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Notícias. Jornal das quatro na Rádio Observador, edição com o João Gama. Um governo incapaz de resolver os problemas na saúde e que está a destruir o SNS. A oposição não poupa nas críticas à ministra da Saúde, depois de um balanço feito hoje a propósito desse plano de emergência.
Críticas à esquerda e à direita. Marina Gonçalves diz que nem se pode chamar balanço ao que foi feito pela ministra da Saúde, a antiga ministra e atual deputada do Partido Socialista diz que as medidas tomadas pelo governo não só não melhoraram, como pioraram os problemas da saúde.
Aquilo que podemos concluir é que os números que temos falado, o agravar de condições face ao ano anterior são verdadeiros, são reais, são números corretos e, por isso, aquilo que o governo não quer assumir é que a estratégia e a prioridade definida de destruir o que estava feito, de criar um novo plano e de criar essa expectativa que resolvia o problema, na verdade, só veio agravar aquele que é um vetor essencial do nosso estado social, que é o Serviço Nacional de Saúde.
Ainda à esquerda, o PCP diz que as únicas conclusões que se podem tirar do balanço do governo são negativas. No Parlamento, o deputado António Filipe afirma que ficou a nu a incapacidade do governo de resolver os problemas.
O que acabamos de ouvir da parte da senhora ministra da Saúde representa uma confissão implícita da incapacidade do governo em resolver os problemas do Nacional de Saúde num quadro de profundo agravamento do serviço. Nós estamos perante uma situação inédita, que é o número de crianças que nascem em ambulâncias a caminho dos hospitais, e a resposta que o governo tem pra isso é a afirmação da senhora ministra de que isso para o ano não pode voltar a acontecer.
Já o Livre vai mais longe. O deputado Paulo Muacho diz que com este balanço ficou bem patente aquele que diz ser o objetivo do governo: privatizar o SNS.
O Livre tem alertado já várias vezes que este programa é um início da privatização do SNS. E aquilo que nós vemos é que o governo quer avançar com os centros de saúde privados, e essa é uma das medidas que vai ser aprovada no Conselho de Ministros. Também anunciou a atualização do valor que é pago pelas ecografias de obstetrícia e, portanto, a atualização do valor que é pago aos privados, quando a ministra se recusa a atualizar também os valores das carreiras e das remunerações dos profissionais de saúde.
E o Bloco de Esquerda diz que o Ministério da Saúde está em confronto com os profissionais de saúde.
Numa área em que se devia resolver problemas que vêm de trás, o governo tem acrescentado caos, confusão e autoritarismo. Portanto, o nosso apelo é que o governo faça um balanço crítico da sua atuação, inverta o rumo, chegue a acordo com os profissionais de saúde e garanta que não há mais urgências fechadas, que se aumenta o número de profissionais de saúde no Serviço Nacional de Saúde, se garante que toda a gente tem acesso ao médico de família.
Declarações de Fabian Figueiredo. À direita, a Iniciativa Liberal, na voz do presidente do partido, Rui Rocha, fala na necessidade de agir na saúde, o que até agora diz que ainda não aconteceu.
Eu creio que aquilo que tivemos hoje foi a humildade de uma ministra vencida pela realidade. Nós vimos, nestes meses de governação, este governo apresentar sucessivos planos. Foi a fase da apresentação de planos. Plano, plano, plano. E nós já percebemos, aliás, com o testemunho de hoje destes planos da saúde, que apresentar planos não resolve nada. O que é preciso é executá-los. Nos casos do plano da saúde, eles ficaram muito aquém daquilo que era desejável para o país, não resolveram muitos dos casos que tinham.
A defesa da ministra da Saúde ficou a cargo do CDS. Paulo Núncio diz que o atual governo recebeu uma herança caótica por parte do anterior executivo socialista e dá os parabéns às medidas apresentadas por Paula Martins.
O CDS saúda hoje as medidas anunciadas pela ministra da Saúde, que são muito importantes para resolver os problemas da saúde. E o CDS gostaria de destacar, em particular, três medidas que consideramos fundamentais. Em primeiro lugar, a prioridade dada aos doentes oncológicos. Em segundo lugar, a reforma anunciada na área da medicina materno-infantil e a terceira medida no sentido da abertura a parcerias entre o setor público, o setor privado e o setor social.
