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As notícias com Miguel Pina Andrade.

O primeiro-ministro abre esta quinta-feira o debate do Estado da Nação no Parlamento, um debate que deverá ser marcado pelos problemas relacionados com a correção dos exames nacionais, mas também pelas críticas ao ministro da Administração Interna. O debate tem uma duração aproximada de três horas. Luís Montenegro tem até 30 minutos para abrir o debate sobre o Estado da Nação. O governo também vai ter a última palavra. Depois do discurso do primeiro-ministro, seguem-se os pedidos de esclarecimento dos partidos, a começar pelo Chega. O prazo para a correção dos exames nacionais já terminou, mas esta quinta-feira ainda há professores que vão classificar exames. A publicação das notas está prevista para o dia seguinte, na sexta-feira, de acordo com o movimento Escola Pública, em declarações à Lusa, há professores que receberam nesta quarta-feira à noite itens para correção. Cristina Mota, porta-voz do movimento, coloca a hipótese de as pautas divulgadas não conterem todas as classificações. O ministro da Educação garantiu que nesta sexta-feira as notas vão estar disponíveis. Se não estiverem, o secretário-geral do PS diz que o partido vai avançar para uma comissão parlamentar de inquérito. José Luís Carneiro insiste nas críticas ao governo na polêmica da correção dos exames. O secretário-geral do PS diz que o futuro de milhares de jovens está em risco, que está exposta a incapacidade do governo em gerir o processo da correção. Agora, José Luís Carneiro diz que esta é a data limite para evitar uma comissão de inquérito.

Se na sexta-feira houver falhas e se mantenham as falhas, é muito provável que a nossa decisão, vou ouvir os órgãos do Partido Socialista, vou ouvi-los, aliás, no decurso das próximas horas, quer o Secretariado Nacional, quer a Comissão Política Nacional, é provável que o PS venha a acompanhar a iniciativa de uma comissão de inquérito.

José Luís Carneiro, que diz que tem recebido muitas queixas de professores, acusa o ministro da Educação de querer atirar e responsabilizar os docentes. Já sobre o ministro da Administração Interna, o líder socialista diz que Luís Neves deve explicações aos portugueses. Em causa a polêmica em torno do monte e das obras na casa do ministro em São Teotónio, em Odemira. Luís Neves já divulgou as faturas das obras, mas continua sem mostrar os comprovativos de pagamento, situação que leva José Luís Carneiro a pedir mais explicações.

Ele, mais do que qualquer outra pessoa, sabe da importância do escrutínio democrático para quem desempenha funções de natureza política e da importância que tem esclarecer todas as questões que há a esclarecer. É isso que eu espero que ele venha a fazer.

A exigência de José Luís Carneiro ao ministro da Administração Interna, durante a entrevista à CNN Portugal. Voltamos ao tema dos exames nacionais. Hugo Soares diz que apesar dos problemas com a correção, o método de classificação digital é uma mudança positiva, tanto para os professores como para os alunos. O líder parlamentar do PSD sai em defesa do ministro da Educação, afirma que a grande maioria dos professores está a favor desta mudança.

A esmagadora maioria dos professores estão de acordo. Esta é uma mudança que eu não tenho dúvida, é boa para o sistema educativo e para os alunos. É mais justa, mais equitativa e é melhor para os professores, como de resto, repito, os professores consideram.

Sobre o ministro da Educação ter afirmado que o método devia ter sido introduzido de uma forma gradual, Hugo Soares admite as dificuldades, mas reforça que é uma transformação para melhor.

Quando se faz uma transformação desta monta, deste tamanho, há sempre dificuldades. Sim, nem tudo correu bem. Sim, estamos a mudar para melhor. Eu tenho dito, quero aqui repetir. Ouça, se fosse para deixar tudo na mesma, deixem governar o Partido Socialista, eles são ótimos nisso. Nós viemos mesmo para mudar. As mudanças têm resistências, como disse o senhor primeiro-ministro. Claro que têm. Trazem dificuldades? Trazem. Eu ainda não vi ninguém dizer no espaço público que esta mudança é para pior.

Hugo Soares entrevista a SIC Notícias sobre os problemas na classificação digital dos exames nacionais. O antigo líder do PSD, Rui Rio, acusa o atual governo de não ter coragem nem vontade para fazer reformas que considera urgentes, desde logo reformas no sistema político e também na Justiça. O antigo presidente dos sociais-democratas esteve numa conferência em Bragança sobre reformar o regime e o retrato da crise do regime democrático. Aos jornalistas, Rui Rio afirma que a classe política não faz reformas porque tem medo de ir contra os interesses instalados.

