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Jornal das 5, com o jornalista Luís Soares. O governo decidiu ativar o mecanismo europeu de proteção civil e os acordos bilaterais com Espanha e Marrocos para ajudar no combate aos incêndios em Portugal.
Anúncio feito na última hora pelo primeiro-ministro, no final da reunião do Conselho de Ministros, em Guimarães. Luís Montenegro justifica a decisão com o elevado risco de incêndio em todo o país e garante que a capacidade nacional não está esgotada.
Decidimos, nesta altura, ativar o mecanismo europeu de proteção civil e também os acordos bilaterais com Espanha e com Marrocos. Não porque a nossa capacidade esteja já esgotada, mas porque, nesta circunstância, temos todo o nosso território sob risco muito elevado e para não termos de deslocalizar meios de umas regiões para as outras dentro do nosso território. Por quê? Porque queremos que todos os meios que estão dispersos por todo o território estejam em prontidão imediata.
Justificação do primeiro-ministro para ativar o mecanismo europeu de proteção civil. O anúncio de Luís Montenegro feito no final da reunião do Conselho de Ministros, que hoje decorreu na cidade de Guimarães.
Declarações do primeiro-ministro depois do líder do Chega ter pedido no Parlamento a Luís Montenegro que assuma a coordenação do combate a incêndios.
Luís Montenegro esteve ontem à noite no Canadá, onde assistiu ao jogo da seleção portuguesa de futebol frente à Croácia. Em declarações aos jornalistas no Parlamento, André Ventura aconselha o chefe do governo a evitar erros do passado e para não voltar a ausentar-se do país numa altura crítica.
Nós estamos outra vez com incêndios no nosso país. Nada foi feito durante um ano para evitar que os incêndios acontecessem. E eu espero que o senhor primeiro-ministro não cometa o mesmo erro político do ano passado de estar ausente da coordenação dos esforços contra os fogos. É preciso que o primeiro-ministro volte para Portugal, assuma o combate contra os fogos como a grande prioridade deste momento. Não dá mais para fugir, tem mesmo que estar cá a cumprir o seu papel. É para isso que os portugueses lhe pagam o salário.
Críticas de André Ventura nos corredores do Parlamento, ainda antes das declarações de Luís Montenegro, que estava em Guimarães para a reunião do Conselho de Ministros.
O incêndio que começou em Vouzela, no Conselho de Vouzela, já atingiu quatro conselhos. As chamas consumiram, por esta altura, uma área sensivelmente equivalente a 7 mil hectares.
É um incêndio que começou na madrugada de quarta para quinta-feira, mobiliza cerca de mil operacionais que combatem chamas em quatro conselhos: Vouzela, Oliveira de Frades, Águeda e Tondela. Em Tondela, já duas aldeias tiveram de ser evacuadas. De acordo com o Conselho Europeu de Informação de Incêndios Florestais, a área ardida situava-se esta tarde nos 7 mil hectares e, de acordo com os dados consultados pela Lusa, o perímetro do incêndio terá mais de 50 quilômetros. O município de Tondela já ativou o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil. Como dizia, este incêndio já se alastrou ao Conselho de Águeda. O repórter do Observador, Miguel Pinheiro Correia, esteve na localidade de Massadas, onde algumas casas tiveram as chamas por perto.
Aqui nesta aldeia ou nesta localidade de Massadas, olhando em redor, só se vê praticamente fumo, colunas de fumo por todo lado e aqui, perto de onde me encontro, temos aqui uma casa que tem chamas a poucos metros. Falamos aqui com uma moradora, estava a dar conta a que horas, mais ou menos, é que perceberam que as chamas estavam perto. Quando eu passei aqui, aliás, da primeira vez, as chamas ainda estavam longe, mas já estavam a precaver para este incêndio.
Por volta das 15h. Não, talvez 12h. A verdade é que nós com o fogo fomos perdendo a noção das horas e não dá para saber muito bem.
Mas foi rápido até chegar aqui perto da vossa casa?
Foi bastante rápido. Nós esperamos pelo fogo durante a noite e sabíamos que ele viria. Ocorreu durante a manhã e durante o início da tarde. Foi bastante rápido, mas o vento ajudou a não ganhar grande velocidade.
E, neste caso aqui, o que acham que tem complicado mais os trabalhos nesta zona e mesmo para vocês, o que é que foram fazendo para precaver este incêndio?
O que tem complicado mais os trabalhos é a falta de limpeza e, com isto, consequentemente, a falta de fiscalização por parte das entidades competentes. Porque a verdade é esta, que esta situação e a maioria das situações dava para evitar se cada pessoa fizesse o seu trabalho e cumprisse com a lei, o que não é o caso. E as entidades competentes entendo que não chegam a todo lado, mas também poderiam ter um peso mais importante em zonas como estas, que passam frequentemente por incêndios.
E aqui, apesar disso, e dávamos conta também, não é o cenário mais perigoso que já enfrentaram nos últimos anos.
Não, o cenário mais perigoso que enfrentávamos nos últimos anos foi há 10 anos. Este ano vieram meios muito mais rápido.
