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Observador. Jornal das quatro com Luís Soares. Luís, os estados membros da União Europeia votaram a favor da proposta da Comissão para responder às tarifas impostas pelos Estados Unidos. Os 27 vão agora aplicar uma tarifa de 25% a bens e produtos dos Estados Unidos.
Taxas alfandegárias até 25% numa lista de bens em três fases distintas. Em comunicado, o executivo comunitário explica que a União Europeia considera as tarifas norte-americanas injustificadas e até prejudiciais, causando prejuízos económicos aos dois lados, assim como à economia global. Ora, os 27 declaram a clara preferência para encontrar soluções negociadas com os Estados Unidos que sejam equilibradas e mutuamente benéficas. Bruxelas responde assim à decisão norte-americana de impor taxas alfandegárias de 25% sobre importações de aço e alumínio da União Europeia. A reação não contempla ainda a posição sobre as taxas de 20% anunciadas por Donald Trump na semana passada. A Comissão vai agora desencadear os procedimentos internos para que estas medidas entrem em vigor a 15 de abril. No entanto, há a possibilidade de serem suspensas em qualquer momento, caso os Estados Unidos concordem com uma solução negociada, justa e equilibrada. O especialista em assuntos europeus, Paulo Sande, diz que é preciso esperar para ver que efeitos têm estas tarifas anunciadas pela União Europeia. No entanto, diz que este é apenas o primeiro passo de uma guerra que ainda agora começou.
Podemos esperar mais medidas um pouco mais tarde. Isto é, no fundo, um sinal, e é um sinal forte suficiente. É proporcional, no sentido em que não chega sequer ao nível da imposição que foi feita por parte dos Estados Unidos, e de alguma forma, é um caminho que está iniciado. A decisão foi conhecida agora, mas aparentemente esta imposição será feita em três momentos, mas a começar, eventualmente, já na próxima semana. Portanto, vamos ver de que forma é que isto impacta na economia norte-americana e quais são as consequências.
Paulo Sande, o especialista em assuntos europeus, diz também que a União Europeia tem de se preparar para encontrar alternativas comerciais e que não há, para já, forma de prever como é que Donald Trump vai reagir à iniciativa europeia. Certo é que a Bolsa de Nova Iorque até abriu em ligeira alta, neste dia em que entraram em vigor as novas tarifas dos Estados Unidos, e também se intensificou a guerra comercial com a China e a União Europeia a anunciarem tarifas sobre produtos norte-americanos.
E por causa destas tarifas, o governo reúne-se amanhã para debater medidas para as empresas. Uma das medidas para mitigar esse impacto das tarifas deve passar por facilitar créditos e financiamentos a 100%.
A Confederação do Comércio e Serviços esteve no Ministério da Economia, levantou o pano sobre as medidas que estão a ser preparadas pelo governo, ainda que sem muitos detalhes. A CCP fala em medidas adequadas, mas que vão ainda depender da duração desta guerra comercial. O presidente João Vieira Lopes mostra-se satisfeito com o plano inicial e desvenda até alguns pormenores.
Vai depender da dimensão e do tempo em que durar todos estes confrontos comerciais. Como arranque, parecem-me medidas aplicáveis e com interesse.
Como é que elas serão aplicadas às empresas?
Serão medidas no sentido de facilitar os créditos, algumas medidas a fundo perdido, no sentido de incentivar a diversificação de exportações, financiando as atividades nesse sentido. São medidas que penso que são adequadas.
Financiamentos a 100%, como é que é?
Nalguns casos, alguns custos a 100%, o governo entrou em pormenor.
Declarações de João Vieira Lopes aos jornalistas no Campus 21, à saída da reunião com o Ministro da Economia. Reuniões que decorreram ontem e hoje com várias associações, terminaram há instantes com a Confederação do Turismo, que Nadine Soares, agora em direto, também não esconde preocupação com esta guerra comercial.
Sim, apesar de não exportarem produtos, a Confederação do Turismo de Portugal admite estar apreensiva com a atual guerra de tarifas. O presidente Francisco Calheiros fala numa escalada de crise e apela, por isso, a uma postura razoável por parte dos envolvidos, os Estados Unidos e a China.
Esta crise está a alastrar, está a escalar. Ainda hoje vimos a reação da China e, numa base mais de médio prazo e global, tememos que, se não houver razoabilidade no meio disto, porque já estamos a falar em tarifas de 200%, que isto possa acarretar uma crise, quer para o mercado americano, para as suas pessoas e falta de poder de compra, e falta de poder de compra é diminuir o consumo, como, por exemplo, também para empresas europeias, muito exportadoras. Estou a pensar no caso, por exemplo, da Alemanha, para o mercado americano, que são muitos dos alemães que são nossos clientes. E a situação de médio prazo também nos preocupa um bocadinho.
