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Com 8 graus. As notícias com Carla Jorge Carvalho. O Conselho de Segurança da ONU reúne-se hoje para analisar a situação na Síria depois da queda do regime de Bashar al-Assad. O encontro surge a pedido da Rússia, país para onde fugiu o antigo governante. O anúncio foi feito pelo representante permanente da Rússia nas Nações Unidas. O governo de Assad era um dos maiores aliados no Oriente Médio de Vladimir Putin. O Kremlin confirma que concedeu asilo ao presidente deposto e também à família. Entretanto, a reunião da ONU acontece mais logo, à porta fechada, em Nova York. E Miguel Gato, as últimas horas ficaram marcadas por festejos nas ruas, presos libertados e também edifícios governamentais invadidos.

O palácio de Bashar al-Assad, em Damasco, foi saqueado durante o dia de ontem e várias estátuas foram destruídas por populares nas ruas. Os rebeldes sírios registaram e publicaram imagens online que mostram também a libertação de presos em várias cadeias sírias e milhares festejaram nas ruas em celebrações que se estenderam além-fronteiras. A notícia da queda do regime de Bashar al-Assad foi bem recebida entre imigrantes sírios de países europeus como Alemanha, Países Baixos ou Inglaterra. Na fronteira entre o Líbano e a Síria, são mais de um milhão os refugiados sírios a regressar ao país após a queda do regime.

E Miguel, tudo isto e os acontecimentos deste fim de semana suscitaram várias reações um pouco por todo o mundo.

Os Estados Unidos mostraram-se contentes com a queda do regime de Bashar al-Assad, mas com cautela. As palavras são do presidente norte-americano Joe Biden ontem à tarde.

"Até que enfim o regime de Assad caiu. É um ato fundamental de justiça, é um momento de oportunidade histórica, mas também um momento de risco e incerteza. Vamos trabalhar com os nossos parceiros e as partes interessadas na Síria para os ajudar e aproveitar esta oportunidade e gerir os riscos para o país".

Também o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu fala num dia histórico para o Oriente Médio, num grande golpe para o eixo liderado pelo Irão. Alerta, no entanto, para os perigos significativos desta situação. Por parte da União Europeia, Ursula von der Leyen destaca o colapso da ditadura cruel de Assad, garante contato com os líderes europeus e regionais. O governo português, através de uma publicação na rede social X do Ministério dos Negócios Estrangeiros, pede uma transição pacífica e inclusiva na Síria.

Miguel Gato, com os mais recentes desenvolvimentos na Síria. Seguimos agora para a análise neste jornal com Ana Cavalieri, que é especialista em assuntos internacionais. Muito bom dia, Ana. Já temos, depois dos acontecimentos deste fim de semana, uma perceção mais clara de como vai ser a Síria depois de Assad?

Muito bom dia. Eu penso que é muito difícil saber como é que vai ficar a Síria, porque a Síria como Estado, como país que nós temos em termos de uma concepção do Westfalia, não existe. A Síria é um projeto, foi manufaturado pela França no início do século XX, sem nenhuma conexão ou compatibilidade com a diversidade religiosa e étnica que existe nesse país, sendo certo que são essas identidades que continuam a prevalecer nas alianças que se veem no terreno. Pelo que neste momento nós sabemos que vai haver uma luta por poder. Os rebeldes HTC e outras milícias rebeldes armadas que são islamistas e sunitas, que têm naturalmente uma relação de antagonismo com os alawitas, que são um offshoot xiita, ou fazia parte do Assad. Também existem curdos e todas estas etnias e facções religiosas não se dão bem. Temos também os drusos, pelo que neste momento o que poderá e provavelmente irá acontecer, vai haver uma tentativa de reconstrução que os Estados Unidos vão tentar apoiar. Israel vai tentar defender a sua fronteira e já entrou naquela buffer zone para tentar manter a sua segurança e não ter essa parte da fronteira vulnerável. Mas neste momento, o que será provável que aconteça é uma grande instabilidade e principalmente, por exemplo, os cristãos que estão na Síria vão estar também em muito perigo. Mas o que é facto é que pior do que Assad é difícil imaginar. Nós não podemos esquecer que ele matou cerca de 600 mil sírios, foi responsável por milhões de sírios saírem e irem pra Turquia ou pra Europa, pelo que neste momento é possível que uma situação parecida com a Líbia irá acontecer, mas pior que Assad e aquela ditadura é difícil imaginar.

