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As notícias com Maria João Brás.

Boa noite. O anúncio da candidatura de Henrique Gouveia e Melo à Presidência da República não está a ser bem acolhido. A razão? O timing. A quatro dias das eleições legislativas, os partidos com assento parlamentar acusam o almirante de procurar protagonismo. Rui Rocha, líder da Iniciativa Liberal, fala no mau começo.

Creio que houve uma referência do candidato Gouveia e Melo ao facto de não querer ser protagonista, mas parece-me um mau princípio que alguém que se candidata a uma outra eleição espere por três dias antes da eleição legislativa para se apresentar, parecendo que é um candidato que quer, de facto, fazer aqui uma abordagem em que é o foco.

Do outro lado do espectro político, Rui Tavares acusa Gouveia e Melo de não respeitar o Parlamento.

Quem quer ser presidente da República, há uma coisa que tem que se habituar, é respeitar os tempos dos vários órgãos de soberania. Nós estamos em eleições para eleger um órgão de soberania, que é a Assembleia da República, que vai determinar a formação de outro órgão de soberania, que é o Governo da República Portuguesa, e, portanto, a seu tempo, teceremos comentários ao anúncio de candidatura do nosso concidadão Gouveia e Melo. Nós vivemos em democracia e evidentemente que o timing é criticável. Eu só o criticarei depois das eleições legislativas.

E Pedro Pinto, do Chega, fala de uma estratégia para desviar as atenções do suposto crescimento do Chega.

Eu creio em relação ao almirante Gouveia e Melo e o anúncio desta candidatura em plena campanha eleitoral, no final de uma campanha eleitoral, não deixa de ser curioso. Eu acho que isto é para desviar as atenções do país. Acho que é para desviar as atenções de uma campanha eleitoral que, volto a dizer, que só o Chega tem apresentado propostas. Eu acho que é para desviar as atenções, quer do PS, quer do PSD, que têm líderes tão fraquinhos, que estão totalmente fora desta campanha eleitoral e para desviar as atenções da campanha eleitoral.

E Paulo Raimundo mostra-se pouco surpreendido.

O que eu acho é que isso é uma não notícia, porque a notícia seria Gouveia e Melo não é candidato. E, portanto, o que quer que diga? Era uma notícia que estava definida há muitos meses, há muito tempo. Foi agora anunciada, o timing, quem escolhe é o candidato.

Só a AD que ainda não se insurgiu sobre o anúncio do Gouveia e Melo à presidência. Os restantes partidos, nomeadamente o PS, o PAN, o Bloco de Esquerda e a CDU, optaram por não comentar diretamente, uma vez que o tempo, segundo estes partidos, agora é para as legislativas. E os partidos que continuam em campanha eleitoral pelo país. Esta quarta-feira, o PS esteve em Setúbal e foi lá que Pedro Nuno Santos se comprometeu a ser um garante da estabilidade. Ainda assim, o secretário-geral do Partido Socialista continua a lançar farpas à AD, mas também ele foi alvo do foco de concorrentes. Nadine Soares.

A caravana socialista começou o dia no Mercado do Livramento, em Setúbal, depois de ouvir as queixas dos pensionistas. A visita ficou marcada por um momento de confronto. Joana Amaral Dias rompeu adentro da campanha do PS para gritar com Pedro Nuno Santos. O líder socialista ficou irritado. A candidata do ADN pedia que o secretário-geral do PS devolvesse o dinheiro do subsídio de deslocação que recebeu quando vivia em São João da Madeira e tinha casa em Lisboa.

Devolveu os duzentos e três mil euros? Devolveu os duzentos e três mil euros ao Parlamento? Não vivia. As viagens só aconteceram.

Já mais calmo, seguiu para o almoço-comício na Costa da Caparica, onde voltou a focar o discurso nos pensionistas e nas críticas a Montenegro.

Ora, Luís Montenegro diz que aumentou as pensões. Falso. Era só o que faltava. Percebo que quem está habituado a cortar pensões quando cumpre a lei acha que já fez um grande feito.

Um dia de campanha marcado pela confirmação da candidatura de Gouveia e Melo a Belém, notícia que chegou a meio da tarde. Na Arruada de Setúbal, Pedro Nuno Santos não quis perder o foco.

Percebo a pergunta e a insistência, mas neste momento a minha concentração e do meu partido é mobilizar os portugueses para uma vitória que está cada vez mais próxima.

Mas Augusto Santos Silva não seguiu a mesma linha.

Também não consigo perceber como é que as pessoas não têm um conhecimento mínimo da Constituição da República Portuguesa e não sabem fazer a distinção entre eleições.

No comício da noite, o antigo presidente da Assembleia da República ainda continuou no ataque, desta vez, ao governo de Montenegro.

Onze meses de quê? De governo? Onze meses de comissão eleitoral, onze meses de esbanjar.

Já Pedro Nuno Santos mostrou-se disposto a ceder para garantir a estabilidade.

