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No dia em que o Parlamento começou a debater o programa de governo, o primeiro-ministro deixou alertas e promessas que vamos recuperar nesta tarde política. Boa tarde, Vanessa Cruz.

Boa tarde, Luís Soares. E com o líder do Chega, André Ventura, a dizer que quer Portugal como o país mais seguro do mundo e a pedir medidas mais duras na imigração, mas também a deixar uma ameaça no ar.

Um debate em que já se ouviu o candidato único à liderança do PS. José Luís Carneiro perguntou a Montenegro com quem quer dialogar, se com o Partido Socialista, se com o Chega. Eurico Brilhante Dias, futuro líder da bancada parlamentar do PS, vai estar no explicador desta tarde política.

E depois das 18h, recebemos também o antigo ministro dos Assuntos Parlamentares, social-democrata, Miguel Poiares Maduro.

São temas que também vão estar no e o Vence Tourette, depois das 17h30, mas agora são 17h. Vamos atualizar as notícias.

E vamos começar com este debate do programa de governo. Estamos no primeiro dia e a esta hora há um segundo ministro que está a falar na Assembleia da República, Miguel Vitor Dias, António Leitão Amaro.

Ministro da Presidência, tem com ele a pasta da Imigração e é sobre isso que está a falar. Vamos ouvir.

Para estudar a integração dos alunos estrangeiros. E fizemos ainda mais, numa nova política de imigração, de há um ano, de regulação firme e integração humanista. Senhor Presidente, senhora Presidente, senhoras e senhores deputados, foi também isto, foi também sobre a imigração que os portugueses se pronunciaram nas últimas eleições. Com o seu voto, castigaram a irresponsabilidade da imigração descontrolada do passado e condenaram quem queria o regresso das portas escancaradas. Mas com o seu voto, os portugueses também disseram que não querem as portas todas fechadas. Os portugueses não escolheram o ódio, nem escolheram a remigração massiva. Nestas eleições, com o seu voto, os portugueses deram uma maioria maior à nossa mudança de política de imigração, regulada, firme e humanista. Senhor Presidente, senhoras e senhores deputados, registamos com agrado as recentes, vamos lá ver se duradouras, aproximações de vários partidos da oposição à nova mudança de política de imigração. E queremos corresponder nos meses que vêm, com mesma vontade e humildade para dialogar e construir soluções. E assim convocamos todos para criarmos, em conjunto, essa política de imigração regulada e humanista, assente em oito princípios. Primeiro, não há um ranking moral, não há uma ordenação de valor entre vidas humanas. A dignidade de toda a vida humana é a base do nosso projeto constitucional. Mas segundo, há diferenças entre direitos, entre pessoas, entre portugueses e estrangeiros, entre residentes e não residentes, entre imigrantes lusófonos e mais qualificados e os demais. A nossa Constituição estabelece diferenças nos direitos políticos e autoriza em outros direitos. Terceiro, cada comunidade política tem mesmo o direito de decidir quem pode ou não entrar e se fixar no seu território. Mas, quarto, não faz sentido fechar todas as portas, nem expulsar todos os que cá estão. Há deveres internacionais e morais de acolher quem foge de guerras, de catástrofes e de perseguição política. Há deveres de reciprocidade com o acolhimento que os nossos compatriotas receberam quando imigraram para o estrangeiro.

António Leitão Amaro aqui a elencar as prioridades do governo para a área da imigração, a dizer que os portugueses castigaram a irresponsabilidade do passado, referência ao PS, mas também disseram que não queriam as portas fechadas. Aqui referência ao Chega e fala até que Portugal não escolheu a reemigração massiva, que é um conceito que o Chega tem falado muito nos últimos tempos. Por isso, nem portas fechadas, nem portas escancaradas, é o lema que a AD tem adotado e aqui Leitão Amaro a defender estas alterações na Lei da Nacionalidade e da Imigração que o governo quer alterar já nas próximas semanas.

O Miguel Vitor Dias vai continuar na Assembleia da República a acompanhar este debate, primeiro dia do debate do programa de governo. Lá voltaremos a qualquer momento. O primeiro-ministro Luís Montenegro quer trabalhar durante quatro anos e responsabiliza desde já Chega e PS para o caso disso não acontecer, ao mesmo tempo que André Ventura, neste primeiro dia, ameaça desde já com uma moção de censura se nos próximos dois meses não houver resultados concretos na saúde.

