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Duas horas. As notícias com Miguel Pina Andrade.
O prazo para a correção dos exames nacionais já terminou, mas ainda há professores que vão classificar exames esta quinta-feira. A publicação das notas está prevista para o dia seguinte, na sexta-feira, de acordo com o Movimento Escola Pública, em declarações à Lusa. Há professores que receberam, nesta quarta-feira à noite, itens para a correção. Cristina Mota, porta-voz do movimento, coloca a hipótese de as pautas divulgadas sexta-feira não conterem todas as classificações. Apesar dos problemas com a correção dos exames, Hugo Soares defende que o método de classificação digital é uma mudança positiva para os professores e alunos. O líder parlamentar do PSD sai em defesa do Ministério da Educação e afirma que a grande maioria dos professores está a favor desta mudança.
A esmagadora maioria dos professores estão de acordo. Esta é uma mudança que eu não tenho dúvida, é boa para o sistema educativo e para os alunos. É mais justa, mais equitativa e é melhor para os professores, como de resto, repito, os professores consideram.
Sobre o ministro da Educação ter afirmado que o método devia ter sido introduzido de uma forma gradual, Hugo Soares admite as dificuldades, mas reforça que é uma transformação para melhor.
Quando se faz uma transformação desta monta, deste tamanho, há sempre dificuldades. Sim, nem tudo correu bem. Sim, estamos a mudar para melhor. Eu tenho dito, quero aqui repetir. Ouça, se fosse para deixar tudo na mesma, deixem governar o Partido Socialista, eles são ótimos nisso. Nós viemos mesmo para mudar. As mudanças têm resistências, como disse o senhor primeiro-ministro? Claro que têm. Trazem dificuldades? Trazem. Eu ainda não vi ninguém dizer no espaço público que esta mudança é para pior.
Hugo Soares à SIC Notícias sobre os problemas na classificação digital dos exames nacionais. O Ministério da Educação garantiu que as notas dos exames vão ser publicadas na sexta-feira, dia em que está marcado um debate de urgência sobre este assunto no Parlamento. O secretário-geral do PS diz que se até sexta-feira os alunos não tiverem as notas dos exames nacionais, o partido vai avançar para uma comissão parlamentar de inquérito. Garantia deixada por José Luís Carneiro, que insiste nas críticas ao governo na polêmica da correção dos exames nacionais. O secretário-geral do PS diz que o futuro de milhares de jovens está em risco e que está exposta a incapacidade do governo em gerir o processo da correção dos exames. Agora, José Luís Carneiro diz que essa é a data limite para evitar uma comissão de inquérito.
Se na sexta-feira houver falhas e se mantenham as falhas, é muito provável que a nossa decisão, vou ouvir os órgãos do Partido Socialista, vou ouvi-los, aliás, no decurso das próximas horas, quer o Secretariado Nacional, quer a Comissão Política Nacional, é provável que o PS venha a acompanhar a iniciativa de uma comissão de inquérito.
José Luís Carneiro, que diz que tem recebido muitas queixas de professores, acusa o ministro da Educação de querer atirar a responsabilização para os docentes. Já sobre o ministro da Administração Interna, o líder socialista diz que Luís Neves deve explicações aos portugueses. Em causa está a polêmica em torno do monte do ministro em São Teotónio, em Odemira. Luís Neves divulgou as faturas das obras, mas continua sem mostrar os comprovativos de pagamento, situação que leva José Luís Carneiro a pedir mais explicações.
Ele, mais do que qualquer outra pessoa, sabe da importância do escrutínio democrático para quem desempenha funções de natureza política e da importância que tem esclarecer todas as questões que há a esclarecer. É isso que eu espero que ele venha a fazer.
A exigência de José Luís Carneiro, Luís Neves, ministro da Administração Interna, em entrevista à CNN Portugal. O líder do PS não deixou de fora do discurso as sondagens, cujos dados revelam que dois terços do eleitorado que está desencantado com a AD, diz estar disponível para votar no PS, mas apenas para dizer que não tem pressa, apesar de o país não poder perder tempo. O antigo líder do PSD, Rui Rio, acusou o atual governo de não ter coragem nem vontade para fazer reformas que considera urgentes, desde logo no sistema político e também na Justiça. O antigo presidente dos sociais-democratas esteve numa conferência em Bragança sobre reformar o regime e o retrato da crise do regime democrático. Aos jornalistas, Rui Rio afirma que a classe política não faz reformas porque tem medo de ir contra os interesses instalados.
