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Rádio Observador. Começa agora o Jornal das 11, edição do jornalista Martim Madeira, e começamos pelo internacional, notícia de última hora: os Estados Unidos atacam o Irão em legítima defesa.
Uma informação dada pelo Centro de Comandos dos Estados Unidos, através de uma publicação na rede social X, fala de um ataque em legítima defesa. Um ataque que surge depois de Donald Trump ter responsabilizado o Irão de ter abatido um helicóptero Apache norte-americano. Trump, inclusivamente, prometeu retaliar e já o fez. No entanto, o Irão desmentiu e disse que não realizou qualquer operação militar aérea no estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, portanto, não poderia ter sido o Irão a mandar abaixo este helicóptero Apache norte-americano, é o que diz o Irão através da Reuters, e ameaçou também responder de forma proporcional a um possível ataque dos Estados Unidos, caso ele acontecesse. Entretanto, já aconteceu. Conosco temos o tenente-general Marco Serronha. Olá, boa noite, bem-vindo à Rádio Observador.
Olá, boa noite.
Os Estados Unidos alegam um ataque em legítima defesa. O Irão diz que não atacou ninguém. Temos muita contrainformação. Nos últimos dias tínhamos o presidente norte-americano a dizer que um acordo estava pra breve, mas agora, com as hostilidades novamente ativas, o jogo vira um bocadinho.
Eu espero que não, que isto seja, de facto, uma reação dos Estados Unidos, naturalmente, à queda do helicóptero, sobre isso não há dúvida nenhuma, porque houve uma operação de resgate sobre os dois pilotos que estavam dentro do helicóptero e que sobreviveram à queda do helicóptero, ao que parece, até sem grandes ferimentos. Mas há informações que o helicóptero tenha sido atingido por um impacto direto de um drone. O Irão diz que não, mas a circunstância é que o helicóptero caiu atingido por um sistema qualquer que o fez cair, naturalmente. Também já foi lido em algumas notícias, há especialistas americanos que eu não digo que ponham em dúvida que aquilo foi de propósito. Porque normalmente não é o mais utilizado para atingir helicópteros em voo, naturalmente. Não são drones, mas pode se aperceber, de facto, da trajetória de um helicóptero, o drone é guiado, naturalmente, e pode fazer a aquisição do alvo e dirigir-se pra o alvo, embora não seja muito vulgar este tipo de ação, naturalmente. O que eu sei é que aconteceu e caiu, e os Estados Unidos viram-se, de facto, na necessidade de fazer uma retaliação, necessariamente limitada a um ataque a três sítios no sul do Irão. Ao que tudo indica, e pela informação que temos visto na Al Jazeera, poderá ter sido infraestruturas ou fábricas associadas ao fabrico de drones. E, portanto, um ataque de natureza limitada, mas que foi feito. Mas agora, de facto, há esta comunicação do Irão que poderá retaliar a isto, visto que o primeiro ataque não foi da sua responsabilidade e, portanto, considera isto não uma legítima defesa dos Estados Unidos, mas um ataque dos Estados Unidos.
Mas isto pode mudar o rumo das negociações?
Não. Nós temos visto isto praticamente, nos últimos três ou quatro dias não tanto, mas já vimos muitas vezes nas últimas três semanas, estas operações dos Estados Unidos contra plataformas de lançamento de drones e o Irão a atacar navios e alguns sistemas dos Estados Unidos também, como sabemos, lançamento navios militares que estão ali perto do estreito de Ormuz. E, portanto, houve sempre estes ataques de natureza limitada dos dois lados. O resto é, de algum modo, tentarem marcar aquilo que é o seu domínio relativamente às áreas e às missões que têm. Do lado do Irão, controlar o estreito, que diz que são águas territoriais, que sabemos que não são pela lei internacional. Do lado dos Estados Unidos, controlar a zona de embargo e onde eles têm montado o dispositivo de embargo aos navios iranianos, aliás, aos portos, pra impedir os navios comerciais e de petróleo que possam de algum modo entrar para os portos. Portanto, isto tem sido visto e não foi por aí que veio alguma escalada de especial. Vamos ver esta, também estamos, como diz Donald Trump, a caminho de um acordo. Não sabemos se estamos ou não. O que é certo é que, e isso é verdade, tem havido, de facto, negociações entre as duas partes com mediação de diversos atores, nomeadamente o Paquistão, portanto, há trabalho diplomático em curso. Se vamos ter boas soluções sob o ponto de vista de haver um memorando de entendimento para um cessar-fogo de 60 dias, conforme foi anunciado, não sabemos que as posições estão relativamente extremadas. Os Estados Unidos não abdicam da questão de ver nesse documento uma renúncia do Irão a possuir armas nucleares. O Irão diz que não quer meter isso nesta parte do memorando pra ser discutida a posteriori. E depois temos a questão da abertura do estreito de Ormuz, que ainda não se percebeu bem se o Irão está na disponibilidade de o abrir completamente, se o abre só de forma a continuar a cobrar taxas conforme tem feito até agora, como sabemos. Portanto, está tudo muito em aberto. E depois também umas declarações relativamente fora deste contexto do Donald Trump também hoje, a dizer que dentro de duas semanas vai ter uma vitória retumbante sobre o Irão. O que também está um bocado em contraciclo com o que ele disse neste mesmo dia de hoje relativamente a ter um acordo nos próximos dois dias.