Passaram 60, 120, 140, 360, nada na saúde ficou resolvido. Falem com qualquer médico, enfermeiro, todos vos dirão a mesma coisa. Acho que o governo tem agora um prazo curto pra resolver o que tem que resolver na saúde. Senão sim, o Chega chamará o governo aqui à Assembleia da República e também chamará o governo às suas responsabilidades. E essas consequências podem ser a retirada de apoio político e a manifestação de contrária ao apoio político na Assembleia da República.

Ultimato feito pelo líder do Chega à margem deste debate que decorre ainda a esta hora na Assembleia da República. Antes disso, Luís Montenegro tinha deixado o aviso sobre a duração da legislatura.

A estabilidade política é uma tarefa de todos. Este governo está aqui para cumprir a legislatura de quatro anos. Todos sabemos, e o povo que assim decidiu também sabe, que a legislatura só não terá essa duração se os dois maiores partidos da oposição assumirem entre si uma coligação deliberada, ativa e cúmplice.

O papão que a AD usou já no governo anterior e agora insiste para o mais que provável futuro líder do PS, José Luís Carneiro, quis saber qual será o principal parceiro negocial da AD no Parlamento.

Luís Montenegro não deu uma resposta concreta.

Senhor deputado, nós não excluímos ninguém

E nós sabemos bem quem mostrou já muitas vezes estar à altura dessa responsabilidade. Logo veremos se há novos protagonistas e novas forças a demonstrar também esse sentido de responsabilidade. Às vezes temos fundadas dúvidas que isso não acontecerá.

"Mas espera para ver", recado de Luís Montenegro ao Chega, apesar de a pergunta ter sido feita, Luís, pelo terceiro maior partido.

O socialista José Luís Carneiro critica a indefinição da AD, ao mesmo tempo que define o tipo de oposição que o PS quer fazer.

Uma oposição firme, uma oposição responsável, alternativa ao governo e uma oposição construtiva. Foi isso que transmiti ao primeiro-ministro. O primeiro-ministro tem dito que quer planar. Nós aquilo que desejamos é que saiba onde quer aterrar e que evite aterrar em locais que sejam impróprios para a salvaguarda dos valores democráticos.

Na Rádio Observador, numa entrevista que vamos ouvir mais à frente, também Eurico Brilhante Dias, socialista, insistiu na mesma tónica. O deputado que vai assumir a liderança da bancada avisa que pode ser um problema para a AD não escolher um parceiro preferencial.

Claro que pode. O partido de extrema-direita, para entrar numa confluência desse gênero, teria que prescindir das suas ideias fundamentais. Por isso, não nos parece que seja uma boa opção o doutor Luís Montenegro querer planar, não sabendo se aterra em confluências com o PS ou se aterra em confluências com o Chega. Se quiser ir bailando de um lado para o outro, vai encontrar mais dificuldade, porque o Partido Socialista não é uma espécie de parceiro à vez.

O aviso de Eurico Brilhante Dias, a pouco tempo de se iniciar também a negociação para o Orçamento do Estado. Nesta entrevista no Explicador, diz ainda que com todas as letras que o PS não conta com o Chega para nada.

Vamos ouvir na íntegra esta entrevista já a seguir a este jornal. E agora dois anúncios que marcam este primeiro dia de debate do programa de governo.

Luís Montenegro convocou Chega e PS para reuniões em São Bento. Em cima da mesa, o investimento em defesa. Esses encontros estão agendados para amanhã à tarde. Primeiro André Ventura, às 17h15, depois, às 18h, Carlos César e José Luís Carneiro pelo PS.

O segundo anúncio é que o IRS vai baixar já no curtíssimo prazo. É o que garante Luís Montenegro.

Nas próximas semanas, vamos decidir a redução de mais de 500 milhões de euros no IRS já este ano de 2025 . A operar até ao oitavo escalão, beneficiando os rendimentos mais baixos, mas sobretudo a classe média.

Alívio que a Iniciativa Liberal, por exemplo, sinalizou como microscópico da deputada única do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua. O primeiro-ministro ouviu neste debate uma sugestão.