Os bombeiros.
Os bombeiros, especialmente a Associação Humanitária Castanheirense, que conhece a localidade e conhece o espaço e rapidamente arranja soluções, rapidamente se põe na frente de combate, e eles fazem muita diferença. E também acho que um ponto extremamente importante é, lá está, já estamos um bocadinho precavidos para esta situação. Não fomos apanhados de surpresa
Surpresa.
Surpresa, exato. Não fomos apanhados de surpresa e já estávamos a contar com esta situação.
Aqui o relato de Carina, uma moradora da localidade de Maçadas, sobre este incêndio que tem afetado vários concelhos e, neste momento, mais de perto desta habitação e com estas críticas apontadas, tanto à falta de limpeza como à falta de fiscalização. E os elogios que têm sido repetidos pelos habitantes desta freguesia à Associação Castanheirense, pelo esforço de quem conhece o terreno e que tem ajudado a combater as chamas que ameaçam algumas casas.
Miguel Pinheiro Correia, a reportagem em Maçadas, no Conselho de Águeda. Ele tem estado a percorrer algumas das localidades afetadas pelas chamas neste incêndio que começou em Vouzela e já atinge quatro concelhos.
Segundo os dados disponíveis, já terá consumido cerca de 7 mil hectares naquela região. Só para termos aqui uma ideia de grandeza, para quem conhece, obviamente, o Parque Florestal de Monsanto tem cerca de mil hectares, por isso, este incêndio já terá consumido sete vezes a área do Parque Florestal de Monsanto, em Lisboa. E o tempo vai permanecer quente e seco durante o fim de semana, mas para domingo está prevista uma ligeira descida de temperatura.
O que vai permitir baixar o nível de aviso de vermelho para laranja em alguns distritos do país, como explica à Rádio Observador, a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Alexandra Fonseca.
O aviso, no domingo, irá cair para laranja em Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra e Leiria. Portanto, estamos à espera de uma pequena descida de temperatura, que resultará numa queda do aviso de vermelho para o laranja. As temperaturas continuarão elevadas. No entanto, já estamos à espera de uma entrada de um ar pouco mais marítimo, um pouco de vento a entrar aqui no litoral norte e centro. O restante território continuará com temperaturas bastante elevadas.
De resto, temperaturas que só devem baixar de forma mais expressiva na próxima semana, é previsão de Alexandra Fonseca. Neste momento, 13 distritos com aviso vermelho, aviso máximo, devido às altas temperaturas. Desde hoje que Castelo Branco passou a integrar a lista de distritos abrangidos pelo aviso mais elevado do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
E o PSD e o Chega trocaram hoje acusações depois do Parlamento ter chumbado, por larga maioria, a reconfirmação do decreto que previa pena acessória de perda de nacionalidade.
Um decreto que tinha sido chumbado pelo Tribunal Constitucional e que o Chega queria reconfirmar no Parlamento. Também foi chumbada a proposta do PSD, que propunha a redução do leque de crimes suscetíveis de perda da nacionalidade para respeitar a decisão dos juízes do Palácio Ratton. A proposta mereceu o voto contra do Chega. O vice-presidente do PSD, Alexandre Poço, lamenta que o Chega tenha votado mais uma vez ao lado da esquerda.
André Ventura disse: "Quem tenta agradar à esquerda, fica com a esquerda." E hoje ficamos a saber que esta perda da nacionalidade não será possível, porque o próprio deputado André Ventura não é só agradar à esquerda, o próprio deputado André Ventura procura sempre votar ao lado da esquerda para manter o caos na nacionalidade portuguesa.
A acusação de Alexandre Poço, do PSD, que teve a resposta da deputada do Chega, Vanessa Barata, que devolveu a acusação.
Hoje, o PSD queria voltar atrás nas suas intenções, quis alterar esta lei, torná-la mais branda, mais frouxa, mais fofinha e mais ao gosto da esquerda. Faltou-vos coragem, senhores deputados, faltou-vos coragem, mas conosco não contarão com leis fofinhas, para isso têm o Partido Socialista.
A troca de acusações entre Chega e PSD. Já o PS, pela voz do deputado Luís Testa, saudou o princípio da constitucionalidade, defendido pela maioria dos partidos.
O que importa relevar deste debate e desta votação é que existe, felizmente, ainda um conjunto de partidos que defende o princípio da constitucionalidade, a lei fundamental do Estado, do Estado de Direito Democrático e que todos nós juramos defender e aplicar.
A reação dos partidos no fim da sessão plenária de hoje, onde foi também debatido o fim do pagamento das sovências vitalícias e idade da reforma. Também hoje o Parlamento elegeu à segunda tentativa a candidata indicada pelo PS e apoiada pelo PSD para o cargo de Provedora de Justiça, Luísa Neto. Eleição que requereu uma maioria de dois terços de aprovação. Luísa Neto obteve, desta vez, 159 votos a favor.
E o PS acusa o ministro da Educação de estar em negação por causa da polêmica em torno da correção dos exames nacionais do 12º ano.
