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Muito bom dia. Notícias às 19h, na Rádio Observador, com Carla Jorge Carvalho. Na véspera do debate parlamentar de urgência marcado pelo PS, o primeiro-ministro anunciou uma série de medidas para fazer face ao aumento do custo de vida. Luís Montenegro lembra José Sócrates e avisa que quer evitar aquilo que descreve como uma tragédia. O primeiro-ministro falou ao país às 20h para anunciar o aumento do desconto no ISP na próxima semana. Aproveitou para detalhar as descidas das taxas do IRS e o bónus para os pensionistas aprovados em Conselho de Ministros. O primeiro-ministro promete contas certas e avisa que não vai trocar a política seguida pelo governo por um leilão de medidas avulsas e descoordenadas. Luís Montenegro justifica, assim, a razão de não estar a ceder à pressão da oposição para baixar o IVA sobre os combustíveis e o cabaz alimentar. O primeiro-ministro recorda os tempos da troika para dizer que não quer reeditar o passado. João Lourenço.

Depois de lembrar o suplemento extraordinário para idosos e nova descida do IRS, Luís Montenegro atacou a subida do preço do combustível.

Os descontos totais que estão hoje em vigor representam cerca de €0,23 por cada litro de combustível que é abastecido nos respectivos postos. Isso acontece esta semana e provavelmente subirá para €0,25 já na próxima semana.

De €0,23 passa para €0,25, com o primeiro-ministro a realçar que está a dar a cara perante as dificuldades dos portugueses. Apesar do prolongamento da redução do ISP até o final do ano, o chefe de governo sabe que as contas públicas devem manter-se equilibradas perante medidas avulsas.

Não contem comigo, nem com o governo, para ilusões hoje que sejam pesados preços a pagar amanhã. Neste momento difícil, aqui estou a dar a cara.

Das respostas à oposição e até a governos espalhados pela Europa, o primeiro-ministro explicou ainda o porquê de não ir mais além nestes apoios. Montenegro lembra Sócrates e diz que não quer colocar o país numa nova tragédia.

Não contam comigo, nem com este governo, para uma reedição dessa tragédia. Não troco mais cêntimos de desconto do ISP por mais impostos, por mais défice, por mais dívida que teríamos de pagar no futuro. Mas não trocamos este caminho pelo dos governos que no passado obrigaram os portugueses a subidas de impostos ou a cativações de investimentos.

Montenegro lembra o alargamento do passe ferroviário verde até aos serviços urbanos de Lisboa e Porto. Já quanto aos apoios destinados aos setores mais expostos, aos aumentos dos combustíveis, o primeiro-ministro alocou o valor até €0,10 por litro para os transportes, táxis, bombeiros e IPSS.

João Lourenço, com os destaques das declarações de Luís Montenegro ontem à noite, uma declaração ao país a partir de São Bento, com medidas que vão entrar em vigor em novembro. Como dissemos, o Parlamento discute hoje o aumento do custo de vida, num debate de urgência pedido pelo Partido Socialista e que está marcado para às 10h. O ministro da Economia defende que as medidas anunciadas pelo governo vão atenuar o aumento do custo de vida, mas admite que não vão resolver todos os problemas. Em entrevista à CNN, Manuel Castro Almeida antecipa preços nunca antes vistos nos combustíveis na próxima semana. Fala num problema enorme. O ministro da Economia promete contas certas e garante que o governo está a ajudar os portugueses como pode, ainda que admita que nem sempre é suficiente.

As medidas que o governo anunciou hoje não vão resolver o problema, vão atenuar o problema, vão diminuir o problema, que tem uma dimensão enorme. De facto, o gasóleo e a gasolina vão atingir na próxima semana preços que nunca houve em Portugal. E é muito importante ter as contas equilibradas. Quem é o português que quer voltar ao passado, ao tempo dos défices orçamentais? Nós precisámos absolutamente de apagar esse tempo. Nós temos que equilibrar as nossas contas, continuar a baixar a dívida pública, porque quanto mais dívida houver, mais depois se paga em juros. Isso é dinheiro público que está a pagar esses juros. É preciso baixar a dívida pública e para isso é preciso ter as contas controladas.

