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Muito boa noite. São 11 da noite, eu sou o José Rafael Lopes e começamos com uma notícia de há minutos. Morreu o presidente do Comitê Olímpico Português, José Manuel Constantino, tinha 74 anos. Morre no dia em que encerra os Jogos Olímpicos de Paris e também mais uma missão portuguesa. A notícia foi confirmada pelo Observador. José Manuel Constantino estava internado em Lisboa há já três dias, combatia uma doença prolongada. José Manuel Constantino era presidente do Comitê Olímpico de Portugal desde 26 de março de 2013. Antes, tinha sido presidente do IPDJ. Liderou a comitiva portuguesa que esteve em Paris. Ele próprio esteve na capital francesa, mas devido à doença, acabou por ser obrigado a regressar a Portugal. Entretanto, o Comitê Olímpico Português já confirmou a morte de José Manuel Constantino. Em comunicado, fala o Comitê Olímpico Português num grande pesar e num dia de tristeza para o desporto português. Esclarecem que José Manuel Constantino lutava há vários anos contra uma doença. Destacam ainda a tenacidade de José Manuel Constantino, presidente do Comitê Olímpico Português. Morreu esta noite, tinha 74 anos. Junta-se a nós a partir de Paris, onde está a acompanhar a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos, o presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, Jorge Vieira. As condições serão complicadas, até porque está em Paris, neste momento, a acompanhar a cerimônia de encerramento, mas que primeira reação fica e que memórias fica de José Manuel Constantino?
O nosso pesar, meu, naturalmente, mas também da modalidade que represento, e não tenho dúvidas que também todo o desporto lamenta este triste fim do nosso presidente do Comitê Olímpico de Portugal. Estranhamente, quase simbolicamente, ele termina a sua vida com o fecho destes Jogos Olímpicos. Como já foi referido, ele mostrou uma tenacidade extraordinária ao longo destes anos, com uma doença gravíssima. E ele tem se mantido sempre à frente do nosso Comitê Olímpico, a representar-nos e a lutar pelos nossos interesses, por mais apoios, por mais valores, por mais consideração. E neste momento terminam os Jogos e termina a vida dele. É algo de simbólico também que nos acontece neste momento, triste, mas com um simbolismo grande de alguém que lutou muito por tudo aquilo que é o desporto português. Naturalmente que em primeiro lugar, eu deixaria à família, à sua família pessoal, as nossas sentidas condolências, mas também ao movimento olímpico. O desporto deve-lhe muito. Foi alguém que durante muitos anos lutou pelo desporto português, nos representou ao mais alto nível, que com a sua capacidade intelectual, com a sua cultura, com o seu conhecimento do desporto, nos representou a todos e fez com que o desporto fosse mais considerado ao nível político, ao nível público, ao nível social, ao nível cultural. Deixa-nos um enorme legado e com certeza que será lembrado durante muitos anos por todos nós no desporto português.
E Jorge Vieira, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, falava nesse legado de José Manuel Constantino. Em que áreas deixou a maior marca?
Olha, o desporto, como todos nós, sobretudo no desporto, reconhecemos, e publicamente também se reconhece, e com o fim destes Jogos Olímpicos ou com o decorrer destes Jogos, e agora no seu término, todos nós reconhecemos o desporto como algo que vai muito para além daquilo que são os pequenos jogos, os resultados, a competição. Os jogos e o desporto são uma manifestação cultural ao mais alto nível. José Manuel Constantino foi alguém que conseguiu trazer para a ribalta, digamos assim, o valor do desporto, não só naquilo que por vezes se diz que é muito bom para a saúde, mas como algo que é fundamental para o desenvolvimento de uma sociedade ou das sociedades ao nível mundial. E nesse aspecto, ele deixou-nos, na realidade, um contributo, quer escrito, quer oral, nas suas intervenções, que certamente para nós são uma herança extraordinária e que todos devemos lembrar, todos devemos ler e reler, porque é, na realidade, a essência do desporto que ele soube defender na sua vida, até o fim da sua vida, porque foi alguém que, até aqui em Paris, ele esteve com uma grande lucidez ainda, já com um grande sofrimento físico, mas com uma grande lucidez. Ele aqui ainda em Paris, conseguiu passar precisamente essa mensagem a todos os atletas, treinadores, dirigentes que aqui estavam. É alguém que nos vai deixar uma grande saudade, mas não tenho dúvidas, um grande legado para as gerações futuras, dirigentes, treinadores e de atletas. Não tenho qualquer dúvida sobre isto e é isso que eu gostaria de deixar de uma forma clara, expressa aqui nestas palavras.
Jorge Vieira, muito obrigado pelo seu contributo, pelas suas palavras aqui na Rádio Observador, após ser conhecida a morte de José Manuel Constantino, presidente do Comitê Olímpico Português. Também neste jornal, junta-se a nós o presidente da Federação Portuguesa de Natação, António José Silva. António José Silva, que está também em Paris a acompanhar esta cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos. E é precisamente por aí, António José Silva, que vou começar. O simbolismo de José Manuel Constantino falecer no dia do encerramento de mais uma missão olímpica portuguesa e uma das mais bem-sucedidas.