Mas até falo sobre Donald Trump e eu queria lhe perguntar: nos últimos dias, Trump deu raspadetes a Netanyahu por continuar a realizar ataques e disse mesmo que o primeiro-ministro israelita estava a estragar as possibilidades de um acordo, ameaçou deixar Israel sozinha caso os ataques continuassem, mas agora faz um ataque destes em retaliação. Não é uma contradição?
Eu julgo que aqui é conveniente sob o ponto de vista da perceção dos dois teatros de operações que se poderá ter que separar. É evidente sob o ponto de vista da razão de base, Israel também justifica as suas operações no Líbano para fazer face àquilo que têm sido os ataques do Hezbollah e, de algum modo, diminuir a área de implantação do Hezbollah na zona sul do Líbano, e já uma parte da zona centro e leste, no sentido de não atingir Israel de forma mais fácil ou pelo menos se disparar contra Israel, dar mais tempo a Israel para detetar os mísseis e os rockets e de algum modo fazer-lhes face. Sob o ponto de vista da narrativa, são exatamente as mesmas. São sempre em legítima defesa. É evidente, sabemos que do lado de Israel, de facto, as operações têm tido é uma dimensão completamente diferente do que estes ataques e contra-ataques do Irão e dos Estados Unidos, que são coisas perfeitamente limitadas, que acontecem num curto espaço de tempo, as operações de bombardeamento e sob objetivos muito limitados. No caso de Israel, também havia a questão de Beirute, que era uma questão que foi uma linha vermelha que foi traçada por Putin, quando pediu a Benjamin Netanyahu para não atacar Beirute. Benjamin Netanyahu atacou um bairro fora de Beirute, mas na periferia de Beirute, que é o bairro onde está instalada uma boa parte da liderança do Hezbollah. Tudo isto é muito poroso, estas marcações destas linhas. Não há dúvida que Donald Trump fez, e ele próprio depois, não sabemos exatamente o que se passou no telefone, mas ele depois veio confirmar uma série de coisas numa entrevista à CBS, como sabemos. Isso terá sido uma realidade. Se isso tem algum grau de efeito específico em Netanyahu, não sabemos. O que é certo é que Netanyahu e o Irão pararam a resposta e contra-resposta, que poderia levar a uma escalada mais grave. E isso foi parado. As operações no Líbano continuam a decorrer no sul, ainda hoje Israel atacou Tiro. Diz que é as respostas, de facto, do Hezbollah, e também tem algum grau de razão, que o próprio presidente libanês também criticou hoje o Hezbollah porque não estando dentro do cessar-fogo, tentou provocar também-
Tenente-general Marcos Mourinha, só para terminar muito rapidamente, era só para nos cingirmos mesmo a este ponto deste ataque dos Estados Unidos, queria só uma resposta rápida e concisa. Não implica nada em termos de negociações?
Não, eu julgo que não. As negociações estão a decorrer e não é isto que vai afetar as negociações. É evidente que cria algum burburinho, reações do ministro das Relações Estrangeiras, que é quem lidera as negociações. Nesse sentido, é barulho, mas que não vai prejudicar as negociações, eu julgo que não. Não é isso que vai prejudicar as negociações, atenção. É de facto as posições relativamente antagônicas das duas partes. Essas é que sim, podem prejudicar as negociações.
Obrigado, tenente-general Marcos Mourinha, por esta participação neste jornal das 11. Obrigado, agradeço imenso pela análise. Boa noite.
Obrigado também. Boa noite.
Aqui o tenente-general Marcos Mourinha a analisar este ataque dos Estados Unidos em legítima defesa.
E na política nacional, o PS anuncia que vai votar contra a autorização legislativa pedida pelo governo para criar a prestação social única.
