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Cinco horas. As notícias com Beatriz Félix. Bom dia, são 5 da manhã, é tempo de atualizar a informação. Hoje é Dia do Trabalhador. A UGT vai assinalar a data com uma concentração no Jamor, em Oeiras. A CGTP promete um dia de intervenção com iniciativas em todos os distritos. O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, diz que o objetivo é fazer do 1º de Maio um dia de luta, de intervenção e de denúncia na rua, com todos os trabalhadores que procuram resposta aos problemas. São esperados milhares de trabalhadores reunidos nas ruas para reivindicar direitos e melhores condições, já de olhos postos nas eleições legislativas de 18 de maio. O secretário-geral da UGT sublinha ainda que o atual contexto político e social, interno e externo, não altera o rumo traçado no que diz respeito às questões do diálogo e concertação social. E para hoje está também marcada uma manifestação de moradores na Lagoa de Albufeira, em Sesimbra. Em causa está a demora nas obras da abertura e desassoreamento da lagoa, apesar de a Agência Portuguesa do Ambiente já ter anunciado, na quarta-feira, que os trabalhos iam arrancar no início de maio. Em declarações à Agência Lusa, uma das organizadoras do protesto disse que os habitantes se vão manifestar contra a falta de informação sobre o processo. É esperada mais de uma centena de manifestantes. Entre as reivindicações, a exigência de uma data concreta para a abertura da Lagoa de Albufeira, face a anteriores promessas não cumpridas. E a costa norte da Ilha da Madeira vai estar sob aviso amarelo, pelo menos até às 6h da manhã desta quinta-feira. Em causa, a decisão do Instituto Português do Mar e da Atmosfera face à agitação marítima. Em comunicado, o IPMA avisa que são esperadas ondas com cinco a seis metros, mas que podem mesmo chegar até aos 11. Há também um alerta semelhante em vigor na costa sul da Madeira e na ilha de Porto Santo, que levou ao cancelamento das viagens do Lobo Marinho, a embarcação que faz a ligação entre as duas ilhas do arquipélago da Madeira. Além disso, toda a região autónoma vai estar sob aviso amarelo até às 18h de quinta-feira, devido à previsão de aguaceiros, por vezes forte, com a possibilidade de trovoada. Mudamos de tema. O debate decisivo desta quarta-feira entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos, secretário-geral do Partido Socialista, acusa a AD de querer continuar com o projeto de privatização de pensões. Uma ideia já antiga, diz Pedro Nuno Santos, que aponta o dedo ao PSD por não valorizar os pensionistas. Para Pedro Nuno Santos, é preciso aumentar os investimentos no apoio aos mais velhos, não só nos lares que existem, apostar na criação de novos lares e fazer um pacto para aumentar os salários dos trabalhadores que dedicam a vida a cuidar dos mais velhos. Para isso, promete o líder socialista, vai ser extinguido um grupo de trabalho que quer privatizar o sistema de pensões.

Há uma coisa que nós nunca faremos, que é grupos de trabalho presididos por pessoas que têm uma posição clara sobre o sistema público de pensões e que querem, obviamente, entregar parte do sistema público de pensões ao mercado de capitais. Isso nós nunca faremos. Nós nunca permitiremos que quem quer que seja ponha a mão no sistema público de pensões.

Está a acusar o Luís Montenegro de o fazer?

Não, o governo criou um grupo que está a estudar a reforma da Segurança Social e tem um presidente que tem posições muito sólidas sobre o sistema de pensões em Portugal. Tenho muita dificuldade em acreditar que vá concluir diferente do que sempre defendeu. E, portanto, a AD tem hoje o projeto que sempre teve, que é a privatização parcial do sistema público de pensões. Isso nunca acontecerá com o PS e quero aqui dizer que será mesmo uma das nossas primeiras decisões extinguir o grupo de trabalho que foi criado para a privatização da Segurança Social.

Na resposta, Luís Montenegro promete não fazer alterações ao sistema de Segurança Social nesta legislatura, mas não descarta por completo a ideia. O líder da AD diz mesmo que hoje os pensionistas confiam mais na coligação entre PSD e CDS, em detrimento do Partido Socialista. Quanto ao grupo de trabalho, do qual se queixava o líder do PS, o primeiro-ministro diz que o grupo está apenas a analisar o livro verde que o governo de António Costa mandou fazer.

O doutor Pedro Nuno Santos hoje está mesmo a falhar muito à seriedade. Então ele critica o governo por ter criado um grupo de trabalho que mais não está a fazer do que a analisar um estudo, um livro verde, que foi o governo do qual o doutor Pedro Nuno Santos fez parte, que elaborou? Então o doutor Pedro Nuno Santos está chateado porque o governo que eu lidero está a estudar aquilo que o governo que ele fez parte mandou fazer? Ó doutor Pedro Nuno Santos, o doutor Pedro Nuno Santos não tem limites à utilização demagógica, deturpada dos argumentos políticos. Nós estamos simplesmente a analisar as conclusões do seu estudo, do estudo que o senhor encomendou. Eu já prometi e vou aqui reiterar: nós não vamos fazer nenhuma alteração ao sistema de Segurança Social nesta legislatura. E se algum dia eu, enquanto líder do PSD ou chefe do governo, tiver de a propor ao país, será na base de uma decisão eleitoral. E eu já prometi que só o farei, portanto, numa próxima legislatura, se for necessário.

