempre tendo água nos invernos mais rigorosos.
Alguma previsão de quando é que quem teve de sair da freguesia possa regressar? Há pouco li uma notícia que dava conta que quem saiu vai ter de ficar retido, pelo menos até amanhã. Há alguma indicação de quando é que a população pode regressar a casa?
Não, não temos ainda indicação nenhuma. Será feita diariamente essa avaliação e depois iremos vendo que esta noite, pelo menos, mais irão pernoitar nos centros de abrigo ou fora das suas habitações.
A Laura Fonseca vai continuar em São Martinho do Bispo.
Sim, vou continuar. Já estou desde ontem aqui na junta e vou continuar a acompanhar todos os trabalhos e estar próximo da população, se for necessário.
Há pedidos de ajuda junto à Junta de Freguesia?
Sim, temos tido muitos pedidos de ajuda, principalmente para telhados, para colocação de lonas. Estas últimas duas semanas, tem sido quase que diariamente a ajuda que mais nos pedem.
Sem maus admitir. Laura Fonseca, muito obrigado pela sua presença e pelo relato que nos transmitiu neste jornal das 15h da Rádio Observador.
A Proteção Civil alerta que os rios Mondego, Tejo, Sorraia, Vouga, Águeda e Sado estão em risco severo de cheia.
No último briefing da Proteção Civil, por volta da hora do almoço, o comandante nacional Mário Silvestre fez o alerta. Para além destes rios, há outros em risco de inundação.
Com risco significativo de inundações, o rio Mondego, o Tejo, o Sorraia, o Vouga, o Águeda e o Sado. Com risco de inundação, mantêm-se o rio Minho, o Cora, o Lima, o Cávado, o Ave, o Douro, o Tâmega, o Sousa, o Lis, o Nabão e o Guadiana.
Mário Silvestre dá também conta das localidades com ocorrências mais significativas do Mondego à península de Setúbal.
Almada, Costa da Caparica, movimento de massas, desabamento de pedras, danos em edifícios, seis realojados nas instalações da INATEL, 25 deslocados para casas de familiares. Almada, Porto Brandão, movimento de massa, acesso condicionado apenas a veículos 4x4, procede-se à evacuação de residentes, ligação fluvial interrompida, assim como elaboração da empresa ETC na região de Coimbra, a evacuação preventiva das zonas ribeirinhas, na margem esquerda e na margem direita do rio Mondego.
Também na lezíria do Tejo, no Cartaxo, a derrocada de um armazém de luto não fez vítimas e o Plano Especial da Bacia do Tejo mantém-se no nível máximo, o nível vermelho. O comboio de tempestades já supera as 14.300 ocorrências. Estão ainda 30 mil clientes sem energia, 23 mil em Leiria.
Na península de Setúbal, em Almada, mais concretamente, a zona baixa de Porto Brandão teve de ser evacuada.
Sim, por causa do risco de deslizamento de terras. O Martim Madeira, jornalista do Observador, está aqui em direto de Porto Brandão. Martim, este deslizamento de terras cortou o acesso às casas de quem vive aí em Porto Brandão.
