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Esta é a Tarde Política da Rádio Observador. É quinta-feira, 06 de agosto, e nesta hora das 17h temos um guia para o eclipse. Hoje vamos conversar com um umbrófilo. Umbrófilo, é mesmo esta palavra. E já vamos explicar mais à frente quem são os umbrófilos. Depois das 17h30, Explicador. Hoje olhamos para uma notícia do Observador que revela que José Luís Carneiro está disponível para segurar o governo no Orçamento e em eventuais moções de confiança ou de censura. Antes, temos o Jornal das 17h, que nos é trazido pelo jornalista Miguel Viterbo Dias. Boa tarde, Miguel. Quais são os temas em destaque agora às 17h?

Os casos que envolvem Luís Neves. Na última hora, a Ministra da Justiça ordenou uma auditoria à Polícia Judiciária e Luís Neves vinca que não foi chamado pelo Tribunal de Contas. Foi o próprio que recusou pagar uma multa e, por isso, aceita ir a julgamento no Tribunal de Contas. Também neste jornal, o compromisso do Ministério da Educação de que as notas dos exames da segunda fase vão ser conhecidas amanhã, bem como os resultados das reapreciações da primeira fase. E ainda neste jornal, a cobrança de impostos. A Autoridade Tributária ainda não liquidou os impostos da venda de seis barragens da EDP no Rio Douro.

E depois das 19h30, mais logo, arranca a emissão especial para acompanhar o Benfica Hearts. É a terceira pré-eliminatória de acesso à Liga Europa. Jogo da primeira mão no Estádio da Luz, em Lisboa. Quanto à previsão do estado do tempo para amanhã, vamos ter céu pouco nublado, sol e calor no território continental. Tempo ideal para quem está de férias, para quem está a trabalhar também. Quanto a máximas, Porto 25, Braga 30, Viseu 31, Aveiro 26, Coimbra 31, Leiria 29, Santarém 34, vai estar quente em Santarém, Lisboa 32, Setúbal também 34 e em Faro 35. Eu sou o Ricardo Conceição e esta é a Tarde Política da Rádio Observador. Jornal das 17h, com edição de Miguel Viterbo Dias. Começamos pelos casos que envolvem Luís Neves. Na última hora, a Ministra da Justiça ordenou uma auditoria à Polícia Judiciária e Luís Neves veio vincar que não foi chamado pelo Tribunal de Contas.

Foi o próprio que recusou pagar a multa definida pelo tribunal devido a infrações financeiras pelas quais foi responsabilizado enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária. Ao recusar pagar a multa definida, Luís Neves será julgado pelo Tribunal de Contas. Também esta tarde, o semanário Expresso deu conta de que Rita Alarcão Júdice, a Ministra da Justiça, ordenou a abertura de uma auditoria à PJ feita pela Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça, mas também, em simultâneo, uma avaliação interna feita pela própria Polícia Judiciária. O ministro esteve esta tarde em Leiria numa iniciativa sobre o SIRESP, a rede de comunicações de emergência. Esta iniciativa esteve a ser acompanhada pelo jornalista do Observador, Miguel Pina Andrade. Miguel, o tema principal acabou por ser esta decisão da Ministra da Justiça, mas também a ida de Luís Neves ao Tribunal de Contas.

Sim, e começo precisamente por aí. O Tribunal de Contas pediu o julgamento de Luís Neves por infrações financeiras na liderança da PJ e, como disseste, o ministro recusou o pagamento de uma sanção para evitar este julgamento, o que significa que vai mesmo acontecer. Ora, aos jornalistas, o responsável pela pasta da Administração Interna revela que foi ele mesmo que pediu esta intervenção do Tribunal de Contas.

Contrariamente àquilo que tem vindo a ser dito, fui eu que requeri a intervenção do Tribunal de Contas. A Polícia Judiciária foi inspecionada, quer dizer, nos últimos anos, a Polícia Judiciária teve inúmeras inspeções em que saímos bem globalmente delas. Numa inspeção do Tribunal de Contas, há dois factos que nos foram apontados com relevância. E o Tribunal de Contas entendeu que o contraditório que a Polícia Judiciária apresentou era suficiente e deu o assunto como encerrado.

