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Passamos para o jornal das seis, Vanessa Cruz.

E vamos começar com a corrida à Belém a aquecer. João Cotrim Figueiredo desafia Luís Marques Mendes a divulgar os clientes que representou enquanto trabalhava numa sociedade de advogados. O cenário foi admitido pelo próprio Marques Mendes, em entrevista no Sobre Escuta da Rádio Observador, esta semana, quando admitiu dar conta dos clientes da empresa familiar, se fosse preciso. Cotrim Figueiredo insiste, quer saber não só os clientes dessa empresa, mas também da atividade profissional que teve no escritório de advogados.

Marques Mendes diz que fará isso com a empresa familiar que tinha, mas não na sua atividade com a sociedade de advogados, refugiando-se no fato de que as relações desses serviços são sigilosas. São sigilosas se os seus clientes não autorizarem a sua divulgação. E acho que os portugueses tinham o direito de saber que género de interesses, que tipo de interesses tiveram a ser defendidos durante esse tempo.

João Cotrim Figueiredo a exigir respostas a Marques Mendes à margem de um almoço-debate em Lisboa.

Ainda nas presidenciais, Gouveia e Melo esclarece que continua a representar uma candidatura independente, mas recusa responder ao secretário-geral do PS. José Luís Carneiro acusa o candidato presidencial de erguer uma bandeira que não tem: a de candidato apoiado pelo Partido Socialista.

Isto porque ontem à noite, em mais um debate na televisão, Gouveia e Melo disse a António José Seguro que ele próprio, o almirante, representa o campo político do PS. Hoje, vem clarificar.

Eu não virei à esquerda, nem virei à direita. Os senhores têm que compreender que eu quero unir Portugal com todos os portugueses. E eu digo aquilo que eu disse quando Portugal me chamou para servir. Nunca perguntei se os portugueses a quem eu estava a servir, se eram de direita ou de esquerda. Só perguntei: o que é que eu tenho que fazer. E fiz, e cumpri. E essa é a minha forma de estar.

Henrique Gouveia e Melo, pouco depois de o secretário-geral do PS ter feito esta acusação.

Considero mesmo inadequado que um outro candidato presidencial se tenha arvorado como candidato do PS. O PS só tem um candidato, é o candidato a quem declaramos o apoio a António José Seguro. Achei que era inadequado e que era importante clarificar. Apelo, aliás, a todas as portuguesas e em particular aos socialistas, para que se mobilizem no candidato, que é esse que representa os valores do partido do Mário Soares.

José Luís Carneiro, no Parlamento, a tentar mobilizar as hostes socialistas para as presidenciais.

E André Ventura diz que as declarações do primeiro-ministro sobre a greve geral são descontextualizadas e fracas.

Luís Montenegro recusa a ideia de o governo estar a ser intransigente na negociação do pacote laboral e puxa dos dados econômicos para dizer que Portugal está no topo da Europa e do mundo. André Ventura, na pele de candidato presidencial, esteve esta tarde no Cacém com comerciantes. A jornalista Matilde Malva Sabino esteve a acompanhar esta ação de campanha. Matilde, agora em direto, boa tarde. Quais é que são as previsões de André Ventura para a paralisação de amanhã? E vamos ouvir também essas críticas ao primeiro-ministro.

Boa tarde, Vanessa. André Ventura espera que o país não pare, mas diz que compreende o descontentamento da população. Para o candidato a Belém apoiado pelo Chega, o anteprojeto laboral deu o sinal de que as pessoas não valem nada, uma sensação que podia ter sido evitada.

Isto é um erro. É um erro e não é por uma questão que não tem a ver com produtividade. Isto é dar às pessoas o sinal que são descartáveis, que são mercadoria e que não valem nada. Isto é um erro político, é um erro social, é um erro humano. Nós demos ao governo a possibilidade de termos uma alteração de lei do trabalho efetiva, humana, e o governo rejeitou. E agora chegamos a este ponto.

André Ventura sublinha que, se não houver alterações a este projeto laboral, o documento não vai ter o apoio do Chega. O candidato a presidente da República denuncia, principalmente, o que qualifica como o bar aberto dos despedimentos e a lei da amamentação, como já o tem vindo a fazer. André Ventura também falou sobre o anúncio do primeiro-ministro sobre aumentar o salário mínimo para os € 1.600 até o fim da legislatura e também o salário médio entre os € 2.000 e 2.500. Afirma que, se tiver a mesma estratégia para a economia que teve para a lei laboral, não vai resultar.