O apelo deixado pelo ministro da Economia, a dizer que não quer regressar ao passado, foi na entrevista ontem à noite de Manuel Castro Almeida à CNN Portugal. Também na reação às medidas apresentadas pelo primeiro-ministro, o PS acusa o governo de falhar mais uma vez a dois milhões de trabalhadores. Aqui a entrevista foi ao Nau. O secretário-geral socialista fala em medidas insuficientes face à realidade do país.

O doutor Luís Montenegro falhou mais uma vez a dois milhões de trabalhadores. Há dois milhões de trabalhadores que têm filhos, têm crianças, têm adolescentes, têm jovens e que estão fora destas medidas do IRS. Por quê? Porque já não têm rendimentos sequer para pagar IRS. O que significa que as medidas que hoje anunciou, devo dizer que tive a expectativa, não apenas porque hoje de manhã também sugeri, propus, recomendei ao governo, que estava reunido em Conselho de Ministros, que pudesse adotar medidas dessa natureza. E pensei que ao querer comunicar às 20h ao país, que pudesse trazer, de facto, medidas novas, mas fundamentalmente, falou para nada dizer.

José Luís Carneiro foi também questionado sobre a sondagem que coloca o PS à frente das intenções de voto. O secretário-geral socialista rejeita euforias. Deixa até uma garantia: não vai haver eleições em breve.

É bom saber que nós há vários meses consecutivos estamos à frente nas intenções de voto para podermos vir a servir o país, mas não vai haver eleições agora. E é muito importante que nós coloquemos esta garantia aos portugueses de que nós contribuiremos para a estabilidade política. Mas julgo que há cerca de seis meses consecutivos, o PS aparece a liderar as intenções de voto

São bons indicadores, mostra que as pessoas estão a reconciliar numa relação de confiança com o Partido Socialista, mas muito trabalho há que fazer para continuarmos a afirmar uma alternativa séria, sólida, credível.

José Luís Carneiro, ontem à noite, em entrevista ao "Now" sobre as mais recentes sondagens que vão dando vantagem ao Partido Socialista. E por falar em sondagens, Carla, o PSD está em queda. A descida de Luís Montenegro nas intenções de voto só é superada pelos governos de Passos Coelho e pela dupla Durão Barroso Santana Lopes. É a principal conclusão de um estudo d'O Observador. Um trabalho desenvolvido em colaboração com o antigo diretor do Centro de Sondagens da Universidade Católica, Ricardo Reis, que analisou todas as sondagens feitas em Portugal sobre intenções de voto em eleições legislativas entre 1979 e 2026. Com base em mais de mil sondagens, é possível concluir que o PSD está em queda livre, 30 meses depois de iniciar o mandato. O editor-adjunto de Política do Observador, Miguel Santos Carrapatoso, explica que depois de um primeiro-ministro ser eleito, as intenções de voto tendem sempre a descer.

Há um primeiro momento em que o líder do partido mais votado inicia funções como primeiro-ministro, tem algum tempo, nós chamaríamos estado de graça, mas de alguma estabilidade em relação ao score eleitoral. Depois, sofre um desgaste natural enquanto líder do governo, é o tal U, é a ponta inferior do U, e depois começa a subir paulatinamente até ao momento da eleição.

Miguel Santos Carrapatoso recorda que apenas dois primeiros-ministros em funções perderam as eleições numa recandidatura, Pedro Santana Lopes e José Sócrates, o que sublinha a força do incumbente. Sobre a mais recente sondagem da TVI CNN, que confirma uma tendência de descida, Miguel Santos Carrapatoso diz que o primeiro-ministro deve estar preocupado.

Tem razões para se preocupar, porque a tendência é, de facto, negativa. Nós fizemos as contas e Luís Montenegro foi testado em 101 sondagens. Está há 30 meses no cargo e foi testado em 101 sondagens. Teve uma vitória eleitoral pelo meio, isso é verdade, mas já apareceu 35 vezes em segundo ou mesmo em terceiro lugar nas intenções de voto. E esta tendência está a agudizar-se neste ano, em 2026.