Muito difícil fazer reformas e a própria classe política, chamemos assim, não gosto muito de dizer desta maneira, mas enfim, não tem tido a vontade e a coragem de as fazer. Não tem tido coragem porque tem medo também de fazer essas reformas e de mexer com interesses instalados. Porque quando se mexe com interesses instalados, obviamente que há tumultos e há problemas, porque os benefícios de uma reforma aparecem uns anos depois, mas a contestação aparece logo no momento. A verdade é que as coisas se vão desatualizando.

E é por isso que o antigo presidente do PSD, Rui Rio, defende reformas urgentes no sistema político, na Justiça e no próprio Estado.

É fundamental uma reforma do sistema político, é absolutamente vital uma reforma da Justiça, é fundamental. E é fundamental uma reforma do Estado, seja na vertente da forma como gerimos o Estado e os organismos públicos, que cada vez funcionam pior, seja na forma como governamos o Estado, ou seja, muito centralizado, precisando nós de descentralizar, de desconcentrar, quiçá até de regionalizar, mas pelo menos descentralizar, desconcentrar.

Rui Rio diz que o medo de fazer reformas não é apenas deste governo, também será dos próximos, e acusa o Ministério Público e a Polícia Judiciária de não estarem a fazer o suficiente para combater a corrupção. O governador do Banco de Portugal recusa que o crescimento econômico do país tenha sido um milagre. Em entrevista ao Observador, Álvaro Santos Pereira lembra que o crescimento da economia portuguesa foi alcançado depois de um período complicado e que antes da crise financeira, o país esteve quase 20 anos quase sem crescer. Para manter a tendência, Álvaro Santos Pereira diz que são precisas reformas e coragem para pôr em prática. O governador do Banco de Portugal diz que um crescimento de cerca de 2% deve ser considerado como moderado e que é sinal de melhoria. Ainda assim, contém o entusiasmo e recusa falar de milagres.

Antes da crise financeira, nós tivemos quase 20 anos quase sem crescer, crescer bem abaixo de 1%, e isso nos levou onde nos levou. Nós, neste momento, com crescimentos de cerca de 2%, crescimentos totais, estamos a falar de uma economia que claramente está bem melhor do que estava nos anos após termos aderido ao euro. Esses anos até à crise financeira e um pouco depois. Quer isso dizer que somos um milagre econômico? Não, não somos. Nós estamos com uma economia a crescer de uma forma moderada. Nós precisamos crescer mais. Para crescermos mais, precisamos de reformas.

Nesta entrevista ao Observador, Álvaro Santos Pereira diz ainda que um novo debate sobre a reforma laboral não seria algo negativo e assegura que não é o único a pedir flexibilidade.

Eu já há muitos anos que defendo isso e aliás, a OCD faz a mesma coisa e vários bancos centrais falam sobre essa matéria. Eu defendo um modelo de flexissegurança, ou seja, eu defendo que tem que haver maior flexibilidade, mas protegendo mais o trabalhador. Ou seja, dá-se mais flexibilidade no posto de trabalho, mas protege-se mais o trabalhador. É isto que foi feito há uns anos, há mais de 20 anos, na Suécia, na Dinamarca e outros países.

Álvaro Santos Pereira, o governador de Portugal, em entrevista no Sob Escuta da Rádio Observador, é o artigo que faz manchete a esta hora no site do Observador. No Médio Oriente, os Estados Unidos continuam com os ataques contra o Irão pelo quinto dia consecutivo. De acordo com o comando central norte-americano, a última vaga de ataques atingiu centros de comando iranianos, instalações de defesa aérea e capacidades de mísseis e drones. Os bombardeamentos visam degradar a capacidade de Teerão de comprometer a navegação no estreito de Ormuz. Segundo a Al Jazeera, o Ministério da Saúde do Irão divulgou os números mais recentes de vítimas desde o início desta recente onda de ataques. Pelo menos 35 pessoas morreram e mais de 300 ficaram feridas, segundo a emissora árabe, que cita a Agência Mehr, os sistemas de defesa aérea foram ativados na capital iraniana para fazer face a ameaças hostis. O vice-presidente norte-americano J. D. Vance diz que a prioridade estratégica dos Estados Unidos é manter o estreito de Ormuz aberto para garantir o livre fluxo do abastecimento de petróleo e de gás. Em entrevista a Joe Rogan, num podcast, o número dois de Donald Trump admitiu que destruir as instalações nucleares do Irão e a capacidade de as reconstruir era um objetivo a curto prazo. Defende que uma solução duradoura requer um acordo. J. D. Vance rejeita a ideia de enviar soldados para o terreno, diz que essa era terminou e que as Forças Armadas dos Estados Unidos não vão determinar o futuro político de outras nações. É o ponto final nesta edição das 04:00. A informação está de regresso às 05:00. Até lá.