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Rádio Once em Santarém. As notícias das 7h na Rádio Observador, com Carla Jorge Carvalho. Os hospitais universitários vão deixar de ser Unidades Locais de Saúde para se transformarem em Centros Acadêmicos Clínicos. A Ministra da Saúde vai seguir a recomendação do grupo de trabalho que nomeou, revertendo assim parte do legado do ex-diretor executivo do SNS. Considerada a grande reforma concretizada por Fernando Araújo, as ULS vão ser revertidas nos sete centros hospitalares universitários do país. É o que avança uma fonte próxima do processo ao Observador. A recomendação, vinda da comissão técnica independente nomeada por Ana Paula Martins, deverá mesmo merecer a concordância do governo. A reversão das Unidades Locais de Saúde nestes hospitais universitários é há muito defendida pela ministra e poderá avançar no próximo ano. Importa saber, Miguel Gato, quais as diferenças entre estes novos Centros Acadêmicos Clínicos e as ULS.

Trata-se de um modelo que junta as áreas da medicina com a ciência, engenharia e negócios. Na prática, e citando as palavras de Ana Paula Martins, envolve hospitais, faculdades e instituto de investigação. O novo Centro Acadêmico Clínico, modelo que a Ministra da Saúde quer implementar nestes hospitais universitários, está a ser inspirado em exemplos que existem em vários países da Europa, como no Reino Unido, nos Países Baixos e também em Espanha, segundo avança a fonte conhecedora do processo ao Observador.

Miguel, que ULS então vão passar a ser Centros Acadêmicos Clínicos?

As Unidades Locais de Saúde de São José e Santa Maria, em Lisboa, Santo António e São João no Porto, mas também na Cova da Beira, Covilhã e na ULS de Coimbra. No Algarve, o governo vai ainda mais longe, quer criar o primeiro sistema local de saúde do país, um modelo misto em que os cuidados do SNS se articulam com cuidados prestados pelos setores privado e social.

Sendo que a Ministra da Saúde considera que a criação dos Centros Acadêmicos Clínicos permite um maior financiamento destas unidades.

Ana Paula Martins considera que as ULS agravam o subfinanciamento dos hospitais universitários, estruturas que, segundo o governo, registam défices na ordem das dezenas de milhões de euros todos os anos. Estes Centros Acadêmicos Clínicos resolvem, à partida, esse problema, uma vez que, segundo a ministra, preveem um modelo de financiamento reforçado para os centros de referências nacionais e internacionais dos hospitais que os integram. Esta é uma solução há muito defendida por Ana Paula Martins e foi, aliás, por causa dessa discordância em relação à transformação dos hospitais universitários em ULS, que a governante se demitiu do então Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte, em dezembro do ano passado.

Miguel Gato, e a criação dos novos Centros Acadêmicos Clínicos, em substituição das Unidades Locais de Saúde nos hospitais universitários do país. O Observador sabe que esta medida deverá entrar em vigor no próximo ano, por sugestão da comissão técnica independente e com o aval da Ministra da Saúde. Este é um artigo que faz manchete a esta hora no site do Observador. A Ministra da Saúde vai visitar esta tarde a sede do INEM, em Lisboa. O anúncio foi feito ontem à noite num comunicado divulgado pelo Ministério da Saúde. A visita acontece numa altura em que tanto a direção do INEM como a própria ministra estão sob contestação por causa da crise na resposta de emergência médica. A visita está marcada para às 15h30 da tarde. Antes, ainda esta manhã, Ana Paula Martins vai ser ouvida no Parlamento sobre o orçamento do Estado para 2025, uma audição que começa às 9h. Isto numa altura em que o Ministério Público abriu mais dois inquéritos a mortes alegadamente relacionadas com as falhas na resposta do INEM. Com estes dois novos inquéritos, já são seis as investigações em aberto no Ministério Público. O anúncio foi feito pela própria Procuradoria-Geral da República. Em causa, falhas no socorro por parte do INEM, que terão levado a pelo menos 11 mortes. Os atrasos foram agravados pela greve às horas extraordinárias do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, que entretanto foi levantada. Entretanto, também a Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica propõe à Ministra da Saúde a criação de uma task force para identificar fragilidades e propor medidas concretas para prevenir os constrangimentos nos serviços de emergência. E o PS volta a acusar o governo de incompetência na gestão da saúde. Das urgências no verão à atual situação do INEM, a líder parlamentar socialista, Alexandra Leitão, fala em descalabro.

Tem havido incompetência na gestão da saúde. Acho que isso hoje já é um dado adquirido. Foram as urgências no verão, muito piores do que alguma vez tinha acontecido noutros verões com governos do Partido Socialista. É hoje a situação do INEM, e aqui não vale a pena acenar com supostos ou com problemas estruturais que possa haver, porque o que está aqui em causa é a gestão de uma situação de greve que a senhora ministra foi avisada e não atuou.

