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Quatro horas.
Boa noite, sou o Guilherme Pires, são 4 da manhã, hora de atualizar a informação na Rádio Observador. Começamos na política nacional. Este sábado ficou marcado pelo anúncio da candidatura de José Luís Carneiro à liderança do PS. Aconteceu no jardim da sede do partido, no Largo do Rato, em Lisboa. Para já, é o candidato único à liderança do Partido Socialista. No discurso, José Luís Carneiro apela à união dos socialistas, depois da derrota do PS nas eleições de 18 de maio.
O meu dever, como de todos os socialistas responsáveis, é levar o PS de novo a um lugar à altura da sua história e ganhar de novo a confiança dos portugueses para um projeto democrático, progressista e reformista. Apelo aos socialistas para que se unam na sua diversidade para iniciar o caminho de volta que a defesa dos nossos ideais nos pede. Se ficarmos agora a olharmos para nós próprios ou nos entretivermos a golpearmos reciprocamente a nossa credibilidade e as nossas qualidades, em vez de nos organizarmos para os defendermos a eles, que são a razão de ser e de existirmos como partido.
José Luís Carneiro diz ainda que quer consensos democráticos, mas não vai compactuar com políticas contra os valores do Partido Socialista. O agora candidato a secretário-geral sublinha que quer ser a oposição responsável, mas alerta que não vai ser brando com o que discorda. À esquerda, o secretário-geral do PCP acusa o PS de dar a mão ao governo. Questionado pelos jornalistas sobre os cinco pactos de regime propostos por José Luís Carneiro, Paulo Raimundo afirma que o país chegou ao que chegou por causa dos entendimentos entre PSD e PS. O líder dos comunistas considera a estratégia do Partido Socialista errada.
Eu não conheço pormenor das propostas, confesso. Mas há uma coisa que sabemos, de há muitos anos a esta parte, é que nós chegamos ao que chegamos, à situação que chegamos, exatamente pelos compromissos de regime entre o PSD e o PS. Foi assim, não houve nada que acontecesse no nosso país, que não tivesse sido compromisso de regime do PS e do PSD. Nada, até as revisões constitucionais, como sabem.
Portanto, não há esperança de melhoria para isso?
Não, nós já fomos confrontados com esta ideia de que o PS decidiu, por sua opção própria, não só dar a mão ao governo, como viabilizar a sua política. Pronto, é uma opção do Partido Socialista errada.
Declarações de Paulo Raimundo, em Viana do Castelo, este sábado. O primeiro-ministro diz que o aumento do investimento na defesa para 2% do PIB não implica um orçamento retificativo. Luís Montenegro garante que esta subida não vai pôr em causa o investimento nos serviços sociais.
Não implica nenhum orçamento retificativo, deixo isso hoje muito claro. Nós vamos fazê-lo de acordo com as disponibilidades que estão no Ministério das Finanças e tencionamos, no próximo ano, aprovar um orçamento de Estado que contemple também esse caminho. Há uma outra coisa que também é preciso realçar ou reiterar, se quiserem. Nós não vamos retirar o esforço do lado da despesa com os serviços sociais. Nós não vamos colocar em causa o equilíbrio das contas públicas. Vamos gerir, do ponto de vista financeiro, o país de maneira a conciliar todos estes interesses.
Palavras do primeiro-ministro Luís Montenegro, que está em Estugarda, na Alemanha, onde vai assistir este domingo à final da Liga das Nações e onde participou no encontro com a comunidade portuguesa. O chefe do governo falou ainda sobre as previsões do Banco de Portugal. O regulador anuncia que se prevê um déficit de 0,1% para o próximo ano. Montenegro desvaloriza e mantém o otimismo sobre o trajeto no sentido do excedente. Com o primeiro-ministro na Alemanha, está o presidente da República e Marcelo Rebelo de Sousa considera que o clima político melhorou. O chefe de Estado afirma que o facto do PS e Chega quererem estabilidade é um bom sinal e compara a situação atual com a anterior legislatura.
Há sinais positivos em Portugal. O facto, por exemplo, de os dois principais partidos da oposição, em termos diferentes, afirmarem que a estabilidade é fundamental, é positivo. O facto de o líder de um desses partidos propor pactos ou acordos ou entendimentos e uma predisposição para, em relação a orçamentos, como a relação a medidas comuns fundamentais para a economia portuguesa, estar aberto ao diálogo, é positivo. Em 2024, o clima que se vivia era exatamente o oposto.
Marcelo Rebelo de Sousa fez ainda questão de lembrar que Luís Montenegro saiu das eleições de 18 de maio reforçado. O ministro da Agricultura alerta para a necessidade de aliviar a burocracia no setor. Questionado sobre a política agrícola comum, José Manuel Fernandes refere que é um instrumento essencial. No entanto, explica que é preciso facilitar o acesso a este tipo de recurso.
O que é que é importante? Que se mantenha o apoio para os agricultores, chamado primeiro pilar, um apoio para o investimento, o chamado segundo pilar, e que haja uma atualização da política agrícola comum em termos dos montantes. Isto é absolutamente essencial, mas depois que haja simplificação. O agricultor não pode estar a trabalhar no campo e em simultâneo ter que preencher papéis todos os dias e ele vá com controles todos os dias.
O ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, à margem de uma visita à Feira Nacional de Agricultura em Santarém. Atenção ao calor nos próximos dias. Vários distritos do país vão estar sob aviso amarelo com temperaturas superiores aos 30 graus. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera alargou este alerta, devido às temperaturas altas, aos distritos da Guarda, Bragança e Vila Real. Já desde a última sexta-feira que tinham sido colocados sob aviso amarelo os distritos de Faro, Beja, Évora, Portalegre e Castelo Branco. Em comunicado, o IPMA situou o aviso amarelo para Bragança, Guarda e Vila Real entre o meio-dia da próxima segunda-feira e às 21h de terça-feira. No caso de Faro, o aviso, devido à persistência de valores elevados da temperatura máxima, já está em vigor e é válido até às 21h deste domingo. Em relação a Beja, Évora, Portalegre e Castelo Branco, o aviso é válido a partir das 9h deste domingo e até às 21h de segunda-feira. Na atualidade internacional, nos Estados Unidos, este sábado, o segundo dia de manifestações contra operações anti-imigração em Los Angeles terminou em confrontos com a polícia. Os protestos começaram na última sexta-feira, depois de uma série de operações do organismo que controla os imigrantes em Los Angeles, e que resultaram na detenção de dezenas de imigrantes ilegais. Num comunicado, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos diz que cerca de mil pessoas cercaram agentes federais, furaram pneus e destruíram propriedades. Face a este cenário, a polícia utilizou gás lacrimogéneo e granadas de luz e som para dispersar os manifestantes, e o governo de Donald Trump já anunciou que vai enviar 2 mil soldados da Guarda Nacional para o local. De acordo com o deputado da Califórnia, quatro pessoas foram detidas e o FBI está a investigar alegações que os manifestantes terão obstruído a atividade do órgão responsável por identificar, prender e deportar imigrantes ilegais em território norte-americano. Na Ucrânia, subiu para quatro o número de mortos, vítimas dos ataques russos a Kharkiv. Há quase 24 horas que a segunda maior cidade ucraniana está a ser bombardeada. O presidente da Ucrânia já apelou ao apoio dos Estados Unidos e da Europa. Volodymyr Zelensky quer mais sistemas de defesa aérea. Uma mensagem nas redes sociais, o chefe de Estado ucraniano realça que os russos querem a destruição completa da vida e não uma ocupação territorial. Olhamos agora para o desporto. A Seleção Nacional de Futebol defronta este domingo a Espanha na final da Liga das Nações. O selecionador Roberto Martínez recusa que exista ansiedade e diz que Portugal está num momento em que pode fazer história. Martínez promete uma equipa com capacidade para bater a seleção espanhola.
Se o nosso desempenho é o mesmo nível do desempenho que tivemos na meia-final, eu acredito muito em nossos jogadores e o que nós podemos fazer. É um grande adversário, o campeão da Europa, campeão da Liga das Nações, mas eu acho que não é um jogo para o aspecto técnico e tático, é um jogo para mostrar a resiliência e a personalidade que já mostramos contra a Alemanha. Então, agora, acho que nós estamos preparados para ganhar a final.
Nesta conferência de antevisão, falou também Cristiano Ronaldo. O capitão português admite que vai ser um jogo difícil, mas assume que confia na capacidade de Portugal.
Não se pode ganhar sempre. Mas estou confiante que as coisas vão correr bem, que Portugal vai sair com o troféu. Sabemos, e digo uma vez mais, que vai ser um jogo difícil, mas que, no meu ponto de vista, é possível. Aquilo que eu mais desejo é que Portugal possa estar num bom nível, confiante que as coisas possam correr bem e possamos fazer um grande jogo e ganhar, e digo uma vez mais, contra uma seleção muito boa, possivelmente a melhor seleção do mundo neste momento.
Do lado espanhol, o selecionador Luis de la Fuente elogia a seleção das Quinas e afirma que as ideias de jogo das duas equipas são semelhantes.
É uma seleção potentíssima. Basta ver a bagagem dos jogadores a nível de clube e da seleção. Vai ser difícil. Têm talento e são muito versáteis. Jogadores também rápidos. Eu e o Roberto Martínez coincidimos nisso, na ideia futebolística e na convocatória dos jogadores pelas características. E dentro dessas semelhanças, vamos tentar surpreendê-los e não deixar que nos controlem.
A final da Liga das Nações entre Portugal e Espanha é este domingo, às 20h. Tem relato em direto aqui na Rádio Observador. No ténis, houve campeã inédita nos singulares femininos do Roland-Garros. A tenista norte-americana Coco Gauff conquista pela primeira vez o troféu. A número dois mundial ganhou à número um do ranking WTA, a bielorrussa Aryna Sabalenka. É apenas a segunda vez que Coco Gauff se sagra campeã de um torneio do Grand Slam, depois de ter batido precisamente Sabalenka no Open dos Estados Unidos. E este domingo joga-se a final masculina entre o número um do ranking ATP, o italiano Jannik Sinner, e o número dois mundial, o espanhol Carlos Alcaraz, que venceu a última edição do Roland-Garros. Esta foi a notícia de fecho deste jornal. A informação volta com a síntese das 04h30 da manhã. Até já!