O Ministério anunciou esta manhã que a divulgação dos resultados e a segunda fase de exames nacionais foram adiadas em alguns dias devido às falhas da avaliação eletrônica. Fernando Alexandre acredita que este adiamento de três dias vai ser suficiente.
Com esta alteração que nós fazemos e com a avaliação técnica que temos, será suficiente para termos todo o processo concluído com todo o rigor. Não introduzimos grande perturbação, ou seja, permite-nos fazer os exames da segunda fase acabar na mesma semana que estava prevista, sem causar grande perturbação nas escolas, nem causar grande perturbação junto das famílias, que obviamente organizam a sua vida com base no calendário, que agora foi alterado.
Garantia do ministro da Educação. Já o deputado do PS, Porfírio Silva, espera que esta seja a única correção ao calendário e deixa críticas a Fernando Alexandre.
O que nós esperamos é que o senhor ministro da Educação perceba que é agindo que se resolvem os problemas, não é atirando as responsabilidades para outros, não é fazendo conta que está tudo a correr mais ou menos bem, quando toda a gente sabe, efetivamente, que as coisas não estão a correr bem.
O socialista Porfírio Silva, em declarações aos jornalistas na Assembleia da República. O presidente da Associação de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, duvida que o novo prazo anunciado pelo Ministério da Educação tenha condições para ser cumprido.
E há outras notícias a marcar a tarde desta sexta-feira, 3 de julho.
De há minutos, a notícia de que o Tribunal Central de Instrução Criminal suspendeu hoje de funções a médica de Benavente, detida na quarta-feira pela Polícia Judiciária por suspeitas de ter recebido verbas indevidas para viabilizar reformas por invalidez. A médica saiu em liberdade, mas fica proibida de sair de Portugal e também proibida de contactar qualquer interveniente no processo. Os outros dois médicos também detidos foram também libertados. Ficam sujeitos a termo de identidade e residência, tendo o tribunal considerado que não existem indícios de que praticaram qualquer crime. Na Venezuela, subiu para 84 o número de portugueses ou lusodescendentes mortos nos sismos da semana passada. Ainda há 63 desaparecidos. São dados atualizados esta tarde pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros. São 69 adultos e 15 crianças. Portugal vai enviar para a Venezuela, na próxima semana, dois aviões carregados de medicamentos e outros meios de assistência humanitária. Também duas ambulâncias. Anúncio feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel. E hoje é a vez de Cabo Verde voltar a entrar em campo no Mundial de Futebol. Vai ser contra a toda-poderosa Argentina nos 16 avos de final da prova. O jornalista Martim Madeira esteve na Associação Cabo-Verdiana de Lisboa, onde a expectativa é elevada para o jogo mais logo.
É na Associação Cabo-Verdiana de Lisboa, no restaurante que está na porta da frente, que vários cabo-verdianos se organizam para ver a seleção e também, claro, para comer uma boa cachupa. Ao sair do edifício, na abertura das portas do elevador, esbarrámos com a presidente da associação, que num convite para o gabinete para uma entrevista exclusiva, contou-nos um pouco dos planos para este jogo.
Vamos fazer um jantar dançante à moda daquilo que é habitual aqui na Associação Cabo-Verdiana, portanto, um jantar com música ao vivo e a seguir ao jantar vamos assistir ao jogo.
Já sobre o jogo, fala-nos de uma esperança que é a última a morrer.
Sim, a esperança é a última que morre. Há uns meses atrás, se calhar, não tínhamos a esperança nem de entrar no mundial, quanto mais agora passar à segunda fase. E afinal de contas, estamos aqui.
Sobre o desempenho no Mundial, Lucinéia Sousa fala no pequeno passo para o homem e um grande salto para Cabo Verde.
Eu acredito que todo este desempenho é, como se diz, um pequeno passo para o homem e um salto gigantesco para a humanidade. E então para Cabo Verde vai ser um salto gigantesco.
É esperada muita festa na associação, que vai organizar todo um evento com jantar e dança às 20h, mas é a partir das 23h que os cabo-verdianos esperam não acordar do sonho que tem sido este mundial.
Martim Madeira e a expectativa de Cabo Verde para o jogo de mais logo frente à Argentina. Antes disso, ainda há um Austrália-Egito, também na última ronda de jogos dos 16 avos de final. E Ricardo, daqui a uns dias o Teatro Variedades, em Lisboa, completa a linda idade de 100 anos.
100 anos.
100 anos.
Os famosos Variedades no Parque Mayer.
É verdade. E para a semana vai haver festa rija para comemorar o centenário. O teatro vai ter uma programação com visitas guiadas, exposições, teatro, cinema. Na semana que vem, na quarta-feira, por exemplo, vai haver uma visita guiada ao edifício. Vai ser possível ver os bastidores, os acessos de cena, áreas técnicas que habitualmente estão fora dos olhares do público. O programa conta também com a apresentação de um livro, "100 Anos de Variedades", da autoria da jornalista investigadora Paula Gomes Magalhães. Há ainda um espetáculo e também um filme sobre marcos históricos do Teatro Variedades.
100 Anos do Teatro Variedades no Parque Mayer.