Assunto como encerrado, mas o Ministério Público decidiu, por sua vez, aplicar uma sanção a Luís Neves, 2.500 € que o ministro se recusou a pagar, porque afirma que a infração foi feita para salvar uma operação policial de grande importância. Ora, tratavam-se de viagens que, segundo Luís Neves, até pouparam dinheiro ao Estado. E sobre a auditoria à PJ pedida pela Ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, Luís Neves aplaude a decisão.

A senhora Ministra da Justiça ordenou, e ordenou bem. Eu já disse que estou absolutamente tranquilo e ainda bem que todas essas auditorias, investigações, averiguações, audições se façam para que, no final, a verdade de tudo venha ao de cima. Portanto, quer dizer que estou absolutamente tranquilo e também que estou desejoso, se necessário for, de colaborar e contribuir com o meu conhecimento para essas questões.

Tranquilo e desejoso para colaborar com a justiça. É esta a posição do ministro da Administração Interna, Luís Neves, face às mais recentes polémicas. São reações depois de uma ação de formação sobre a rede SIRESP no Estádio Municipal de Leiria.

A ação acompanhada pelo jornalista Miguel Pina Andrada, aqui com a reação do ministro Luís Neves. No que toca ao Tribunal de Contas, o Observador já tinha revelado que a gestão de Luís Neves tinha sido perdoada, apesar de terem sido apontadas infrações financeiras à liderança do agora ministro. Entretanto, o Ministério Público pediu o julgamento de Luís Neves junto do Tribunal de Contas, que podia ser evitado com o pagamento de uma multa. Como Luís Neves entende que não cometeu nenhuma infração, pediu ao tribunal para ser julgado. Em causa estão um contrato para a compra de combustível e um outro com uma agência de viagens, em que não terão sido respeitadas as regras da contratação pública.

Entretanto, também já ouvimos a reação de Luís Neves à decisão da ministra da Justiça, que ordenou uma auditoria à Polícia Judiciária.

Uma informação revelada pelo semanário Expresso, a ministra Rita Alarcão Júdice decidiu instaurar uma auditoria, que será feita pela Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça e, ao mesmo tempo, pediu também uma avaliação interna à Polícia Judiciária sobre o funcionamento desta força policial. De fora desta auditoria, fica a questão do transporte do atrelado, que foi transportado pelo empresário amigo do antigo diretor da Polícia Judiciária, tendo em conta que este caso já está a ser investigado pelo Ministério Público.

O deputado do PSD, Bruno Vitorino, considera que o ministro da Administração Interna poderia ter prestado esclarecimentos mais cedo.

É a opinião do social-democrata convidado do programa Comissão de Inquérito, na Rádio Observador. Bruno Vitorino diz ainda que, se fosse ministro da Administração Interna, tinha-se mostrado disponível para ir ao Parlamento prestar esclarecimentos.

Eu espero, naturalmente, do ponto de vista político, que ele se possa defender. Esperava que as explicações tivessem vindo mais cedo. As explicações até me pareceram bastante razoáveis. Algumas das acusações que lhe foram feitas até me pareceram bastante absurdas. Agora, se calhar era mais fácil ter explicado logo, se era tão simples de explicar.

E devia ter ido ao Parlamento.

Eu, se fosse ministro e se estivesse numa posição dessas e se quisesse esclarecer, era eu a disponibilizar-me para lá ir. Isso era clarinho. Mas isso é a forma de ser de cada um.

Bruno Vitorino, deputado do PSD no programa Comissão de Inquérito na Rádio Observador.

O Ministério da Educação garante que as notas dos exames da segunda fase serão afixadas amanhã, bem como os resultados das revisões da primeira fase.

Em comunicado, o Ministério da Educação refere que os resultados serão enviados às escolas ainda hoje, até às 17h30, ou seja, até daqui a menos de meia hora, algo que o Júri Nacional de Exames já tinha informado também aos diretores escolares. A acontecer, o ministério garante assim que o calendário definido vai ser cumprido. Depois de divulgadas as notas, as escolas poderão também enviar aos alunos as versões digitalizadas das respectivas provas, à semelhança do que aconteceu durante a primeira fase dos exames nacionais.

O governo quer abrir vagas adicionais para os alunos prejudicados com o processo de correção dos exames nacionais.