Boa noite a todos. Houve muita consternação que sou chamado a intervir neste momento de dor. Condolências à família, quer em termos pessoais, quer em termos institucionais, em nome da federação que represento, em nome da família da natação portuguesa. José Manuel Constantino, além de um grande amigo pessoal, era uma pessoa de uma elevada estrutura intelectual, que pensava o desporto, que sentia o desporto, que amava o desporto e que fazia concretizar o desporto. E eu acho que não há coincidências e acho que o simbolismo do seu falecimento no dia do encerramento dos Jogos, diz muito daquilo que é o seu espírito de resiliência, o seu espírito de superação. Aliás, aquilo que são os valores do desporto, que ele até à última hora conseguiu levar, com grande sofrimento, mas levando água ao seu moinho, acabando a representação olímpica dos Jogos de Paris 2024, com a sua presença e com a sua atitude. Isso deixa um legado muito importante para o desporto, um legado de superação, um legado da valorização social do desporto, para além da alta prestação desportiva. E este é o José Manuel Constantino que todos conhecemos, que todos admiramos e que todos amamos.
António José Silva, que memória fica guardada na memória de José Manuel Constantino?
Uma pessoa com uma capacidade de antecipação e de superação enormes, uma pessoa que conseguia e que conseguiu congregar em si aquilo que são os ideais olímpicos, o ideal da superação, o ideal da resiliência e o ideal do resultado. E todos nós temos de estar gratos ao legado que ele deixa ao desporto nacional. Todos nós temos de estar gratos à forma como pensou o desporto nacional e todos nós temos de estar gratos à forma como conseguiu congregar numa mesma organização os esforços para que a missão olímpica e o desígnio olímpico fossem levados até às suas últimas consequências. E isso é a memória que eu deixo para além das memórias pessoais de uma grande amizade e de uma grande relação pessoal.
Qual é o legado de José Manuel Constantino e o que é que vai sentir mais falta?
Das conversas. Muitas conversas que tinha com o José Manuel Constantino, conversas pessoais para além do desporto, que incluíam o desporto, de uma dimensão cultural muito abrangente e que nos faziam pensar num futuro baseado em factos do presente, mas que atingiu uma dimensionalidade que ultrapassava muito mais do que aquilo que era a esfera desportiva. Portanto, para além da questão desportiva, para além da questão da presidência de uma organização desportiva, das várias organizações de desporto a nível nacional pelos quais passou, uma grande relação de amizade e é essa a falta que vai fazer o José Manuel Constantino. As conversas, os encontros, as tertúlias e os pensamentos.
Como fica o COP após saber esta notícia da morte de José Manuel Constantino?
Fica muito mais pobre. O COP fica muito mais pobre, o Comitê Olímpico de Portugal fica muito mais pobre e agora há que pensar no futuro.
José Manuel Constantino era uma pessoa próxima dos atletas, olhando muito para a federação que lidera?
José Manuel Constantino era uma pessoa muito próxima do movimento desportivo, dos dirigentes, dos atletas, de todos aqueles que corporizavam aquilo que é o setor desportivo. Era um amigo do desporto, era um senhor do desporto e era uma das poucas pessoas que pensava o desporto na sua multidimensionalidade. Deixa-nos muita saudade, vai nos deixar muita saudade e vai ser muito difícil alguém com a dimensão cultural, intelectual e pessoal do José Manuel Constantino aparecer na cena do desporto nacional e liderar uma organização como o Comitê Olímpico de Portugal.
O António José Silva está neste momento na cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Paris. Eu gostava de o questionar: o que é que lhe disse José Manuel Constantino antes do início dos Jogos?
Disse muita coisa. Inclusive durante os Jogos trocamos mensagens relativamente à questão dos Jogos, mas acima de tudo, disse-me que estava disponível para cumprir o seu desígnio. Foi a última vez que falei com ele, foram as últimas palavras que troquei com ele, as últimas mensagens que troquei com ele.
António José Silva, muito obrigado pelo contributo que deu neste jornal da Rádio Observador.
Muito obrigado vocês.