Exatamente, Miguel. Aqui em Porto Brandão o acesso está completamente fechado, tanto a moradores que até jornalistas, por exemplo, ninguém passa, ninguém consegue descer para a zona baixa de Porto Brandão. Tanto que neste preciso momento estamos a fazer o caminho de volta, tal como outras pessoas, para a parte de cima da estrada principal que dá acesso a Porto Brandão, uma caminhada de cerca de 20 minutos. Está muitas pessoas a fazer, porque houve muitas pessoas ainda a tentar ir lá para a zona de baixo, impedidas pela GNR, que está aqui no local, que não deixa as pessoas passar por ser uma zona de risco de deslizamento de terras. Isto também porque houve um deslizamento de terras que abalou um poste de eletricidade, que, de acordo com os moradores, já estava um pouco solto e esta queda deste poste e este deslizamento de terras foi há cerca de uma hora, mais ou menos. Cortou completamente o acesso à estrada, que vai para a zona mais baixa de Porto Brandão. Portanto, não deixa ninguém passar, apenas os veículos da Proteção Civil e da Câmara Municipal podem passar para ali. No entanto, moradores não podem. Há pouco estava aqui um senhor que vive nesta zona mais baixa de Porto Brandão, recusou-se a prestar declarações ao Observador, mas, no entanto, ouvia-se um pouco do que ele dizia aos GNR. Dizia que agora não sabia o que fazer, tem tudo ainda em casa, não sabia para onde é que ia. Também uma senhora veio aqui visivelmente preocupada, queria entrar em casa e não podia. Dizia que tinha um familiar dentro da casa e que não o podia ir buscar. Entretanto, conseguimos falar com a senhora. Não quis prestar declarações, mas conseguimos falar com a senhora um pouco e percebeu-se que, aparentemente, os familiares já tinham sido evacuados e foram evacuados de barco há cerca de trinta minutos para a zona da Trafaria. Portanto, também a dar aqui conta de que muitos dos moradores que estavam aqui foram evacuados, aparentemente, de barco, não só também por meios terrestres, mas também de barco para a zona da Trafaria. Agora estão localizados em vários hotéis em Almada para terem um realojamento, neste preciso momento, porque as casas estão com o acesso completamente cortado. Portanto, um cenário aqui de preocupação para muitos moradores aqui no Porto Brandão, onde há um elevado risco de deslizamentos de terras e um elevado risco de existir devastação por causa desse deslizamento.
É uma preocupação para as autoridades de Proteção Civil, mas essencialmente para as populações que vivem nesta localidade de Porto Brandão, no concelho de Almada. Não é a única situação que está a preocupar os responsáveis por este município.
Sim, porque na Costa de Caparica, 47 pessoas foram retiradas de casa. Foi esta madrugada e devido a um deslizamento de terras.
Sim, pessoas que vivem junto à riba onde ocorreu este aloimento por causa do mau tempo. Não há vítimas, mas os residentes foram retirados por precaução e encaminhados para equipamentos da autarquia e também para casas de familiares. A Rádio Observador esteve no local e agora, João Campos, já começaram os trabalhos de limpeza?
Sim, e começam nesta altura alguns trabalhos de limpeza aqui junto a estes edifícios, estes prédios que foram atingidos pelo deslizamento de terras aqui nas ribas da Costa da Caparica. Foram para já realojadas 47 pessoas em equipamentos da Câmara Municipal, mas também em algumas unidades hoteleiras aqui na Costa da Caparica. Tenho a oportunidade, neste momento, de falar com a Maria Manuel, foi uma das principais afetadas por este deslizamento de terras. O seu apartamento, aqui no rés-do-chão, acabou por ser atingido por um bloco arenoso que caiu das arribas, que estão visivelmente em mau estado com esta chuva persistente. Há várias cascatas e ouve-se de vez em quando alguns barulhos nas arribas, o que é mau sinal. Isto já aconteceu ontem. A Maria Manuel conseguiu agora entrar com a Câmara Municipal e ver em que situação é que estava a sua casa.
Sim. Consegui ver. Piorou ligeiramente depois da altura que eu saí ontem, porque ontem o interior da parede estava caído, mas este agora já está a parte de fora também. Portanto, a pressão das terras ou das rochas, não sei.
Certo. A Maria Manuel disse-me que agora está numa unidade hoteleira aqui na Costa da Caparica.
Que nos recebeu muitíssimo bem.
Comparticipado pela Câmara.
Sim, fomos lá postos pela Proteção Civil.
Diga-me uma coisa, já falou com a Câmara Municipal relativamente a...
A senhora esteve aqui falar conosco. Estamos à espera de ser contactados pela ação social da Câmara. Não sei como é que se chama. É qualquer coisa social.