Mas podemos de fato temer que se repita na Síria o que aconteceu na Líbia, em que basicamente temos um país sem Estado?

Sim, também é relevante o fato de nós já termos passado pelo que aconteceu na Líbia.

Sim, já temos esse exemplo.

Exatamente. Os Estados Unidos e os aliados europeus, até próprio Israel. Temos de perceber que Israel é absolutamente fundamental em toda esta dinâmica. Assad só cai porque Israel elimina o Hezbollah, ou a cúpula de liderança e a capacidade militar do Hezbollah, e o Hezbollah, que era no fundo o proxy do Irão e que está no sul do Líbano, como se sabia, foi a organização militar, juntamente com a Rússia e com o apoio do Irão, que faziam com que Assad estivesse mantido no poder durante a guerra civil dos últimos 15 anos. Pelo que neste momento sabemos também que Israel irá, e penso que de acordo com os seus interesses, que serão válidos na região

Tentar fazer com que haja uma certa estabilidade ou que pelo menos Israel não se sinta vulnerável naquela parte da fronteira. Mas a médio e longo prazo, é preciso reiterar que a Síria é algo inviável por natureza, por genes. É um país que nunca devia ter sido criado nos moldes em que foi criado, porque foi criado no ímpeto imperialista francês colonial século XX, sem ter qualquer compatibilidade com aquilo que são as entidades que preponderam na região ou naquela arena, naquele país, que são étnicas e religiosas. Não podemos esquecer a influência da Turquia, porque aqui o grande objetivo é fazer com que os curdos não tenham nenhum ímpeto de independência nas regiões que ocupam na Síria, que possam transbordar depois para as regiões da Turquia em que os curdos são uma maioria significativa.

Ana Cavalieri, percebemos muito bem como a situação é delicada neste momento. Muito obrigada pela sua análise.

Muito obrigada.

Um bom dia. Um bom dia e uma boa semana. Estamos aqui a tentar perceber como vai ser a Síria depois de 54 anos de ditadura. E a queda do regime de Bashar al-Assad é também o tema do Explicador e do Contracorrente desta segunda-feira. A Ministra da Justiça quer mudar a orgânica e a liderança do Mecanismo Nacional Anticorrupção. Num artigo de opinião no Observador, Rita Alarcão Judice anuncia que vai apresentar em breve uma proposta em Conselho de Ministros. A ministra quer acabar com o mandato único de seis anos do líder do MNAC e criar um de quatro anos com a possibilidade de uma renovação. Quer também criar um quadro próprio de pessoal para dar mais eficácia à atuação deste mecanismo, que foi criado pelo governo de António Costa em 2021. Recorde-se que já na entrevista que tinha dado ao Observador, Rita Alarcão Judice tinha sido muito crítica do MNAC, dizendo que não estava a funcionar e que era excessivamente centrado na figura do presidente. Ao que o Observador apurou, as mudanças passam também pela saída do conselheiro Pires da Graça, que tem sido alvo de críticas internas pelo estilo de liderança. O redator principal do Observador, Luís Rosa, lembra que o MNAC é uma iniciativa que remonta ao governo de António Costa, mas explica que não está a ter o efeito pretendido.