Um bom resto de cerimónia de encerramento. As palavras de António José Silva, presidente da Federação Portuguesa de Natação. Ouvimos também Jorge Vieira, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, no dia em que morreu José Manuel Constantino, presidente do Comitê Olímpico Português. Morreu no dia em que termina mais uma missão olímpica de Portugal. A melhor em termos de resultados. Portugal trouxe para casa quatro medalhas, uma de ouro, duas de prata e uma de bronze. José Manuel Constantino tinha 74 anos. Avançamos neste jornal, aqui na Rádio Observador, olhar para outras notícias que estão a marcar a atualidade. O PCP continua a estar do lado de Nicolás Maduro, apesar do Partido Comunista da Venezuela se ter afastado do governo do país. Os comunistas portugueses insistem em reconhecer Nicolás Maduro como vencedor das eleições na Venezuela. Isto numa altura em que o Partido Comunista do país não o faz. É uma polêmica entre partidos irmãos que teve uma escalada após a saída da última edição do jornal Avante. O tema é abordado no jornal oficial do partido, através de uma entrevista ao ex-deputado João Pimenta Lopes, ele que foi convidado a observar as eleições in loco pelo partido de Nicolás Maduro, na Venezuela. O relato do ex-deputado fala em transparência, tranquilidade e na ausência de casos durante toda a eleição. Um cenário bem diferente do que é apontado por outras forças que estiveram presentes e fizeram a análise dos resultados. Aqui na Rádio Observador, o editor de política do Observador fala numa entrevista de João Pimenta Lopes que apresenta uma realidade alternativa. Rui Pedro Antunes explica o contexto desta entrevista de João Pimenta Lopes ao jornal Avante. Fala numa tomada de posição por parte do Comitê Central do PCP, que afasta ainda os comunistas portugueses dos comunistas da Venezuela.
Mais do que nunca, há esse corte com o partido irmão. Há um ano as coisas não estavam assim e até, excelentes relações destes partidos desde o tempo de Álvaro Cunhal, relações históricas, e parece-me aqui que o PCP tinha que optar por um dos lados: ou Nicolás Maduro ou os comunistas da Venezuela. Optou por Nicolás Maduro. A grande posição oficial, podemos dizer, do PCP acaba por ser essa entrevista de Pimenta Lopes, em que o antigo eurodeputado e membro do Comitê Central, no fundo, vai explicando aquilo que viu, porque foi a convite do partido Nicolás Maduro à Venezuela. E aí é que é uma visão, podemos chamar assim, alternativa. Alternativa ao quê? Àquilo que têm sido os relatos da imprensa internacional.
Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador, a explicar as críticas de João Pimenta Lopes. O ex-eurodeputado do PCP esteve a acompanhar as eleições na Venezuela, de onde trouxe um relato de normalidade no país da América do Sul. Neste jornal, olhamos ainda para a atualidade internacional. Joe Biden diz que desistiu da corrida à Casa Branca para não ser uma distração para o Partido Democrata. Garantia dada em entrevista à CBS, a primeira desde que saiu de cena na corrida eleitoral nos Estados Unidos. Joe Biden assegura que a saúde não teve impacto na decisão de desistir. O ainda presidente norte-americano sublinha que o mais importante neste momento é que os democratas consigam derrotar Donald Trump.
As sondagens mostraram que ia ser uma corrida renhida, ia ser até à última. Havia pessoas próximas de mim que me disseram que se eu ficasse na corrida, ia prejudicar o partido. Eu fiquei com receio de me tornar numa distração. Pensei muito e apercebi-me que o mais importante é continuar a liderar este país. É uma missão que levo muito a sério. Não é brincadeira. Por isso é que defendo que temos de derrotar Donald Trump.
A explicação de Joe Biden sobre o motivo de ter desistido da corrida à Casa Branca. Esta é a primeira entrevista do ainda presidente dos Estados Unidos após ter anunciado a decisão. Tempo agora para as informações de âmbito local. Entre segunda e terça-feira, os trabalhadores da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto vão estar em greve. De acordo com o comunicado do Sindicato dos Transportes Rodoviários Urbanos do Norte, estão assegurados os serviços mínimos, mas que são bastante menos do que os habituais. Esta é a segunda greve da STCP em menos de um mês. Em causa está a falta de revisões salariais. Em Sintra, alguns turistas cortaram um sobreiro classificado como interesse público. De acordo com o Grupo dos Amigos das Árvores de Sintra, os turistas terão sido incentivados a levarem pedaços do sobreiro como recordação. O caso foi denunciado e o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas vai vender a árvore monumental para evitar novos atos de vandalismo. No Seixal, as noites vão encher-se de jazz em outubro. Acontecem no Auditório Municipal do Fórum Cultural seis concertos que se inserem na 25ª edição do Festival Internacional Seixa Jazz. Vão subir ao palco artistas nacionais e internacionais. Os bilhetes têm um custo de €12. O centro histórico de Santarém vai voltar a acolher a iniciativa In Estátuas. São 20 estátuas espalhadas pela cidade e que se tornam uma exposição viva para os olhos de milhares de pessoas. Entre as estátuas representadas, existem algumas figuras da história de Portugal. São elas Eça de Queirós, Dom João V e também Fernando Pessoa. Falta menos de um mês em São João da Madeira para começar a grande Festa do Gin. Decorre na Praça Luís Ribeiro, este ano com o tema rock'n'roll. José Cid vai ser o cabeça de cartaz desta Festa do Gin em São João da Madeira. Fechamos em Pombal. Arrancam esta semana as Festas do Lorissal. São organizadas pela Junta de Freguesia e pela Associação de Critérios e Tradições. Os festejos arrancam esta quarta-feira com a tradicional sessão solene e a ruada. É a notícia de fecho na Rádio Observador. A informação está de regresso às 11h30.