Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

A partir de Leiria. Jornal das 4, com a jornalista Vanessa Cruz e pela quarta vez depois das eleições presidenciais, Pedro Passos Coelho voltou a aparecer para garantir que não está de regresso à vida política.

O antigo primeiro-ministro deixa críticas aos governos de António Costa e reforça os recados para Luís Montenegro. Desta vez em Coimbra, Passos Coelho voltou a pedir ao governo da AD que aproveite o período sem eleições para pôr em prática as promessas e reformas pelas quais foi eleito. E avisa que não ter maioria absoluta não é desculpa. Aproveita também, Vasco Maldonado Correia, para deixar esclarecimentos sobre o objetivo das posições que tem assumido publicamente.

Pedro Passos Coelho recusa estar de regresso à política.

Eu não estou no ativo da política, mas não estou inibido de poder fazer algumas considerações que possam ter ressonância pública ou política, e isso às vezes acontece.

E numa semana recheada de recados ao governo, explica ao que vem.

O meu objetivo, eu já disse qual é, é o de poder contribuir para que a reflexão pública possa ter alguma consequência.

O antigo primeiro-ministro garante que o timing das recentes aparições é inocente.

Por que neste momento?

Não tenho nenhuma intenção particular, porque os senhores registaram essas palavras em circunstâncias em que eu fui convidado a pronunciar-me sobre essas questões.

Mas insiste que agora chegado um longo período sem eleições, não há desculpas para não agir.

E agora que esse ciclo eleitoral se fechou, está na altura de pôr em prática, portanto, aquilo que foi a grande promessa com que o PSD chegou ao governo. E para isso, é preciso agora não perder mais tempo.

O social-democrata culpa o sucessor na chefia do governo pela estagnação do país.

Ao fim de oito anos, que foi o tempo em que o doutor António Costa chefiou o governo, o país esteve numa paralisia grande em matéria de transformação econômica.

Sendo que para Montenegro continuam avisos.

Aquilo que eu quis chamar a atenção, e repito, é que não é pelo fato de não haver uma maioria absoluta, que os governos estão impedidos de apresentar as suas ideias, os seus projetos, as suas propostas de reforma. E, portanto, eu espero que o governo se sinta incentivado a fazê-lo.

E apelos à ação.

Um governo só pode dizer aos eleitores: "Deem-me o apoio que o Parlamento não me dá", se confrontar o Parlamento com as suas iniciativas, se não confrontar...

Pedro Passos Coelho, na quarta aparição no pós-presidenciais, mais uma vez com recados para o governo de Luís Montenegro, em Coimbra, aproveitou também para pedir ao Parlamento uma reforma dos serviços de informações.

Vasco Maldonado Correia, com Pedro Passos Coelho em Coimbra. O antigo primeiro-ministro discursou numa homenagem ao juiz conselheiro Júlio Pereira. Hoje à tarde tem também agenda em Lisboa.

E o ministro da Reforma do Estado considera que os reparos de Pedro Passos Coelho eram dirigidos não ao governo, mas, Vanessa Cruz, ao Partido Socialista?

É. Foi num debate no Parlamento, esta manhã, que as críticas do ex-primeiro-ministro sobre a forma como são nomeados os dirigentes da administração pública, foram trazidas pelo líder do Chega. Na resposta a André Ventura, o ministro Gonçalo Matias disse que a carapuça não serve a este governo, mas sim aos governos que foram liderados por António Costa.

Pedro Passos Coelho, antigo primeiro-ministro, disse recentemente, e eu acho que as palavras devem ser levadas com preocupação, que o que se passava hoje na administração pública era uma viciação total de concursos e de nomeações. Eu penso que o doutor Pedro Passos Coelho estava a se referir aos oito anos de governação do Partido Socialista. Nós não temos, certamente, essa mácula na nossa governação.

O ministro com a pasta da reforma do setor público diz que a resposta aos danos provocados pelas tempestades do último mês são já um sinal de como é possível retirar burocracia.

E este é também um dia de despedidas das instituições europeias em relação a Marcelo Rebelo de Sousa, antes de deixar a presidência. Encontrou-se com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e os dois, Vanessa, recordaram os tempos de coabitação entre Belém e São Bento. São aqueles tempos em que eram felizes e não sabiam?

É, esses tempos, Ricardo, com o presidente português a arrancar risos da sala em Bruxelas, voltou a chamar António Costa de otimista irritante, depois de falar do que é que significou para ele, Marcelo, o sonho europeu.

O que significou para mim, geração um pouquinho mais velha e para a geração do senhor presidente do Conselho Europeu, um cadinho mais nova, para não dizer bastante mais nova. É uma injustiça, mas é verdade, quando se chega a esta idade, depois olha-se os alunos, que noutro tempo era muito bom ter como alunos, agora depois descobre-se que é menos agradável estar tão perto do fim do percurso da vida e os outros ainda com ar de quem vai gozar a vida duradouramente. É difícil assim não ser otimista irritante. É evidente. Comparativamente, é uma vantagem enorme.