As declarações do CDS, o único partido a defender as medidas anunciadas pela ministra da Saúde, de resto, foram criticadas da esquerda à direita.
Críticas depois do governo admitir que nem tudo correu bem com o plano de emergência para a saúde, mas promete novas medidas e uma delas é já a criação de novas unidades de saúde familiar do modelo C.
O balanço surgiu depois de cerca de 100 dias da apresentação do tal plano de emergência. Ana Paula Martins diz que só metade das medidas urgentes foram totalmente concluídas. Admite que nem tudo correu bem, mas garante que o governo não prometeu resolver todos os problemas na saúde em apenas três meses.
Um SNS em que as senhoras grávidas andavam de urgência em urgência, à procura de uma porta aberta pra terem os seus bebês. Um SNS em que os utentes com patologias pouco urgentes tinham de esperar horas nas urgências dos hospitais para serem atendidos. Conseguimos mudar tudo em três meses? Não, não conseguimos. Vamos ser sérios. Nunca ninguém prometeu isso.
A ministra anunciou a criação de 20 novas unidades de saúde familiar, modelo C, vai ser amanhã aprovada em Conselho de Ministros, a maioria em Lisboa e Vale do Tejo. A região de Lisboa vai ainda ter urgências de obstetrícia e ginecologia, organizadas em urgências metropolitanas. Ana Paula Martins exige, por isso, uma gestão eficaz dos recursos humanos, diz que as dificuldades deste verão não se podem voltar a repetir.
No último domingo, repito, tivemos 17 urgências de portas fechadas
A grande parte, como sabem, de obstetrícia. E isto não pode acontecer. As Unidades Locais de Saúde têm de garantir a sua missão de serviço público e uma gestão eficaz dos seus recursos humanos. No próximo verão, esta situação não deverá voltar a acontecer.
Urgências metropolitanas, 20 novas Unidades de Saúde Familiares modelo C e ainda dar médico de família a mais de 200 mil portugueses são algumas das medidas anunciadas pelo governo esta tarde.
Ora, as opiniões dos especialistas dividem-se. Os administradores hospitalares estão preocupados. A Associação Portuguesa de Hospitalização Privada saúda a decisão de criar estas 20 novas Unidades de Saúde Familiar modelo C.
O modelo C é uma estrutura mais autónoma destes cuidados de saúde primários em Portugal. O presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Xavier Barreto, diz ter reservas quanto à medida que acredita poder enfraquecer ainda mais os serviços públicos de saúde.
Com a informação que temos, estamos preocupados e temos reservas em relação a esta ideia. Repare se, porventura, estas novas USF modelo C puderem recrutar médicos do Serviço Nacional de Saúde e tendo em conta que terão toda a autonomia, até para definir outro tipo de salários, salários mais elevados, é possível que isso possa depauperar ainda mais os serviços públicos, retirando, no fundo, contratando esses recursos humanos, particularmente médicos, ao Serviço Nacional de Saúde, aos centros de saúde tradicionais.
Já o presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, Óscar Gaspar, fala numa medida importante e saúda o governo pela iniciativa.
É importante e eu penso que pode ser positiva para os portugueses, pode representar um aumento significativo em termos do número de portugueses com médico de família. Eu recordo que esta questão das USF modelo C não é nova, já está na legislação há mais de 10 anos, mas a verdade nunca foi implementada e, portanto, eu penso que teremos que saudar esta iniciativa pioneira do governo, alicerçada numa lei existente, mas que é uma novidade no sentido que pela primeira vez vai ser posta em prática.
Estas novas Unidades de Saúde Familiar modelo C vão ser geridas pelos setores social e privado. As declarações de Óscar Gaspar, que diz ainda que é necessário esperar pelo documento final para se poder tirar mais conclusões.
Ainda na saúde, o Sindicato Independente dos Médicos está reunido a esta hora com a ministra Ana Paula Martins.
No ministério, o secretário-geral do SIM, Nuno Rodrigues, reagiu também às medidas anunciadas pela ministra Ana Paula Martins. Vamos já em direto para o Ministério da Saúde. Ela que está a repórter Laura Figueiredo. Laura, boa tarde. O que disse Nuno Rodrigues?
