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Edição do Miguel Vidar. Miguel, está marcada para daqui a meia hora uma conferência de imprensa de Fernando Medina sobre as buscas à Câmara Municipal de Lisboa.
O que o Observador apurou não está em causa. A permanência de Fernando Medina à frente do Ministério das Finanças. A conferência de imprensa está marcada para às 17h30. O antigo autarca de Lisboa vai prestar esclarecimentos sobre a investigação do Ministério Público. A Procuradoria-Geral da República revelou hoje que não há arguidos no âmbito desta investigação, um dia depois de se ficar a saber que foram feitas buscas ao Departamento de Urbanismo da Câmara de Lisboa. A notícia foi avançada pela TVI, que adianta que estão a ser investigados os crimes de corrupção, participação económica em negócio e falsificação, no âmbito de um contrato de prestação de serviços assinado em 2015 pelo então presidente da autarquia e hoje ministro das Finanças, Fernando Medina. Em causa, de acordo com a notícia, a viciação de regras para a contratação de um histórico do PS de Castelo Branco com vista à gestão das obras públicas na capital. O Ministério Público acredita que o objetivo desta contratação visou a angariação de dinheiro em obras públicas com subornos de empreiteiros para o financiamento ilícito do PS, através de sacos azuis.
E o PS já recusou ter recebido apoios financeiros à margem da lei.
Num comunicado enviado às redações, é sublinhado que os donativos realizados encontram-se inscritos e identificados nas contas oficiais do partido, apresentadas à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos. O PS rejeita de forma categórica as alegações de financiamento fora do quadro legal. Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da República, também foi questionado pelos jornalistas sobre este caso que envolve Fernando Medina e reagiu assim:
Eu não comento casos específicos, mas é uma realidade nova com quem quer que seja, o A ou B, o C ou D, do escrutínio que a opinião pública hoje está a fazer em relação às governantes em todos os países do mundo.
Há condições políticas, há autoridade para o ministro das Finanças continuar em funções.
O facto de haver qualquer tipo de investigação ou de procedimento ou de indagação sobre alguém, é isso, apenas. Ponto. Daí retirar, como consequência, que a investigação chega a uma conclusão e que essa conclusão é de molde a provocar um determinado tipo de atitude, vai uma distância.
Para além do presidente da República, também Carlos Moedas, o atual presidente da Câmara de Lisboa, se pronunciou sobre este caso para garantir que vai colaborar com a Justiça nas buscas. Explica que essas mesmas buscas estão relacionadas com executivos anteriores, confirmando a informação que havia sido avançada pela TVI.
Seguimos com o Parlamento. Os partidos da oposição foram unânimes a apontar o dedo ao governo no debate de urgência com o ministro da Educação.
Um debate a pedido do Chega, debate de urgência que acontece um dia depois do arranque da terceira ronda negocial do Ministério da Educação com os sindicatos de professores. O repórter parlamentar da Rádio Observador, Miguel Viterbo Dias, esteve a acompanhar este debate em que a oposição frisou que os alunos estão a ser usados como armas de arremesso contra os professores.
PS apela à paz social, mas o PSD acusa o governo de utilizar os alunos como arma de arremesso.
O governo usa um tom persecutório contra os professores. Amedronta a classe, utiliza os alunos e as famílias contra e como arma de arremesso político, contra os professores e toda uma comunidade educativa e alega ainda a ilegalidade das greves.
Sónia Ramos, do PSD, num debate pedido pelo Chega, que considera que o ministro da Educação está ao serviço das Finanças.
Diz o que vai fazer, mas sabe que é Fernando Medina que no fim manda em tudo. Ao ponto do próprio primeiro-ministro dizer que não há reuniões sem o ministro das Finanças. O senhor não é o ministro da Educação. O senhor é o servente do ministro das Finanças neste governo.
À esquerda, Joana Mortágua acusa o executivo de ter esticado a corda até partir.
Esticou a corda. Esticou a corda tanto que a rompeu. E quando rompeu a corda, milhares e milhares e milhares de professores saíram à rua a dizer que não se conformam, que não se calarão.
E Carla Castro, da Iniciativa Liberal, avisa que este pode ser o terceiro ano seguido de escolas encerradas.
Já não bastava termos sido um dos países que mais tempo teve as escolas fechadas durante a pandemia e agora em 2023, os alunos vão continuar a estar sem aulas.
No meio do debate, o PCP não encontra respostas por parte do governo.