O que faz neste programa é multiplicar as promessas vazias que o Partido Socialista já tinha feito antes e chamar-lhes um choque de oferta. Eu proponho que lhe chame outra coisa, também com uma terminologia liberal. Chame-lhe cheque promessa, em vez de choque de oferta.

Já o PCP, pela voz de Paulo Raimundo, sentencia.

Senhor primeiro-ministro, o seu programa cheira a troika.

O PCP que vai levar amanhã à votação uma moção de rejeição ao programa de governo, sendo que não passa essa moção, uma vez que o PS e o Chega já se comprometeram a viabilizar o Executivo.

A Iniciativa Liberal, tal como sinalizou também o PS, quer despartidarizar os cargos públicos.

Luís Montenegro diz que não quer cartões partidários como critério para nomeações, mas que há uma avaliação política a fazer.

Eis a resposta do deputado liberal Carlos Guimarães Pinto.

Os militantes do PSD são menos de 1% da população do país, pelo que dificilmente serão metade das pessoas competentes.

E pelo Livre, Rui Tavares acusa Luís Montenegro de fingir que quer dialogar com os partidos.

Diga-nos uma reunião que tenha havido com os partidos da oposição para podermos integrar estas medidas no programa do Governo. Não é daquelas reuniões que depois aparece o deputado André Ventura a dizer que houve alguém a negá-las. Reuniões públicas, sindicáveis, essas não houve nenhuma.

E a deputada única do PAN, Inês de Sousa Real, critica o governo por ter deixado de fora a violência doméstica das 10 áreas de transformação prioritária.

Não posso deixar de estranhar que nas 10 prioridades, e tendo o senhor primeiro-ministro falado em imigração e em segurança, tenha deixado fora a violência doméstica. Neste momento, nós temos um grave problema de insegurança nacional no nosso país. Já morreram sete pessoas no início do ano, só às mãos da violência doméstica.

E Filipe Sousa, também deputado único do JPP, criticou o que classifica de teatro e bolha em que vivem alguns partidos. O deputado madeirense, que se estreou em debates de programas de governo, falou também sobre a Madeira, naturalmente. Diz que uma passagem da Madeira para Lisboa custa mais de 500 euros, o que é uma dificuldade acrescida para os madeirenses.

E à segunda, Vanessa, resolveu-se. Os deputados do Chega, Diego Pacheco Amorim e Filipe Melo, foram eleitos para a Mesa da Assembleia da República.

Falharam na primeira votação há mais de uma semana, mas hoje a situação ficou ultrapassada. Pacheco de Amorim foi eleito vice-presidente com 145 votos a favor, Filipe Melo, vice-secretário da Mesa da Assembleia da República, com 122.

Ora, e voltamos a André Ventura, que se mostra preocupado com a ascensão de grupos extremistas violentos em Portugal. Foi o que disse o líder do Chega.

É uma reação à detenção de seis membros do movimento Armilar Lusitano, hoje indiciados por crimes, por atividades terroristas, incitamento ao ódio e violência. O presidente do Chega faz um apelo.

A toda a violência, seja ela de esquerda, de direita, de centro, internacional, nacional, tem que ser condenada. Deixar um apelo sentido e consciente a todos. Nós temos que transformar o país pelos votos, pela democracia, por convencer as pessoas. Nós não podemos transformar a democracia com nenhum tipo de violência.

Um dos detidos pela PJ pertence mesmo à PSP. De acordo com a Polícia Judiciária, o grupo Armilar Lusitano queria constituir-se como um movimento político apoiado numa milícia armada.

É descrito pela PJ como um movimento inédito, devido à sofisticação das armas e à quantidade de material explosivo encontrado nas buscas que decorreram hoje.

E agora são 17h12. Vamos a outras notícias que marcam a atualidade desta hora, Vanessa.

Começamos pelo julgamento do processo dos Anjos contra Joana Marques. É a primeira sessão, está a decorrer no Palácio da Justiça, em Lisboa. Nesta altura, está a ser ouvido Sérgio Rosado, irmão mais novo da dupla. Os artistas pedem mais de 1 milhão de euros de indenização por causa de um vídeo em que a humorista fez uma piada com o momento em que os Anjos estavam a cantar o hino nacional.

Esta sessão está a ser acompanhada pela repórter Maria João Brás, agora em direto. Maria João, este caso põe em causa a liberdade de expressão ou estes dois irmãos alegam outras questões?