E o setor entende a decisão. O presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos prevê um impacto quase nulo para as instituições. Diz que esta medida não é nova. A promessa foi feita pelo ministro da Educação e revelada ontem pelo bastonário da Ordem dos Advogados, numa reunião entre os dois. O objetivo é garantir o princípio da igualdade na candidatura à primeira fase do ensino superior. E à Rádio Observador, o presidente do Conselho Coordenador dos Politécnicos, Luís Loures, concorda com esta proposta e explica também que as instituições já têm por hábito abrir vagas adicionais.

Esta situação acontece todos os anos, por exemplo, dois alunos que concorrem e que são colocados no mesmo curso que tem X vagas e o último colocado tem a mesma nota. Às vezes acontece haver quatro alunos com a mesma nota e é obrigatório criar três vagas adicionais para nenhum daqueles alunos ser prejudicado, porque têm a mesma nota de candidatura, a mesma situação e as vagas acabaram ali. Agora, neste caso, será por situações extraordinárias, mas as instituições estão mais do que preparadas para fazer isso e as universidades politécnicas têm, efetivamente, toda a flexibilidade para acolher estas alterações.

Luís Loures ouvido na Rádio Observador no dia em que termina o prazo para a inscrição dos alunos na primeira fase de acesso ao ensino superior e em que já se registam mais candidaturas do que no ano passado.

O ministro das Infraestruturas anunciou que o rio Tejo, na região de Lisboa, vai ter duas novas travessias e tudo isso no prazo de 10 anos.

Uma delas será a terceira ponte sobre o Tejo, entre Chelas e o Barreiro, a outra, um túnel entre Algés e a Trafaria. É uma garantia dada por Miguel Pinto Luz, à margem das comemorações dos 60 anos da Ponte 25 de Abril, que decorreram esta madrugada. Sobre a nova ponte que vai ligar Chelas e o Barreiro, Pinto Luz avança com um período de construção semelhante ao da Ponte 25 de Abril, ou seja, entre quatro e cinco anos.

Estima-se que é sensivelmente o mesmo. Portanto, será uma ponte diferente, com outro tipo de infraestrutura e outro tipo de desenho e de engenharia, mas sensivelmente será o mesmo tempo de construção, porque nós não avançamos só com a terceira travessia. Este governo tomou a decisão de avançar também com o túnel Algés-Trafaria.

Declarações do ministro Miguel Pinto Luz aos jornalistas, o titular da pasta das Infraestruturas, que vincou ainda que a ponte é um projeto que já está a decorrer, pois tem que ser concluído antes ou ao mesmo tempo que o novo aeroporto que vai ser construído na Margem Sul.

E agora vamos a um caso de cobrança de impostos. A Autoridade Tributária ainda não liquidou os impostos da venda de seis barragens da EDP no Rio Douro.

O negócio foi realizado há seis anos, em 2020. Segundo o relatório da inspeção fiscal, à empresa de energia, os impostos são no valor de 335 milhões de euros. Na altura, a EDP contestou as conclusões finais deste relatório e anunciou que ia avançar para tribunal. Passados mais de três meses da apresentação deste relatório, o valor ainda não foi liquidado. A Autoridade Tributária tem até outubro para liquidar estes impostos. Caso não o faça, esse prazo vai caducar. O Movimento Terras de Miranda alertou para esta situação, veio avisar sobre os prazos para a cobrança destes impostos. Defende que se a Autoridade Tributária não liquidar o valor à EDP, está perante um perdão fiscal escandaloso A jornalista do Observador, que acompanha os temas de energia, considera pouco provável que tal venha a acontecer, mas diz que o alerta deste movimento é pertinente.

Pode acontecer que isto se arraste tanto tempo, que eu penso que não vai acontecer, que se o Fisco deixar passar o prazo para liquidar o imposto, caduca o direito a cobrar o imposto. Não temos informação de que isso vá acontecer. Aliás, o artigo explica mais ou menos os passos que têm que ser dados antes da liquidação chegar às empresas. Não deixa de ser um alerta e é importante porque de facto o prazo está a contar. A decisão do Ministério Público é de outubro do ano passado e nós estamos em agosto de 2026 e a conta ainda não foi apresentada às empresas.

A jornalista Ana Suspiro sobre o facto de a Autoridade Tributária ainda não ter liquidado os impostos da venda de seis barragens da EDP no Rio Douro, negócio feito em 2020.