A prestação que deve substituir 13 prestações sociais não contributivas, o governo pede ao Parlamento uma autorização para legislar sobre esta matéria, que é de competência exclusiva da Assembleia. O líder parlamentar socialista enviou uma carta ao ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, em que afirma que o pedido de autorização contempla opções que se afastam dos valores do Estado Social, defendidos pelo Partido Socialista, pelo que não resta outra opção ao PS senão chumbar este pedido. Ainda assim, na carta, Eurico Brilhante Dias manifesta a disponibilidade para aprovar a prestação social única, desde que o governo recue na autorização legislativa e antes apresente uma proposta de lei na Assembleia da República.
E o CHEGA também já anunciou que vai votar contra. O mesmo desfecho deve ter o diploma das alterações ao Código do Trabalho.
André Ventura insiste nas duas condições para dar luz verde, baixar a idade da reforma e fixar um valor máximo das pensões a pagar.
Tudo isso agora está do lado do governo. Se o governo decidir voltar atrás e fazer o caminho que achamos que deve ser feito, obviamente, como sempre dissemos, o caminho está aqui e há caminho para ser feito. Até agora o governo não tem dado mostras dessa tolerância, tem dado mostras de intolerância, tem dado mostras de querer a todo o custo levar isto à votação, estando isto mal feito e prejudicando quem trabalha.
Aqui André Ventura a dizer que vai, em princípio, votar contra esta proposta da legislação da prestação social única e também pode haver uma probabilidade de votar contra a proposta da legislação laboral.
Seguimos com as notícias agora no desporto. Há novidades sobre o Real Madrid, sobre Mourinho.
O Benfica anuncia a saída de José Mourinho para o Real Madrid. O Benfica SAD emitiu um comunicado à Comissão do Mercado de Valores Imobiliários a formalizar os interesses dos Merengues no treinador. O Real Madrid paga assim os 15 milhões de euros, valor correspondente à cláusula de rescisão do contrato de trabalho de Mourinho. Termina assim a segunda passagem do Special One pelo comando técnico dos encarnados. E logo a seguir, o Benfica anuncia Marcos Silva como o novo treinador das águias. A SAD benfiquista confirma que o técnico português vai assinar um contrato para as próximas duas temporadas.
E agora são 11h12, vamos ao noticiário local, Martim.
Começamos em Lisboa. A PSP da estação do Metrô do Marquês de Pombal foi temporariamente transferida para a estação das Laranjeiras. Estão a decorrer trabalhos de remodelação nas instalações da esquadra da PSP. A mudança deve durar cerca de um ano, tempo que dura a intervenção na antiga esquadra. O Metrô do Porto confirmou hoje que vai reforçar a Linha Azul para o Festival Primavera Sound, que decorre na zona do Queimódromo nas noites de quinta, sexta e sábado. O horário vai até às 14h30 nos dois sentidos nos trajetos do Senhor dos Matosinhos-Trindade. No domingo, o Metrô funciona até à 1h. A Câmara de Sesimbra vai disponibilizar um vai e vem gratuito entre a Rotunda do Moagem de Sampaio e o Terminal Rodoviário de Sesimbra. A medida entra em vigor já este sábado, dia 13, e prolonga-se até setembro. Em junho e em setembro vão estar também disponíveis 32 circulações por dia. Já do dia 1 de julho a 31 de agosto há um reforço dos horários com 48 circulações por dia. Em Estarreja, os acessos à área de serviços de Antuan da Autoestrada número 1, no sentido sul-norte, vão estar encerrados temporariamente na madrugada de sexta-feira. Segundo a Brisa, o encerramento vai decorrer entre a meia-noite e às 5h. Os trabalhos acontecem devido à instalação de um novo posto de transformação e mais quatro novos postos de carregamento de carros elétricos na área de serviço. O município de Santarém vai investir quase 700 mil € nos clubes e associações do Conselho. O anúncio foi feito na Feira Nacional de Agricultura. Os apoios financiam a formação de jovens atletas, a atividade regular dos clubes e a organização de eventos desportivos ao longo do ano. Do total, quase meio milhão de euros são destinados à formação desportiva e 200 mil à realização de eventos e competições. Terminamos em Leiria. A Comunidade Intermunicipal da Região e a Aricop assinaram protocolo de cooperação para apoiar a execução do plano para habitação acessível. A parceria visa envolver empresas do setor da construção que preveem a criação de 300 a 500 fogos de habitação acessível nos 10 municípios de Leiria. O protocolo é válido por cinco anos com renovação automática.
E é assim que fechamos o jornal das 11, edição do jornalista Martim Madeira. Logo a seguir ao jornal temos Aprender a Comer. É daqui a pouco. Até já.
Até já