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Jornal das 5, com o jornalista Miguel Cordeiro. O Chega vai chamar o diretor nacional da Polícia Judiciária ao Parlamento. E por quê, Miguel?

É a polêmica em torno dos químicos que estavam no atrelado que foi estacionado com materiais químicos na Constrobarcelos. Luís Neves, ministro da Administração Interna, explicou, em julho, que o valor pedido para destruir esses materiais, mais de €140 mil, foi a razão que o levou a procurar alternativas, procurar uma poupança e, por isso, enviou esse polêmico atrelado com os materiais químicos para as instalações de uma empresa privada, a Constrobarcelos. Na última semana, o gabinete da Ministra da Justiça esclareceu que o orçamento estava destinado, afinal, a várias operações, e não apenas a estes materiais químicos do atrelado. Hoje, no Parlamento, a ministra recusou mentiras nesta polêmica da destruição de químicos pela PJ e diz que já pediu para apurar ao certo quantos materiais estavam incluídos nesse polêmico orçamento feito pela Polícia Judiciária durante os mandatos de Luís Neves. Explica a ministra no Parlamento que, para já, tem a informação de que o valor pedido só era mesmo referente à Operação Pacoba.

O orçamento que foi apresentado tem uma quantidade elevada de equipamento, de materiais para ser destruídos. E a pergunta que eu fiz, e os esclarecimentos que eu aguardo, é confirmação de que todos esses items que estão nesse orçamento correspondem apenas ao processo Pacoba. A informação que tenho agora é que, efetivamente, darão apenas respeito à Operação Pacoba, com uma nuance: é muito mais material do que o material que estava na galera, como é natural, e daí, provavelmente, imagino eu, tenha estado na origem da informação errada que recebi da parte da Polícia Judiciária.

Houve ou não poupança com o envio dos materiais para a Constrobarcelos e quantos materiais estavam, afinal, nesse atrelado? Dúvidas que estão instaladas. A ministra já assumiu que as informações contraditórias geraram confusão e, portanto, pediu ao diretor nacional da PJ que esclareça o tema o mais rápido possível. O Chega também tem essa pressa, mas quer ouvir os esclarecimentos da voz do diretor da PJ e, portanto, chama o diretor da Polícia Judiciária ao Parlamento. Vasco Maldonado Correia, André Ventura anunciou isto há minutos na Assembleia da República.

Para esclarecer o caso de uma vez por todas, Miguel, esse requerimento já avançou e André Ventura quer que a audição aconteça à porta aberta para que todos oiçam essas declarações do diretor nacional da PJ, que não é obrigado a vir ao Parlamento, mas André Ventura deixa esse apelo para que venha responder às perguntas dos deputados. O líder do Chega lê nas palavras da Ministra da Justiça esta manhã que alguém mentiu deliberadamente, ou Rita Judice ou o diretor da Polícia Judiciária, e acha mais provável que seja a governante quem está a faltar com a palavra.

Hoje a senhora Ministra da Justiça o que disse basicamente foi que não mentiu ao Parlamento para encobrir o seu colega, Ministro da Administração Interna. Mentiu porque a Polícia Judiciária mentiu a ela, ou seja, a Polícia Judiciária lhe transmitiu informação deliberadamente falsa. Temos todas as condições para suspeitar que é o contrário. A Ministra da Justiça mentiu ao Parlamento para encobrir o seu colega da Administração Interna. É mais razoável essa suspeita do que a suspeita de que a Polícia Judiciária tenha mentido à senhora Ministra da Justiça.

André Ventura, aqui há meros instantes nos Passos Perdidos da Assembleia da República, acredita que Rita Judice está a tentar encobrir o colega de governo, Luís Neves. Fica, por isso, esse apelo para que o diretor nacional da PJ se dirija aqui ao Parlamento para ser ouvido pelos deputados, sendo que André Ventura recusa que essa audição acabe por secar a comissão parlamentar de inquérito, que já vai avançar também sobre os mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária.

André Ventura quer o diretor da Polícia Judiciária no Parlamento.

Há outro tema a dominar este dia de quarta-feira: o novo concurso de professores. A partir da próxima semana, as escolas vão poder contratar professores diariamente.