E nós mostramos ao longo da nossa história que nós somos capazes de fazer isso mesmo, construir, dialogar, ouvir, ceder, para garantirmos estabilidade política em Portugal.

A poucos dias das eleições, já na reta final da campanha, a caravana socialista dedicou o dia à região de Setúbal.

O Jornal da Estação, Nadine Soares, a acompanhar a caravana socialista, que esta quinta-feira está no Porto. Mantendo o tema na governabilidade, a Iniciativa Liberal desafia Pedro Nuno Santos a ser mais concreto e a dizer se vai colaborar ou bloquear um governo que integre a IL. Rui Rocha considera que não vale a pena questionar o secretário-geral do PS sobre um governo de esquerda, uma vez que está fora do alcance dos socialistas uma vitória, diz Rui Rocha.

Agora que nos estamos a aproximar do dia das eleições, também já não vale a pena perguntar a Pedro Nuno Santos como é que vai ser no dia seguinte, porque já sabemos que Pedro Nuno Santos não vai estar no poder. Mas há uma pergunta que vale a pena fazer a Pedro Nuno Santos. Não é como é que vai ser o PS no poder. É uma pergunta que eu faço diretamente a Pedro Nuno Santos. Como é que vai ser o PS na oposição? É isso que Pedro Nuno Santos tem que esclarecer os portugueses. Como é que se vai comportar o PS na oposição? Na oposição, o PS vai construir, vai permitir que a Iniciativa Liberal acelere o país ou vai ser uma oposição de bloqueio?

Rui Rocha, num jantar-comício em Leiria esta quarta-feira. Contagem decrescente para o dia da decisão final e Mariana Mortágua alerta para os perigos de uma onda neoconservadora. A coordenadora do Bloco de Esquerda acena ao eleitorado feminino e garante que os direitos das mulheres estão no centro das propostas bloquistas.

O feminismo está no centro do Bloco de Esquerda porque as mulheres estão no centro da sociedade. São o alicerce

Da sociedade. Elas estão em tudo. E quando nós fazemos política, quando definimos as nossas prioridades políticas, fazemo-lo também por causa dos direitos das mulheres. Quando pomos no topo das prioridades a habitação, quando falamos sobre tetos às rendas, baixar o custo da habitação, garantir casa a toda a gente que precisa de casa, quem é que está na linha da frente do sofrimento de não encontrar uma casa e não ter uma casa para si e para os seus filhos? Quem é que está na linha da frente deste sofrimento?

Mariana Mortágua, num comício em Aveiro. Já esta terça-feira, Paulo Raimundo, da CDU, tinha piscado o olho ao eleitorado feminino. A AD mantém o foco na maioria e apela ao voto útil à direita. A caravana da coligação PSD/CDS esteve no Teatro Circo, em Braga, esta quarta-feira. Foram recebidos por uma mancha de gente, o que levou Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, a comparar este momento com outros vividos na campanha de Aníbal Cavaco Silva. Já Luís Montenegro mantém o discurso de contrastes, diz que estas eleições são entre os que querem construir e aqueles que querem destruir, entre os que fazem e os que só odiam. Entre nós e o eles, Hugo Soares lança a farpa para o Chega, a quem acusa de incoerência. Isto porque André Ventura terá beneficiado de um protocolo VIP no Hospital de Faro, depois de se ter sentido mal na noite de terça-feira num comício em Tavira. À luz deste protocolo, Ventura teve acesso a um quarto privado. Ora, há uns meses, quando foi a vez de Luís Montenegro, que também se sentiu mal e teve uma arritmia cardíaca, Hugo Soares lembra que o Chega criticou o então primeiro-ministro por ter sido rapidamente atendido no Hospital Santa Maria. Soares acusa o partido de André Ventura de manipular a opinião dos portugueses. E perante esta questão do protocolo VIP, Pedro Pinto, líder parlamentar do Chega, atribui um estatuto especial a André Ventura. Isto uma vez que o presidente do Chega sofre de ameaças nas ruas, diz Pedro Pinto. Dá exemplos da comunidade cigana e lembra que alguns elementos desta etnia terão celebrado o facto de Ventura ter sido hospitalizado. Pedro Pinto traça ainda uma diferença entre o caso de Ventura e o de Montenegro. Diz que enquanto o primeiro-ministro chegou pelo próprio pé ao Santa Maria, Ventura foi levado para o Hospital de Faro de ambulância. Na atualidade internacional, Vladimir Putin não terá cedido ao desafio de Volodymyr Zelensky e já é pública a lista de oficiais russos que esta quinta-feira participam nas negociações de paz na Turquia. O nome do presidente russo não consta desta lista. Tudo indica que Putin não vai participar nestas conversas de uma forma presencial, isto depois de ter sido o próprio a propor negociações diretas com a Ucrânia. Perante a aparente recusa de Putin em aparecer no encontro, Donald Trump também desmarcou a presença na Turquia. Resta saber se também Zelensky vai voltar atrás e mandar apenas uma delegação em representação para negociar com a Rússia. É a notícia de fecho deste noticiário. Regressamos às 15h30 com a síntese. Até já.