Depende do trabalho que o governo faça na economia e no crescimento da economia. Nós fazemos um crescimento de salário médio, não é por decreto, é por aumento de produtividade, de investimento e de crescimento econômico. Ora, o governo até agora teve zero estratégias nessa matéria. Não houve nenhuma coisa que mudasse o nível de investimento em Portugal.

André Ventura sublinha que o primeiro-ministro e o governo são maus gestores da economia. À chegada à Cacém esta tarde, também criticou o cancelamento de comboios da CP antes do dia da greve geral. Questiona qual a justificação para o fazer.

Reportagem da Matilde Malva Sabina, acompanhando esta ação de campanha de André Ventura, com várias críticas a Luís Montenegro.

E a greve geral também está a ser tema esta tarde no plenário da Assembleia da República. Os deputados estão a discutir propostas para o aumento do salário mínimo.

Precisamente para este tema, são várias propostas da oposição, sobretudo da ala esquerda, que quer que o salário mínimo aumente acima daquilo que propõe o governo. O debate está a ser também uma antecâmara dessa greve geral de amanhã. Debate acompanhado pelo Miguel Maviero Dias, repórter parlamentar. Agora em direto, Miguel, que acusações deixa a esquerda ao governo?

À boleia do leilão de salários mínimos, como tem criticado a oposição face às recentes declarações de Luís Montenegro, que apontou para um salário mínimo de € 1.600 recentemente numa conferência. A esquerda tem criticado o histórico do PSD e da AD nesta matéria. Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, um dos partidos mais ativos na mobilização pra greve geral de amanhã, diz que há uma maioria que estará na rua a lutar pelos direitos dos trabalhadores.

Ou se está do lado de quem trabalha, ou se está do lado daquela minoria que quer apertar a vida de quem trabalha. Ou se empurra o país para se encostar à Espanha, que já hoje tem um salário mínimo de € 1.184, ou se fica nas mãos dessa minoria. E quem ficar Nas mãos dessa minoria, também vai ser chumbado amanhã com a grande greve geral que está em curso.

Paulo Raimundo, o secretário-geral do PCP, a puxar pela greve geral de amanhã. O PS também quis vir defender o passado e os oito anos de governação para, mais uma vez, trazer até aqui o fantasma de Pedro Passos Coelho e recordar o que o PSD dizia há alguns anos.

Confesso que não deixa de ser caricato ouvir o PSD falar do salário mínimo. Sabe, senhor deputado, quanto ao salário mínimo, o Partido Socialista tem currículo. Já o PSD tem cadastro. Nos oito anos de governação do Partido Socialista, aumentamos sempre o salário mínimo, a economia cresceu e sabemos bem o que dizia o PSD. Estamos todos lembrados do que dizia Pedro Passos Coelho.

Hugo Oliveira, do PS, a recordar a história do fantasma que pairava sobre as contas públicas portuguesas. A greve geral já entrou no debate hoje, mas entrará também amanhã, porque a Iniciativa Liberal fixou a ordem do dia para amanhã, para o plenário das 15h. Vai apresentar vários projetos de lei e propostas de recomendação ao governo sobre serviços mínimos, sobre carreiras na administração pública e também sobre o setor empresarial do Estado e ainda uma proposta para privatizar a CP. A ideia é marcar a agenda também no Parlamento com as questões laborais e do funcionamento das empresas públicas.

Reportagem do Miguel Vitero Dias, com a greve geral a dominar o debate no Parlamento, mas também essa questão do salário mínimo.

Luís Montenegro foi precisamente confrontado com as expectativas que criou quanto à subida do salário mínimo e do salário médio no final da legislatura. O primeiro-ministro já explicou, Vanessa, como vai, afinal, fazer com que o país consiga chegar a esses novos valores.

O primeiro-ministro recusou-se a revelar hoje mais detalhes sobre como alcançar essa meta que anunciou no fim de semana, um salário mínimo de € 1.600 no final da legislatura, salário médio entre os € 2.500 e os € 3.000. Só deixa no ar que é possível lá chegar quando houver estrutura.

