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As notícias com João Lourenço.
Muito boa noite. Na região de Coimbra, mais de 3500 pessoas estão a ser retiradas de casa devido ao risco de cheias no rio Mondego. Estamos a falar de concelhos de Coimbra, Soure e Montemor-o-Velho. Segundo as autoridades, há o risco de arrebentamento de um dos diques do rio Mondego e, por isso, várias freguesias já estão a ser evacuadas, pelo menos as zonas ribeirinhas. A acompanhar esta operação, está a presidente da Junta de Freguesia de São Martinho do Bispo e de Ribeira de Frades, Laura Fonseca, e em entrevista à Rádio Observador, a presidente de Junta diz que neste momento o processo está prestes a ser concluído e que as pessoas estão a oferecer pouca resistência a esta operação.
Tivemos muito poucas pessoas a dizerem isso, porque a maior parte delas acatou a saída que as autoridades disseram e acatou bem a saída, mesmo os que tinham um primeiro andar, acataram bem a saída. Não temos tido grande resistência nesse sentido.
Relato distinto tem Cândido Malva, presidente da União de Freguesia de Taveiro, Amial e Arzeila. O autarca revela que muitas pessoas, vendo que têm uma casa com dois andares, que se podem refugiar no andar cimeiro e que, por isso, oferecem alguma resistência a estas indicações das autoridades.
Todas, todas, não. Nós demos o alerta, a sugestão de evacuarem as suas casas, principalmente das pessoas que vivem em zonas vulneráveis. Mas nem todas acederam logo a este nosso pedido e ficaram em casa.
E ainda há muita resistência?
Há. Têm primeiros andares e, portanto, sentem-se seguros. Ou então já estamos habituados ao passado e têm sido estas as respostas. Outras, sim, saíram e vieram e já estão nas capas e preparadas para o efeito.
Cândido Malva indica ainda que o cenário da chuva para as próximas horas não é animador. Diz que alguns populares estão com receio dessa possibilidade de arrebentamento do dique.
Pelas previsões e pelo que sabemos, que neste ano os terrenos estão mais saturados, estão com muita água, coisa que não tinham tanta no passado, o risco é maior. E esse foi também um alerta que nós demos às pessoas, porque apesar da experiência do passado, o que verificamos são estas condições diferentes. Diferentes e mais gravosas.
Relato de Cândido Malva, presidente da União de Freguesias de Taveira, Amial e Arzeila, numa altura em que a Proteção Civil indica que vai colocar em prática o princípio da precaução. Em declarações à CNN Portugal, no início da madrugada, o comandante sub-regional da Proteção Civil de Coimbra, Carlos Luís Tavares, indica que a principal preocupação das autoridades está na margem esquerda do Mondego.
3 mil em Coimbra, cerca de 500 no Conselho de Soure e cerca de 80 no município de Montemor-o-Velho, falando aqui na margem esquerda, partindo do princípio que o galgamento ou a rutura do dique pode acontecer à esquerda. Nós não sabemos onde vai acontecer. Como dissemos sempre do início, não há risco zero. E como tal, é uma situação que temos vindo a precaver. Tem sido bem gerida esta cheia, mas efetivamente estamos a atingir limites e, como tal, não queremos perder ninguém, queremos salvar vidas.
O responsável da Proteção Civil reforça o risco de arrebentamento do dique da margem direita do rio, neste caso, Carlos Luís Tavares lembra que em 2019, este sistema hidráulico do rio Mondego precisou de menos água para colapsar.
A partir do açude ponte, a obra comporta 2000 metros cúbicos por segundo. Neste momento, estão a passar 1800. Já estivemos nos 1850. Dar nota que em 2019 atingimos 2200 e foi aí que arrebentou o dique à direita. Portanto, não queremos correr estes riscos. A acontecer, estarmos de forma preventiva já a atuar.
