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Praça Dom João I. Oito da noite, na Rádio Observador. Temos notícias com edição do Miguel Cordeiro e em destaque, Luís Montenegro diz estar preocupado com ameaças feitas por um manifestante contra a casa do Primeiro-Ministro e da família.

Isto foi dito no final da cimeira do Conselho Europeu. Falou aos jornalistas. O primeiro-ministro alertou para a existência de um vídeo de uma manifestação onde é feita uma ameaça direta à casa de habitação do líder de governo. Luís Montenegro descreve o vídeo como preocupante e diz que apela à violência e à importação de conflitualidade que tem acontecido noutros países. A importação, neste caso, para Portugal. Pouco depois, o vídeo foi divulgado pelo Palácio de São Bento. Não se encontra nesta altura disponível. É possível ouvir um manifestante a ameaçar atacar a residência do primeiro-ministro com recurso a um tijolo e a incentivar à descoberta da morada de Luís Montenegro. O governo acredita que essas palavras foram proferidas durante esses protestos pela habitação. Luís Montenegro reafirma que compreende que as pessoas queiram respostas e sublinha que têm direito à indignação. Mostra-se preocupado com essas ameaças que surgiram nesse vídeo.

Luís Montenegro nega que tenha dito que havia egoísmo nos manifestantes pela habitação no Porto.

Assegura que não se mostrou contra os protestos, nem faltou ao respeito aos manifestantes. Disse isto também em Bruxelas.

Em algum momento eu disse que havia egoísmo dos manifestantes. E eu disse isto: em primeiro lugar, eu já tive ocasião de dizer, na semana passada, na Assembleia da República, que espero que os partidos políticos, movimentos associativos, organizações portuguesas, não caiam na tentação de, por razões meramente egoísticas da sua própria ação, importarem para Portugal climas de instabilidade, de contestação, que não têm, de fato, respaldo na sociedade portuguesa. Portanto, eu dirigi-me a partidos políticos, a movimentos associativos e organizações.

Luís Montenegro diz também que está solidário com os manifestantes.

Nós temos toda a compreensão para que as pessoas queiram respostas, queiram que essas respostas estejam à sua disposição e possam expressar a sua indignação sobre aquilo que, no entender delas, possam ser omissões das políticas ou um alinhamento menos condizente com as suas ideias.

Luís Montenegro, no final da reunião do Conselho Europeu.

No Porto, o Movimento pela Habitação quer voltar a montar tendas na Praça Dom João I, já amanhã.

Foi o que disse um dos porta-vozes deste movimento ao Observador. Foi também divulgado em comunicado: "Voltaremos, vamos permanecer no sábado, Praça Dom João I, meio-dia, apoio à manifestação da CGTP e às 19h, acampada". Para hoje, a organização deste protesto está a realizar uma vigília, também na Praça Dom João I. Lá está a repórter Laura Figueiredo. Laura, qual é o ambiente neste momento? Há pouco descrevias uma vigília bem mais pequena do que aquilo que aconteceu ontem.

Boa tarde, Miguel. Por aqui agora já estão, de facto, mais pessoas, algumas centenas, mas ainda assim, a praça está algo vazia, sobretudo quando comparada com a afluência de ontem. Há pouco, os manifestantes cantavam aqui o Grândola Vila Morena, acompanhados também por tambores. Entoavam também palavras de ordem, como: "25 de abril, sempre, fascismo nunca mais". E hoje, nesta altura, agora, se ouvem também aqui alguns discursos de alguns manifestantes que vão falando, vão deixando também críticas, sobretudo aos partidos de direita. Dar nota de que por aqui passou também há pouco Jorge Pinto, porta-voz do Livre, que deixou aos jornalistas críticas à Câmara do Porto e ao presidente Pedro Duarte. Acusou o autarca de ter responsabilidade no que aconteceu na madrugada de quinta-feira e deu também conta de que o Livre enviou já várias perguntas ao ministro da Administração Interna, Luís Neves, sobre a cadeia de comandos e o que apelida também como a violência gratuita e desproporcional da intervenção policial na manifestação. Para hoje, espera-se então um protesto mais calmo, com menos afluência. É essa, pelo menos, a expectativa dos manifestantes com quem fui falando e também dos porta-vozes do movimento. Isto porque, como dizias, para amanhã está agendada uma nova ação. Este movimento planeia voltar aqui à Praça Dom João I em força, novamente com tendas. Para hoje, o movimento diz que a prioridade é o trabalho de organização e preparação logística para amanhã, dia em que o movimento se vai também juntar à manifestação convocada pela CGTP. Por aqui continuam então os discursos de alguns manifestantes, que vão cativando aqui pessoas que se vão juntando, algumas que passam na rua e também curiosas vão se juntando. E aqui a multidão está a ficar algo maior, também ouvem-se críticas, como dizia, a alguns políticos, sobretudo de partidos de direita, mas o protesto hoje tem uma dimensão bem menor do que ontem. O Movimento pela Habitação diz estar a guardar-se para amanhã.

