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E vamos ao jornal das 16h com o João Gama. João, Luís Montenegro garante que não há reuniões secretas em São Bento.

Mas sim encontros com entidades e personalidades, incluindo líderes políticos, sobre temas de interesse nacional, que ocorrem com discrição e sem a presença da comunicação social. É esta a reação às declarações de Pedro Nuno Santos, que acusou André Ventura e o primeiro-ministro de se reunirem em segredo, hoje, em São Bento, para discutirem o Orçamento do Estado, uma notícia que foi avançada pela CNN e confirmada, entretanto, pelo Observador. No entanto, numa nota enviada à comunicação social, o primeiro-ministro responde a esta provocação do secretário-geral do PS, nega reuniões secretas em São Bento. O Iniciativa Liberal confirmou também esta tarde que Rui Rocha teve uma reunião logo à primeira hora da manhã com Luís Montenegro, isto no âmbito da situação política e das negociações para o Orçamento do Estado.

É um aviso do Presidente da República: sem Orçamento do Estado para o próximo ano, o país vai atravessar uma crise política e económica.

Marcelo Rebelo de Sousa falou aos jornalistas depois de ter sido vacinado contra a Covid-19 e contra a gripe. Não quis comentar as polémicas entre Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro. Destaca apenas o primeiro passo, acredita Marcelo Rebelo de Sousa, para o Orçamento do Estado vir a ser aprovado.

Hoje é um dia bom, porque já está marcada a reunião entre os dois líderes dos dois principais partidos, o primeiro-ministro e o líder da oposição. É um primeiro passo, espero que seja um de vários passos e, portanto, naquele caminho que eu considero que é o caminho melhor para Portugal. Eu já expliquei que o retificativo não vai avançar, porque depois de um governo ser derrotado no Orçamento para 2025, não vai ser obrigado a propor uma coisa que não quer.

Marcelo Rebelo de Sousa, num som captado pela SIC Notícias, umas declarações aos jornalistas esta manhã, alerta o Presidente da República que sem orçamento o país pode atravessar uma crise política e económica. Foi ainda questionado Marcelo Rebelo de Sousa sobre a nomeação do novo PGR. Espera poder decidir rapidamente sobre o nome que venha a ser proposto pelo primeiro-ministro.

E Pedro Nuno Santos diz que só não haverá orçamento se o governo não quiser.

Diz ainda que não tem qualquer problema em aprovar o orçamento, desde que o governo ceda no que o Partido Socialista considera ser o essencial. Ainda assim, entre acusações, foi ontem marcada a primeira reunião entre primeiro-ministro e líder da oposição para negociar o documento para sexta-feira às 15h. Pedro Nuno Santos diz que Luís Montenegro está com falta de vontade para negociar.

Aquilo que revela é falta de vontade de negociar e de criar um bom ambiente negocial. Isso para mim é evidente. E a consequência daquele comunicado, que não teve nenhum efeito produtivo, a única consequência é criar um facto político que desvia a atenção mediática ou debate dos problemas reais que os portugueses enfrentam, desde logo, os incêndios e aquilo que nós temos que fazer para, no futuro, garantir que temos menos incêndios e menos consequências negativas desses mesmos incêndios.

O PS rejeitou mesmo essas reuniões?

Nós já explicamos. Eu não quero alimentar esta polêmica, nem contribuir para a provocação infantil que o governo acabou por fazer ontem.

Pedro Nuno Santos sublinha que só não haverá orçamento se o governo não quiser.

E sobre o mesmo tema, o Chega acusa o governo e o Partido Socialista que não estão preocupados com a viabilização do Orçamento do Estado.

O líder do Chega acusa o Executivo de Luís Montenegro de nunca ter tido interesse em negociar o documento com a direita. Diz que o objetivo da AD é antes levar o país para novas eleições.

Na verdade, nem Luís Montenegro nem Pedro Nuno Santos estão preocupados em dar um orçamento ao país. Os dois querem sair desta novela do Orçamento o melhor possível, sem se responsabilizar pela crise política que o Presidente da República disse que viria e já anunciou que virá se não houver orçamento. Agora é o Partido Socialista que está na mira do governo. Há uns meses atrás, era o Chega que tinha que ser responsável, que era preciso haver uma negociação. E depois percebemos, na verdade, que o governo nunca teve nenhum interesse em fazer nenhuma negociação. O governo quer provocar eleições para sair delas mais forte e sair delas sem precisar negociar com a oposição.

Acusações de André Ventura, que diz ainda que Pedro Nuno Santos também está à procura de novas eleições. O Chega faz ainda saber que quer ouvir o governo na Assembleia da República a propósito da gestão dos incêndios.

Ainda a propósito dos incêndios, o tema está em discussão a esta hora numa reunião em São Bento, que junta o governo a várias entidades judiciais.

O primeiro-ministro reúne-se com a Procuradora-Geral da República, a ministra da Administração Interna, a ministra da Justiça, o diretor nacional da PJ, o comandante-geral da GNR e o diretor nacional da PSP. Esta equipa foi anunciada pelo governo para investigar a eventual origem criminosa dos incêndios. E é em São Bento que está o repórter Miguel Vitor Dias. Miguel, a esta hora a reunião já começou?