Ficam as recomendações da Proteção Civil. A referir que em 2019, o dique à direita do Mondego arrebentou com menos quantidade de água e que neste momento todas as atenções estão centradas, neste caso, na margem esquerda do rio Mondego. Já em entrevista à RTP, a presidente da autarquia de Coimbra, Ana Abrunhosa, avisa para os riscos do arrebentamento deste complexo. Diz mesmo que pode ser uma espécie de bomba para as populações ribeirinhas.
Se houver arrebentamento de um dique, então aí não dou estimativas, porque o que está aqui mesmo em causa, o rio Mondego é um rio empazado, é uma obra hidráulica e neste momento há a probabilidade de haver rutura nessa obra hidráulica, e nós não sabemos aonde. Se houver um arrebentamento, é como uma bomba.
Ana Abrunhosa, em declarações ao início desta noite. Referir que neste momento três lares já foram evacuados no concelho de Coimbra e que os utentes estão a ser encaminhados através de ambulâncias e também de autocarros municipais para o Pavilhão Municipal Dr. Mário Mexia, onde vão pernoitar. Em outras notícias, esta noite demitiu-se a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, considera que já não tem condições para assumir o cargo. Foi pouco depois das 21h que uma nota no site da presidência fazia saber da interrupção do mandato da ministra. Foi pouco mais de oito meses debaixo de críticas da oposição, que culminam agora numa altura em que o país está a braços com uma crise. Matilde Malva Sabino.
Maria Lúcia Amaral era provedora da Justiça quando, em junho do ano passado, foi a escolhida por Luís Montenegro, num cargo que é esperado que lide com situações de crise, Maria Lúcia Amaral enfrentou duas provas de ferro. Primeiro, os incêndios durante o verão de 2025 e agora a destruição provocada pela Depressão Christine. É acusada de ficar em silêncio em momentos complexos. Uma ministra com dificuldades em responder aos jornalistas, como ocorreu, por exemplo, em julho, quando esperou quatro dias para prestar explicações sobre o incêndio em Ponte da Barca. Mas não ficou por aqui, a capacidade de comunicação continuou a ser alvo de fortes críticas. Em agosto, numa conferência de imprensa de apenas cinco minutos, recusou-se a responder a perguntas.
E uma vez mais, em nome de todos, um muito, muito obrigado.
E ficou por aqui. Há duas semanas, tempestade Christine. Primeiro, a ministra apareceu na sombra de Luís Montenegro e depois na de Marcelo Rebelo de Sousa. Pelo meio, tentou justificar-se.
Há muito trabalho que se faz em contexto de invisibilidade. No gabinete.
E sobre o que falhou, não sabe, disse três dias depois.
Não sei o que é que falhou. Não lhe posso dizer exatamente o que é que falhou, porque o sistema é complexo e as entidades coordenadoras do sistema de proteção civil têm tido todo o cuidado de garantir a colaboração entre todos.
Dificuldades de comunicação que marcam a saída da ministra Maria Lúcia Amaral, oito meses depois de assumir a pasta da Administração Interna.
Jornalista Matilde Malva Sabino, com alguns dos momentos que marcaram o percurso de Maria Lúcia Amaral enquanto ministra da Administração Interna. Sai do cargo para ser substituída de forma temporária pelo primeiro-ministro. Nas reações, o presidente da República diz que entende a decisão tomada num contexto particularmente difícil. Aos jornalistas, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa diz que esta decisão de Maria Lúcia Amaral é para respeitar.
Não vou dizer mais do que isto. Quem tomou a decisão, tomou a decisão, ponderou as circunstâncias, entendeu que não tinha condições pessoais e políticas. É uma situação complexa, esta que vivemos nestas últimas semanas e, portanto, perante isso há que respeitar essa vontade da senhora ministra e o senhor primeiro-ministro compreendeu isso, transmitiu. Eu compreendi, aceitei e agora amanhã veremos.