Foi a ministra Francisca Vendúna, ministra da Justiça de então, que teve essa ideia. Começou a ter passos concretos em 2019. Depois, em 2021, foi aprovado o Regime Geral de Prevenção de Corrupção, sendo que pela UMAI também foram transpostas diretivas europeias, nomeadamente a diretiva europeia do whistleblower, a proteção dos denunciantes. Este regime também prevê a questão da proteção dos denunciantes. Esse Regime de Prevenção de Corrupção foi aprovado em 2021. E o que acontece é que o MNAC, que nasceu torto, deveria ter entrado em vigor ao mesmo tempo que o Regime Geral de Prevenção de Corrupção entrou em vigor, mas isso não aconteceu.

O redator principal do Observador, na história do dia desta segunda-feira, Luís Rosa, destaca que o MNAC não está a funcionar como suposto, sobretudo devido a atrasos e à falta de recursos humanos. No artigo de opinião da ministra, para assinalar o Dia Internacional contra a Corrupção, fica também a intenção de se avançar com novas regras para a perda alargada de bens e a proposta de regulação do lobby já apresentada no Parlamento. E continuamos na política, mas agora na Madeira. O orçamento regional para 2025 começa hoje a ser discutido, mas já tem o chumbo anunciado. O JPP revelou ontem à noite que vai votar contra. O Juntos pelo Povo alerta que a proposta de orçamento apresentada pelo governo regional vai criar despesas e colocar a Madeira a caminho da bancarrota. Em comunicado, o partido liderado por Hélder Sousa fala em despesismo, esbanjamento por parte de Miguel Albuquerque. O JPP reconhece que ficar sem orçamento não é o cenário ideal, mas considera que é preciso parar para acertar o passo, é o que pode ler-se neste comunicado. PSD e Chega também já tinham anunciado voto contra. Já tinham, ou seja, se os três partidos mantiverem a intenção, o orçamento da Madeira para 2025 é chumbado. Isto porque todos juntos somam 24 parlamentares, a maioria dos 47 lugares do Hemiciclo. A proposta do governo regional começa a ser discutida às 9h, numa altura em que Miguel Albuquerque tem estado debaixo de fogo, também devido aos vários casos judiciais. O bem-estar e a saúde psicológica dos alunos em Portugal melhorou nos últimos dois anos depois da pandemia. É a conclusão de um estudo que envolveu mais de 6 mil estudantes do pré-escolar ao secundário. Depois de um primeiro estudo realizado em 2022, o Observatório da Saúde Psicológica e do Bem-Estar voltou agora a olhar para a situação dos alunos portugueses. A conclusão é que a maioria já virou a página da pandemia, mas há outros alertas sobre temas como o bullying ou o tempo passado em frente aos ecrãs. António José Soares.

O mal-estar entre alunos baixou de cerca de 33% em 2022 para cerca de 25% em 2024. É nesse sentido que apontam os resultados do estudo do Observatório da Saúde Psicológica e do Bem-Estar e que indica ainda que as relações interpessoais são o que mais pesa no bem-estar dos estudantes. Quanto ao bullying, o pico verifica-se entre o quinto e o oitavo ano de escolaridade e diminui com a idade. Embora mais de metade dos alunos responda que nunca ou quase nunca foi vítima deste fenómeno, mais de um terço refere que já fizeram pouco de si e cerca de um quarto diz ter sido ameaçado por outros colegas. Tal como o bullying, também o envolvimento em lutas diminui com a idade. Já em relação ao tempo passado diariamente em frente a um ecrã, os resultados indicam que durante a semana, os alunos dizem passar em média um pouco mais de quatro horas nesta atividade, um valor que sobe para mais de cinco horas e meia aos sábados e domingos. Nesta variável, quanto mais velhos são os estudantes, mais tempo passam diariamente ao ecrã. Outra variável analisada pelo estudo foi o impacto da Covid-19. Os estudantes mais novos tendem mais frequentemente a achar que a vida piorou e ainda não recuperaram da pandemia. Já os mais velhos mostram uma maior tendência para considerar que a vida pouco se alterou ou até melhorou.