Será eventualmente. Portanto, deram essa ideia de que a Câmara vai entrar e suportar estes custos.
Os especialistas em infraestruturas que consideraram que isto não está em risco. Em risco, tirando aquela coisa que tem que ser reparada, obviamente, que está deitada abaixo, mesmo para a rua, mas que a estrutura não está afetada. Agora o problema é o que está à volta. Aí é que é o problema.
E também ver o que é que vai acontecer a esta arriba.
Porque estão a prever continuação de muita chuva e o que está a acontecer é que a chuva está a fazer os deslizamentos e a arrastar os perigos. Portanto, o nosso problema é esse.
Precisamente, e é a grande preocupação de quem aqui vive junto a estas arribas na Costa da Caparica. O tempo parece não dar tréguas nos próximos dias, o que prolonga o risco de que este acidente se volte a repetir e com contornos mais graves.
João Costa Campos, aqui em direto da Costa de Caparica. Três dezenas de pessoas foram retiradas de casa esta madrugada devido a um deslizamento de terras. Aconteceu por volta das três da manhã, foi pelo menos a essa hora que foi dado o alerta. As autoridades estão no local a avaliar os danos para determinar quando será possível aos residentes regressarem a casa.
Quanto às previsões do IPMA, o mau tempo até deve dar algum abrandamento durante as próximas horas.
Sim, o meteorologista Jorge Pinto sublinha que as regiões Norte e Centro devem ser as mais atingidas pela forte precipitação, mas a seguir a essa chuva intensa, deve ocorrer um período de acalmia.
Hoje é um dia com chuva persistente e por vezes forte, particularmente nas regiões Norte e Centro e nas zonas serra com mais intensidade. Temos aviso laranja emitido até às 18h, em alguns distritos, essencialmente
A norte de Santarém, Leiria e a parte da metade litoral, incluindo os distritos de Viseu e Vila Real, podem ser ainda, por vezes, acompanhados de trovoada e os acumulados vão ser significativos ao longo do dia de hoje, apenas uma melhoria a partir do final da tarde.
Sendo que essa melhoria do estado do tempo deve prolongar-se pelas primeiras horas do dia de amanhã, até novo agravamento do estado do tempo.
Amanhã temos uma melhoria temporária. Portanto, a partir do final da tarde de hoje, a precipitação vai ser fraca e pouco frequente. Amanhã praticamente não irá ocorrer precipitação ao longo do dia. Temos, no entanto, um novo agravamento a partir do final da tarde, especialmente nas regiões Norte e Centro e depois durante a noite e madrugada, outro sistema frontal, já não associado à depressão Nils, irá atravessar o território.
Esta é a previsão do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, aqui feita pelo meteorologista do IPMA, Jorge Ponte.
O PS insiste no alargamento da situação de calamidade durante mais três meses. José Luís Carneiro propõe também um novo comando operacional em permanência para lidar com os efeitos do mau tempo.
O líder socialista esteve hoje em Arruda dos Vinhos, município que pede ao governo para ser incluído na lista de concelhos em situação de calamidade. E foi neste concelho que José Luís Carneiro fez duas propostas dirigidas ao primeiro-ministro e ouve também João Gama, um autarca a pedir ao governo que assuma responsabilidades. Vamos já escutar.
Neste caso em concreto, Arruda dos Vinhos, que é hoje onde nos encontramos.
Não houve coleita de proteção civil, mas numa visita de um ex-ministro da Administração Interna, sobrou tempo para deixar propostas ao governo.
E eu recordo que é muito importante prorrogar o estado de calamidade, pelo menos por três meses, a ativação de um comando operacional, com comando político forte e eficaz, que acompanhem ao minuto, à hora que passa.
José Luís Carneiro viu de perto o impacto de duas tempestades no Conselho de Arruda dos Vinhos, estradas destruídas, casas isoladas e um autarca a pedir ajuda.