É mesmo realista. Eu não tenho dúvidas nenhumas. E nós vamos calendarizá-lo quando tivermos os alicerces para isso.

O primeiro-ministro Luís Montenegro, num registo da RTP Notícias.

Voltamos aos candidatos presidenciais, porque obviamente pronunciaram-se sobre a greve geral e há várias opiniões.

Sim, Govêa e Melo reforça que se trata de um direito dos trabalhadores, mas insiste, é preciso um acordo negociado em concertação social. O almirante, que amanhã vai manter a agenda, diz que não vai fazer greve.

Já Cotrim Figueiredo deixa um apelo ao governo.

Sim, não ceder a pressões. O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal admite que, durante o processo negocial, há cedências que é preciso fazer de um e do outro lado, mas se o governo quer avançar com uma reforma, tem de ser firme e defende que é preciso flexibilizar a legislação laboral.

Sem surpresa, opinião diferente terá a candidata à Belém, Catarina Martins.

Sim, apoiada pelo Bloco de Esquerda, considera que Luís Montenegro tem estado a brincar com a vida dos trabalhadores.

Os efeitos desta greve geral de dia 11, amanhã, começam a fazer-se sentir já hoje, dia 10, desde logo nos transportes públicos.

Por exemplo, nos comboios, a CP alerta que as perturbações acontecem já a partir desta quarta-feira, de hoje, e também no dia a seguir à greve, na sexta-feira.

E na Rádio Observador e no site vamos estar particularmente atentos às consequências desta greve geral agendada para amanhã, quinta-feira, 11 de dezembro. Agora, há outras notícias a marcar a tarde desta quarta-feira, 10 de dezembro.

A Câmara Municipal de Lisboa aprovou a nova administração da Carris. Vai ser presidida por Rui Lopo. A proposta de Carlos Moedas foi aprovada com 11 votos a favor, três abstenções. Os vereadores do PS optaram por não participar nesta votação. Acusam o presidente da Câmara de falta de transparência e de falta de esclarecimentos sobre a tragédia do Elevador da Glória. Foi também aprovada a manutenção dos impostos municipais para o próximo ano, devolução total de 5% do IRS e taxa de IMI de 0,3% para prédios urbanos em Lisboa. Dezessete músicos e intérpretes portugueses recusam participar no Festival Eurovisão do próximo ano, na Áustria, se vierem a vencer o Festival da Canção da RTP. É uma ação de protesto contra a participação de Israel. Protestam músicos como Cristina Branco e Bateu, Matou. A organização da Eurovisão decidiu manter Israel, apesar da guerra em Gaza. Portugal, através da RTP, decidiu, mesmo assim, participar. Iolanda vai editar o primeiro álbum no próximo ano e, a par disso, já é conhecida a data de um concerto que vai dar, um concerto para celebrar este disco.

A Iolanda venceu o Festival da Canção e foi à Eurovisão no ano passado. Quando é que é o concerto, Vanessa?

Está marcado para o dia 7 de dezembro de 2026, daqui a um ano, mais ou menos, vai ser no Coliseu dos Recreios.

Quando te fores embora. Quando fores embora. Confiança contigo é como pôr sal nas minhas feridas. Se o que arde por aqui foi amor.

E vai ser no Coliseu, é isso?

Sim, no Coliseu de Lisboa. Um espetáculo que tem aqui alguns detalhes já revelados. Vai contar com um palco 360, pensado para acolher o público em todas as direções. A ideia é criar uma experiência imersiva entre a artista e o público.

E há sempre aquela pergunta sacramental quando falamos de concertos: quando é que se podem comprar os bilhetes e quanto custam?

Olha, já estão disponíveis, custam entre 18 e 35 €.

Mais barato que a Rosalía.

É muito mais.

Quanto ao álbum de estreia da artista, não sai para já. O público vai poder ouvir dois EPs da Iolanda, que conquistou o décimo lugar no Festival Eurovisão de 2024. Agora, há concerto marcado para 7 de dezembro do próximo ano. Ficamos com Iolanda até o final deste jornal das 18h.

Para quando te fores embora, nunca mais procurar. Quero ouvir o som da tua pressa, o barulho desse espaço a sair dos meus escombros. Chores tanto e mesmo assim foi pouco, eu exercizei o corpo a tirar peso dos ombros.