Francisco Calheiros lembra que o mercado americano é importante a nível turístico, com grande poder de compra. Ainda não há nota de diminuição, mas teme que o turismo possa vir a ser afetado. E já sobre a resposta da União Europeia de avançar com 25% de tarifas, o presidente da Confederação de Turismo de Portugal diz que é apenas um sinal de não desistência por parte da União Europeia, diz que a Europa está apenas a trabalhar para ser uma alternativa ao problema. Francisco Calheiros adianta ainda que outra medida possível em cima da mesa é a diminuição de burocracias para promover o aumento de produtividade nas empresas. Fala num passo concreto que foi dado hoje entre as associações empresariais e o governo. Foi a última a ser ouvida aqui no Campus 21. Amanhã, como ouvimos em Conselho de Ministros, são então conhecidas em pormenor estas ideias, medidas de apoio às empresas para combater estas tarifas impostas por Donald Trump.
Nadine Soares, aqui em direto, no final de dois dias de encontros entre o governo e as várias associações que representam vários setores da economia portuguesa. Amanhã o governo discute então o tema em Conselho de Ministros
Depois de ter atravessado um período de turbulência, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa terminou o ano passado com lucros acima dos 30 milhões de euros.
Informação adiantada ao Observador pelo Provedor Paulo Alexandre de Sousa. O ano passado foi mesmo o melhor desde 2019.
2024 é o melhor ano dos últimos cinco anos de atividade da Santa Casa, em termos financeiros.
Portanto, o melhor ano pós-pandemia, não é?
Exatamente. O resultado líquido é positivo, na ordem superior a 30 milhões de euros e acho que é excelente após um período de quatro anos de resultados negativos, mais de 130 milhões de euros.
Paulo Alexandre de Sousa, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, em entrevista ao Observador, adiantou ainda que uma parte desta evolução resulta da recuperação nos jogos sociais. A raspadinha continua a dominar as receitas, mas Paulo Alexandre de Sousa desvaloriza o impacto deste jogo na adição.
Temos consciência de que, existindo uma preponderância grande da raspadinha, há outros fenómenos muito mais preocupantes no mercado. Nós temos uma linha de apoio, contratada como entidade externa, para jogadores que acham que estão em situação de risco. Mais de 60% das chamadas que recebemos não têm a ver com os jogos sociais do Estado, com os jogos da Santa Casa, têm a ver com jogo online.
Paulo Alexandre de Sousa assegura que o plano de reestruturação está a ser executado acima das metas. Uma das exceções é a venda de imóveis, que está muito abaixo da previsão.
Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, entrevistado aqui pela Ana Suspiro e pela Ana Sanles. Pode ler esta entrevista e ouvi-la também no site do Observador. O diretor nacional da Polícia Judiciária mostra-se satisfeito com o trabalho desenvolvido por esta polícia na operação que desmantelou um laboratório clandestino de produção de drogas e que resultou na detenção de dois guardas prisionais.
Ideia defendida por Luís Neves, a propósito da atuação da Polícia Judiciária nesta operação, que teve por alvo estabelecimentos prisionais e que levou à detenção de 13 pessoas, entre elas dois guardas prisionais. Foi ainda desmantelado um laboratório de produção de drogas. O diretor nacional da PJ refere que esta era a principal fonte das substâncias ilícitas que entravam nestas prisões. Luís Neves sublinha ainda que foram atingidos alguns objetivos desta investigação, que, no entanto, continua em aberto.
Nós conseguimos alcançar os nossos objetivos. É uma investigação que vai prosseguir, tem objetivos mais longos. Detivemos muitos intervenientes, que não são guardas prisionais, mas são elementos que, através do tráfico e das suas práticas, introduzem estes produtos ilícitos no meio prisional. Há momentos, permiti que fossem difundidos uma filmagem e fotografias de um grande laboratório que foi desmantelado e esse laboratório era o principal instrumento o qual se passava estes anabolizantes, estes produtos para o meio prisional e por isso estamos muito satisfeitos com o nosso trabalho.
O balanço de Luís Neves, em declarações aos jornalistas em Évora, captadas pela Sic Notícias. Isto depois dessa operação da Judiciária em estabelecimentos prisionais de Lisboa, Alcoentre, Carregueira, Sintra e Funchal, por suspeitas de terem introduzido a droga nas prisões. Os detidos vão ser ainda presentes a primeiro interrogatório judicial para a aplicação das medidas de coação.
Olhemos agora para outras notícias, também em destaque a esta hora, Luís.
O ministro da Defesa Nacional defende que a nova conjuntura geopolítica deve levar ao reforço do pilar europeu de defesa da NATO. Foi no discurso das comemorações do aniversário da Batalha de La Lys e do Dia do Combatente na batalha. Nuno Melo reconheceu que os tempos atuais são de instabilidade e de incerteza, marcados por acontecimentos muito preocupantes, como a invasão da Ucrânia pela Rússia. Já o Presidente da República sublinha que o país tem uma só política de defesa, não muda ao sabor dos acontecimentos e é fiel aos compromissos. O líder da União Democrata Cristã alemã, Friedrich Merz, garante que o acordo de coligação com o Partido Social-Democrata vai unir o país e mostrar que a Europa pode confiar na Alemanha. Em conferência de imprensa, o vencedor das últimas eleições afirmou que esta parceria governamental vai tornar o país mais seguro e forte economicamente. O acordo de coligação foi alcançado esta terça-feira. Depois do acordo ser aprovado, os partidos envolvidos precisam de o votar para que Friedrich Merz possa ser eleito como chanceler no Parlamento alemão, o que deve acontecer no início de maio.