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Rádio Observador. São 5 horas. As notícias com Carlos Pedro.
Bom dia, Jornal das 5. O Papa Francisco é hoje sepultado depois de três dias de velório. São esperadas 200 mil pessoas em Roma para assistir à cerimônia. A missa está marcada para às 9h, hora de Lisboa. O Papa vai ficar sepultado na igreja de Santa Maria Maior. Uma das intenções vai ser lida, em português, por uma funcionária da Rádio Vaticano, que esteve à conversa com os enviados especiais do Observador. A reportagem é do Luís Soares.
É esta a oração que vai ouvir-se em português no funeral do Papa Francisco.
Pelos povos de todas as nações que, praticando incansavelmente a justiça, possam estar sempre unidos no amor fraterno e busquem incessantemente o caminho da paz.
Bianca Fracalvieri é funcionária da Rádio Vaticano há 20 anos e tem ensaiado esta frase.
A gente fez o ensaio hoje. E a gente é dividido por grupos. O grupo dos leitores, o grupo dos cerimonialistas. É feito assim.
Está na lista dos leitores em português para as audiências gerais.
Toda vez que tem uma missa, os cerimonialistas consultam a Rádio Vaticano pedindo um leitor em português e a gente indica. Dessa vez foi a mesma coisa. Estão precisando de uma voz feminina para a intenção de oração. Aí o nosso coordenador falou assim: "Quem se candidata?"
Levantou a dedo.
Eu.
Uma escolha que deixa Bianca feliz e a sentir-se privilegiada. É o fechar de um ciclo em que contactou com uma figura apaixonante.
Enalteceu a figura feminina. A gente teve esse contato mais próximo, justamente porque ele queria o contato mais próximo com as pessoas. De fato, a gente encontrou com ele várias vezes, porque toda vez que a gente lia na audiência, a gente saudava ele antes. Nas plenárias a gente também saudava. Nos sínodos, quando tinha a pausa do café, ele ficava com a gente.
Bianca soube da notícia da morte do Papa quando estava a trabalhar na Rádio Vaticano. Mais do que triste, está agradecida pelo que foi o pontificado de Francisco.
Mais do que triste, eu tô muito grata, porque foi um pontificado muito maravilhoso. Então eu não consegui ficar triste, eu fiquei grata por ele ter dado esse pontificado tão lindo, tão rico pra Igreja.
E teve oportunidade para se despedir do Papa ainda na Casa de Santa Marta.
Sim, porque ali era a casa dele. Era a capela onde ele fez homilias magníficas, então era um momento de recolhimento, da casa dele mesmo. Então foi muito especial também.
A despedida final de Bianca será certamente durante o funeral deste sábado na Praça de São Pedro.
Luís Soares, enviado especial da Rádio Observador em Roma. 50 chefes de Estado e 10 monarcas vão marcar presença na cerimônia. Portugal faz-se representar pelo presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, e ainda pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco. A Rádio Observador tem preparado uma emissão especial para acompanhar o funeral de Francisco. Arranca a partir das 8h, vai ser conduzida pela Carla Jorge Carvalho, pelo João Miguel Santos e pelo Miguel Videira. Vai contar também com a participação de Raquel Abecasis e dos padres João Bastos, José Manuel Pereira de Almeida e Manuel Cardoso, e ainda com os enviados especiais do Observador ao Vaticano, João Francisco Gomes, Luís Soares e Diogo Ventura. O legado deixado por Francisco não deixa ninguém indiferente. É o que defende Luís Marques Mendes, que esteve ontem à noite no Canal Nau. O antigo líder do PSD pede aos portugueses que sigam o exemplo do Papa, sobretudo em questões de imigração.