António José Soares com algumas das conclusões de um estudo do Observatório da Saúde Psicológica e do Bem-Estar sobre a situação dos estudantes portugueses. No próximo jornal vamos ouvir a análise do psicólogo João Veloso a estes dados. E já se nota a descida das temperaturas, mas prepare-se, ainda vai ficar mais frio. O IPMA prevê temperaturas mínimas entre os três e os seis graus para os próximos dias. É um frio que fica a dever-se à entrada de uma massa polar em Portugal continental. A meteorologista do IPMA, Maria João Frada, alerta para a descida das temperaturas mínimas durante esta semana.

Para os próximos dias, basicamente, prevê-se uma situação de temperaturas relativamente baixas, embora completamente compatíveis com a época do ano. Portanto, já todos começámos a sentir desde ontem à tarde a descida das temperaturas, neste caso foi das máximas. Hoje houve uma descida até acentuada das temperaturas mínimas. Vai continuar a descer gradualmente a temperatura, principalmente a mínima, até pelo menos dia 10. E portanto, vamos chegar ao meio da semana e vamos ter temperaturas mínimas que na generalidade do território variam sensivelmente entre os três e os seis graus.

Está frio, mas vai ficar ainda mais. Maria João Frada, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, diz ainda que se podem esperar temperaturas negativas na Beira Alta e no nordeste transmontano, assim como a formação de geada no interior do país. Entretanto, o Copernicus confirma: 2024 vai ser o ano mais quente desde que há registo. O Observatório Europeu explica que vai ser também ultrapassado pela primeira vez o limite de aquecimento fixado em 2015. É o que indica o Copernicus num comunicado divulgado esta madrugada. São agora 07h14, Carla, que outras notícias estão em destaque neste início de semana? O Presidente da República começa hoje uma visita oficial aos Países Baixos. Vai encontrar-se com representantes da comunidade portuguesa no país. A visita de Marcelo decorre até quarta-feira. O chefe de Estado vai passar por Amesterdão, Haia e Delft. Está acompanhado pelo ministro da Economia, Pedro Reis. Também o Presidente da Assembleia da República começa hoje uma visita oficial de três dias a Cabo Verde. É uma visita que acontece a propósito dos 50 anos do acordo de independência. O Sindicato Independente dos Médicos volta hoje a reunir-se com o ministro da Saúde. É mais uma ronda negocial em que o SIM espera que seja apresentada uma proposta salarial melhor, muito melhor, assim diz, relativamente à apresentada na última reunião. O governo propôs um aumento salarial de 5%. Os médicos querem 15. A reunião está marcada para logo à tarde. Os ministros das Finanças da zona euro vão hoje discutir o orçamento do Estado para 2025. Na reunião do Eurogrupo, vão também discutir os planos orçamentais dos países da moeda única. A reunião realiza-se em Bruxelas. Portugal vai estar representado pelo ministro Joaquim Miranda Sarmento. E agora trago-vos uma oportunidade de investimento que é imperdível. É assim uma espécie de leve dois, pague um. Gosto disso. Boa moeda. Olha aí, Paulo. É uma pechincha, venham elas. É uma pechincha. Se eu tiver notas. É um prédio que está à venda em Bristol, no Reino Unido, fica fora de mão, mas é interessante porque tem na parede lateral uma pintura de Banksy. É valioso. É valioso. Mostra um homem nu agarrado ao parapeito de uma janela, enquanto outro, de facto, espreita com uma mulher ao lado. Portanto, percebemos que havia aqui uma situação. Alguém que estava a tentar fugir. Alguém que estava a tentar. O edifício vai ser colocado em leilão e portanto é de aproveitar. Está em preços. Há a possibilidade de um contrato de arrendamento de 250 anos, portanto, é para a vida. É capaz de dar jeito. Há um preço de referência que são 700 mil libras, mais ou menos 800 mil euros. Por acaso agora não tenho. Sim. O que acham? Valiado? Fazemos uma vaquinha. Melhor do que isso, só uma banana colada com fita-cola na parede. Talvez. Claro.