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Jornal das 10, edição de Miguel Gato e a começar com José Sócrates, que diz e afirma estar a ser julgado pela Justiça em forma de protesto. O antigo premiê-ministro acusa ainda o Ministério Público de não ter uma única prova contra ele no processo da Operação Marquês.
Sócrates considera, por isso, que a cobertura midiática sufocou apenas na troca de palavras entre o ex-governante e a juíza Susana Seca nos últimos cinco dias de julgamento. São declarações do antigo premiê-ministro em entrevista esta noite, na última hora, à CNN Portugal.
Fico com a sensação que a cobertura do julgamento teve mais a ver justamente com os traços do meu temperamento e das minhas divergências com a juíza do que propriamente com a substância do que lá se passou. O jornalismo também cobriu desta forma estes cinco dias, porque o que se passou nestes cinco dias foi que em duas das principais acusações, a questão da PT e a questão que diz respeito ao TGV, a verdade é que não ficou pedra sobre pedra. E a verdade é que o Ministério Público não apresentou um facto, um indício, uma prova que pudesse sustentar as infames acusações que faz. E foi por isso que não se falou de nada, porque é sempre melhor não falar de nada quando o Ministério Público nada tem para dizer.
José Sócrates diz estar a ser julgado em forma de protesto e volta, por isso, também a utilizar a tese do lapso de escrita para desvalorizar este julgamento.
Gostaria que se percebesse que eu estou neste julgamento sob protesto. Eu tenho ainda uma disputa judicial em curso, porque a verdade é que esta é a segunda vez que eu sou julgado. Não é a primeira, é a segunda, é o segundo julgamento. E este segundo julgamento existe por causa de um lapso de escrita, porque mudaram a acusação, mudaram o crime, mudou a moldura penal, mudou o prazo de prescrição e, portanto, os crimes que tinham sido já considerados prescritos voltaram de novo, por artes de magia.
E esse é o ponto essencial que neste momento tem com a Justiça portuguesa?
Esse é o ponto essencial, porque não é possível fazer uma coisa destas.
Alguns dos destaques da entrevista de José Sócrates esta noite na CNN Portugal, o antigo premiê-ministro é o principal arguido da Operação Marquês, está acusado de vinte e dois crimes, entre os quais três de corrupção passiva de titular de cargo político, treze de branqueamento de capitais e seis de fraude fiscal qualificada.
E ao lado de Luís Montenegro, Miguel Albuquerque anunciou um projeto de revisão constitucional para a Madeira.
O presidente regional entende que os madeirenses estão fartos de ser renegados pela República, na habitual festa do PSD no arquipélago, na Herdade de São da Lagoa, mas diz também que confia em Luís Montenegro para que as coisas mudem.
Vou liderar um grupo de trabalho para apresentar um projeto de revisão constitucional para finalmente a Madeira ter direito a um futuro de liberdade e desenvolvimento. A Constituição, as decisões do Tribunal Constitucional e um conjunto de palerrices da lei da República só servem para bloquear o nosso desenvolvimento. Agora é tempo do nosso premiê-ministro, o nosso presidente, uma terra social-democrata, ser tratada como deve. Somos portugueses de primeira, a República tem que assumir as suas responsabilidades para com a nossa região.
Miguel Albuquerque, aqui num som captado pela RTP, pede que a República passe das ações para os atos, para melhorar a vida dos madeirenses e também para atribuir mais poderes ao executivo regional. Da parte do premiê-ministro, foi dirigida a Miguel Albuquerque a promessa de trabalho numa nova lei de finanças regionais e também o fim da construção do Hospital Universitário do Funchal.
E o premiê-ministro aproveitou também o discurso esta tarde na Madeira para tecer críticas à oposição.
O líder do governo da AD diz que o executivo quer resolver os problemas das pessoas sem ligar ao ruído vindo da oposição.
Nós sabemos as dificuldades que as pessoas sentem, mas nós estamos no governo para resolver problemas. Nós não estamos no governo para nos distrairmos com aquilo que os outros andam a dizer, com aquilo que os outros andam permanentemente a tentar descobrir como perturbações, como fantasmas nas vidas de todos nós. Nós não temos fantasmas no nosso governo. Nós temos pessoas, nós temos problemas que queremos resolver.