Eu acho que é inevitável e tem que ser inevitável, porque eu não vou conseguir explicar à população de Arruda dos Vinhos por que não temos esse estado de calamidade, quando aquilo que são este rasto de destruição que vai ficar pelos próximos anos...
A voz de Carlos Alves, autarca socialista, que pede que a atenção do governo esteja, acima de tudo, no terreno.
Vamos perder o foco naquilo que não é essencial, que é a remodelação apressada de um governo, de uma ministra da Administração Interna, que já não é, que o timing é um timing de crise, onde isso está a ser equacionado, e vamos focar naquilo que é o essencial.
José Luís Carneiro passou hoje por Arruda dos Vinhos para deixar um humilde contributo e também reparos à ausência de uma ministra da Administração Interna em função.
Quando eu formar o meu governo, posso dizer-lhe que terei sempre, pelo menos, duas ou três alternativas para quando tiver de exonerar um, tenha logo de alternativa uma personalidade com o mesmo perfil ou com melhor perfil de quem é exonerado.
E quanto ao debate quinzenal, José Luís Carneiro diz que quer dar tempo para o Luís trabalhar.
O Parlamento deve continuar a funcionar, mas é evidente que também ninguém compreenderia que numa altura em que se está a falar da salvaguarda da vida das pessoas, situações de emergência, e portanto, temos que dar também espaço ao primeiro-ministro para fazer aquilo que deve fazer, que é mobilizar todos os meios do Estado.
José Luís Carneiro, de visita ao terreno, diz aguardar pelo debate com o primeiro-ministro na próxima sexta-feira.
João Gama, que acompanhou esta visita de José Luís Carneiro ao início da tarde, Arruda dos Vinhos, concelho que, como já aqui referi, espera ser incluído na lista de municípios em situação de calamidade.
O temporal tem feito estragos, em especial na região de Leiria. A Associação de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo desta região dá conta de prejuízos significativos.
Assim é, e está conosco neste jornal das 15h, Lino Ferreira, o presidente desta associação que representa o comércio, indústria e serviços, também o turismo da região de Leiria. Bem-vindo, obrigado pela disponibilidade. Começava por lhe perguntar quantos associados desta associação reportam prejuízos decorrentes do mau tempo.
Neste momento, o levantamento que foi feito recentemente, temos cerca de 530 empresários com queixas. Estou a falar de pequenas PMEs neste momento, porque há resultados muito superiores a nível da grande indústria também, da média indústria.
Que setores foram mais atingidos, precisamente, a indústria ou o setor do comércio e serviços?
Eu acho que foi mais a parte indústria e agricultura. O comércio também foi, mas não foi tão fortemente, embora o comércio neste momento possa vir a ser afetado, dado que está no fim da linha. Ou seja, se as empresas não conseguirem começar a laborar, não conseguirem pagar os seus ordenados aos seus funcionários, não conseguirem fazer suas exportações, não conseguirem fazer também para o mercado nacional, portanto, o comércio vai sentir, porque as pessoas depois não têm dinheiro para ir ao comércio. Isso é todo um ciclo vicioso, é transversal a todas as áreas. Portanto, o problema neste momento grave que temos é a irregularia, em todos os sentidos. É para o comércio, é para tudo. Eu acho que é uma altura tão difícil para todos nós aqui, que eu sinceramente custa-me às vezes ter que vir dizer que se é seteral ou se é XX. Neste momento, Leiria está a passar por um dificuldade muito grande, transversal a todas as áreas, também nas questões pessoais das pessoas, que estão com problemas. E aquilo que temos neste momento é uma buchinha de nada. Não há respostas, não há nada, ninguém sabe, e portanto, isto é um bocado desanimante. Temos situações de empresários que já dizem que mais valia terem caído debaixo do telhado ou ter-lhe dado uma coisa assim pior do que está vivamente a viver. Diga.
Ia perguntar, os apoios já anunciados pelo governo não são suficientes para fazer face a estas situações mais difíceis?