No que diz respeito à profissão, não se vislumbram medidas no sentido da sua valorização. Qual é que é a estratégia?
Paula Santos deixa a pergunta e no fim o ministro João Costa tenta dar a resposta.
O governo está a resolver problemas antigos dos professores, em boa-fé negocial, integrando sugestões e propostas já recebidas nas reuniões anteriores, ouvindo a voz e as propostas dos professores num movimento de aproximação.
E se por acaso os sindicatos o estiverem a ouvir, fica também o pedido.
É tempo de recuperar a serenidade, de continuar a negociar.
João Costa no debate de urgência pedido pelo Chega sobre as greves dos professores.
Miguel Viterbo Dias, com o resumo deste debate em que os partidos tentaram perceber junto do ministro da Educação o que está a ser feito para evitar as greves de professores. Ora, o ministro diz que o governo continua aberto ao diálogo construtivo com os sindicatos.
E o presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil explica que os trabalhadores estão a pedir apenas o que lhes pertence.
Os tripulantes de cabine da TAP decidiram manter a greve agendada para este mês de janeiro. A paralisação está prevista para os dias 25 a 31 de janeiro. Na Rádio Observador, Ricardo Penarroias, o presidente do sindicato, justifica a greve com o desejo de estabilidade da companhia aérea. O sindicalista dá o exemplo de algumas reivindicações dos tripulantes que ainda não foram atendidas pela administração da empresa.
Nós não estamos a pedir mais do que aquilo que é nosso, daquilo que nos foi retirado
Aquando dos acordos de emergência. E aquilo que é a nossa fundamentação é tão simples quanto isso: se a realidade da operação, se a realidade da própria companhia está diferente do que estava em 2020 e 2021, automaticamente entendemos que há uma série de cláusulas que já não fazem sentido estarem presentes neste momento.
Dê-me um exemplo, Ricardo.
A retirada do tripulante do 320 long range, a retirada do tripulante no 330. Se a companhia quer manter comercialmente um serviço que tinha antes da pandemia, mas com nove elementos, não pode ter agora com oito elementos. Até pelo próprio desgaste que está a provocar pelos tripulantes que estão indo.
Ricardo Penarroias, o presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo e da Aviação Civil. O sindicato esteve reunido hoje de manhã em assembleia geral de emergência para analisar uma proposta apresentada pela transportadora no âmbito das negociações de um novo acordo da empresa. No final da reunião, anunciaram que o pré-aviso de greve dos tripulantes da TAP é para manter. Há uma paralisação prevista para os dias 25 a 31 de janeiro.
A esta hora, Cristiano Ronaldo e Messi estão a entrar em campo na Arábia Saudita.
CR7 é o capitão de uma equipa que junta os melhores jogadores, tanto do Al-Nassr como do Al-Hilal, e enfrenta, uma vez mais, o grande rival de uma longa carreira, Lionel Messi, que com o Paris Saint-Germain está a fazer uma curta digressão por terras sauditas. Este jogo tem uma particularidade: está a acontecer no mesmo estádio onde Portugal conquistou o Mundial de sub-20 em 1989, o King Fahd, em Riade, foi a primeira grande conquista internacional de uma seleção portuguesa de futebol e nessa final a seleção bateu a Nigéria por 2 x 0. A geração de ouro ou os heróis de Riade tinham como capitão António José Pereira, mais conhecido no mundo do futebol por Tozé, que se junta agora a nós aqui em direto neste jornal. Tozé, boa tarde, muito bem-vindo.
Boa tarde, muito obrigado pelo convite. É um prazer.
Tozé, ainda guarda na sua memória imagens deste estádio que tão boas recordações trazem ao futebol português?
Era impossível não ter essas memórias, visto ser o privilegiado representante da equipa a subir àquela tribuna e receber das mãos do King Fahd a tão desejada taça de campeão do mundo. Portanto, as recordações, como é óbvio, ficaram e ficam para a eternidade.
Essa é uma imagem icônica do Tozé lá em cima, a erguer a taça com o Carlos Queiroz ao seu lado. Tozé, vai acompanhar este jogo, que pode ser o último confronto entre Ronaldo e Messi?
Vou acompanhar, mas não de momento, porque ainda tenho aqui alguns assuntos pendentes para fazer, mas vou acompanhar assim que possível.
Tem preferência por algum destes jogadores? É uma discussão de mais de uma década, quem é o melhor do mundo, Ronaldo, Messi. O Tozé tem alguma preferência e acha que é possível escolher algum dos dois?