Declarações de Alexandra Leitão numa reunião do PS no Porto ontem à noite. A líder parlamentar socialista considera que no que toca à crise do INEM, Luís Montenegro é tão responsável quanto Ana Paula Martins. Na região de Leiria, há cerca de duas semanas que os utentes estão a ser alertados para só irem aos serviços de urgência com encaminhamento da Linha de Saúde 24 ou do CODU, o Centro de Orientação de Doentes Urgentes. Os casos não urgentes devem ser atendidos nos centros de saúde. Ora, temos neste jornal, ao telefone, a diretora da Urgência Geral do Centro Hospitalar de Leiria, Paula Helena Silva. Muito bom dia, obrigada por estar conosco. Vamos começar por este programa. Que balanço é que faz do programa que se chama "Ligue Antes, Salve Vidas"? Está, de facto, a permitir uma melhor gestão dos tempos de espera e também do atendimento dos utentes?

Olá, bom dia. Bom dia a todos aqueles que nos ouvem. Efetivamente, nós ainda temos apenas praticamente 10 dias desde o início deste projeto de "Ligue Antes, Salve Vidas". Ainda temos muito poucas unidades a nível dos cuidados de saúde primários

A funcionar com este programa. Esperamos ter, dia 12 de dezembro, os centros de saúde em plena resposta ao objetivo deste programa. Mas efetivamente, o que nós conseguimos ver é que praticamente todos os doentes que acorrem ao serviço de urgência já vêm referenciados.

E isso faz diferença. Paula Helena Silva, seja como for, este programa começa a ser implementado precisamente numa altura de greve às horas extra do atendimento, do CODU, nomeadamente. Isso mudou a forma como o hospital teve até de responder às situações de urgência?

Não, até agora não vejo que tenha havido mudanças nesse sentido. Continuamos a ter as ambulâncias de INEM a chegar a todo momento e a darem uma resposta.

E, portanto, não há portas fechadas, naquele sentido em que não há doentes a voltar para trás, mesmo que não venham referenciados.

É evidente que nós não fechamos portas a ninguém. Isto é uma forma de otimizar os recursos e ter serviços mais eficientes e com maior qualidade. Portanto, aqui não há doente nenhum que fique sem uma resposta, seja a nível hospitalar, seja a nível dos cuidados de saúde primários ou outras instituições capazes de dar essa resposta atempada nas próximas 24 horas. Para as situações não urgentes, claro.

Exatamente. E é disso que estamos a falar. O Centro Hospitalar de Leiria é um daqueles do país que se tem debatido e que se debate com falta de médicos. Como é que está agora a situação?

Pois, nós temos vindo a fazer um esforço enorme para captação de médicos. Temos as equipes muito mais robustecidas, até porque se aproxima agora a época de inverno. Continuamos a robustecer as equipes, portanto, quase todos os meses entram novos médicos. A região de Leiria, como sabem, é uma região muito populosa, com cerca de 430 mil habitantes, em que cerca de 106 mil não têm médico de família. Portanto, como deve calcular, os doentes que ocorrem ao serviço de urgência são em número elevadíssimo, e nós precisamos estar preparados para dar uma resposta eficaz.

Dezembro, estamos a falar também de uma época particularmente complicada, com o Natal e o Ano Novo, as escalas já preveem essas dificuldades? Já é impossível preencher estas escalas.

Já temos as escalas até final do ano, que foram já programadas em agosto. Portanto, nós fazemos escalas a seis meses, precisamente para acautelar as festas e as férias.

Paula Helena Silva, muito obrigada pela disponibilidade de ter estado conosco em direto neste Jornal das sete. É a diretora da Urgência Geral do Centro Hospitalar de Leiria, onde paulatinamente está a ser possível contratar novos médicos e onde ainda é cedo. Daqui a um mês farão um balanço do programa Ligue Antes, Salve Vidas. E a Rádio Observador vai dedicar-se amanhã à saúde com várias entrevistas e reportagens. Para já, destaque para a Web Summit. O primeiro-ministro anunciou o lançamento de um modelo de inteligência artificial em português. O anúncio foi feito por Luís Montenegro na abertura da edição deste ano da Web Summit. O modelo deve ser lançado no próximo ano e, explica o primeiro-ministro, é um novo passo de Portugal na ambição e inovação e que vai funcionar em várias áreas.

Dando a cada aluno um tutor educativo de inteligência artificial adaptado aos nossos currículos para o ajudar a compreender o mundo. Dando a cada cidadão o acesso aos serviços da administração pública de forma mais simples, mais direta e personalizada para responder às suas necessidades. Dar a cada empresa a oportunidade de projetar os seus serviços numa era de inteligência artificial também em português.

