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Vamos às notícias. Começa agora o Jornal das Quatro, edição de Martim Madeira. Martim, a morgue de Ceuta tem neste momento 88 corpos.

É o que revela ao jornal "El País", o autarca da cidade. Isto apesar de os números avançados pelo governo espanhol apenas indicarem 72 vítimas mortais. O governante lamenta, ainda assim, as mortes de um lado e do outro da fronteira. Segundo o autarca, Marrocos também está a retirar vítimas da água. Também o exército espanhol está a distribuir água aos migrantes que continuam em Ceuta e diretamente de Ceuta está a enviada especial do Observador, Inês André Figueiredo. Inês, pelo que entendo, muitos destes imigrantes não comem nem bebem há alguns dias.

É isso mesmo. Foi uma tentativa de acalmar um bocadinho os ânimos num dos pontos da cidade onde neste momento se reúnem mais migrantes para tentar dar uma imagem daquilo que se está a passar em Ceuta. A praia por onde entraram os migrantes deixou de ser o centro das atenções, porque os migrantes já não passam e porque já há muito poucos marroquinos a sair. Isto porque quem entrou e não saiu nos últimos dias está em Ceuta mesmo para ficar. Diz que não tem nenhuma razão para regressar para trás, para voltar para trás, para o seu país de origem, que a situação lá é pior e por isso juram que vão ficar. O que é que isto tem produzido nos últimos dias? Uma situação bastante complicada para as autoridades espanholas, porque estas pessoas andam pela cidade. E então houve aqui uma espécie de tentativa de centralizar as pessoas em dois espaços. Um deles é o CETI, que é a organização de alojamento temporário para os migrantes, que já estava cheia mesmo antes desta crise começar. As pessoas estão à porta, não têm comida, não têm água e, portanto, tornou-se ali a situação um pouco complicada. E depois, na praia, quando se desce deste centro, vai-se ter a uma praia, uma estrada curta que vai levar a uma praia. E o que as autoridades espanholas fizeram foi tentar reter o máximo de pessoas possível nessa praia para que não andem pela cidade a deambular, porque, como dizias, e bem, estas pessoas, algumas já estão aqui há cinco, seis dias. Algumas foram das primeiras a chegar ainda antes dos dias mais complicados e estão sem comida, sem bebida. Algumas até têm dinheiro para comprar comida e bebida, mas têm medo de voltar ao centro da cidade porque a polícia não os está a deixar voltar para trás.

Enviada especial do Observador a Ceuta, Inês André Figueiredo, com novas atualizações diretamente da cidade autónoma espanhola.

E o líder do partido radical de direita espanhol, o Vox, diz que a entrada de migrantes em Ceuta é um ato de guerra promovido por Marrocos.

Em Ceuta, Santiago Abascal reitera a ideia propagada nas redes sociais e dita também pelo líder do principal partido da oposição espanhola, o PP, de que Marrocos colocou deliberadamente estes migrantes em Ceuta. Ora, o líder do Vox fala numa invasão e num ataque à soberania espanhola.

Estamos perante um ataque brutal à nossa soberania e à segurança dos espanhóis. Estamos perante uma invasão e perante um ato de guerra promovido por Marrocos e permitido por Pedro Sánchez de diferentes maneiras.

Na rede social X, Santiago Abascal afirma também que em Ceuta estão milhares e milhares de invasores que não regressaram a Marrocos, apesar das forças de segurança dizerem que voltaram cerca de 73 mil pessoas.

E o representante do governo espanhol em Ceuta diz que a entrada de milhares de migrantes vindos de Marrocos obrigou à criação de um centro de acolhimento e triagem.

Em conferência de imprensa, Miguel Pérez Triano afirma que foi necessário recorrer a medidas excepcionais para atender todas as pessoas que chegavam por mar e garantir a segurança da cidade. O representante diz que se procedeu à organização de um novo centro de acolhimento de migrantes para triagem e admissão em centros de estadia temporários.