Luís Montenegro rejeita eleitoralismos da Aliança Democrática em vésperas de eleições autárquicas. O premiê-ministro considera que a oposição devia elogiar medidas do governo, como por exemplo, o suplemento solidário para idosos anunciado no debate do Estado da Nação.
A oposição, em vez de saudar o governo por nós termos um equilíbrio nas nossas contas públicas e utilizarmos o resultado desse equilíbrio para ajudarmos aqueles que têm maior dificuldade, de criticarem o governo e de verem nisso uma intenção eleitoralista. Não, a intenção não é eleitoralista, a intenção é de justiça social.
Já sobre a imigração, Luís Montenegro acusa a oposição de não ter noção da realidade. É a resposta do premiê-ministro às críticas de José Luís Carneiro, que hoje assina um artigo no jornal Público a acusar o executivo da Aliança Democrática de se colar à agenda do Chega, em vez de se focar nos problemas da saúde e da habitação.
Agora são 10:06 e Paulo Raimundo quer falar com Marcelo Rebelo de Sousa sobre o estado do país.
O PCP vai propor uma audiência ao presidente da República para discutir a saúde, a habitação e outros temas. Esta última, a habitação, que segundo o secretário-geral comunista, se trata de um drama no país.
A gente está perante uma situação, um drama, que é o drama da habitação, é um drama. Se formos pela lei, há muita gente a incumprir a lei. Nós não resolvemos o problema da habitação Com o governo a continuar a apoiar, dar benesses, apoios, dinheiro àqueles que nos trouxeram à situação que temos hoje, que é a banca e os fundos imobiliários. Você já viu que todas as medidas para a habitação do governo têm sempre como intermediário a banca e os fundos imobiliários. Isso não vai lá, isso não vale a pena. E a segunda, ou há uma dinâmica forte de habitação, de uma política pública de habitação pública, ou então a gente não sabe.
À margem de uma reunião da Juventude Comunista Portuguesa, no Seixal, Paulo Raimundo realça que nenhum município consegue resolver sozinho os problemas da habitação. Lembra, por exemplo, o caso da demolição de barracas no Conselho de Loures. O secretário-geral comunista diz que é urgente que exista uma resposta pública a nível nacional, também no setor da saúde.
E uma carta aberta de antigos dirigentes do PAN pede uma avaliação da atual direção. Acusam Inês de Sousa Real de se desviar dos valores fundadores do partido.
Em causa uma carta com 35 signatários, entre os quais a antiga deputada Bebiana Cunha, mas também outros ex-dirigentes do PAN. Os subscritores acusam a atual direção de tomar decisões contrárias à gênese e aos princípios do partido. Escrevem que Inês de Sousa Real apenas está a assentar numa lógica de mera sobrevivência política. Os signatários apontam também para uma falta de estratégia e coerente para as autárquicas, sem linha ideológica definida por parte da atual direção. O PAN que, por exemplo, na autarquia de Sintra, vai avançar com o PSD e com a Iniciativa Liberal e também no Conselho de Faro, com estes dois partidos, juntamente com o CDS. Ontem, a Inês de Sousa Real foi confrontada com as demissões internas recentes no partido. A porta-voz do PAN considera que são pessoas que não estavam comprometidas.
Agora, Miguel, também no plano internacional, pelo menos 92 pessoas morreram este domingo na Faixa de Gaza enquanto esperavam por ajuda humanitária.
Dados do escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários. A instituição diz que as famílias em Gaza estão a enfrentar uma fome catastrófica e que as crianças estão a morrer à espera de ajuda humanitária. Nas últimas 24 horas, isto de acordo com a imprensa internacional, nomeadamente com a Al Jazeera, cerca de 130 pessoas foram mortas, quase 500 ficaram feridas, depois de ataques israelitas, incluindo estas 92 que esperavam por comida. Durante o dia, o Papa Leão XIV voltou a apelar ao fim da guerra em Gaza. Considera este conflito uma barbaridade. Depois de rezar a oração do Ângelus este domingo, o Papa pediu à comunidade internacional para que respeite o direito humanitário.
Miguel Gato, de volta às 10h30. Até já.
Até já.