Não. Ainda hoje o IaCME esteve aqui a fazer uma apresentação em Leiria com os seus secretários de Estado. Tiveram muitos empresários. As questões são muitas e são questões mesmo dramáticas. As pessoas já estão a entrar numa fase mesmo dramática. As pessoas estão a se ver com as suas indústrias centelhadas, máquinas a levarem água em cima, os fornecedores muito internacionais, do mercado internacional, não conseguem contatar com eles, desistem das encomendas. Isto é um drama total. Era preciso vir alguém que realmente pegasse nisso como deve ser. Eu lembro perfeitamente quando foi a situação do Covid, houve a coragem de colocar alguém militar que fez um trabalho espetacular. E acho que o governo devia ter a humildade de arranjar alguém que criasse efetivamente um ponto na região centro de apoio a este tecido empresarial que está a haver neste momento. Não andar aqui com visitas que não levam a nada, que são passeios, os senhores ministros vêm, todos se passear, muitas conversas, mas depois no fim do dia, nada. E temos aqui empresas de primeira linha que estão sem luz há 14 ou 15 dias. Isto é impossível. Não é com geradoras. Os geradores também consomem energia, também consomem energia no combustível. E depois também, quem é que vai pagar o combustível? Isto é caótico. Muitas vezes acho que a perceção que as pessoas têm, e no governo, não têm uma visão real do que está a haver exatamente.
Portanto, depreendo as suas palavras que os apoios ainda não começaram a chegar aos empresários aí da região.
Sim, não começaram a chegar e penso que não vão chegar tão depressa, não.
O processo de reconstrução de alguns dos edifícios e infraestruturas afetadas ainda não começou?
Não. Tem-se feito cada um a se arranjar por si. Apoios a chegar à frente. E depois é assim, também há aqui outra situação que complica ainda mais. Temos que agilizar este tipo de apoios. Não podemos andar com 500 documentos, a pedir 500 estudos, quer dizer, já ano passado era assim. E numa situação desta crise, não podemos andar com isto. Temos que agilizar isso, têm que ser métodos mais simples, mais fáceis, com que as pessoas consigam realmente entender. Crie-se um site nacional do governo para os apoios, em que as pessoas têm lá tudo pronto. As pessoas já sabem o que é que têm de fazer.
Mas existe esse portal.
Está sim, mas é muito difícil para as pessoas aceder ao portal. Muito difícil. Ou cai, ou não está online, ou não se consegue perceber, ou as pessoas não entendem. Tinha que ser criada uma força, realmente. E criou-se aqui em Leiria, que está com o Paulo Fernandes, que está a começar a fazer um trabalho, ex-presidente da Câmara do Fundão. Sim, está a começar a fazer um trabalho. Não é fácil, e eu reconheço, não é fácil para ele. E vamos ver se a coisa vai andar, mas para já, eu acho que o governo devia pensar duas coisas: nos apoios que está a querer pôr no terreno, que são muito insuficientes para aquilo que é necessário. Se vale a pena criar desemprego, miséria, empresas que vão à falência, impostos que não chegam ao Estado, dinheiro que não chega à Segurança Social, se é mais importante isto do que vir para o terreno e apoiar diretamente as empresas. Vir casa a casa ver. "Sim, senhor, OK. Faça-se isto." É fácil fazer isto. É uma questão de querer, mas isto já não sou eu que mando.
Fica esse apelo, um jeito de preocupação com a situação vivida pelos empresários aí da região de Leiria. Agradeço-lhe, Lino Ferreira, é o presidente da Associação de Comércio, Indústria, Serviços e Turismos da região de Leiria.
Miguel, os líderes parlamentares vão decidir esta tarde a nova data do debate com o primeiro-ministro.