Luís Montenegro ontem, no primeiro dia da Web Summit. Hoje vão estar no evento Paulo Rangel, Ministro dos Negócios Estrangeiros, e Pedro Reis, Ministro da Economia. A Web Summit decorre até quinta-feira em Lisboa. E na atualidade internacional, destaque para Moçambique. Venâncio Mondlane convocou mais três dias de protesto. Que começam já hoje nas capitais de província. O candidato da oposição volta a pedir ao povo moçambicano que saia à rua para contestar os resultados das eleições gerais de outubro.

Temos que anunciar as medidas da quarta etapa, que é a etapa da reivindicação das manifestações contra o assassinato do povo moçambicano, as manifestações contra os raptos, contra os sequestros, as manifestações contra a miséria que o povo foi colocado e a manifestação a favor ou para a reposição da verdade eleitoral, para a reposição da justiça eleitoral.

Declarações de Venâncio Mondlane, num vídeo divulgado nas redes sociais. O candidato da oposição pede às pessoas para que se manifestem de forma pacífica e sem violência. As manifestações começaram depois da Comissão Nacional de Eleições atribuir a vitória a Daniel Chapo, da FRELIMO. E no desporto, Cristiano Ronaldo foi distinguido com o prêmio Quinas de Platina, na gala da Federação Portuguesa de Futebol. E diz que ainda tem muito para dar ao futebol. Cristiano Ronaldo reafirma o desejo de chegar aos mil gols na carreira, mas reconhece que isso vai depender da forma física nos próximos anos.

Eu disse publicamente que queria chegar aos 1000 gols, mas parece que agora é tudo fácil. Cheguei aos 900 há um mês atrás e já quero os 1000. Já começa a ser um bocado aberração. Por isso que eu digo: é viver o momento, ver o que é que as minhas pernas, a resposta que ainda me vão dar nestes próximos anos. E se vier 1000, bom, mas também se não vier, o jogador que tem mais gols na história sou eu, por isso não há.

Está feito. As palavras de Cristiano Ronaldo, depois de ser homenageado pela Federação Portuguesa de Futebol, na Gala das Quinas de Ouro 2024. O jogador diz que fica decepcionado com alguns jogadores que não querem jogar por Portugal. A noite foi de homenagens, não só a CR7, mas também a figuras como Pepe, que terminou recentemente a carreira, e treinadores como Jorge Jesus, também José Manuel Constantino, presidente do Comité Olímpico de Portugal, que morreu em agosto, foi homenageado ontem à noite. São agora 19h13, Carla, que outras notícias estão em destaque a esta hora? Ainda no futebol, Portugal continua hoje a preparar o jogo de sexta-feira com a Polónia para garantir o apuramento para os quartos de final da Liga das Nações. O jogo está marcado para sexta-feira às 19h45, com relato e comentários aqui na Rádio Observador. Em Amesterdão, a noite foi marcada por novos desacatos. Dezenas de pessoas com engenhos pirotécnicos incendiaram um elétrico. Isto depois dos confrontos da semana passada contra adeptos de um clube de futebol israelita, o Maccabi Tel Aviv, que jogou com o Ajax. A polícia identificou mais de 170 testemunhas, deteve cinco pessoas na sequência da investigação que foi aberta na semana passada. E agora para vocês, que gostavam muito de voltar a estudar, verdade? Têm saudades de andar na escola. Temos muitas saudades.

De andar na escola, levar um lanchinho.

A marmita.

Brincar à apanhada.

E da faculdade também têm saudades?

Sim, também, de brincar à apanhada.

E outras brincadeiras.

Jogar King.

King. Então eu acho que está perfeito. Tenho o curso perfeito para quem está em saudades desses momentos da vida acadêmica. É na Universidade de Yale. É preciso ter pedalada. Oi? Isto é a Beyoncé?

Era isto?

Isto é o estudo.

É o curso da Beyoncé.

Ora vai! É isso mesmo. Um curso sobre a Beyoncé. Temos lá a chegar, sim. O objetivo é aquele. Matéria do estudo: história e a cultura afro-americana através da música de Beyoncé. O nome do curso é: Beyoncé faz história, história e cultura, teoria e política da tradição radical negra através da música. Sai-me assim, naturalmente. É o nome que fica na cabeça. É isso mesmo. O nome do curso é mais comprido. Mas vai ser lecionado por uma especialista em estudos afro-americanos, Daphne Brooks.

Pensei que era pela própria.

Pela própria. Sim.

Se fosse pela própria, a pessoa até ia com outro gosto às aulas.

Era.

Eu ia.

Tu ias. Eu também ia, até Yale.

Devia estar com atenção às aulas. Finalmente, uma vez na vida.

Bom.

Não queria estrear.

Não diria tanto.

Quando é que começam as aulas? É no próximo semestre. Por isso preparem-se já. Vamos comprar cadernos. Vão comprar cadernos e umas botinhas.

Para escola. Levar para a escola.

E um casaquinho.

E uma maçã para dar à professora.