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Quatro horas. As notícias com Hugo Fortunato de Oliveira. Começamos por olhar para a atualidade internacional, porque os Estados Unidos acabam de dar por concluída uma nova vaga de bombardeamentos contra o Irão, em resposta aos ataques iranianos frustrados contra bases militares norte-americanas no Médio Oriente. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, os ataques atingiram dezenas de alvos da Guarda Revolucionária Islâmica, incluindo centros de comando militar, instalações de mísseis e drones, sistemas de vigilância, posições de defesa costeira e meios navais. O CENTCOM diz ainda que os ataques visaram reduzir as ameaças do Irão e dos aliados às forças norte-americanas, à navegação comercial e aos países vizinhos do Golfo. Ataques que aconteceram depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter prometido atingir o Irão com toda a força esta noite.
"Vamos atacá-los com toda a força, porque é agora a nossa vez de os atacar. Eles sabem o que aí vem e até nos estão a pedir para não o fazermos. Tentaram atingir-nos na noite passada, mas lançámos cinco mísseis a 8500 milhas por hora e todos os cinco mísseis deles foram abatidos, mas de qualquer das formas, eles tentaram o ataque. Por isso, agora é a nossa vez. Vamos ver se conseguimos chegar a um acordo em algum momento, mas vamos atacá-los com toda a força".
A promessa, entretanto, cumprida de Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos, esta tarde, em declarações aos jornalistas na Sala Oval. Noite de ataques também na Ucrânia. Segundo a agência Reuters, nas últimas horas foram ouvidas explosões em várias cidades ucranianas, incluindo na capital Kyiv. Através do Telegram, o autarca da capital confirmou que a cidade está a ser alvo de bombardeamentos e apelou à população para permanecer nos abrigos. Ao início da noite desta quarta-feira, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky recorreu à rede social X para dizer que a Rússia estava a preparar um ataque em larga escala contra a Ucrânia. Na atualidade nacional, o incêndio de Vale de Passos já deixou três pessoas alojadas na localidade de Cabeço. Informação confirmada à Rádio Observador pelo oficial de operações da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, José Costa. Há ainda a indicação de três casas de primeira habitação atingidas pelas chamas em Gorgosso e de duas outras, também de primeira habitação, em Santa Velha atingidas, além de várias outras casas de segunda habitação e de volutas. O incêndio de Vale de Passos que continua sem dar tréguas. O fogo alastrou-se esta quarta-feira ao concelho vizinho de Mirandela. Três bombeiros, um militar da GNR e ainda um civil sofreram ferimentos leves. O incêndio obrigou ainda a retirada de moradores na localidade de Vale de Telhas. Luís Neves quebrou o silêncio sobre os mandatos na Direção Nacional da Polícia Judiciária. O agora ministro da Administração Interna admite falhas, mas diz sentir-se totalmente legitimado para continuar no Executivo. O governante sublinha que nunca favoreceu João Carvalho ou a empresa Constrobarcelos. Assume, ainda assim, responsabilidade pelo transporte do atrelado de droga para a empresa do empreiteiro e amigo. Garante que se limitou a um bom ato de gestão e nega que tenha havido qualquer tipo de desvio do veículo. Luís Neves assegura que tem o aval do primeiro-ministro para continuar no governo. Martim Madeira.
No Terreiro do Paço, na sede do Ministério da Administração Interna, Luís Neves preparou-se com dossiê e fotografias para esclarecer todas as dúvidas sobre o caso do tanque e do atrelado. Uma conferência que era para ser ponto a ponto, acabou por perder a linha.
Peço desculpa. Ficou combinado aqui e organizado entre vós que não se atrapalhavam uns aos outros. Portanto, não é possível.
Na conferência de quase 50 minutos, apesar do bombardeamento de perguntas, Luís Neves procurou clarificar toda a situação. Sobre o atrelado, dá a garantia de que não houve qualquer benefício para ninguém.
Não foi desviado qualquer bem, não foi comprometida qualquer prova, não foi beneficiado quem quer que fosse e não há aqui qualquer ligação ao tráfico de droga. Não havia outra opção.
O mesmo diz sobre o envolvimento com o empreiteiro João Carvalho.
Quanto ao envolvimento do senhor João Carvalho, não favoreci esta pessoa, não favoreci a sua empresa, não recebi qualquer benefício. Repito muito claramente: não poupei nem ganhei um cêntimo. Foi um contrato feito com uma pessoa que trabalha bem e do qual tinha confiança.