Muito difícil fazer reformas e a própria classe política, chamemos assim, não gosto muito de dizer desta maneira, mas enfim, não tem tido a vontade e a coragem de as fazer. Não tem tido coragem porque tem medo também de fazer essas reformas e de mexer com interesses instalados. Porque quando se mexe com interesses instalados, obviamente que há tumultos e há problemas, porque os benefícios de uma reforma aparecem uns anos depois, mas a contestação aparece logo no momento. A verdade é que as coisas se vão desatualizando.
E é por isso que o antigo presidente do PSD, Rui Rio, defende reformas urgentes no sistema político, na Justiça e no próprio Estado.
É fundamental uma reforma do sistema político, é absolutamente vital uma reforma da Justiça, é fundamental uma reforma do Estado, seja na vertente da forma como gerimos o Estado e os organismos públicos, que cada vez funcionam pior, seja na forma como governamos o Estado, ou seja, muito centralizado, precisando nós de descentralizar, de desconcentrar, quiçá até de regionalizar, mas pelo menos descentralizar, desconcentrar.
Rui Rio diz que o medo de fazer reformas não é apenas deste governo, também será dos próximos, e acusa o Ministério Público e a Polícia Judiciária de não estarem a fazer o suficiente para combater a corrupção O governador do Banco de Portugal recusa que o crescimento econômico do país tenha sido um milagre. Em entrevista ao Observador, Álvaro Santos Pereira lembra que o crescimento da economia portuguesa foi alcançado depois de um período complicado e que antes da crise financeira, o país esteve quase 20 anos quase sem crescer. Para manter a tendência, Álvaro Santos Pereira diz que são necessárias reformas e coragem também para as pôr em prática. O governador do Banco de Portugal diz que um crescimento de cerca de 2% deve ser considerado como moderado e que é sinal de melhoria. Ainda assim, contém os entusiasmos e recusa falar de milagres.
Antes da crise financeira, nós tivemos quase 20 anos quase sem crescer, crescer bem abaixo de 1%, e isso nos levou onde nos levou. Nós, neste momento, com crescimentos de cerca de 2%, crescimentos totais, estamos a falar de uma economia que claramente está bem melhor do que estava nos anos após termos aderido ao euro. Esses anos até à crise financeira e um pouco depois. Quer isso dizer que somos um milagre econômico? Não, não somos. Nós estamos com uma economia a crescer de uma forma moderada. Nós precisamos crescer mais. Para crescermos mais, precisamos de reformas.
Nesta entrevista ao Observador, diz ainda que um novo debate sobre a reforma laboral não seria negativo. Álvaro Santos Pereira assegura que não é o único a pedir flexibilidade.
Eu já há muitos anos que defendo isso e, aliás, a OCD faz a mesma coisa e vários bancos centrais falam sobre essa matéria. Eu defendo um modelo de flexissegurança, ou seja, eu defendo que tem que haver maior flexibilidade, mas protegendo mais o trabalhador. Ou seja, dá-se mais flexibilidade no posto de trabalho, mas protege-se mais o trabalhador. É isto que foi feito há uns anos, há mais de 20 anos, na Suécia, na Dinamarca e outros países.
Álvaro Santos Pereira, entrevista no Sob Escuta da Rádio Observador, na manchete a esta hora no site do Observador. No Médio Oriente, os Estados Unidos lançaram uma segunda vaga de bombardeamentos contra o Irão, naquele que é o quinto dia de ataques. Estes ataques visam as capacidades militares iranianas, que segundo Washington, estão a ser utilizadas para ameaçar os navios que transitam pelo estreito de Ormuz. O Comando Central dos Estados Unidos adianta que a ofensiva começou às 20h desta quarta-feira, hora de Lisboa, e os bombardeamentos visam degradar a capacidade de Teerão de comprometer a navegação no estreito. Os ataques norte-americanos fazem parte de uma ofensiva retomada no passado fim de semana, depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter terminado o cessar-fogo com Teerão. No Mundial de Futebol, a Argentina está de novo na final. Venceu a Inglaterra por 2 x 1 no jogo da meia-final. A Inglaterra até marcou primeiro, por Anthony Gordon, mas aos 85 e aos 92 minutos, Enzo Fernández e Lautaro Martínez fizeram a reviravolta no marcador, ambos assistidos por Lionel Messi. A final do Campeonato do Mundo está marcada para domingo, às 20h. É o ponto final neste jornal das 2 da manhã. A informação está de regresso à Rádio Observador às 14h30. Até já.