Tanto Nelson Rosado como Sérgio Rosado dizem que este processo não é sobre liberdade de expressão, mas sim sobre a manipulação de imagens nas redes sociais. Os cantores acusam a humorista de ter alterado o vídeo da atuação do hino nacional no MotoGP. A publicação de Joana Marques terá levado, segundo os artistas, a uma onda de ódio, que terá tido como consequência o cancelamento de 11 concertos, a perda de dois patrocínios e ameaças nas redes sociais. Os dois irmãos falam também em impactos psicológicos. Sérgio Rosado está agora a ser ouvido, depois do irmão mais velho, Nelson Rosado. Um depoimento que dura há duas horas. O cantor afirma que acompanha o trabalho de Joana Marques desde o início, mas que a carreira da humorista tem mudado. O cantor diz que gosta de humor, que o próprio tem feito algumas piadas em palco. No entanto, Sérgio Rosado considera que o trabalho de Joana Marques não é humor, uma vez que tem repercussões para os visados. Reafirma que este processo era evitável se a humorista tivesse respondido às comunicações da dupla e à exigência para retirar o vídeo da internet. No início da sessão, Joana Marques falou aos jornalistas e disse que este julgamento é uma perda de tempo, em especial para os tribunais, e que desde que o processo foi aberto, tem recolhido muita informação, mas só falará em sede própria, ou seja, no tribunal. O depoimento de Joana Marques deverá acontecer amanhã, porque ainda falta ouvir uma das partes do lado de quem interpôs a ação, neste caso, os Anjos. Há aqui um atraso, e para dar nota que este julgamento vai ter uma sessão extra dia 30 de junho, uma vez que não será possível ouvir todas as testemunhas entre hoje e amanhã.

Maria João Brás, a repórter do Observador, que está a acompanhar a primeira sessão de julgamento do processo dos Anjos contra a humorista Joana Marques.

Maria João Brás, que vai continuar a acompanhar esta sessão. Há pelo menos mais duas marcadas. Amanhã deverá ser ouvida a própria humorista.

Israel está neste momento a atacar o Irão. Há explosões na capital, Teerão, assim como ao sul da capital, é o que adianta a agência France-Presse.

Ainda hoje, Portugal fechou temporariamente a embaixada em Teerão. A decisão comunicada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros na Assembleia da República, Paulo Rangel, diz que não há data para retomar a missão diplomática. Justifica esta decisão com o agravamento do conflito.

A seleção sub-21 já joga nesta altura o jogo decisivo para o apuramento para a fase a eliminar do Campeonato da Europa de Futebol. Pela frente está a Geórgia, com a equipa portuguesa a precisar apenas de um empate para seguir em frente.

Ora, por enquanto o jogo já leva cerca de 10 minutos e está a ser acompanhado pelo jornalista André Maia. André, boa tarde. Quanto é que está?

Zero a zero, com Portugal a ter uma boa notícia logo ao início. Ao minuto três, expulsão de um dos jogadores da Geórgia, Lasha Odisharia foi expulso. Uma entrada muito dura sobre o Flávio Nazinho, viu o cartão amarelo, mas o vídeo-árbitro acabou por intervir neste lance e então cartão vermelho direto para Odisharia. Portanto, a Geórgia reduzida a 10 jogadores desde o minuto quatro da partida. Ainda assim, ironia do destino, é a Geórgia quem até tem o momento mais perigoso do jogo. Azarov, há pouco, fez um remate para uma grande defesa de Samuel Soares na baliza da seleção portuguesa. Olhando para a estatística, diz isso mesmo, apenas um remate no jogo até agora, quando estamos com 14 minutos, um remate apenas para a Geórgia. Portugal com mais posse de bola, 55%. Com esta conjugação de resultados, tendo em conta que no outro jogo França e Polônia também estão empatados a zero, Portugal passará em primeiro lugar o grupo C, tendo em conta que tem uma melhor diferença de gols do que França, tem os mesmos pontos, cinco pontos, mas ainda falta muito jogo. Com 15 minutos agora, Geórgia zero, Portugal também zero.

Vais continuar a acompanhar essa partida. André Maia, o terceiro jogo da seleção nacional no Europeu sub-21, depois do empate a zero com a França na primeira jornada e a vitória por 5 x 0 na segunda contra a Polônia. Basta agora um empate para seguir para os quartos de final.