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Um nova em ponto. António José Soares com a edição das nove na Rádio Observador e começamos, António, com um homem que morreu esta tarde ao cair de um telhado que estava a reparar no concelho de Alcobaça, em Leiria. É a segunda vítima mortal deste tipo de acidente no dia de hoje.

De acordo com a agência Lusa, que cita a GNR, o acidente aconteceu na localidade de Bairro, com o alerta a ser dado por volta das 17h30. Já o comandante dos Bombeiros Voluntários de Alcobaça explica que a vítima de 66 anos caiu de uma altura de cerca de quatro metros quando fazia reparações no telhado. Leandro Domingos adianta que à chegada ao local, o homem já estava em paragem cardiorrespiratória.

E também hoje um homem de 73 anos morreu ao cair do telhado que reparava no concelho da Batalha, no mesmo distrito.

Perante estes dois acidentes mortais, o Comando Territorial de Leiria da GNR apela à máxima cautela na reparação de telhados e pede à população que não arrisque a vida na sequência dos estragos do mau tempo. A força de segurança sublinha que estes trabalhos em altura são de elevado risco e recomenda que as intervenções sejam feitas com todas as condições de segurança, de preferência por profissionais qualificados e com equipamento adequado.

E seguimos, António, com a Marinha Portuguesa, que está a ajudar as populações das regiões mais afetadas pela depressão Cristina.

Já está no terreno e disponibilizou cinco geradores para o apoio de várias localidades dos municípios da Batalha, Figueira da Foz, Marinha Grande e Ourém. São ao todo 54 militares, 11 viaturas, seis botes e três drones, para além do material necessário para desobstruir edifícios e estradas. Estão a caminho de Leiria 40 fuzileiros e um grupo de técnicos de eletricidade para apoiar os restantes militares no terreno. Em declarações à Rádio Observador, o porta-voz da Marinha, o comandante Ricardo Sagranja, explica que hoje foi o segundo dia de operações no terreno.

A Marinha, efetivamente, já está no terreno desde ontem. Portanto, ontem, sob coordenação do ENT, através da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, foram-nos solicitados dois geradores para apoiar os bombeiros voluntários da Marinha Grande. Numa fase inicial, nos termos da lei, nomeadamente da Lei de Bases da Proteção Civil e da Lei Orgânica de Bases da Organização das Forças Armadas, o apoio das Forças Armadas à Proteção Civil decorreu a pedido da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e sob coordenação do Estado-Maior General das Forças Armadas.

O porta-voz da Marinha, entrevistado esta noite pela Rádio Observador, o comandante Ricardo Sagranja, acrescenta ainda que a Marinha continua disponível para apoiar a população afetada pela depressão Cristina.

E ainda pelo mau tempo. Seguimos agora com a Proteção Civil da região de Coimbra, que está a apelar às populações do Vale do Mondego, António, para que se preparem para possíveis cheias na próxima semana, devido à forte chuva prevista a partir de domingo à noite.

Assim é, Vicente. Foi em conferência de imprensa esta tarde. O comandante sub-regional avisou que as zonas mais vulneráveis das margens esquerda e direita do Mondego, entre Coimbra e Figueira da Foz, podem ser inundadas pelo aumento do caudal e pelas descargas da barragem da Aguieira. Carlos Luís Tavares avisa os moradores em zonas vulneráveis de que devem estar de sobreaviso e preparados para as cheias, reforçando que é preferível abandonar a casa e perder bens do que arriscar a vida.

E em Leiria, a Câmara está a pedir à população para deixar de entregar alimentos e artigos de higiene.

O município explica que os bens entregues já ultrapassam o necessário e apela, por isso, à contenção solidária para evitar desperdício e problemas de armazenamento. A autarquia adianta ainda que a recolha do lixo acumulado já começou e se vai alargar de forma progressiva a todo o concelho. Segundo a Câmara de Leiria, as equipas de limpeza estão no terreno e vão tentar repor o mais rapidamente possível a normalidade na recolha de resíduos urbanos.

E face à situação atual do país, Luís Montenegro convocou um Conselho de Ministros extraordinário para amanhã.

O objetivo é analisar a situação de calamidade, as medidas de prevenção para os próximos dias e a recuperação das zonas afetadas pela depressão Cristina. A reunião vai realizar-se na residência oficial do Primeiro-Ministro, em São Bento. Está marcada pras 10h. Também este domingo à tarde está prevista uma reunião extraordinária da Comissão Nacional de Proteção Civil, que vai ser presidida pela Ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral.

E seguimos com Marcelo Rebelo de Sousa, que acredita que o Primeiro-Ministro está preocupado com as consequências da tempestade e foi por isso que convocou o Conselho de Ministros para amanhã.