Antes destas declarações de Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa tinha recordado os oito anos em que chegaram a partilhar o mesmo guarda-chuva.

Eu nunca tive dúvidas que éramos muito felizes. A dúvida era mais de quem, contrariando o otimismo saudável, cultivava, por vezes, algum pessimismo menos produtivo. Mas acho que ficamos bem em todos concordarmos que fomos felizes, mesmo aqueles que não sabíamos que éramos

E que somos felizes. E agora, tendo de terminar semana, desejo as maiores felicidades.

É só um adeus institucional, do ponto de vista pessoal.

Do ponto de vista pessoal, eu fico mais livre para realmente ainda estar com o presidente António Costa.

Bem-dispostos, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, sem concordarem na designação de otimista saudável ou irritante.

E o Parlamento aprovou hoje um voto de solidariedade com a Ucrânia. O PCP foi o único partido a votar contra.

Passaram esta semana quatro anos do início do conflito com a Rússia e os deputados aprovaram um voto de solidariedade e todos os partidos votaram a favor. A única exceção foram mesmo os comunistas, que ficaram também sentados perante um longo aplauso de pé de todos os outros deputados. Nas galerias, assistiram a este momento a embaixadora da Ucrânia em Portugal e três jovens que foram resgatados depois de terem sido capturados por tropas russas.

E há outras notícias a marcar a tarde desta sexta-feira, 27 de fevereiro.

Desde logo, o sorteio dos jogos da Liga dos Campeões. O Sporting vai jogar frente à equipa norueguesa de Bodø/Glimt, dia 11 de março, às 20h, na Noruega. Já a segunda mão é em Lisboa e está marcada para dia 17 de março, às 17h45. A UEFA ainda não revelou as datas e horas dos jogos da Liga Europa. O Futebol Clube do Porto vai defrontar os alemães do Estugarda, o Braga vai medir forças com os húngaros do Ferencváros. As Nações Unidas revelam pela primeira vez que no complexo Isfahan, o Irão armazenou urânio enriquecido, que poderia levar à construção de uma arma nuclear. Ontem houve negociações entre os Estados Unidos e o Irão, com progressos, que são retomadas a nível técnico na próxima semana. Mas certo é que o Reino Unido está a retirar, nesta altura, diplomatas do Irão por falta de condições de segurança. A embaixada continua a funcionar de forma remota, é o que anuncia o Ministério Britânico dos Negócios Estrangeiros. Também Pequim pede aos cidadãos chineses para saírem do Irão o mais rapidamente possível. Um porta-aviões norte-americano chegou à costa de Israel, um aliado norte-americano, para um possível ataque a território iraniano. E é neste contexto que os países estão a pedir a saída dos cidadãos. A Proteção Civil em Portugal desativou o plano especial de emergência para as cheias do rio Tejo, decisão tomada depois da descida dos caudais libertados pelas barragens. O presidente da Proteção Civil de Santarém admite que já não faz sentido manter este plano ativo. Faz amanhã um mês desde o início das tempestades e temos vindo a contar nos noticiários da Rádio Observador, ao longo do dia, as histórias das 15 pessoas que, de acordo com o balanço oficial da Proteção Civil, perderam a vida. Recordamos agora a primeira vítima no concelho de Leiria, na manhã que se seguiu àquela madrugada. Um homem estava no parque solar fotovoltaico em Fontoleiro. Sabe-se agora que era Rogério Parente, segurança da obra. Tinha 57 anos. O contentor onde estava foi arrastado cerca de 15 metros pela força do vento.

E o que era para ser um abrigo acabou por se desfazer em pedaços, em escombros. Vanessa, o que sabemos sobre a vida deste homem?

Foi isso mesmo que o Pedro Jorge Castro foi procurar saber nesta grande reportagem sobre as vidas das vítimas da tempestade. Rogério Parente adorava futsal e futebol, era adepto fanático do Benfica, foi até jogador e treinador. Viveu também em Angola, um país que adorava. Durante a pandemia, acabou por voltar, mas deixou dois caixotes em casa de um amigo, em Luanda, a pensar que poderiam ser úteis no dia em que regressasse ao país que tanto o marcou. Não chegou a cumprir esse desejo.

A história de Rogério Parente faz parte de uma grande reportagem que está em destaque no site do Observador. São as histórias inesquecíveis das vítimas do temporal que afetou Portugal. Um trabalho do jornalista Pedro Jorge Castro. E a Vanessa Cruz vai regressar às 16h30 para atualizar as notícias.