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São 3 horas. As notícias com Matilde Malva Sabino.
Boa noite. O primeiro-ministro afirma não compreender as razões que podem levar a uma greve geral das centrais sindicais CGTP e UGT, em causa a ameaça de uma greve geral para a primeira quinzena de dezembro, devido à reforma da lei laboral. No Brasil, à margem da COP30, Luís Montenegro indica que a proposta em discussão está precisamente a envolver os parceiros sociais e, por isso, não há razão para tomar posição final sobre um processo que está ainda em concertação.
Respeito, mas não compreendo. Não há razões objetivas para haver um movimento de contestação, protesto dessa dimensão. Eu acho muito difícil de compreender que, num contexto onde Portugal foi, no último ano, o país no seio da OCDE, onde o rendimento dos trabalhadores mais subiu, por via da diminuição dos impostos sobre o rendimento do trabalho e do aumento dos salários, que haja uma greve geral.
Declarações de Luís Montenegro, aqui num registo captado pela CNN Portugal. O primeiro-ministro pede sentido de responsabilidade na atividade sindical. Precisamente para este sábado, os trabalhadores de todo o país vão manifestar-se em Lisboa numa ação convocada pela CGTP. A manifestação quer dar um sinal ao governo para que recue e retire o anteprojeto de revisão laboral, que se encontra em discussão. O protesto arranca às 14h30 sob o mote "Todos a Lisboa". Prevê duas pré-concertações na capital. Os trabalhadores do setor público vão juntar-se nas Amoreiras e os do setor privado no Saldanha. Mais tarde encontram-se no Marquês Pombal e terminam nos Restauradores. No Brasil, Luís Montenegro também falou sobre a crise na saúde em Portugal. O primeiro-ministro colocou um desafio a quem duvida da satisfação dos utentes com o Serviço Nacional de Saúde.
Eu convido quem quer que seja, seja político, seja um interveniente público, seja até um jornalista, a poder ir a um hospital ou a um centro de saúde e falar com 100 pessoas que se dirigem para lá todos os dias para poderem ser tratadas, para poderem ter a sua consulta, a sua cirurgia, etc. E nós vamos verificar que a grande maioria, a quase totalidade das pessoas, saem muito satisfeitas e reconhecidas pelo esforço do sistema, do serviço e também dos profissionais.
Luís Montenegro mostra-se incomodado com os partos que têm ocorrido em ambulâncias e na via pública. Refere que aguarda um levantamento que pediu para compreender o que levou a estas circunstâncias. Para o primeiro-ministro, o problema pode nem ter a ver com a falta de resposta do SNS e sublinha ainda que mantém total confiança na ministra da Saúde. O Sindicato Independente dos Médicos pede que o ministério liderado por Ana Paula Martins se sente à mesa com as estruturas que representam os profissionais, em causa o caos nas urgências no Hospital Amadora-Sintra. Há dezenas de médicos que falam numa situação insustentável no hospital, com as urgências em risco de não responder de forma adequada aos utentes, quer por causa das dificuldades em cumprir as escalas, quer por causa dos elevados tempos de espera. A falta de condições para prestar um serviço adequado está a levar médicos a pedir escusa de responsabilidades. Para Tânia Rus, dirigente do Sindicato dos Médicos da Zona Sul, é tempo de ouvir os profissionais.
Isto espelha a realidade que existe também noutras unidades hospitalares e que reflete precisamente a necessidade de que o governo se sente à mesa com a FNAM, que oiça os sindicatos, que oiça os constantes apelos dos médicos para que sejam adotadas medidas e uma política que permitam a fixação dos médicos no Serviço Nacional de Saúde.
