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Jornal das 8, com a Nadine Soares e a começar com a notícia de a poucas horas de celebrar pela última vez o 10 de junho, na qualidade de presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa abordou esta tarde uma das marcas dos dois mandatos que cumpriu em Belém.
Nunca a relação de um chefe de Estado com a gastronomia foi tão midiática como no caso do presidente em exercício. Uma reflexão partilhada ao mesmo tempo que Marcelo Rebelo de Sousa degustava um pastel com cogumelos.
Eu sei que isso não é muito próprio, comer em frente de câmaras. Não era há 20 anos, mas transformou-se num clássico. O primeiro, que é pioneiro, foi muito criticado, injustamente criticado. Tinha bom gosto, era bom de lei e corria bem. Eu sou mais variado gastronomicamente e, portanto, passou a ser normal.
Espera Marcelo Rebelo de Sousa que o próximo inquilino do Palácio de Belém mantenha esta relação tão afetiva e sensorial com a gastronomia.
É uma escolha dos portugueses. Se querem gente de gastronomia forte ou de gastronomia mais forte.
Entre os candidatos a presidente já conhecidos, vê alguém com essa aptidão, Capas Maria?
Eu não comento candidaturas a presidência. Comento o prazer de, como presidente da República, ter comido isto. Deu um muito gosto metafísico. É muito bom.
Embalado pelos sabores da iguaria servida numa das bancas presentes na Exposição das Forças Armadas, no âmbito das celebrações do 10 de junho, o presidente da República levantou um pouco o véu do balanço que faz dos dois mandatos em Belém.
Eu tive que ser pauliventro, mas não julgo as minhas coisas. A pandemia, o vincente, um pouco de tudo.
Um imperativo para o balanço mais substancial, que é de ser feito do trabalho do presidente, dos afetos e dos prazeres da gastronomia.
Entretanto, Nadine, mas não só deste tipo de metáforas ficam resumidas as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa ao longo do dia de hoje.
Houve também espaço para recados ao governo. Em causa a prometida reforma do Estado, Marcelo Rebelo de Sousa diz que o Executivo, liderado por Luís Montenegro, deve legislar para combater a burocracia. O presidente espera uma aceleração da execução de investimentos do país. Em causa está, por exemplo, o plano de recuperação de resiliência, que, diz Marcelo Rebelo de Sousa, está a ficar para trás.
O PRL está a patinar, em muitos casos, a demorar muito tempo, porque é uma burocracia tal que nós, em vez de estarmos a gastar por semana 200 milhões de euros, neste sentido, no terreno, estamos em 100, 60, 80, 70.
Marcelo Rebelo de Sousa falou também do investimento no setor da defesa. O governo antecipou a meta de gastar 2% do PIB até o final deste ano. Na mesma linha de Luís Montenegro, o presidente descarta a necessidade de um orçamento retificativo.
Agora oito horas e três minutos. Ainda na política, o ex-eurodeputado do PSD, Carlos Coelho, diz que o investimento do PRR pode beneficiar com a agregação da pasta da economia e da coesão territorial.
Que pertencem agora ao mesmo ministério, numa altura em que Bruxelas avisa para o estado dos investimentos do PRR em Portugal, 20% foram considerados críticos. Carlos Coelho admite que há espaço para uma melhor gestão dos fundos. Acredita que o ministério dois em um vai desbloquear a execução dos projetos.
O facto de agora, nesta estrutura do governo, o primeiro-ministro ter decidido casar a tutela dos fundos com o Ministério da Economia, deve significar isso mesmo, que vai haver mais dinheiro investido na economia real, nas empresas, no crescimento económico, na criação de emprego. E sob esse ponto de vista, podem ser boas notícias. Vamos a ver qual é a nossa capacidade de execução nesse plano.
Sobre a reforma do Estado, Carlos Coelho fala numa promessa corajosa do primeiro-ministro e saúda a escolha de Gonçalo Matias para liderar o novo ministério. O social-democrata considera ainda que há bons indícios para haver estabilidade governativa em Portugal.
Agora a atualidade internacional. Chegou a Israel o veleiro Madeline, que transporta ajuda humanitária para Gaza, depois de ter sido desviado ontem à noite por forças de Israel.
A notícia foi avançada pela France Presse. O navio humanitário, onde seguia Greta Thunberg e outros 11 ativistas, atracou esta tarde no porto de Ashdod, em Israel. Partiu de Itália no primeiro dia deste mês. Tinha como objetivo quebrar o bloqueio israelita em Gaza, onde a situação humanitária é desastrosa, após mais de um ano e meio de guerra. Durante a noite, a organização Flotilha da Liberdade anunciou a abordagem do navio pelas forças israelitas. A ordem foi do ministro da Defesa do país, Israel Katz acrescenta que Tel Aviv não vai permitir que ninguém rompa o bloqueio naval ao território palestiniano.