Sim, apesar de todos terem concordado com o adiamento, há divergências sobre a nova data. Todos os partidos, à exceção da Iniciativa Liberal, querem ter Luís Montenegro no Parlamento já esta sexta-feira. Os liberais defendem que o debate deve ser adiado para a próxima semana, até que a situação do mau tempo estabilize. Durante a manhã, na Assembleia da República, da esquerda à direita, foram apresentadas as razões para adiar o frente a frente com o chefe do Governo, Miguel Vieira Dias.
Uma proposta dos liberais para evitar erros cometidos no passado recente.
É óbvio que aquilo que pretendemos é que o senhor primeiro-ministro e o governo estejam inteiramente focados e dedicados à gestão dessa crise, ainda para mais agora que o senhor primeiro-ministro acumula também a tutela do Ministério da Administração Interna, para garantir que estão no terreno, ao contrário daquilo que aconteceu há duas semanas.
Mariana Leitão quer adiar o debate quinzenal para a próxima semana, mas o LIVRE, embora tenha concordado com o adiamento, diz que não há desculpas para Montenegro se manter afastado do Parlamento por muito tempo.
O primeiro-ministro não drena ribeiras nem vai lá segurar muros de contenção. Nós temos que parar com esta ideia de que deixar o Luís trabalhar é o Luís estar algures no país. Trabalha aqui.
Rui Tavares que pressiona assim para um debate já esta semana. O PCP partilha da mesma opinião e diz apenas que concordou com a proposta de hoje por causa do histórico da falta de coordenação no Executivo.
Houve inclusivamente uma desconsideração por parte do governo sobre os impactos e sobre aquilo que estava efetivamente a acontecer, quase que o governo estava em situação de negação.
Paula Santos do PCP numa manhã de adiamentos em que falta ainda consenso sobre uma nova data.
Há uma reunião esta tarde precisamente para determinar essa nova data para a realização do debate quinzenal com o primeiro-ministro.
Miguel, vamos agora às notícias de âmbito local.
E vamos começar pelo Porto. O nível das águas do Douro voltou a subir e a zona de Mira Gaia está outra vez inundada. O comandante-adjunto da Capitania do Douro, Pedro Servianes, ressalva que a situação ainda não se tornou crítica e que tudo vai depender da chuva que cair nas próximas horas. Continuamos a norte. Em Aveiro, foi ativado o Plano Distrital da Proteção Civil. A decisão decorre das várias ocorrências registradas e relacionadas com o mau tempo, sendo que o risco de inundações volta a aumentar. A Câmara de Águeda alerta para um aumento significativo dos caudais, agravado pelas descargas da barragem da Ribeira de Ou. Em Leiria, já foram gastos 12 milhões de euros em trabalhos de limpeza e recuperação na sequência da depressão Cristina. O presidente da Câmara, Gonçalo Lopes, espera que o montante possa ser coberto por seguros e apoio do Estado. O autarca diz ainda que o ambiente em Leiria é de guerra e pede uma resposta coletiva para reerguer esta região do centro do país. Em Almada, os moradores do bairro do Matadouro queixam-se de cortes de luz há mais de um ano. A E-Redes prometeu uma solução em dezembro do ano passado, mas até agora nada. Os moradores manifestam desespero pelos cortes recorrentes de energia e criticam a E-Redes pelo tempo que está a demorar para resolver o problema. Em Sintra, o mau tempo obrigou o adiamento do Rally das Camélias, com a previsão de chuva intensa durante os próximos dias. A organização afirma que não há condições de segurança para os participantes na prova. O rally ainda não tem nova data marcada, vai ser anunciada nos próximos dias. Terminamos em Rio Maior. Começou hoje a recuperação do campo da Ribeira de Santarém. A intervenção foi acionada pela Viver Santarém e está em curso desde ontem. O vice-presidente da autarquia de Santarém, Emanuel Campos, espera um regresso rápido à normalidade para que os jovens atletas voltem a ter um local para treinar e competir.
Mais notícias na Rádio Observador, às 16h com o Miguel Videira, ou assim que a atualidade o justifique.