Até àquele momento, estivemos a discutir as crises migratórias que enfrentamos e as medidas adotadas para lidar com elas. As medidas adotadas naquele período, que anunciamos justamente naquela quinta-feira, incluíram o aumento em nove pessoas do efetivo do serviço marítimo da Guarda Civil. Além disso, iniciaram-se os preparativos para um centro temporário de acolhimento e triagem. Trata-se de um novo tipo de instalação introduzido pelo Pacto Europeu sobre Migração e Asilo, que é concebido como local onde a Polícia Nacional pode manter migrantes para realizar a triagem antes que eles passem por trâmites posteriores ou sejam admitidos em um centro de estada temporária.

Miguel Pérez Triano diz ainda que o que aconteceu foi uma clara violação da integridade territorial de Ceuta e que está em permanente contato com o governo espanhol na resposta a esta crise migratória.

E na terça-feira vai decorrer um Conselho da União Europeia de Ministros do Interior.

Vários Estados-membros têm tido reações diferentes entre pedidos por um maior controle de fronteiras e outros que dizem que tem que se suspender os acordos Schengen. Numa análise, o tenente-general Marcos Ronha considera que alguns governos tiveram uma reação brusca, tendo em conta que Ceuta não faz parte do espaço Schengen.

Há uma polarização de posições, neste caso, da imigração. Os países que têm mais preocupações com a questão do tratamento político do fenômeno das migrações tiveram uma reação relativamente um pouco mais brusca do que aquilo que era necessário. Para já, é preciso também pôr a questão em contexto. Ceuta não faz parte do espaço Schengen. O que alguns países disseram parece que tinha havido uma invasão do espaço Schengen, o que não é verdade. A questão mais sensível da segurança é uma questão mais dos países Embora há sítios onde tem que haver coordenação entre os países, que é o caso, por exemplo, de nós, Portugal e Espanha. Temos uma fronteira contígua da União Europeia que tem que ser tratada de forma articulada.

O tenente-general Marcos Ronha na análise a esta crise migratória em Ceuta, que foi durante o gabinete da guerra desta manhã.

Entretanto, o papa diz estar atento ao que considera ser uma situação alarmante.

Leão XIV deixou uma oração a toda a gente que está envolvida nesta crise no Vaticano. O líder da Igreja Católica pede soluções e assegura que Ceuta precisa de paz, estabilidade e justiça.

Sigo com preocupação a alarmante situação em Ceuta. Peço a Deus, por intercessão do Nosso Senhor de África, que se possam encontrar soluções de paz, estabilidade e justiça. Continuemos a pregar pela paz, porque no mundo existe uma guerra. Temos de encontrar soluções diplomáticas para os conflitos. Recordemos todas as vítimas das hostilidades, sobretudo as mais fracas e indefesas: crianças, idosos e doentes.

O papa Leão XIV, no Vaticano, a garantir que a Igreja está atenta a esta situação migratória em Ceuta.

E quanto ao Médio Oriente, Donald Trump diz que cancelou o ataque previsto contra o Irão por estar perto de fechar um acordo.

O presidente norte-americano afirma que estava pronto para atacar o Irão com um terror e uma força militar que não eram vistas desde a Segunda Guerra Mundial, mas explica que aceitou travar esta ofensiva a pedido do Irão e de outros países do Médio Oriente, após terem sido alcançadas bases para um novo acordo. É o que escreve Donald Trump numa publicação na rede social Truth Social.

E na atualidade nacional, os incêndios em curso no distrito de Vila Real entraram em fase de resolução.

Aquele que continua a concentrar mais operacionais é o incêndio em Valpaços, à Lusa. A Proteção Civil adianta que o incêndio sofreu reacendimentos fortes durante a noite, garante, no entanto, que foram combatidos e que o incêndio se encontra controlado. O comandante afirma que os operacionais e os meios vão continuar no terreno para que as chamas não voltem a sair do controle. O incêndio em Valpaços tem mais de 700 operacionais no terreno, apoiados por 240 viaturas e três meios aéreos. A Proteção Civil explica que o incêndio está controlado, mas ainda não está extinto.

E é o ponto final no Jornal das Quatro, edição do jornalista Martim Madeira.