O Papa Francisco é, de fato, admirado por toda a gente, crentes e não crentes, católicos e não católicos. Mas a melhor forma de homenagear o Papa Francisco não é tanto falar dele, é seguir o exemplo dele. E o exemplo do Papa Francisco em matéria de imigração, em matéria de refugiados, é, de fato, um exemplo absolutamente notável. A primeira visita que o Papa Francisco fez no início do seu pontificado foi aonde? Lampedusa, a ilha italiana, por causa dos refugiados. Ele teve sempre uma visão humanista. Eu julgo que o importante é haver regulação para haver uma integração correta dos imigrantes e, ao mesmo tempo, sublinhar quanto eles são uma oportunidade importante para Portugal.
Ainda sobre o tema, Luís Marques Mendes defende que a imigração é importante para Portugal e que deve ser vista como uma oportunidade. É a posição do candidato à Presidência da República no próximo ano, depois dos acontecimentos de violência da última tarde, que marcaram o 25 de abril. Marques Mendes alerta para a necessidade de se regular a entrada de estrangeiros em Portugal, mas sublinha a importância da imigração para a economia do país.
Eu acho que os imigrantes são muito mais uma oportunidade que um problema. Evidentemente que também há problemas. Por que é que são uma oportunidade? Primeiro, porque Portugal é um país que perde população. O saldo natural. A diferença entre os que nascem e os que morrem é negativa. Se não tivermos imigrantes, perdemos população. E um país com menos população é um país fraco e pobre. Segundo, porque falta-nos mão de obra. De norte a sul do país, falando com qualquer empresário, queixam-se todos de falta de mão de obra. E, portanto, ou há, de fato, imigrantes que ajudem a resolver o problema da falta de mão de obra ou temos aqui um problema sério. O país não investe.
O candidato a Belém, Luís Marques Mendes, esta sexta-feira no Canal Nau, reforçou ainda a importância de Portugal investir no setor da defesa, uma ação que quer ver concretizada já depois das eleições de 18 de maio. Rui Fonseca e Castro e Mário Machado foram libertados depois de terem sido detidos ontem pela PSP, durante uma manifestação não autorizada no Rossio, em Lisboa. Uma libertação que aconteceu pouco depois das 22h30. Recordo que Mário Machado, líder do grupo 1143, foi detido quando apoiantes da extrema-direita se envolveram em confrontos com manifestantes antifascistas. Antes disso, Rui Fonseca e Castro, líder do partido ERC, foi detido pelas autoridades depois de manifestantes entrarem em confronto com a PSP. À saída da esquadra de Moscavide, falou o advogado de Mário Machado. José Manuel Castro critica a atuação da polícia e revela que o ultranacionalista vai ser presente a juiz já na segunda-feira.
É de algum espanto que no 25 de Abril se detenham pessoas por exercerem o seu direito de manifestação. No caso concreto do Mário, é-lhe imputado, alegadamente, um crime de coação, algo que não se entende bem onde é que caiu. De qualquer maneira, foi detido, vai sair agora e será presente ao tribunal para ser ouvido pelo juiz na segunda-feira.
José Manuel Castro, advogado de Mário Machado, a revelar que o líder do grupo 1143 vai ser presente a juiz já na próxima segunda-feira, no Campus da Justiça, juntamente com Rui Fonseca e Castro, está indiciado de resistência, coação a funcionário, desobediência e ameaça a jornalistas. O líder do ERC, que também falou à saída, nega ter cometido qualquer ilegalidade e considera ter sido detido por questões políticas.
Não houve qualquer norma que tenha sido incumprida da nossa parte. O único foco de violência, de desordem, começou na polícia. Eu entreguei-me à polícia, as imagens foram transmitidas em direto. As pessoas que foram detidas, foram detidas por motivos políticos e são, neste momento, arguidos políticos, detidos políticos que vão agora aguardar o desenvolvimento do processo.
