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Na Rádio Observador. É o Jornal das Quatro, edição do jornalista Rui Casanova e começamos com a corrida a Belém. Marcelo Rebelo de Sousa nega ter tentado travar a candidatura presidencial de Henrique Gouveia e Melo, tal como acusa o almirante.
Henrique Gouveia e Melo revela que só decidiu candidatar-se a Belém porque Marcelo Rebelo de Sousa o tentou travar. Um artigo no jornal Expresso de outubro de 2024 dizia que o atual presidente da República pretendia reconduzir Gouveia e Melo como chefe do Estado-Maior da Armada, apenas para evitar uma candidatura presidencial do almirante, para o impedir de avançar para Belém em 2026. Ora, Henrique Gouveia e Melo admite agora que foi depois de ler essa notícia que decidiu mesmo avançar. Diz que ficou danado. Ora, Marcelo Rebelo de Sousa garante que nunca tomou essa posição e rejeita estas acusações de Gouveia e Melo.
Eu não dei essa entrevista. Não dei nenhuma entrevista em que tivesse tido aquilo que me diz a Cris. Não há, não encontro nenhuma entrevista minha em que eu me pronunciasse sobre questões de chefia das Forças Armadas. A entrevista ao Expresso, não foi essa a matéria? Não há nenhuma entrevista com palavras minhas dizendo, pronunciando sobre quem é chefe, quem não é chefe, quem deve ser, quem não deve ser chefe das Forças Armadas e pronunciando sobre quem deve ser ou não candidato presidencial.
Está a faltar à verdade, o Gouveia e Melo.
Não estou a dizer isso, estou a dizer que eu não dei.
Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações aos jornalistas ao início desta tarde, à margem de uma cerimónia militar em Vila Viçosa. Foi a reação depois da revelação de Henrique Gouveia e Melo, conhecida esta manhã, consta de uma longa entrevista que deu à jornalista Valentina Marcelino para um livro que vai ser apresentado este mês. Gouveia e Melo já tinha dito publicamente que houve várias figuras políticas que o tentaram impedir de avançar para Belém e agora nomeia nomes, com destaque para o de Marcelo Rebelo de Sousa.
Marcelo Rebelo de Sousa, que falou ainda sobre a greve geral convocada para 11 de dezembro. O presidente da República considera que o protesto foi marcado muito cedo.
"Quando a procissão ainda vai no adro", é a expressão utilizada por Marcelo Rebelo de Sousa. O chefe de Estado relembra que a votação do Orçamento de Estado ainda está a decorrer e defende que, neste contexto, ainda é possível discutir a Lei do Trabalho.
Nós estamos nesta altura a votar o Orçamento de Estado, o que é muito importante e que só termina a votação no final do mês de novembro. Depois, há leis que são também muito importantes. Uma delas é a Lei de Trabalho, sobretudo se for para alterar muita legislação. Faz sentido ser discutida na concertação social, faz sentido ser discutida com os partidos e, portanto, eu penso que é uma matéria em que a procissão ainda vai no adro.
"A procissão ainda vai no adro", é a expressão utilizada por Marcelo Rebelo de Sousa nestas declarações, reação à greve geral convocada pela CGTP e UGT para o próximo mês de dezembro, dia 11. Este protesto foi anunciado ontem no final de uma marcha em Lisboa, que juntou milhares de trabalhadores que estão contra as alterações à Lei Laboral propostas pelo governo da AD.
Ainda na política nacional, a presidente da Iniciativa Liberal acusa o PSD de dar sinais perigosos de cedência ao Chega depois do acordo autárquico em Sintra.
O PSD fez um acordo com o Chega na Câmara de Sintra para a governação da autarquia. Um acordo que levou a Iniciativa Liberal a retirar a confiança política a Eunice Baeta, a vereadora eleita pelo partido, que aceitou integrar o executivo com o Chega, foi agora afastada pela IL. Ora Mariana Leitão acusa o PSD de cedência à extrema-direita e garante que os liberais nunca vão seguir esse caminho.
O PSD, esse mesmo partido que se diz alternativa, está a dar sinais perigosos, sinais de cedência, sinais de quem troca princípios por conveniência, sinais de quem acha que o poder vale mais do que a coerência. Hoje, o Chega mete o pé na porta, exige, pressiona, impõe. E o PSD, em vez de dizer não, faz contas.
Mariana Leitão, em declarações na abertura da reunião do Conselho Nacional da Iniciativa Liberal, que está a decorrer em Coimbra, rejeita qualquer acordo com o Chega a nível nacional e autárquico e garante que os liberais não vão permitir que os princípios do partido sejam feitos reféns do populismo.