No último fim de semana, o tempo de espera na urgência do Amadora-Sintra ultrapassou as 24 horas. A ministra da Saúde foi questionada sobre esta situação em Lisboa, esta tarde de sexta-feira, recusou responder aos jornalistas. Ora, cinco urgências vão encerrar no país este fim de semana. Este sábado fecham as portas das urgências de obstetrícia e ginecologia do Hospital de Setúbal e das Caldas da Rainha. No Hospital de Faro encerra a urgência de pediatria. No domingo, o cenário mantém-se em Setúbal e nas Caldas da Rainha. Fecham também as urgências de obstetrícia e ginecologia do Hospital do Barreiro e Vila Franca de Xira vai estar sem urgência de ginecologia. Falamos ainda de James Watson, o cientista que descobriu a estrutura do ADN, morreu aos 97 anos. Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud, fala num contributo notável para o futuro da ciência. O geneticista morreu esta quinta-feira em Nova York. A notícia foi divulgada esta sexta-feira pelo Washington Post. Mapeou os mais de 20 mil genes encontrados nos cromossomas humanos, o que lhe valeu o Prêmio Nobel da Medicina em 1962, em conjunto com Francis Crick e Maurice Wilkins. Em Portugal, foi o primeiro presidente do Conselho Científico da Fundação Champalimaud. À Rádio Observador, Leonor Beleza, presidente desta fundação, considera que James Watson deixou contributos decisivos para a medicina.
Deixou o legado do que é a ciência, daquilo que podemos esperar na ciência, que é a revelação das grandes
Fatores muito importantes, no caso dele, para o conhecimento do corpo humano e de como é que o corpo funciona. E isso é absolutamente decisivo para a ciência e para a medicina que hoje se fazem e que continuam à procura de muitas outras coisas que ainda não sabem.
Leonor Beleza, em declarações à Rádio Observador, diz que a Fundação Champalimaud vai estar sempre em dívida com James Watson pelos contributos prestados à comunidade científica. No Porto, um incêndio em Valongo deixou um bombeiro ferido e duas pessoas desalojadas. O fogo começou na garagem de uma casa onde funcionava uma oficina. Na habitação reside um casal de idosos de 72 e 74 anos, que teve de ser temporariamente realojado. Em declarações à Sic Notícias, o segundo comandante dos Bombeiros Voluntários de Valongo, Cláudio Azevedo, adianta que há um ferido ligeiro que foi assistido no local.
A primeira equipa a chegar ao local, estava a parte de baixo da habitação totalmente tomada pelas chamas, assim como a parte posterior da habitação, que tem um armazém loja com equipamento elétrico e equipamento que é utilizado para soldar e tinha em grande quantidade. Sou um bombeiro ferido, um ferido ligeiro, devido à temperatura que se fazia sentir quando chegaram e durante o combate, mas foi assistido no local e não foi necessário transporte ao hospital.
Apesar das dificuldades no combate às chamas, os bombeiros impediram a propagação das chamas ao piso superior, que ainda assim ficou em parte danificado. O alerta foi dado pelas 19h30 desta sexta-feira. O incêndio já foi dado como extinto, mas os bombeiros e a GNR mantêm-se no local. Mudamos de tema. Polémica na Câmara de Sintra. A líder da Iniciativa Liberal retirou a confiança à vereadora do partido no Conselho para obter uma maioria governativa na Câmara, o novo presidente Marco Almeida, da coligação PSD, Iniciativa Liberal e PAN, convidou Anabela Macedo e Ricardo Aragão Pinto, do Chega, para integrar o executivo. Apesar das linhas vermelhas da Iniciativa Liberal ao Chega, a candidata liberal Eunice Baeta aceitou permanecer no executivo municipal e, por isso, perdeu a confiança política de Mariana Leitão. Em entrevista à Sic Notícias esta noite de sexta-feira, a presidenta reitera que o partido não aceita acordos nem coligações com o Chega.
Nós sempre estabelecemos que com o Chega não iríamos partilhar um executivo, nem viabilizar, nem branquear um partido que no fundo faz a apologia ao Salazar, à ditadura. Isto viola completamente os nossos princípios.
Mariana Leitão sublinha que o partido se aliou inicialmente ao PSD em Sintra para ser força de oposição ao Chega. Para a líder liberal, o PSD traiu-se a si próprio.