O presidente da República considera que Luís Montenegro ficou com uma ideia mais clara do que se passa no terreno depois de ter visitado as regiões afetadas. O chefe de Estado deixou ainda um recado ao próximo presidente da República. Afirma que o novo inquilino de Belém vai ter um papel fundamental a desempenhar na sequência da calamidade deixada pela depressão Cristina.

Sendo um esforço nacional, é um esforço que explica porque é que o presidente e o governo e os autarcas neste momento têm a estar unidos e todos os partidos. O futuro presidente terá um papel muito importante a desempenhar, que é já daqui a 30 dias. Aqui a 30 dias.

Papel unificador.

Unificador, claro. E o governo no diálogo com a Assembleia.

Marcelo Rebelo de Sousa sublinha ainda a importância dos fundos europeus. Lembra que a situação nas zonas afetadas, no que toca à água e à eletricidade, não se vai resolver num dia.

E na Marinha Grande, há funcionários de empresas que estão 24 horas a guardar as instalações, António, para evitar pilhagens.

Isto, Vicente, porque têm medo dos eventuais roubos, uma vez que os edifícios ficaram sem portas e sem janelas. Paula Barreiro trabalha há 35 anos numa empresa na Marinha Grande. Explicou ao Observador como se revezam os colegas para tomar conta do espaço há vários dias.

Desde o primeiro dia que estou aqui, quando meus colegas chegarem pra dormir, eu vou-me embora pra casa.

Vocês estão a dividir, fazem...

Sim, sim, estamos a dividir. Durante o dia ajudam todos, incluído eu Chegam aqui às 22h os colegas para ficar à noite e eu vou-me embora para casa. Amanhã de manhã cá estarei, eu e mais alguns colegas para ajudar outra vez. À noite, depois vêm outros render. Por norma, têm sido os mesmos a ficar cá a noite. Mar banho não tomo desde o dia que houve a tempestade, só lavada com toalhetes. Não temos água nem temos luz em casa.

O testemunho de uma funcionária de uma empresa na Marinha Grande, entrevistada pela jornalista Marina Ferreira. Este é um trabalho que pode ler com mais detalhe no site do Observador.

Tempo ainda para falar na corrida a Belém. André Pestana vai apelar ao voto em António José Seguro na segunda volta das presidenciais para garantir a derrota de André Ventura.

O anúncio foi feito hoje pelo ex-candidato presidencial, que obteve 0,2% na primeira volta. André Pestana diz que a decisão foi tomada numa reunião da candidatura e justifica a escolha com a necessidade de travar um retrocesso vincado nos direitos dos trabalhadores jovens e reformados, e acrescenta: o voto em António José Seguro é um mal menor.

9h07 min, vamos também atualizar nesta edição das nove a informação de âmbito local.

E começamos na Baía do Seixal, que vai receber a prova de apuramento para a classe Optimist. É uma competição de vela que junta vários jovens atletas do distrito de Setúbal e do Vale do Tejo. A prova decorre nos dias 28 de fevereiro e 01 de março. Em Lisboa, mais de uma centena de pessoas manifestou-se hoje contra a construção de megacentrais fotovoltaicas na Beira Baixa. Em causa está o grande impacto na paisagem e na biodiversidade que as centrais teriam na região. Bruno Teixeira, um dos manifestantes, lamenta que em vez do planalto do Beirão, terá um mar de painéis para contemplar. O autocarro que liga Santarém à estação ferroviária de Rio Maior vai deixar de ser gratuito. A notícia é avançada pelo semanário O Mirante. O serviço passa a ser assegurado pela linha amarela e vermelha dos transportes urbanos de Santarém. De acordo com a Câmara Municipal, a medida é justificada pela forte adesão por parte dos utilizadores e tem início já na próxima segunda-feira. O Castelo de Santa Maria da Feira vai voltar a entrar em obra já este ano. A Câmara Municipal aprovou esta semana o projeto de conservação e preservação do edifício, num investimento a rondar os € 4 milhões. As intervenções no monumento vão implicar algumas restrições nas visitas durante os próximos dois anos. Há uma avenida em Matosinhos que vai entrar em obras na próxima segunda-feira. Estamos a falar da requalificação da Avenida Dom Afonso Henriques, que vai custar cerca de € 3 milhões. A intervenção vai decorrer em três fases, de forma a minimizar o impacto na mobilidade da cidade. Espera-se que esteja concluída em junho de 2027. Terminamos por Leiria, onde reabriram hoje dois centros de saúde, o Centro de Saúde de Gorjão Henriques e o de Arnaldo Sampaio, que voltaram a abrir portas depois da passagem da depressão Cristina. Está também disponível no balcão de atendimento da Câmara Municipal o serviço de ação social e de teleconsultas entre as 10h e as 17h30.

António José Seguro, regresso à antena da Rádio Observador quando forem 9h30. António, até já.

Até já, Vicente.