Boa tarde, João. O secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos, de facto, reagiu e elogiou mesmo algumas das medidas apresentadas hoje pela ministra da Saúde. Nuno Rodrigues diz que podem mesmo contribuir para minimizar os problemas do Serviço Nacional de Saúde. Em particular, o sindicato saudou o facto de o ministério pretender aumentar o pagamento das ecografias no privado.
As ecografias obstétricas, nós neste momento não tínhamos nenhum convencionado entre Leiria e Lisboa a fazer ecografias obstétricas. O que é que isso significava? Significava que todas as grávidas desta região, por exemplo, mas de outras também, tivessem de recorrer ao privado para fazer as ecografias e estão a pagar 100, 120 € cada uma. E, portanto, compreende que isto é uma dificuldade de acesso. O que é que isto leva? Leva a que grávidas não façam ecografias, leva a que não sejam diagnosticadas malformações no tempo devido, leva a depois mais custos para o sistema de saúde.
Nuno Rodrigues, o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos, que falou aqui à porta do Ministério da Saúde antes de entrar para esta quinta reunião com o governo. Deste encontro, o sindicato espera sair com medidas concretas. Diz mesmo que é impensável acabar uma quinta reunião sem resultados. Em cima da mesa está a valorização salarial. O sindicato explica que sempre reivindicou um aumento de 30%. Lembra que o anterior governo conseguiu subir os salários em 15% e, por isso, deste governo, o sindicato espera conseguir também um aumento semelhante. Vamos aguardar pelo final da entrevista da ministra da Saúde para saber se, de facto, o SIM vê respondidas algumas das reivindicações.
A reportagem em direto da Laura Figueiredo no Ministério da Saúde. O Sindicato Independente dos Médicos é o único sindicato que continua reunido com o governo. Ontem, a Federação Nacional dos Médicos anunciou uma greve nacional para os dias 24 e 25 deste mês.
Luís Montenegro diz que não há negociações secretas com Pedro Nuno Santos, a propósito do Orçamento do Estado. O gabinete do primeiro-ministro assegura ainda que a carta enviada pelo líder do CHEGA a encerrar negociações ainda não chegou a São Bento.
André Ventura fez saber na segunda-feira que tinha enviado uma missiva ao primeiro-ministro onde dizia estar fora das negociações para o Orçamento do Estado e onde acusava o social-democrata de trair o eleitorado de direita. Fonte do gabinete de Luís Montenegro revela ao Observador que passadas quase 48 horas, não chegou qualquer carta à residência oficial do primeiro-ministro. Nesta mensagem, Ventura denunciava negociações secretas entre PS e PSD para a aprovação do Orçamento. A mesma fonte oficial nega qualquer troca de correspondência ou negociação entre o primeiro-ministro e o secretário-geral do Partido Socialista durante todo o mês de agosto.
Olhemos agora para outras notícias também em destaque a esta hora.
Mais uma medalha. Luís Costa conquista o bronze no contrarrelógio individual da classe H5 no ciclismo adaptado dos Jogos Paralímpicos de Paris. Portugal já tem tantas medalhas como nos Jogos do Rio de Janeiro em 2016. É o primeiro pódio daquele que é o atleta mais velho da delegação portuguesa. Luís Costa tem 51 anos, junta-se a Miguel Monteiro, Cristina Gonçalves e Diogo Cancela como os medalhados portugueses nos Jogos Paralímpicos. Portugal vai ser candidato a acolher o Campeonato Europeu Feminino de Futebol em 2029, 20 anos depois do Euro 2024. A Federação Portuguesa de Futebol anuncia hoje que vai mesmo avançar com a candidatura. Em comunicado, o presidente da Federação explica que vai ser mais um passo para consolidar o futebol feminino em Portugal. Os países interessados em organizar a competição têm 20 dias para o comunicar à UEFA até dia 24 de setembro. Por enquanto, só a Polónia e a candidatura conjunta da Suécia e da Dinamarca mostraram interesse em avançar. O primeiro-ministro admite que não pode garantir que vai haver professores para todos os alunos no arranque do ano letivo. Diz que é uma garantia que não pode deixar de um mês para o outro. Luís Montenegro falava na assinatura dos acordos entre governo, ordens profissionais e ensino superior. Uma cerimónia que contou também com o ministro da Educação, que à saída foi questionado sobre o descongelamento das propinas. Não respondeu, Fernando Alexandre diz apenas que o ano letivo e o Orçamento do Estado estão a ser preparados.