O editor-adjunto de política d'O Observador na história do dia. Este estudo foi feito em colaboração com Ricardo Reis, o antigo diretor do Centro de Sondagens da Católica, mostra que só este ano Luís Montenegro ficou em terceiro lugar em sete estudos de opinião. É um cenário inédito para um primeiro-ministro em funções. Este é um artigo que faz manchete a esta hora no site d'O Observador. O Presidente da República inaugurou esta noite a Festa do Livro, no Palácio de Belém, e fez-se acompanhar por Marcelo Rebelo de Sousa. Mas Carla, só falaram de cultura e não se pronunciaram diretamente sobre a atualidade política. Não, António José Seguro aproveitou a ideia lançada pelo antecessor e decidiu dar continuidade à iniciativa da Festa do Livro. E Vasco Maldonado Correia, entre sugestões literárias, o chefe de Estado deixou também rasgados elogios a Marcelo Rebelo de Sousa. Tenho uma coisa pra si. Pegue lá, é um antiestresse. Leva na, precisa?

Não, estou de férias.

Então guarda, pra quando precisar.

O presente pode dar jeito para os tempos que se avizinham, mas para já impera a paz no Palácio de Belém. Enquanto o primeiro-ministro falava ao país, o presidente da República abria a Festa do Livro, uma iniciativa que começou com o antecessor, facto enaltecido por António José Seguro.

Que a ideia é dele. E é justo que se reconheça esta ideia, que é uma bela ideia.

E o presidente quer que o gesto faça escola.

Houve uma pessoa próxima que disse: "Mas como é que é possível? Mas isso era do presidente Marcelo, não é ti. Por que vais continuar a fazer uma coisa que é de outro presidente?" Eu sei que há muito essa cultura, a de quem vem de novo, começa de novo. E tudo o que está feito para trás, não presta. Eu não tenho essa ideia.

Seguro percorreu as bancas, que estão agora afixadas nos jardins do palácio, acompanhado pela ministra da Cultura, pelo consultor de cultura Francisco José Viegas e por Marcelo Rebelo de Sousa. O antigo presidente tentou fugir às selfies e dar o palco ao sucessor. A bem ou a mal, Seguro vai aceitando que ser presidente também implica tirar fotografias.

Pode me tirar uma foto, por favor?

Eu tenho estátua. Mas quem é que tem a fotografia?

Esse senhor.

Ah, muito bem. Então já está tudo preparado.

Preocupado com os hábitos de leitura da população, Seguro deixa uma sugestão.

É um livro muito simples, "A Arte de Não Ter Sempre Razão". É da Reide, da editora, é deste ano, de Martin de Rozière.

E esta tem destinatários pensados.

E é um livro que todos os opinadores deviam ler e assimilar antes de abrir a boca. É aquilo que está aqui escrito.

O recado do Presidente da República, que levou para casa dois livros, poesia de Eugénio de Andrade e "O Século dos Imbecis", de Valter Hugo Mãe.

Vasco Maldonado Correia, que esteve a acompanhar a Festa do Livro no Palácio de Belém. António José Seguro esteve ao lado de Marcelo Rebelo de Sousa. Vamos ao desporto. O Torriense fez história ontem à noite, venceu por 2 x 1 o Lillestrøm, na Noruega, no primeiro jogo de sempre na Liga Europa. O Torriense da segunda divisão entra da melhor forma nas competições europeias e estreia-se a vencer na primeira jornada. No final do jogo, o treinador-adjunto Carlos Simões estava muito orgulhoso pelo triunfo do Torriense.

Acho que fizemos um jogo quase perfeito. Os jogadores foram incríveis. Acho que é uma vitória deles, é uma vitória nossa, é uma vitória dos nossos adeptos, é uma vitória de Portugal. Escrevemos um pontinho na história. Estamos muito felizes, muito contentes, mas no nosso sentimento, nós não queremos parar aqui.

A equipa do Oeste deixou ainda uma palavra de agradecimento aos cerca de 100 adeptos que viajaram de Torres Vedras até aos arredores de Oslo. Esta vitória foi também felicitada pelo primeiro-ministro na rede social X. Luís Montenegro deu os parabéns ao Torriense pela vitória e a grande estreia. Ainda no futebol, Jorge Jesus anunciou hoje a primeira convocatória enquanto selecionador nacional e, Carla, entre os convocados, pode haver algumas novidades. Estamos perante o início de uma nova era com os comandos de JJ. Na conferência de imprensa de apresentação, o novo selecionador prometeu que Portugal vai passar a jogar o dobro. São esperadas novidades, mas Diogo Varela, quanto a Cristiano Ronaldo, o lugar não parece estar em risco.