Vigília a ocorrer na Praça Dom João I, no Porto.

José Luís Carneiro diz que a prioridade do PS é resolver a crise da habitação e defende a passagem para um novo ciclo de medidas.

José Luís Carneiro defende uma nova ronda de medidas para travar a subida de preços Preços na habitação em Portugal. Deixe algumas linhas principais.

Por um lado, uma política de solos. Em segundo lugar, uma política fiscal. Em terceiro lugar, uma política de construção de habitação acessível em todo o país, que mobilize o Estado, as autarquias, as cooperativas, as associações de moradores, para respondermos às 380 mil casas que são necessárias hoje para que as famílias portuguesas, os jovens portugueses, possam emancipar-se o mais cedo possível.

José Luís Carneiro, em Fafe, está a participar numa conferência moderada por Marcos Mendes sobre a ambição de Portugal. Falou aos jornalistas à margem desse evento. Diz também, mais uma vez, que está solidário com as manifestações que estão a acontecer em Portugal, nomeadamente essa vigília que está, por exemplo, a decorrer nesta altura no Porto.

A PSP enviou uma participação para o Ministério Público devido à intervenção policial na manifestação pela habitação na madrugada desta quinta-feira no Porto.

Foi enviado o auto de notícia em que a PSP diz que descreve o que aconteceu antes, durante e após a carga policial. E foi enviado esse auto de notícia com também um registo videográfico dos incidentes, vídeo, imagens do que aconteceu. A PSP diz que foram recolhidas essas imagens pelas câmaras de videovigilância públicas colocadas na Praça Dom João I, onde aconteceu essa carga policial e onde estavam as tendas dos ativistas. De acordo com a PSP, as imagens vão permitir identificar várias pessoas por suspeitas de resistência, coação, agressão e injúrias.

Carlos Moedas acredita que a manifestação agendada para amanhã para Lisboa vai correr bem.

Falou hoje sobre este assunto. Diz que as manifestações são direito constitucional, mas espera que tudo corra bem em Lisboa.

Aquilo que eu pedia era calma, serenidade, para que a causa seja justa e para que a causa possa ter a sua razão sem haver desrespeito pela lei. E isso é muito importante que amanhã aconteça em Lisboa. E por isso é aquilo que eu peço. Espero que vá correr bem. Para ter uma ideia, nós temos 700 manifestações por ano em Lisboa. Damos autorização a todas essas, obviamente, elas são notificadas. As manifestações são um direito constitucional e portanto, é isso que nós fazemos todos os dias na nossa cidade. Amanhã será uma. Esta eu penso que é uma causa justa, que as pessoas têm razão.

Protesto a acontecer amanhã no Rossio, a partir das 17h. Mais cedo, começa uma manifestação geral da CGTP. Segue marcha lenta do Cais do Sodré das 14h30. Segue marcha lenta precisamente em direção ao Rossio, onde depois está previsto esse protesto pela habitação às 17h.

Miguel, vamos ainda a outras notícias em destaque a esta hora.

O antigo ministro Manuel Pinho ficou hoje em liberdade após quase cinco anos em prisão domiciliária. Informação avançada à Agência Lusa pelo Tribunal Central Criminal de Lisboa. Fica proibido o ex-governante de sair do país. O autor do ataque com um coquetel Molotov contra a Marcha Pró-Vida diz que quer ir para julgamento já. Decisão foi anunciada após o Ministério Público ter acusado Nelson Vassalo de 10 crimes, incluindo terrorismo e de tentativa de homicídio. Em comunicado, o advogado de Nelson Vassalo, Ricardo Sá Fernandes, diz que o arguido não vai pedir a abertura de instrução criminal e que quer seguir já para julgamento. A fechar. Donald Trump despediu mesmo a porta-voz da Casa Branca após cinco dias no cargo. O presidente norte-americano pediu a Katie Zacharia primeiro que reconsiderasse se queria permanecer no cargo, não por incompetência ou mau trabalho, mas sim por considerar que foi tratada de forma injusta depois da polêmica relacionada com o exercício do cargo de advogada. Donald Trump considera que a nova porta-voz não precisa de se sujeitar às dificuldades do cargo que ocupa. Convidou-a a reconsiderar a permanência no cargo, mas entretanto, o New York Times avança que foi mesmo despedida por Donald Trump.

Notícia de fecho do Jornal das Oito.