Amanhã se verá. O presidente da República recusa-se a alongar em considerações sobre a saída de Maria Lúcia Amaral. Nas reações de âmbito partidário, José Luís Carneiro acredita que a demissão da ministra demonstra a falha do governo na resposta à emergência criada pelas tempestades. José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, atribui responsabilidades principalmente ao primeiro-ministro.
É evidente que a demissão da ministra da Administração Interna é a prova de que o governo falhou na resposta a esta emergência, a esta tempestade.
Vai pedir justificações ao governo amanhã?
Vou mostrar ao primeiro-ministro que ele não pode alienar as suas próprias responsabilidades. O primeiro e mais importante responsável da Proteção Civil no país é o primeiro-ministro. Nunca tomei decisões, nem dei séries tomar quando era ministro, sem falar com o primeiro-ministro. E portanto, é natural e é um imperativo que decorre da lei, que o primeiro-ministro assuma as suas responsabilidades.
Já o líder do CHEGA, André Ventura, considera que esta é a prova da incapacidade do executivo para gerir adversidades. Numa publicação na rede social X, André Ventura diz que esta decisão prova que Luís Montenegro vai perdendo o controle do executivo passo a passo, da saúde à administração interna. E aqui na Rádio Observador também ouvimos outras forças partidárias e começamos com a Iniciativa Liberal, que lembra que o partido já tinha alertado para a falta de capacidade da ministra. As palavras de Mário Amorim Lopes, o deputado diz que Maria Lúcia Amaral não tinha a capacidade de comunicação, nem o espírito de liderança que se exige a quem segura a pasta da Administração Interna.
Foi uma grande jurista, com reconhecido mérito e fez um bom trabalho como provedora da Justiça, mas não tinha as competências que são necessárias para ser um ministro, sobretudo desta pasta, que é uma pasta muito exigente, que obriga uma grande capacidade de decisão, uma grande capacidade de liderança, de coordenação de meios e também de comunicação.
Já o LIVRE, através das palavras de Paulo Muacho, critica o momento escolhido para a demissão da ministra. O deputado diz que o timing é questionável, visto que é em vésperas de debate quinzenal no Parlamento.
O timing em que ela acontece também não é inócuo. É na véspera de um debate quinzenal, em que a oposição certamente que seria toda ela muito crítica com a atuação do governo na resposta a estas catástrofes e aos problemas que ainda estão a acontecer no terreno. E portanto, esperamos que o primeiro-ministro não use, de certa forma, a demissão da ministra como uma forma de se esquivar essas responsabilidades.
Coordenador do Bloco de Esquerda. Aqui ouvimos Paulo Muacho, deputado do LIVRE. Já José Manuel Pureza, coordenador do Bloco de Esquerda, diz que esta decisão era a única saída face à gestão que o governo tem feito da crise que o país atravessa. Através de uma publicação nas redes sociais, o coordenador do Bloco de Esquerda escreve que o executivo falhou no dever mais básico, que é proteger o povo, e acrescenta que milhares de famílias pagaram o preço da incompetência e do abandono. Por fim, o PCP afasta qualquer surpresa relativamente à saída da ministra. Paula Santos, líder parlamentar do partido, acredita que a demissão de Maria Lúcia Amaral é resultado, sobretudo, de uma gestão danosa do governo quanto à crise das últimas semanas.
Isto é reflexo, de facto, de tudo isso, porque estamos a falar da parte do governo que no início desconsiderou totalmente os impactos e as consequências da Tempestade Christine e as sucessivas intempéries que se sucederam. Mas aquilo que vimos foi, de facto, uma falta de resposta às populações e face àquilo que estava a acontecer no país.
Paula Santos, na emissão especial da Rádio Observador, durante esta noite, sublinha ainda que amanhã, neste caso quarta-feira, hoje, é dia de debate quinzenal. Espera que Montenegro responda pelo que diz ser as medidas insuficientes do governo para ajudar as populações afetadas. É o ponto final neste noticiário das 03h. A Rádio Observador regressa com mais notícias às 03h30.