A busca pelo gol mil na carreira pode mesmo significar mais internacionalizações de Cristiano Ronaldo com as quinas ao peito. Ainda assim, o ataque deve trazer novidades, com três jogadores, todos formados no Futebol Clube do Porto, a renascerem das cinzas. Neste início de época, Gonçalo Paciência leva cinco gols em seis jogos na primeira liga com as cores do Santa Clara. Também no nosso campeonato, de regresso aos dragões, André Silva assumiu a titularidade e leva três gols no arranque da temporada. Ainda no ataque, Fábio Silva, do Borussia Dortmund, espreita o regresso às internacionalizações. E o bom início de Flávio Gonçalves no Sporting promete uma chamada futura à seleção A. No eixo defensivo, será difícil Jorge Jesus mexer, embora Gonçalo Inácio possa ficar de fora das opções devido ao subrendimento no Sporting, o que pode significar oportunidades para António Silva ou Eduardo Quaresma. No meio-campo, Samu Costa, a grande surpresa dos convocados de Roberto Martínez no último campeonato do mundo, parece o elo mais fraco e tem agora João Palhinha no Benfica e ainda Matheus Fernandes, do Tottenham, a ameaçarem-lhe o lugar. Na baliza, Diogo Costa é intocável, mas José Sá, agora na segunda divisão inglesa com o Wolverhampton, e ainda Rui Silva, algo irregular no Sporting, podem ver o nome excluído das primeiras opções de Jesus, com o novo guarda-redes titular do Benfica, Samuel Soares, a piscar o olho ao selecionador nacional.

Diogo Varela, com as possíveis novidades na primeira convocatória de Jorge Jesus enquanto selecionador nacional. O sucessor de Roberto Martínez anuncia hoje a lista de jogadores para os primeiros encontros da Liga das Nações. Vai ser ao meio-dia na Cidade do Futebol. Uma convocatória para acompanhar claro, em direto aqui ao meio-dia na Rádio Observador, numa edição especial do "E o Campeão É", com comentários do Augusto Inácio, Gabriel Alves e Pedro Henriques. 7:14, Carla, que outras notícias marcam esta manhã? Os ministros das finanças da União Europeia retomam hoje o debate sobre a criação de um mecanismo para taxar os lucros extraordinários das petrolíferas. Esta proposta é definida por um grupo de países, incluindo Portugal. Até agora tem sido rejeitada por Bruxelas. O assunto volta à mesa da reunião informal do Ecofin em Dublin, onde participa o ministro Miranda Sarmento. O governo da AD já avançou com uma contribuição temporária de 33% para o setor do petróleo bruto e da refinação. A China defende estabilidade estratégica com os Estados Unidos. É o balanço feito pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros após uma conversa telefónica com o Marco Rubio. Os dois responsáveis falaram a propósito dos preparativos de um eventual encontro entre Xi Jinping e Donald Trump. Embora a China ainda não tenha confirmado oficialmente a visita aos Estados Unidos, as autoridades norte-americanas falam já no dia 24 de setembro. Na Rússia, começa hoje a votação para as legislativas. O partido Rússia Unida, apoiante do presidente Putin, procura conservar a maioria perante uma oposição limitada. A votação decorre durante três dias, até domingo. Vai escolher os 450 deputados do Parlamento russo. Já têm planos para o fim de semana? Já!

Já, já.

Espero que passem no Teatro Nacional Dona Maria II, em Lisboa. No caso, não está.

Não está. Para este fim de semana.

Para este fim de semana.

Querem ver o Macbeth.

Exatamente.

Mas já deve estar tudo esgotado.

Pois, o que sabemos para já é que é gratuito. Reabre hoje, é gratuito e Macbeth é de facto a grande peça e a grande bandeira agora para esta- Olha, com a Bárbara Branco.

Com a Bárbara Branco, precisamente.

A nossa narradora de podcast. E o Hugo Van Der Dingh. E não só. E mais. E mais. E José Raposo. E José Raposo. Encenação de Pedro Penim. Ora, isto é importante porque o Dona Maria esteve fechado para obras de requalificação desde 2023. Agora, até domingo, a programação é gratuita, tem várias iniciativas e boa sorte para conseguir.

Boa sorte, porque há esta curiosidade: o Teatro Nacional Dona Maria II encerrou depois de um incêndio nos anos 60, quando estava em exibição o Macbeth.

Vai correr tudo bem.