Medida aprovada em Conselho de Ministros, apresentada ao país esta tarde pelo ministro da Educação. O novo concurso de colocação de professores já tinha sido anunciado pelo governo. Agora, sai do papel. Fernando Alexandre, o ministro, explica que este novo concurso permite contratar professores diariamente e vai estar disponível já na próxima semana.

A partir do dia 18 vamos ter mais uma inovação. Vamos colocar professores todos os dias, todos os dias vão ser colocados professores nas escolas, mas vamos ter um concurso que vai ser muito mais eficiente, vai permitir colocar os professores mais rápido. Isso obviamente é bom para as escolas, é bom para os alunos, quando há um professor que é substituído, tem que ser substituído por razões de aposentação ou doença ou qualquer outra razão. Mas é também muito bom para os professores, porque ao contrário do que se pode pensar, nós continuamos a ter milhares de pessoas que querem ser professores, mas que não são tratados com a devida atenção e cuidado e muitas vezes estão à espera um ano ou muitos meses para dar aulas, sendo a vontade e a vocação deles dar aulas, mas o sistema não está adaptado para os receberem.

Anúncio no final da reunião do Conselho de Ministros que aconteceu na Universidade Politécnica de Bragança

No final dessa reunião, o Primeiro-Ministro também falou e pediu uma reflexão, porque é um dos temas em cima da mesa por estes dias, os resultados dos testes PISA. O que se passa aqui, Miguel?

Este estudo internacional avalia os conhecimentos dos alunos com 15 anos de idade e Portugal apresentou piores resultados em matemática, leitura e ciências, em comparação com o estudo anterior. E, de facto, Portugal recua a quase 20 anos nos resultados deste estudo. Montenegro quer uma reflexão profunda.

Não quero aqui estar a fazer nenhuma polêmica à volta disto. Quero apenas que nós, enquanto sociedade, façamos uma reflexão. É nesse sentido que eu aqui recordo isso, é nesse sentido que eu aqui recordo os passos que nós estamos a dar também para o sistema de avaliação, para a revisão de alguns currículos essenciais, para reimplementarmos uma cultura de maior exigência.

A posição do Primeiro-Ministro, o desempenho dos alunos portugueses piorou, recuou a níveis de 2006, recuou de 20 anos no conhecimento adquirido pelos estudantes portugueses. Ainda sobre o Conselho de Ministros, o governo aprovou hoje o prolongamento do apoio ao gasóleo agrícola até o final do ano. Estamos a falar de uma ajuda de €0,10 por litro. E ainda nos combustíveis, quanto ao apoio a outros setores como bombeiros, transportes ou IPSS, o governo vai decidir na reunião da próxima semana.

No Parlamento, o PS criticou esta tarde Luís Montenegro pela estratégia dos bônus aos pensionistas e também pela forma como está a lidar com o aumento do preço dos combustíveis.

Foi na comissão permanente desta tarde, o Partido Socialista criticou a estratégia do governo de atribuir esses bônus aos pensionistas, vincando que o PS, quando era governo, fez aumentos estruturais das reformas. O deputado João Torres deixou também críticas a Luís Montenegro, neste caso por causa da mudança de posição quanto ao IVA dos combustíveis.

Sabem quem sugeria a descida do IVA dos combustíveis em 2022, não para 13%, o que o anterior governo fez por via do ISP, mas para 6%? Pasme-se, o doutor Luís Montenegro. Partido Socialista, que já agora baixou mais o IRS do CAD e que aumentou extraordinariamente as pensões mais baixas seis vezes, de forma estrutural, não sob a forma de um bônus pontual em mês de conveniência.

João Torres, nas declarações políticas desta tarde, em que o PSD defendeu a estratégia econômica do país e os anúncios feitos ontem pelo Primeiro-Ministro. A deputada social-democrata Andreia Neto, na ressaca da moção de censura, avisou também que o país não pode viver permanentemente em crise política.

Mário Centeno diz que é preciso cautela no momento de analisar e abordar as taxas de juro na Europa. O antigo governador do Banco de Portugal considera que os portugueses já sabem lidar com este tipo de situações.