E há outras notícias a marcar a tarde desta quinta-feira, 6 de agosto.

O Conselho para a Paz, para a reconstrução de Gaza, criado por Donald Trump, emitiu o primeiro contrato de construção. Informação avançada pelo jornal The Guardian. A empresa Arkal International ganhou uma licitação do governo norte-americano para construir uma base militar destinada ao exército marroquino em solo palestiniano, que está ocupado pelas forças de Israel. O contrato ainda não foi finalizado, mas aponta para a construção de um posto militar com capacidade para 150 pessoas. A Euribor desceu hoje em todos os escalões. Descida há três, seis e 12 meses. Euribor a seis meses, a mais utilizada em Portugal desde 2024 nos créditos à habitação com taxa variável, recuou hoje para os 2,69%, menos 0,30 pontos percentuais face ao dia de ontem. Noutro tema, o primeiro-ministro já reagiu à morte do fundador da Universidade Católica do Porto. O professor Francisco Carvalho Guerra morreu hoje aos 94 anos, como deu conta uma nota de pesar assinada pela reitora da Universidade Católica. Luís Montenegro recorda Carvalho Guerra como um empreendedor carismático, católico, empenhado e convicto, que dedicou a vida à afirmação do norte do país no panorama nacional e internacional. Enquanto termina a primeira etapa da Volta a Portugal, já terminou mais uma etapa da Volta à Polónia em bicicleta. O português João Almeida esteve envolvido numa queda grave. Chegou à meta 16 minutos depois do vencedor. O ciclista português ficou a coxear depois da queda, acabou por perder muito tempo na primeira etapa de montanha, que foi encurtada. Isto porque quase todo o pelotão acabou por cair. O futuro de João Almeida na Volta à Polónia ainda não é conhecido, tendo em conta que o português está escalado para participar na Volta à Espanha, que arranca dia 22 deste mês. O ciclista português que procura nesta Volta à Polónia voltar à competição depois de vários meses afastado devido a uma infeção. A fechar, os jogadores da seleção espanhola fizeram várias promessas caso vencessem o Campeonato do Mundo. Não sei se é teu hábito também fazer promessas malucas.

São daquelas de cortar e pintar o cabelo.

Por exemplo.

Cortar o bigode.

Sim, também há de cortar o cabelo. Já lá vamos. Há duas que saltam à vista e que já foram cumpridas.

Então.

O lateral Marc Cucurella prometeu tatuar a cara do selecionador nacional, Luis de la Fuente.

A cara?

A cara, sim. Tatuou num dos braços a cara do treinador.

Pensei que ia tatuar a cara do próprio.

Não.

Fez um retrato.

Pôs a cara do selecionador desenhada no braço dele.

Agora sim. Ó mister, venha cá.

Isso também promessas com teceiros é fácil. Outro foi Gavi, que disse que mudaria totalmente o visual caso ganhasse o Campeonato do Mundo, por isso pintou o cabelo de rosa em choque. Quem nunca?

Sim, quem nunca? Exatamente.

Entre isso e tatuar a cara do selecionador.

E há promessas que ficaram por cumprir ou não?

Estes dois foram os corajosos, estes já cumpriram as promessas. Há outros que ainda não fizeram. Alex Baena e Borja Iglesias também prometeram tatuar a cara do selecionador no próprio corpo. David Raya também aderiu a esta proposta, mas diz que a mulher é que vai impor as regras, portanto a mulher é que decide onde é que vai ser a tatuagem. Já Lamine Yamal prometeu deixar crescer a barba e o cabelo durante três semanas e oferecer uma centena de auscultadores de uma determinada marca.

Isso também não é difícil.

Sim, sobretudo não foi ele que pagou. Ferran Torres, que marcou o gol decisivo do Mundial, vai rapar o cabelo, mas quando? Ainda não se sabe.

Isso também é fácil.

Podia ter feito também logo no dia, não é? Nesta altura já estava a sofrer.

Podia rapar e depois fazer laser no cabelo. Não, é só cortar o cabelo.

Nesta altura já estaria outra vez a crescer.

Bom, agora que ficou esclarecido onde é que vão tatuar a cara do selecionador. Miguel Vitor Dias vai regressar às 17h30.