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Quatro horas. Boa noite, eu sou o Martim Madeira, são 4 da manhã, está na hora de utilizar toda a informação na Rádio Observador. Começamos pela atualidade nacional. O Ministro da Administração Interna admite ter havido um pacto de silêncio entre agentes da esquadra do Largo do Rato envolvidos em casos de tortura. Um processo que já levou à detenção de 24 polícias e um civil. Em declarações à CNN Portugal, Luís Neves acredita que houve facilitismo face a comportamentos inaceitáveis.

Tudo leva a crer que houve aqui um facilitismo e uma aceitação de comportamentos desviantes e que são comportamentos particularmente graves. A ofensa à dignidade da pessoa, do ser humano, é particularmente grave, que tem a ver com agressões, com agressões bárbaras e com humilhações, e depois a aceitação e o silêncio, um pacto de silêncio na não divulgação desses mesmos factos e por isso é grave. Mas isso tem a ver com um sentimento de impunidade, tem a ver com uma cultura instalada nas polícias, tem a ver com o quê? Não, não há esta cultura instalada nas polícias. Nós estamos a falar de casos isolados.

Casos isolados que, de acordo com Luís Neves, não espelham a realidade geral. Nesta entrevista, o ministro da Administração Interna remete juízo sobre este caso para mais tarde.

Pode ter ocorrido essa falha no controle interno, mas o que eu quero dizer é que só quando tivermos acesso àquilo que é matéria de investigação criminal, portanto, quando o processo estiver aberto e quando houver decisões transitadas e julgadas por parte dos tribunais, é que nós vamos poder, de facto, fazer a avaliação de como, quando, quem, em que circunstâncias os crimes foram cometidos.

Luís Neves, ministro da Administração Interna, em declarações à CNN. Antes, já André Ventura tinha criticado a postura do ministro relativamente a este caso. O líder do Chega considera que Luís Neves tem feito declarações infelizes sobre as forças de segurança. Ao anunciar, por exemplo, a expulsão de elementos da polícia por comportamentos desviantes, André Ventura diz que se trata de anúncios infelizes e relativiza casos como os do Largo do Rato.

Esses casos acontecem com polícia e acontecem com todas as outras corporações. Há gente melhor e gente pior em todas as profissões, em todos os órgãos. O que não podemos ter é um governo e um ministro que falam mais em expulsar polícias, em perseguir polícias, em tirar-lhes a autoridade, do que propriamente em garantir que temos uma polícia eficaz, forte e capaz de combater a criminalidade. O que não podemos é ter um governo que ainda ontem se preocupou em dizer que tínhamos que ter cuidado com as percepções de insegurança, mas não é capaz de perceber que os polícias estão sem meios.

E por isso André Ventura pretende ouvir o ministro da Administração Interna, Luís Neves, no Parlamento, na quinta-feira, dia 14. Já o Partido Socialista fala em motivo de repulsa sobre o que aconteceu na PSP do Largo do Rato e exige uma investigação até às últimas consequências. O PS considera que se trata de uma situação absolutamente intolerável e saúda todas as ações das autoridades competentes. Alega que a confiança na instituição não pode ser colocada em causa. Numa nota da direção socialista à Lusa, o partido lembra que não há que ignorar casos como este. A UGT não vai levar novas propostas pra concertação social. Na reunião marcada para esta quinta-feira, as propostas que a Central Sindical tinha para apresentar, já apresentou e agora é continuar a negociá-las com o governo. O Observador sabe que essa é a conclusão da reunião que o líder da UGT teve com o Secretariado Executivo. A Intersindical rejeita assim o repto da ministra do Trabalho para que seja apresentada uma nova versão do documento do lado dos trabalhadores. Já do lado dos patrões, o presidente da CIP, Armindo Monteiro, considera que há prejuízos para o país caso sejam desperdiçados estes meses de negociações em concertação social. Passamos para o internacional, com um anúncio do presidente norte-americano. Donald Trump vai suspender a Operação Liberdade de escolta de navios no Estreito de Ormuz. Um anúncio feito através da rede social Truth Social. Trump escreve que a suspensão desta Operação Liberdade vai ser temporária para perceber se o acordo com o Irão vai ser assinado e finalizado. Trump explica ainda que esta decisão veio depois de vários pedidos do Paquistão e outros países para que se chegue a um acordo. Ora, esta operação é uma contradição na administração Trump, tendo em conta que o secretário de Estado norte-americano anunciava, antes deste anúncio feito por Donald Trump, que a ofensiva contra o Irão acabou e que era o início de uma nova fase denominada de Projeto Liberdade. Ora, Marco Rubio e Donald Trump parecem estar desencontrados nesta matéria. Na Casa Branca, Rubio anunciava o início desta operação, que acabou por ser suspensa, explicava o secretário de Estado norte-americano no que consistia a operação e garantia que era totalmente defensiva.