Rui Fonseca e Castro, líder do partido ERC, à saída da esquadra de Moscavide. Ainda sobre o tema, o Ministério da Administração Interna lamenta os momentos de violência causados por manifestantes durante as celebrações do 25 de Abril. A comemoração da Revolução dos Escravos ficou marcada por focos de tensão em duas zonas de Lisboa, entre o Martim Moniz e o Rossio. No total, três pessoas foram detidas, outras quatro foram identificadas. Em reação, o governo escreve que houve uma maioria pacífica que saiu à rua para celebrar e que houve, por outro lado, uma minoria violenta que foi travada pela PSP, a quem o ministério de Margarida Blasco agradece o trabalho feito em defesa da segurança pública. O Executivo expressa ainda solidariedade com os dois agentes que acabaram por ficar feridos durante os confrontos. Apesar dos incidentes, houve quem se tivesse limitado a celebrar. Milhares de pessoas desceram ontem à Avenida da Liberdade em direção ao Rossio. A adesão foi grande, ainda que menor do que no ano passado, quando se celebraram os 50 anos desde o dia da revolução que ditou a queda do Estado Novo. Foram vários os líderes partidários que marcaram presença no desfile na Avenida da Liberdade. Destaque para o secretário-geral do Partido Socialista, Pedro Nuno Santos, também como habitual, os líderes de PCP, Bloco de Esquerda, Livre e PAN estiveram no desfile. À direita, foi a Iniciativa Liberal quem compareceu. Donald Trump acusou ontem a Ucrânia de estar pelo menos três semanas atrasada na assinatura do acordo de minerais. O presidente dos Estados Unidos diz que a Ucrânia ainda não assinou os documentos finais do importantíssimo acordo sobre as terras raras com os Estados Unidos. O atraso é de pelo menos três semanas, acusou o líder norte-americano, que disse esperar que o acordo seja assinado imediatamente. Quanto às negociações para que seja alcançado um acordo de paz entre a Ucrânia e a Rússia, o presidente dos Estados Unidos disse, numa mensagem partilhada na rede social Truth Social, que estão a decorrer sem problemas. Fechamos este jornal a olhar para o futebol. O Futebol Clube do Porto pode hoje voltar ao terceiro lugar da Primeira Liga. Os Dragões vão à Reboleira defrontar o Estrela. Os azuis e brancos partem para o encontro a dois pontos do Sporting de Braga, mas com menos um jogo. Ontem, os bracarenses não foram além de um empate a um golo no terreno do Famalicão. Antes disso, na antevisão à partida, Martin Anselmi destacou a dificuldade em defrontar as equipas que estão a esta altura na luta pela permanência.
É uma equipa que luta muito, estará comprometida até ao fim, quer os três pontos e a vitória em casa. É um campo também complicado. Para nós, não muda nada. O importante é mostrarmos a nossa essência. São quatro finais para cumprirmos os objetivos.
Os Dragões não podem contar com o guarda-redes Diogo Costa, está de fora por lesão. Também Otávio e Tiago Djaló não são opções para o encontro, por estarem em contas com processos disciplinares. Ora, do outro lado, o técnico do Estrela da Amadora desvaloriza o momento conturbado à volta dos Dragões. José Faria fala numa equipa que tem vindo a melhorar sobre o comando técnico de Anselmi.
Tem vindo a evoluir consideravelmente, pelo menos do ponto de vista das ideias do treinador novo. Nota-se e que nos últimos dois jogos contra dois adversários bastante difíceis, ganharam de forma clara. Por isso, esperamos um jogo de máxima dificuldade. Há uma coisa que eu não tenho dúvidas nenhuma. A melhor versão do Estrela permite-nos ter garantias de amanhã sermos bastante competitivos e podermos fazer um bom resultado.
Martin Anselmi e José Faria na antevisão ao encontro entre Estrela e Futebol Clube do Porto. Acontece na Reboleira e tem início marcado para as 20h30. Vai contar com relato em direto aqui na Rádio Observador. Fica por aqui este jornal. A informação regressa com a síntese das 17h30. Até já.