Começou há cerca de 10 minutos, aqui na residência oficial do primeiro-ministro. Para além de Luís Montenegro, está também Lucília Gago, a procuradora-geral da República, duas ministras, Margarida Blasco, da Administração Interna, e também Rita Alarcão Júdice, da Justiça, e o topo da hierarquia das forças policiais e de investigação. Está o comandante-geral da Guarda Nacional Republicana, também o diretor nacional da PSP e o diretor nacional da Polícia Judiciária, que são os órgãos com competências para investigar os alegados crimes de fogo posto nos incêndios florestais. Luís Montenegro a agendar esta reunião pouco mais de uma semana depois de ter anunciado esta equipa especializada. Fe-lo aqui também em São Bento, depois de um Conselho de Ministros extraordinário com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa e depois de várias questões colocadas ao longo destes dias sobre que equipa é esta e de que forma é que se diferencia de grupos especializados que já existem para combate aos fogos florestais. Luís Montenegro a convocar esta reunião, onde também marca presença, e a convocá-la aqui para a residência oficial do chefe do governo. Depois do encontro, haverá direito a declarações, ainda que sem perguntas. Isto porque o dia está particularmente agitado aqui na residência oficial do primeiro-ministro. Já recebeu André Ventura e Rui Rocha para falar sobre o Orçamento do Estado e para evitar misturar assuntos. Aquilo que deverá acontecer é que aqui vai fazer uma declaração sobre fogos sem direito a perguntas e depois À noite, embora na condição de presidente do PSD, há um conselho nacional numa unidade hoteleira aqui em Lisboa e aí Luís Montenegro deverá fazer uma declaração aberta à comunicação social, onde deverá dar resposta a algumas questões sobre estas reuniões discretas, como assim descreve o primeiro-ministro, que teve hoje com o presidente do Chega e também da Iniciativa Liberal.

A reportagem direto do Miguel Vitório Dias, que está na residência oficial do primeiro-ministro, onde a esta hora Luís Montenegro está a discutir uma equipa para investigar a eventual origem criminosa dos incêndios, que inclui, por exemplo, a Ministra da Administração Interna e a Ministra da Justiça.

E a Ordem dos Médicos aprovou a criação da especialidade de medicina de urgência e emergência. A FNAM diz que não chega para resolver os problemas do SNS.

A proposta foi aprovada hoje em reunião, depois de ter sido chumbada na primeira votação em 2022. À Rádio Observador, Joana Bordalo e Sá, presidente da Federação Nacional dos Médicos, considera que a medida é um remendo para um problema crónico do SNS.

No fundo, é uma solução encontrada exatamente para colmatar uma falha. Esta solução foi encontrada exatamente porque há carência de médicos no Serviço Nacional de Saúde em geral e, em particular, nos serviços de urgência, porque o Ministério da Saúde, Ana Paula Martins, nada fez para garantir mais médicos. É uma decisão que cabe puramente à Ordem dos Médicos e à Federação Nacional dos Médicos, o que se pretende é pronunciar e garantir que os médicos que abraçam essa especialidade, sejam os médicos internos, sejam os médicos especialistas, têm condições de trabalho que sejam dignas, em conformidade com a lei, em conformidade com os nossos acordos coletivos de trabalho.

Declarações de Joana Bordalo e Sá, presidente da FNAM, a explicar que é preciso garantir condições de trabalho para os futuros médicos desta nova especialidade.

Mas há reações diferentes, João. A presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina de Urgência e Emergência salienta que hoje é um dia importante para a saúde.

Eu lembro que há 20 anos que lutava pela criação desta especialidade. Adelina Pereira alerta que lhe parece difícil que a formação de médicos especialistas em medicina de urgência e emergência comece já em janeiro de 2025, que é a ambição da Ordem dos Médicos.

Eu acho que é um prazo extremamente ambicioso. Não é impossível, eu costumo dizer que não é impossível, mas que é muito difícil, seguramente. Estamos muito em cima do tempo. Habitualmente, as vagas para o internato de formação específica são publicadas no mês de novembro de cada ano, portanto, é tudo muito perto e para se perceber a forma como vai funcionar e onde vai funcionar, vai obrigar, seguramente, a um trabalho muito rápido, ágil e que é importante. É preciso que seja bem construído, é preciso que este início comece bem.

Adelina Pereira, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina de Urgência e Emergência, a sublinhar que, a longo prazo, a criação desta nova especialidade vai ajudar a diminuir o problema de resposta nas urgências.

A esta hora, João Gama, vamos a outras notícias que marcam a atualidade.

Mais de 270 pessoas morreram hoje vítimas dos ataques israelitas no sul do Líbano, de acordo com o ministro da Saúde libanês. Entre os mortos estão crianças e paramédicos. O suspeito de querer assassinar Donald Trump deixou uma carta a oferecer $150 mil a quem concluir o trabalho. A carta de Ryan Routh estava na casa de um conhecido, que entretanto a entregou às autoridades. De acordo com a CNN Internacional, o homem antecipou o fracasso da tentativa de assassinato. Um homem e uma mulher morreram hoje depois de várias queimaduras sofridas durante os incêndios no distrito de Aveiro. De acordo com o vice-presidente da Câmara Municipal de Albergaria à Velha, o homem residia em Vila Nova de Fuzos e a mulher da freguesia de Frozos. Os dois estavam hospitalizados desde os incêndios da semana passada. O ministro da Educação confirma que há mais de 200 mil alunos sem aulas. Fernando Alexandre admite que a falta de professores é a principal causa para que o ano letivo esteja a começar com constrangimentos. Ainda assim, relembra que a falta de professores não se resolve de um ano para o outro.

Notícia de fecho do Jornal das Quatro.