E, Nadine, o Livre quer que o governo se posicione face à atuação de Israel. Por isso, enviou três perguntas ao Executivo no âmbito do tema.
O partido quer saber, por exemplo, se o embaixador israelita vai ser chamado a prestar esclarecimentos sobre este desvio da embarcação da Flotilha da Liberdade. Em declarações num protesto em Lisboa contra a agressão israelita na faixa de Gaza, a líder parlamentar do Livre, Isabel Mendes Lopes, quer que o governo seja mais incisivo na posição que assume face ao conflito. É uma questão humanitária.
E Portugal tem que ser muito claro na defesa dos direitos humanos e em aplicar todas as medidas possíveis para pressionar o governo de Israel a parar o genocídio, a deixar entrar a ajuda humanitária e também a reconhecer o Estado da Palestina como Estado independente. Isso também é algo que temos pressionado muito o governo para fazer e que é essencial para que se encontre uma solução de paz para aquela região.
Isabel Mendes Lopes, que questiona também Paulo Rangel, quer saber se o ministro dos Negócios Estrangeiros vai atuar em relação ao navio de ativistas que foi desviado por Israel nas águas de Gaza.
Jornal das oito. A Associação Solidariedade Imigrante diz que a proposta do Chega de suspender o reagrupamento familiar de imigrantes é desumana.
O presidente da associação, Timóteo Macedo, alerta o governo para aquilo que considera ser uma armadilha do Chega. Em causa o pedido do partido André Ventura. O Chega quer que o governo suspenda, de forma temporária, o reagrupamento familiar de imigrantes. A Associação Solidariedade Imigrante defende que o reagrupamento familiar não é uma invasão, mas sim um direito dos imigrantes.
Eu quero lembrar
Que este governo disse aquilo que nós sempre defendemos, que o reagrupamento familiar é fundamental para a integração dos imigrantes em Portugal. Nós esperamos que o governo não caia nesta armadilha. Não se trata de nenhuma invasão. Trata-se de um direito, que é um direito das pessoas viverem em família. Eu gostaria de perguntar se alguém gostaria de ser separado, viver separado da família. E Portugal não pode impedir que isto aconteça. Portanto, temos de combater essas políticas, que são políticas cruéis, que maltratam as pessoas, que não são humanistas.
Declarações de Timóteo Macedo à Rádio Observador. O presidente da Associação Solidariedade Imigrante revela ainda que está marcada uma reunião com a AIMA para expor os atuais problemas dos imigrantes em Portugal. Já André Ventura acredita que através do reagrupamento familiar podem entrar mais 500 mil estrangeiros em Portugal, algo que considera inaceitável. São declarações feitas de visita a Loures, onde o líder do Chega acusou o autarca Ricardo Leão de inação, no caso do armazém desta cidade que serve de habitação ilegal. Culpou também as políticas aplicadas no passado pelo Partido Socialista, mas sem deixar de lado a ineficácia que diz encontrar no executivo de Luís Montenegro.
Muito boa noite, agora são 20h07. Nadine Soares. E para fechar, outras notícias marcando para já a atualidade desta hora.
Morreu o escritor britânico Frederick Forsyth, autor de populares thrillers como "O Chacal" e "Os Cães da Guerra". A informação foi avançada pela imprensa britânica e confirmada pelo agente do escritor. Aos 19 anos, tornou-se o piloto mais jovem da Royal Air Force. Foi também repórter da agência Reuters e mais tarde juntou-se à BBC. Teve também a carreira como agente secreto, mas foi nos livros que se destacou. Escreveu cerca de 20 romances que venderam aproximadamente 70 milhões de exemplares em todo o mundo. A Grande Lisboa vai ver aumentado o dispositivo de combate a incêndios rurais, com mais duas equipas e mais 300 operacionais. A região abrange os concelhos de Amadora, Cascais, Lisboa, Loures e ainda Odivelas, Oeiras, Mafra, Sintra e Vila Franca de Xira. De acordo com o comandante sub-regional da Proteção Civil, a região vai ter este ano mais duas equipas em comparação com o ano passado. O dispositivo adicional vai ser acionado a 1 de julho até 30 de setembro.
Ponto final na edição das 20h, Nadine Soares. De volta daqui a pouco, às 20h30. Até já.
Até já.
A seguir vamos ter a primeira parte do Convidado Extra com João Paulo Secadura. O convidado é o artista visual que assina ADDFuel.