No caso da experiência acumulada, Centeno explica que o cuidado é o melhor caminho a seguir em relação às taxas de juro. Diz isto na véspera dessa reunião do Banco Central Europeu, que deve voltar a decidir uma subida das taxas de juro. Mário Centeno avisa que não pode fazer nesta altura grandes análises, está num período de silêncio por ter sido governador do Banco de Portugal, mas acredita que não tem faltado informação aos portugueses para entender o contexto atual.

As taxas de juro estão a ser decididas em Frankfurt e, portanto, eu não vou dizer nada sobre taxas de juro. Peço desculpa, até porque ainda estou naqueles períodos de silêncio que um ex-governador tem que estar e, portanto, é o que vos posso dizer sobre isso. Acho que o país já sabe o que são taxas de juro elevadas, já sabe o que são taxas de juro baixas, sabe o que é ter muita dívida, sabe o que é ter menos dívida. Todos temos informação suficiente para ser cautelosos e é isso que eu desejo que sejamos.

Declarações à margem de um debate sobre o tempo de Portugal na Europa, Centeno pede cautela neste período.

E há outras notícias a marcar a tarde desta quarta-feira, 9 de setembro.

A Assembleia da República aprovou esta tarde vários votos de pesar. As mortes de Francisco Carvalho Guerra, antigo presidente da Universidade Católica do Porto, do cantor Luís Represas, do antigo presidente da Cáritas, Eugénio Fonseca, e os dois militares que morreram na A1 enquanto prestavam assistência a um caminhão. Todos foram esta tarde homenageados no Parlamento, tendo todos os votos sido aprovados por unanimidade. No final, guardou-se também um minuto de silêncio na presença de vários familiares dos homenageados. Na Suíça, duas pessoas morreram depois de uma explosão, hoje, numa central hidroelétrica. As autoridades suspeitam que um problema elétrico num transformador esteve na origem desta explosão. Parte do edifício ficou danificada, a outra parte desabou. As autoridades estão ainda a apurar se a explosão aconteceu na antiga central, que continua em funcionamento, ou na nova instalação construída ao lado e prevista para entrar em operação em 2027. A fechar, venho falar de Nicolas Cage.

Há filme novo, há aí uma série que eu já comecei a ver.

Não é sobre isso.

Ele é uma espécie de Homem-Aranha nessa série.

É verdade, sim, mas não é disso que eu venho falar. Eu venho falar de Nicolas Cage porque ele teve, em casa, um problema digno de um filme de ação.

Então, mas está tudo bem?

Está tudo bem. Tudo indica que sim. A informação é que não há feridos neste incidente. Mas vamos ao que aconteceu. Nicolas Cage tem uma casa em Malibu, no sul da Califórnia, junto ao mar, muito junto ao mar.

É daquelas casas em que o quintal é areia.

Sim, o quintal é areia, o quintal é o mar, neste caso. É tão perto que esta semana a casa ficou sem chão.

Então, uma inundação? Não, o mar entrou?

É, o mar entrou. Uma grande cratera à porta de casa. As imagens são de fato impressionantes. Estamos a falar de uma cratera de nove metros de comprimento. Praticamente, se calhar, um bocadinho maior que o nosso estúdio aqui.

Nove metros é mais ou menos a distância da marca de pênalti da baliza, não é?

Sim, é isso. São 11 metros. Nesse caso, é 11 metros. O chão da entrada da garagem colapsou, portanto, a parte da frente da casa ficou toda debaixo de água. A Agência France-Presse relata que olhando para dentro do buraco, dá para ver as ondas a entrar por baixo da estrutura da casa.

Pode ser que o Nicolas Cage agora faça um filme ou um documentário sobre a erosão costeira.

Sim, ou então é chamar- Ou então sobre como não fazer casas em dunas. Também é bem-visto, mas podemos chamar um agente imobiliário e ele certamente arranja um pitch para vender a casa.

E ele vai dizer-

Com vista para as ondas.

Que este buraco tem cachê. Portanto, é um buraco de Nicolas Cage.

Neste caso, é casa muito perto do mar. Informação também, deixar isto, não há registro de feridos. Isto é o que está a ser relatado pela imprensa local, mas ainda não há declarações de Nicolas Cage sobre isso.

E isso é o mais importante. E um grande abraço nosso para o Nicolas nesta hora.