Quem mudou de posição foi o PSD, que depois de ter defendido amplamente, e Luís Montenegro o faz sistematicamente, do não é não, à primeira oportunidade que tem, à primeira conveniência que lhe é apresentada, volta atrás e afinal, nesta exceção, já não é um não é não.
As críticas de Mariana Leitão ao PSD de Sintra, em entrevista à Sic Notícias. António Filipe recusa desistir da candidatura a Belém para que António José Seguro consiga chegar à segunda volta e, por isso, sugere que se é para desistir em favor de um candidato à esquerda, é nele que os outros concorrentes têm de pensar.
Eu não sou o candidato que estou politicamente mais próximo do doutor José Seguro. Se querem favorecer a candidatura do doutor José Seguro, apelemo-nos a quem está mais próximo politicamente, que é o doutor Marques Mendes ou Almirante Gouveia Mel, porque eu estou mais distante politicamente do doutor José Seguro do que eles. Se a ideia é convergir no candidato de esquerda, eu estou aqui.
No plano internacional, António Filipe explica que enquanto presidente da República faria pressão para uma solução diferente para a guerra na Ucrânia, uma solução que passaria por menos apoio militar e financeiro e mais pragmático.
Num conflito aberto entre a Ucrânia e a Federação Russa, a haver capitulação, é do lado da Ucrânia. Mas isto é uma verdade que já toda a gente sabe. Portanto, é preciso que a guerra acabe o quanto antes à mesa das negociações. Quem vai chegar a uma corte final não sou eu. Quem vai chegar a uma corte final são as autoridades da Federação Russa e da Ucrânia com a mediação internacional que for possível encontrar. Eu acho que Portugal devia esforçar-se é por uma mediação e não pela ideia, absolutamente irrealista, de que há de haver uma capitulação militar para poder terminar a guerra, quando se sabe, obviamente, que essa capitulação é de um dos lados.
O candidato presidencial António Filipe, esta noite em entrevista à RTP Notícias, avisa também que se for eleito, vai agir para impedir alterações laborais aprovadas no Parlamento, mesmo não havendo inconstitucionalidade. Quem já disse que pode desistir da corrida a Belém em prol de uma candidatura única de esquerda é Jorge Pinto, apoiado pelo LIVRE. Esta tarde de sexta-feira, à Rádio Observador, a líder parlamentar do partido, Isabel Mendes Lopes, explicou as condições necessárias para que isso aconteça.
Está disponível para falar sobre isso, sobre abdicar da sua candidatura, com duas condições: que seja, de facto, uma candidatura assumidamente de esquerda e que defenda convictamente a República nos moldes que temos agora.
E António José Seguro não é essa candidatura.
E a segunda condição, que é muito importante também, é que tem de haver reciprocidade, ou seja, que haja um pacto entre os vários candidatos.
Isabel Mendes Lopes, do LIVRE, entrevistada no programa Caminho de Belém, onde estiveram outros candidatos, um deles Francisco Rodrigues dos Santos. Na atualidade internacional, está aceite, Viktor Orbán conseguiu que os Estados Unidos aceitem que a Hungria fique isenta de cumprir as sanções contra a Rússia, em causa o fornecimento de gás e petróleo. A Hungria recebeu isenções gerais e por termo indeterminado das sanções norte-americanas sobre duas grandes petrolíferas russas. Uma notícia avançada pelo primeiro-ministro húngaro depois de uma reunião em Washington com Donald Trump. A Hungria vai ter os preços de energia mais baixos, é o que diz o governante. O presidente norte-americano concordou que Budapeste tem condições especiais.
É muito difícil para eles obter petróleo e gás de outras zonas. Como sabem, eles não têm a vantagem de ter mar. É um país grande, mas não tem costa. Muitos outros países europeus compram petróleo e gás à Rússia e já o fazem há anos. Por isso, qual é o problema?
Em contrapartida, Viktor Orbán vai ter de exercer influência sobre Vladimir Putin para que o presidente russo negoceie a paz na Ucrânia. Notícia de fecho deste jornal. Informação regressa às 15h30. Até já.