As Forças Armadas norte-americanas estão a mobilizar os meios necessários para alargar este escudo defensivo à navegação comercial, mas que não haja dúvidas, isto é uma operação defensiva. Se não forem disparados tiros contra nós, nós também não vamos disparar, mas se formos alvejados, vamos responder com eficiência letal. Estas forças já destruíram, como referi, sete lanchas rápidas iranianas que não acataram os nossos avisos. São alvos fáceis e pelo menos 10 marinheiros civis morreram na consequência disso.

Os avisos do secretário de Estado norte-americano ao Irão, em declarações na noite de terça-feira, na Casa Branca. A administração Trump está em contradição relativamente a esta operação, que foi suspensa e durou cerca de 48 horas. Já do lado do Irão, o país diz que é impossível aceitar as exigênciasdos Estados Unidos com vista a um acordo de paz. É o entendimento do presidente iraniano. Masoud Pezeshkian sublinha que Teerão continua a receber ameaças por parte dos Estados Unidos. O chefe de Estado acusa o país de seguir uma política de pressão máxima, ao mesmo tempo que espera que o Irão ceda às exigências unilaterais dos norte-americanos. Citado pela Reuters, considera que é impossível. Entretanto, também dizer que o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano já aterrou na China há poucos minutos. Abbas Araghchi está numa campanha por vários países. Está agora em Pequim para se encontrar com o homólogo chinês. A Itália volta a defender o Papa contra as recentes críticas de Donald Trump, depois de o presidente dos Estados Unidos ter dito que Leão XIV está a pôr muitos católicos em risco com os apelos à paz. Afirmações que, para o ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, são inaceitáveis. O apelo à paz e ao diálogo na guerra com o Irão tem sido feito várias vezes pelo Papa. Trump não gostou e manifestou-se contra o líder da Igreja Católica em resposta. No X, o ministro italiano Antonio Tajani afirma que as críticas de Trump a Leão XIV em nada contribuem para a paz. A Itália recusa-se de forma categórica a estas afirmações e garante que a visão do Papa é partilhada pelo governo italiano. A Organização Mundial da Saúde está a tentar localizar os mais de 80 passageiros a bordo do avião em que seguia uma neerlandesa infetada com o hantavírus. A mulher de 69 anos saiu de Santa Helena num voo para Joanesburgo, na África do Sul. Veio a morrer com o vírus no hospital no passado dia 26 de abril. A Organização Mundial de Saúde entende que há indícios de contágio e quer, por isso, localizar todas as pessoas que partilharam o voo com esta mulher, que esteve a bordo do cruzeiro, que também está ainda no Atlântico, em quarentena. Espanha ofereceu-se para que o cruzeiro atracasse nas Ilhas Canárias. Isto porque as Ilhas Canárias têm um historial de lidar com este hantavírus. Pelo menos 22 pessoas morreram em ataques russos na Ucrânia, em véspera das duas tréguas anunciadas, uma por Kiev, outra pelo Kremlin. O cessar-fogo ucraniano começou na noite de terça-feira, sem prazo para acabar. A pausa da Rússia está marcada para os dias 8 e 9 de maio, quando Moscovo celebra o Dia da Vitória. Zelensky condena o que diz ser o puro cinismo de Moscovo, depois do Kremlin ter anunciado uma trégua de forma unilateral para realizar ações de propaganda. A Rússia ameaça lançar um ataque em grande escala com mísseis contra o centro de Kiev, caso a Ucrânia viole esta trégua. A notícia de fecho deste jornal das 04:00. A informação está de regresso às 05:00. Até lá, fique com a repetição do episódio de terça-feira de "Contracorrente".