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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Calma, Jesus.
Paulo, cautelas e calos de galinha nunca fizeram mal ao orçamento?
Não. Nem às pessoas, diria.
Ora! Isso é que é.
É verdade. Por regra, os défices orçamentais acontecem por falta de prudência, e não por excesso dela. E Luís Montenegro justificou ontem o facto de não alinhar com as medidas propostas pela oposição, pelo menos com algumas delas, com a necessidade, de facto, de manter as contas públicas em ordem. E claro, recordou o passado, que não é assim tão longínquo, em que aconteceu o contrário, não houve prudência e todos sabemos onde isso levou o país. Passados dois anos, estamos a falar do ano de 2009, em que o governo de José Sócrates, então, fez um bom aumento para os valores da época da função pública e reduziu o IVA em um ponto, na altura, para combater uma crise que estava a nascer. Nós sabemos que passados dois anos, a troika terá de arravar em Lisboa, porque isso contribuiu, obviamente, para a deterioração das contas públicas. A discussão sobre as medidas a tomar para atenuar as subidas de preços vai continuar desta forma clássica. A oposição a dizer que é pouco, que é preciso mais, e o governo a argumentar que não sabemos ainda muito bem onde é que isto vai parar e, portanto, para já, muita cautela.
E também podemos dizer, Bruno, que quanto mais popular, melhor?
Há limites para isso. Os políticos gostam de ser populares. Toda a gente gosta de ser popular. Alguns até não se importam de ser popularuchos, mas há quem perceba que, para lá de certos limites, a popularidade até pode ser uma maldição. Foi essa um pouco a história de Marcelo Rebelo de Sousa na presidência e é isso que António José Seguro quer evitar. Por um lado, pretende marcar diferenças em relação ao antecessor, uma tradição que já é antiga. Por outro, não deixar que a proximidade com os portugueses se transforme numa relação tuca-tu-lá, que reduz a autoridade do presidente, também parece ser outro dos objetivos de Seguro. Para já, as coisas não têm corrido mal. O presidente tem elevados índices de popularidade, ainda longe dos tempos áureos de Marcelo. São personalidades muito diferentes. Claro, Marcelo beneficiava quer do talento para a comunicação, quer do tempo em que entrou pela casa dos portugueses aos domingos à noite, mas ao atual presidente não deve desagradar esta popularidade de certa forma moderada e que está nos cerca de 70% de aprovação.
Sim. Dá para dormir, não é?
Dá para dormir descansado.
Paulo, e continua a saga da Comissão Parlamentar de Inquérito a Luís Neves. E será que à terceira é de vez?
Vamos ver. Ontem deu-se, de facto, um volte-face neste tema, que tem animado o Parlamento nas últimas semanas. A proposta de comissão de inquérito do Chega tinha sido recusada pelo presidente da Assembleia da República e a proposta do JPP tinha passado na análise da Aguiar Branco, mas precisava, essa, ainda de ser aprovada pelos deputados. Ora, o PS anunciou ontem que ia votar contra, anulando assim a hipótese da comissão do JPP, mas André Ventura reuniu, entretanto, com Aguiar Branco e saiu de lá com um espírito muito construtivo. Disse que ia refazer a proposta do Chega para ultrapassar as objeções do presidente do Parlamento, e esta será então a terceira vez que o Chega propõe, a terceira proposta de comissão parlamentar de inquérito a Luís Neves feita pelo Chega. Portanto, vamos ver se é desta.
Sim. Bruno, e a proibição de camiões na VCI está a resultar?
Se medirmos o sucesso da proibição pelo número de tentativas de a contornar, sim. Nos dois primeiros dias em que a medida esteve em vigor, desde terça-feira, a PSP registou apenas 27 infrações. Vinte e duas no primeiro dia e cinco no segundo. O que significa que a informação terá passado, que a sinalética que existe também estará a funcionar. Quanto ao verdadeiro impacto na fluidez do trânsito numa das principais artérias da cidade do Porto, ainda é cedo para tirar conclusões, embora a PSP fale no impacto visual positivo, sentido pelos condutores dos ligeiros.
Impacto visual.
Não têm os camiões a bloquear a vista. E uma maior sensação de segurança também devido à redução da circulação de pesados. Havendo ainda muitas dúvidas sobre a fiscalização do trânsito dos camiões daqui pra frente, e quando ainda não passou uma semana desde a aplicação da medida, os primeiros sinais, pra já, são positivos.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Calma, Jesus.
Paulo