Luís Montenegro tem expectativas elevadas para a cimeira entre a União Europeia e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos.
O primeiro-ministro português está em Santa Marta, na Colômbia, para participar nesta cimeira. Uma cimeira que decorre num contexto de tensões diplomáticas entre Colômbia e Estados Unidos, depois da Casa Branca ter aplicado sanções ao presidente colombiano Gustavo Petro e de o ter acusado de colaborar com o narcotráfico. Ora, Luís Montenegro espera que esta reunião possa contribuir para baixar esta tensão crescente na região.
Espero que se consiga uma aproximação de posições que, no contexto global, possam favorecer um relacionamento mais estável, mais consolidado entre todos estes Estados e entre esta comunidade e também os Estados Unidos da América, depois, do ponto de vista bilateral. Não há tabus desse ponto de vista em cima da mesa e eu acho que é assim mesmo que deve ser para quem tem verdadeira vontade de resolver os problemas, porque a melhor maneira para não os resolver era não falar deles.
Luís Montenegro, à entrada para a quarta cimeira entre a União Europeia e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, declarações aos jornalistas. Garante o primeiro-ministro português que Portugal pode ter um papel diplomático importante entre estes Estados. Isto numa altura em que os Estados Unidos dizem já ter afundado 17 barcos no Caribe e Pacífico, alegadamente envolvidos em tráfico de droga, ataques que causaram mais de 60 mortos, numa altura em que países como a Colômbia e a Venezuela classificam estas incursões norte-americanas como assassinatos
E o Reino Unido está a enviar militares e equipamento antidrone para a Bélgica, isto depois de uma série de avistamentos de drones perto de aeroportos e bases militares.
Sim, na última semana, tanto o principal aeroporto internacional da Bélgica em Bruxelas como o da cidade de Liège, um dos maiores aeroportos de carga da Europa, foram obrigados a encerrar temporariamente por causa de incursões de drones não identificados. Ora, o Reino Unido concordou em destacar o pessoal e equipamento para a Bélgica após um pedido de ajuda das autoridades belgas. É o que dá conta o governo britânico este domingo. O governo da Bélgica acredita que alguns destes incidentes relacionados com drones faziam parte de uma operação de espionagem, alegadamente da Rússia. A Bélgica, de recordar, acolhe a sede da NATO e da União Europeia, bem como a maior câmara de compensação financeira da Europa, que detém dezenas de milhares de milhões de euros em ativos russos congelados na sequência da guerra na Ucrânia.
E agora no desporto, o presidente da Casa do Benfica da Cidade da Praia quer convidar Rui Costa a ir a Cabo Verde e apela para que o presidente recém-eleito facilite processos de adesão ao clube no estrangeiro.
Lumumba Barbosa explica que um dos grandes problemas que afasta os cabo-verdianos de serem sócios do Benfica é a forma de pagamento das quotas. Por isso, ouvido pela Rádio Observador, o presidente da Casa do Clube Encarnado da Cidade da Praia deixa este convite e apelo a Rui Costa. O candidato, que foi o mais votado nesta Casa do Benfica em Cabo Verde nesta segunda volta das eleições presidenciais.
Eu vou lhe convidar rapidamente, mais uma vez, para vir a Cabo Verde e também já lhe disse sobre a conferência das Casas que vai passar a ter, em março. Nós sentimos aqui a necessidade de os sócios do Benfica, que aqui apareceram muitos da casa que não podiam votar, expressarem vontade de ser sócios do Benfica, mas há que criar condições para que os sócios possam pagar as quotas. E se não tiveres uma conta em Portugal, fica difícil fazer a conta e descontar a tua quota. Portanto, há que trabalhar isto.
O presidente da Casa do Benfica da Cidade da Praia, ouvido pelo jornalista da Rádio Observador, Martim Madeira, afirma ainda que as eleições em Cabo Verde decorreram sem incidentes. Nesta segunda volta, Rui Costa foi reeleito presidente do Benfica com quase 66% dos votos. Tomou posse esta manhã. Já João Noronha Lopes ficou em segundo, com 34% dos votos nesta segunda volta das eleições presidenciais do Benfica. Hoje, há jogo no Estádio da Luz. O Clube Encarnado recebe o Casa Pia às 20h30, no rescaldo destas eleições presidenciais. Antes, às 18h, o Futebol Clube do Porto joga no terreno do Famalicão. Faltam já menos de duas horas.
E são dois jogos com relato e comentários em direto aqui na Rádio Observador, numa emissão especial de desporto que se vai prolongar toda a noite. E é assim que fechamos o Jornal das Quatro, edição do jornalista Rui Casanova. Até já.
Até já, Rita.