Como português, obviamente, Cristiano Ronaldo, sem dúvida alguma.
É o melhor.
Não poderia ser de outra forma.
Compreende esta decisão de Ronaldo de rumar à Arábia Saudita?
Compreendo estar na mente do Ronaldo continuar a ser o melhor dos melhores. E era importante e foi importante para ele, embora com algumas críticas que se calhar ele devesse continuar num campeonato mais competitivo, num campeonato com outra dimensão. O importante, acho eu, para a cabeça do Cristiano, era de fato continuar a ser o melhor dos melhores e certamente que a melhor opção que ele tomou foi precisamente essa, de aceitar mais um contrato milionário que o coloca no topo com 37 anos.
Tozé, que memórias mais vincadas guarda dessa participação portuguesa nesse campeonato do mundo, nesse histórico campeonato do mundo que Portugal conquistou?
Sem dúvida, toda a envolvência que a equipa teve desde o primeiro dia em que chegamos a Riade, desde a inauguração do torneio.
Era um ambiente completamente diferente, não era? Para aquilo que vocês estavam habituados, em termos culturais, uma realidade completamente distinta.
Sem dúvida. Posso lhe contar um episódio muito rápido que foi no interval do jogo inaugural. Nós nos deslocamos, obviamente, para ir à casa de banho e pensávamos que estava uma fila tremenda para fazer as nossas necessidades diárias e obviamente que causamos ali um grande transtorno. Nós estarmos assim numa certa aflição para poder fazer, como disse, as nossas necessidades, e eu tive que passar à frente de toda a gente e perceber que tinha que fazer de qualquer das formas. Quando eu entrei na casa de banho, para meu espanto, aquela fila era precisamente para lavarem as mãos e os pés para a reza que iria acontecer e daí o meu alívio de poder fazer as minhas necessidades tranquilamente, sem que recorresse a uma solução de recurso que eu não sabia no momento qual seria. Mas essa certamente foi uma peripécia que aconteceu, que de todo estava à espera que pudesse ter acontecido naquele momento.
Olha, Tozé, nós temos aqui em estúdio também o escritor Bruno Vieira Amaral, que colabora com a Rádio Observador e que gostava de lhe fazer uma pergunta.
Olá, Tozé, boa tarde. Eu estava a pensar e a lembrar-me desses dois campeonatos que conquistamos de seguida. A verdade é que ficamos mal habituados e esperámos que outras conquistas se sucedessem a esse nível de juniores, mas a verdade é que apesar de grandes gerações de futebolistas, nunca mais voltámos a conquistar um título mundial. Na sua opinião, por que não o conseguimos?
Estivemos muito próximos, estivemos numa final.
Sim, em 2011, por aí.
Exatamente. Eu acho que há certas situações extrafutebolísticas que hoje são faladas e são levantadas questões Que não deixam a tranquilidade e a paz necessária para se conquistar um título mundial. São situações extremamente importantes. As pessoas podem não pensar isso, mas se desse como exemplo este último mundial em que Portugal levava algumas expectativas de chegar supostamente à final e até quem sabe poder ter ganho este título mundial, porque estava perfeitamente ao alcance de Portugal. Repare, se você perceber, e certamente foi um acompanhante, como nós todos fizemos, não houve um momento em que a seleção tivesse tranquilidade. Desde a famosa entrevista do Cristiano antes do Campeonato do Mundo, as coisas aconteceram e a seleção, embora estando num objetivo concentrado, embora se diga que os jogadores são profissionais, embora se diga que eles ganham dinheiro suficiente para poder ultrapassar essas situações, não é o suficiente, porque os jogadores são seres humanos. E nós, felizmente, como ninguém acreditava em nós, porque em Portugal não se vivia um espírito que se vive hoje, em que a expectativa e a qualidade do jogador futebolista é grande, é enorme, jogam nos melhores campeonatos do mundo. Supostamente, eu creio, porque as condições existem, a qualidade nós temos, eu acho que basta um bocado de paz de espírito para quem está a fazer o trabalho, de poder fazer com essa paz e com essa tranquilidade. E se nós tivermos acontecimentos diários de imprensa a ser falada, ora era a conversa entre o Cristiano e o Rúben, que não se davam bem. Isso não é possível. Portugal enquanto existirem estas situações, eu acho que Portugal, supostamente, não digo que nunca irá acontecer, mas irá ser muito difícil Portugal conquistar alguma coisa. Eu acho que as pessoas têm que perceber que essa paz deve prevalecer, porque os jogadores acima de tudo são seres humanos. E as pessoas têm que compreender isso quando estão a comentar ou quando estão a fazer a observação que têm que fazer, porque estão a trabalhar e estão a fazer o trabalho delas, obviamente, mas têm que perceber que os jogadores são seres humanos. E como disse, acho que sem essa paz, sem essa tranquilidade, eu acho que é muito difícil chegarmos lá.