Já sobre a polémica da piscina, afinal, era um tanque que depois virou piscina e agora vai voltar a ser um tanque.
Esse tanque foi efetivamente construído, mas depois acabou por se transformar numa piscina média familiar, já que foi ladeada, contra a minha vontade inicial, por terra. Não pedi licenciamento, pois eram intervenções de pouco impacto e monta na estrutura já existente e que não foi alterada.
Quanto à entrega da declaração de rendimentos, Luís Neves explica que demorou algum tempo por considerar ser um risco.
Notem que esta declaração expõe, entre outros, as moradas, neste caso, de dirigentes policiais. No meu caso em particular, e quero enfatizar, que estive sob medidas de proteção e segurança, fui ameaçado juntamente com a minha família por máfias e delinquentes da pior espécie. Era um risco enorme prestar certo tipo de informações de caráter pessoal.
Por fim, sobre a possibilidade de uma comissão parlamentar de inquérito, Luís Neves diz estar sempre disponível.
Todos os momentos que existam para que seja esclarecida alguma dúvida, em toda a minha vida, estive sempre disponível e estarei sempre disponível para responder em todo o lado.
Um trabalho do jornalista Martim Madeira, que esteve a acompanhar a conferência de imprensa do ministro Luís Neves, onde o governante quebrou o silêncio sobre as polémicas em que se viu envolvido. Na reação, André Ventura considera que Luís Neves não tem condições para continuar no governo e pede a intervenção do Presidente da República. O líder do Chega diz que o ministro assumiu a prática de vários crimes, nomeadamente a confissão de que fez pagamentos em numerário, de forma faseada, acima de € 3.000. Ventura considera mesmo que a conferência de imprensa de Luís Neves foi uma das piores a que já assistiu.
Esta foi uma das conferências de imprensa mais sofríveis dos últimos tempos, mas também acho que foi das mais sofríveis para a nossa democracia enquanto democracia. E a forma como alguém, de forma absolutamente ostensiva, quase com tintas de impunidade e de soberba, fazia declarações sobre coisas graves e sérias de forma absolutamente rudimentar, autoritária, respondendo ao que queria e não ao que era perguntado.
Ventura quer que António José Seguro intervenha e considera que o governo perdeu uma oportunidade de dar um sinal diferente ao país.
O governo que perdeu uma oportunidade de decência. Permitam-me isto, que não é nenhuma conversa, é mesmo só uma intuição que tenho. Acho que o Presidente da República deve estar arrepiado depois de ouvir esta conferência de imprensa.
Reação do líder do Chega, André Ventura, que volta a pedir a demissão do ministro Luís Neves. Ainda antes da conferência de imprensa do ministro da Administração Interna, o secretário-geral do PS esteve reunido com o primeiro-ministro. José Luís Carneiro transmitiu a Luís Montenegro preocupação perante a fragilidade de Luís Neves enquanto ministro.
A nossa grande preocupação é mesmo a da salvaguarda das instituições democráticas e por isso transmiti ao senhor primeiro-ministro que, no meu entender, a autoridade política do ministro da Administração Interna está fragilizada. Esses factos fragilizam a autoridade política daquele que é o titular da Administração Interna, ou seja, que tem a direção das forças de aplicação da lei.
Declarações do líder socialista José Luís Carneiro. O PS não pede a demissão do ministro, mas insiste em levar Luís Neves ao Parlamento. Ainda assim, os socialistas rejeitam apoiar a comissão parlamentar de inquérito proposta pelo Chega. Do outro lado da barricada, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, afirma que as explicações de Luís Neves foram elucidativas e acusa a oposição de nunca estar satisfeita.
Foi elucidativa, respondendo tal qual ele se comprometeu, ponto por ponto, às questões que foram levantadas e, de resto, às questões que os senhores jornalistas lhe colocaram nesta conferência de imprensa. É evidente que o país não espera que, para a oposição, esta conferência de imprensa tenha respondido a todas as perguntas. A oposição tem sempre mais uma dúvida, tem sempre mais uma questão e acha sempre que ficaram pontas soltas.
Declarações do líder da bancada dos social-democratas, Hugo Soares, que acusa ainda o Chega de não querer saber a verdade sobre o caso e de querer fragilizar o governo. Diz ainda que para o partido de André Ventura, o interesse partidário está à frente do interesse nacional. Notícia de fecho neste jornal das 04h. A informação está de regresso à antena do Observador quando forem 05h. Por agora, fica a primeira parte da repetição do Contracorrente desta quarta-feira.