E no final do debate, Luís Montenegro acusou Pedro Nuno Santos de ter ultrapassado os limites e garante ser à prova de bala na corrida das legislativas. Uma referência ao caso Spin&viva, utilizado no frente a frente pelo líder socialista. Luís Montenegro defende-se das críticas de falta de transparência e diz que Pedro Nuno Santos ultrapassou os limites para cumprir o objetivo de ser primeiro-ministro

O Dr. Pedro Nuno Santos tentou tudo e infelizmente ultrapassou muitos limites para cumprir o seu objetivo de vida. Eu, na minha vida, nunca tive o objetivo de ser primeiro-ministro. Acabei por ter esta missão, que gosto muito, adoro mesmo, e vou cumpri-la com toda a força, com toda a energia. Mas eu, na vida, privilegiei sempre aquilo que foi a única grande herança que recebi dos meus pais, que foi a educação. Privilegiei sempre o respeito por toda a gente e é a respeitar toda a gente, a respeitar os meus adversários, mas sobretudo a respeitar cada português em casa.

Do outro lado, o líder socialista considera que Montenegro não vai prestar todos os esclarecimentos sobre o caso Spinoviva e, por isso, falhou como primeiro-ministro. Como tal, a comissão de inquérito proposta pelo PS vai manter-se.

O que é verdadeiramente grave é alguém que tinha como função garantir a estabilidade política do país, ter atirado o país para eleições para não dar um conjunto de respostas e algumas horas antes do debate decide apresentar ou publicar uma lista com os seus clientes. Isso é inaceitável, é mesmo gozar com todos nós e nós não podemos permitir isso.

Percebe-se a comissão de inquérito, se Montenegro não foi claro.

Foi. A comissão parlamentar de inquérito depende, sobretudo, de Luís Montenegro. O que para mim é evidente é que Luís Montenegro não vai dar os esclarecimentos que faltam até ao final da campanha e, portanto, ela mantém-se ativa.

Declarações de Pedro Nuno Santos aos jornalistas no pós-debate desta quarta-feira. O líder socialista defende que é preciso um novo ciclo no país. Luís Montenegro diz contar com a ajuda de todos para construir um novo país. André Ventura diz que o primeiro-ministro está a brincar com os portugueses, depois de Luís Montenegro ter revelado oito novos clientes da Spinoviva apenas algumas horas do debate com Pedro Nuno Santos. O presidente do Chega diz que Montenegro não tem limites e que já devia ter revelado esta informação há muito tempo. Na tarde desta quarta-feira, em Coimbra, André Ventura acusa o primeiro-ministro de fazer joguetes políticos e de ter falta de integridade e transparência.

Gostava de perguntar ao senhor primeiro-ministro verdadeiramente se está a brincar conosco. Gostava mesmo de perguntar se está a brincar conosco. Andamos nisto há um mês, um mês e meio. O primeiro-ministro não quis responder a uma série de questões que metiam em causa a sua integridade, a sua transparência. E agora, a uns dias das eleições e num dia de debate, e a outros três dias de um debate com os outros partidos, submete uma nova declaração ao Tribunal Constitucional.

Ainda a propósito do apagão de segunda-feira, André Ventura desafiou o primeiro-ministro a tirar consequências políticas para os responsáveis da Proteção Civil e do SIRESP. Já o presidente da Iniciativa Liberal acusa Luís Montenegro de afronta aos portugueses por só agora ter revelado novos dados sobre a Spinoviva. Cerca de dois meses depois da polémica ter começado e apenas a algumas horas do debate com Pedro Nuno Santos. Em declarações aos jornalistas, Rui Rocha considera inaceitável o timing escolhido pelo líder da AD.

Esta gestão deste processo por parte de Luís Montenegro, eu creio que é mesmo uma afronta aos portugueses. Se os dados existem, deixem-me perguntar: por que vamos a eleições? Por que se traz o país para uma crise política, não apresentando os dados no momento certo e agora, a 15 dias das eleições, se apresentam mais fatos que de certeza que já eram do conhecimento de Luís Montenegro?

Declarações de Rui Rocha após uma reunião com o Sindicato Nacional da Polícia. Falamos ainda de eleições autárquicas. O gestor João Ruivo é o candidato do PS à Câmara Municipal de Cascais. A habitação e o emprego são linhas orientadoras de uma candidatura que, segundo João Ruivo, vão ao encontro das necessidades dos munícipes. O candidato autárquico destaca a habitação como área prioritária no conselho, mas também em todo o país. Outra bandeira é a do emprego. João Ruivo defende a atração do emprego qualificado para Cascais, para evitar que os trabalhadores se demorem nas viagens diárias até ao trabalho. A candidatura de João Ruivo à Câmara de Cascais foi aprovada na última noite na estrutura concelhia do partido e junta-se assim à única candidatura até agora conhecida, a de Nuno Pereira Lopes, pelo PSD. A Câmara Municipal de Lisboa aprovou uma proposta do Bloco de Esquerda para proteger os jacarandás da Avenida Cinco de Outubro. Em causa está a limitação dos transplantes e o fim dos abates destas árvores. A proposta foi viabilizada por todos os partidos da oposição, apenas com votos contra do PSD e CDS. Com esta aprovação, determina-se ainda que os jacarandás são elemento a proteger integralmente na cidade de Lisboa. A informação fica por aqui. Regressa às 18h. Para já, fique com a segunda parte do programa Contracorrente.