Olhe, Tozé, enquanto o Tozé fazia este comentário, aquilo que é para si o segundo melhor jogador do mundo, o Lionel Messi, marcou um gol e o Paris Saint-Germain já está a ganhar esta seleção composta por jogadores do Al-Nassr e o Al-Hilal. Para terminarmos esta conversa e ainda recorrendo ao baú das recordações do Tozé. Tozé, ainda se lembra daquele almoço em casa do embaixador português na Arábia Saudita a seguir a terem sido campeões do mundo?
Peço desculpa que eu entretanto liguei o carro e não ouvi perfeitamente.
Não, muito bem. Então, para fecharmos esta conversa, eu perguntava-lhe se ainda tem memória, se ainda guarda no seu baú de recordações aquele almoço em casa do embaixador português na Arábia Saudita, depois de terem sido campeões do mundo.
Sim, guardo com bastante recordação e com carinho, porque de facto eram situações que não estavam presentes nas nossas vidas. Eram situações em que nós não estávamos habituados a tê-las. Digamos que foi um reconhecimento de alguém, não só pelo facto sucedido, mas sim a forma como nós fomos acarinhados, a forma como nós fomos recebidos.
E as vossas traquinices? Consta-me que houve ali muitas traquinices naquela embaixada.
Houve algumas brincadeiras normais de adolescentes. Nada assim de muito especial, mas são coisas que acontecem, coisas que os adolescentes vão fazendo dentro de um enquadramento, obviamente, que o professor Carlos Queiroz exigia, que era uma certa formalidade e um certo rigor na disciplina quando estávamos fora do nosso meio ambiente, digamos assim, do nosso hotel.
Fica para vocês, que não é para ecoar aqui nas ondas hertianas da rádio. Tozé, o grande capitão, capitão daquela magnífica seleção que em 1989 conquistou o Campeonato do Mundo. Agradeço-lhe, Tozé, por ter estado conosco aqui na Rádio Observador.
Muito obrigado, foi um prazer.
Miguel Vilela, seguimos neste jornal com algumas notícias que também estão a marcar esta tarde.
De uma forma ou de outra, a Rússia vai cumprir os objetivos na guerra da Ucrânia. A garantia é do porta-voz do Kremlin. Numa conferência de imprensa citada pelo jornal The Guardian, Dmitri Peskov afirma que quanto mais cedo Kiev manifestar disponibilidade para cumprir as exigências de Moscovo, mais cedo tudo acaba e os ucranianos podem começar a recuperar de uma tragédia que, para o porta-voz do Kremlin, tem um responsável, o regime de Kiev. Rúben Amorim reforça Pedro Porro só sai pela cláusula. Na antevisão do jogo de amanhã frente ao Vizela, o treinador do Sporting relativiza os rumores e diz que compreende a agitação própria do mercado de janeiro. Sobre o encontro, Amorim avança que não vai haver poupanças. Do outro lado, o técnico do Vizela não quer a equipa a proteger a própria baliza, a remeter-se cá atrás. O Sporting de Vizela joga-se amanhã em Alvalade. Apito inicial só às 21h45, com relato aqui no Observador. No fecho desta edição, Nelson, gostas de andar com os bolsos cheios de moedas?
Prefiro notas, na verdade, mas se forem muitas.
Muito bem. Então, a Espanha está a testar o primeiro euro digital, que no fundo vai ser uma criptomoeda designada por EURM, regulada e apoiada pelos bancos.
Ok, já vi. Portugal também parece que está a participar nisso, não é? O Banco de Portugal é uma das entidades que está encarregada de estudar as implementações deste euro digital.
Nesta altura, os países ainda estão a realizar vários testes de modo a que sejam tiradas conclusões e tentados desafios técnicos. A criptomoeda do euro, só lá mais para a frente.
Notícia de fecho no jornal das 17h da tarde na Rádio Observador. A síntese de notícias às 17h30.