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São 8 horas. As notícias na Rádio Observador, uma edição da jornalista Carla Jorge Carvalho. Pode ser um dia decisivo na discussão do Orçamento do Estado. Luís Montenegro recebe hoje Pedro Nuno Santos, em São Bento. Depois das rondas de negociações entre governo e oposição, hoje tem lugar o primeiro encontro entre o líder do Executivo e o líder do PS. Pedro Nuno Santos vai a São Bento às 15h. No entanto, a discussão sobre a viabilização do Orçamento do Estado tem sido tema sempre presente em cima da mesa, já desde as eleições de março. Vasco Maldonado Correia.

Ainda a noite eleitoral de 10 de março ia a meio e já as atenções dos portugueses se viravam para outubro. Talvez por isso, logo na tomada de posse, o primeiro-ministro tenha começado a deixar recados.

Não rejeitar o programa do governo no Parlamento não significa apenas permitir o início da ação governativa. Significa permitir a sua execução até ao final do mandato ou, no limite, até à aprovação de uma moção de censura.

Pedro Nuno Santos não gostou de ser visto como muleta e avisou.

É praticamente impossível nós viabilizarmos um Orçamento de Estado que espelhe exclusivamente, ou quase na totalidade, o programa eleitoral com o qual nós discordamos e combatemos durante a campanha.

Os meses foram passando e o Presidente da República foi deixando claro que o país precisava de ver o orçamento viabilizado. E assim sendo, o PS apresentou condições.

O Partido Socialista nunca viabilizará um Orçamento de Estado que inclua ou tenha como pressuposto os regimes para o IRS e IRC que deram entrada na Assembleia da República.

Luís Montenegro não gostou do vaivém da oposição e deixou um desafio.

Se por um acaso tudo isto não passar de um jogo, então tenham a coragem de deitar abaixo o governo.

Em julho começaram as conversas entre governo e partidos da oposição, mas depois de duas rondas negociais, o primeiro-ministro nunca marcou presença e, por isso mesmo, também o líder da oposição se recusou a fazê-lo. Cada vez mais em cima da meta e depois de uma troca de comunicados em que Montenegro e Pedro Nuno rejeitam responsabilidade pela falta de avanços, os dois líderes encontram-se finalmente cara a cara. Com a ameaça da dissolução da Assembleia e eleições antecipadas no horizonte, o encontro pode ser decisivo para o futuro político do país.

Aguardemos pelas conclusões deste encontro. Para já fica a fita do tempo das negociações traçada pelo Vasco Maldonado Correia. Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos vão reunir-se a partir das 15h, na residência oficial do primeiro-ministro. E o presidente da Assembleia da República defende que o debate sobre o Orçamento do Estado não pode ser transformado numa moção de censura ao governo. José Pedro Aguiar-Branco apela a um entendimento entre os partidos para a aprovação do documento. O líder da Assembleia da República diz que os portugueses não querem novas eleições. Em entrevista ao jornal Público e à Rádio Renascença, Aguiar-Branco dirige-se concretamente a Luís Montenegro, Pedro Nuno Santos e André Ventura e lembra que os eleitores votaram para uma legislatura de quatro anos.

Quando estamos a discutir aqui o orçamento, temos de ter em atenção o compromisso que nós, enquanto deputados, fizemos com os eleitores, e os eleitores votaram para um compromisso de quatro anos. Esse é o compromisso de cada um de nós, enquanto deputados, meu, mas também dos líderes partidários que foram eleitos deputados, quer Luís Montenegro, quer Pedro Nuno Santos, quer o André Ventura, têm esse compromisso de mandato com o eleitorado e, portanto, nós devemos fazer todos um esforço, olhar para esse compromisso e também não transformarmos este debate numa moção de censura.

Ainda sobre as negociações para o Orçamento do Estado, o presidente da Assembleia da República considera que a metodologia foi correta, mas lamenta a sucessão de respostas e contra-respostas na praça pública. Aguiar-Branco diz mesmo que este cenário pode prejudicar o resultado final das negociações.

O governo está em negociações. Parece-me correta a metodologia que foi seguida. Talvez, às vezes, menos correto o facto de se deixar cair na praça pública aquilo que são as intenções no que diz respeito à negociação. Acho que uma negociação deve ser discreta, deve ser recatada. Isto não tem nada a ver com opacidade, tem a ver com o queremos atingir um resultado e esse resultado muitas vezes não é possível tê-lo se temos a discussão na praça pública, porque por aí temos que satisfazer outros eleitorados.

Declarações de José Pedro Aguiar-Branco, em entrevista à Renascença e ao jornal Público. O presidente da Assembleia da República afirma ainda que seria saudável que se chegasse a um consenso, mas lembra que para isso vai ter de haver várias cedências. E para o editor adjunto de política do Observador, há sinais de que isso possa acontecer, essas cedências, tanto do lado do governo quanto do PS. Ainda assim, Miguel Santos Carrapato sublinha que a troca de declarações entre as partes até chegar a este encontro levam a que qualquer recuo possa ser encarado como uma derrota.

Há uma frase que nos foi dita por um elemento do governo que eu acho particularmente interessante. Aliás, duas. "O governo não vai humilhar Pedro Nuno Santos". E a segunda frase é: "O governo tem consciência de que tem de dar uma saída a Pedro Nuno Santos". Do lado do Partido Socialista, também temos alguns sinais de que as negociações estão a ser encaradas com seriedade. Se o clima for esse, parece-me que pode haver algum espaço para cedências de parte a parte, mas as coisas chegaram a um ponto de crispação em que qualquer margem de recuo será sempre encarada como uma derrota, como o engolir de um sapo, e isso tem custos.

Miguel Santos Carrapato sublinha ainda que este encontro acontece depois de um período de grande tensão, mas que tem acalmado nos últimos dias.

Aquelas declarações de Luís Montenegro no Conselho Nacional do PSD, no arranque da semana, em que disse que não aceitaria governar em duodécimos. Isso também foi visto como um ato de hostilidade por parte de Luís Montenegro, que fez outras considerações, como sugerir que Pedro Nuno Santos estava a revelar imaturidade e infantilidade. Junto também a ida de Pedro Nuno Santos ao terreno, em que desafiou o primeiro-ministro a ir ao terreno. Portanto, o arranque da semana foi marcado, de facto, por essa crispação, mas temos vindo a assistir a uma diminuição da tensão entre as partes.

Análise do editor-adjunto de Política do Observador, Miguel Santos Carrapatoso, na história do dia de hoje. O encontro entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos começa às 15h. E a Rádio Observador vai acompanhar esse encontro e também as comissões do Parlamento numa emissão especial conduzida pelo jornalista Ricardo Conceição, e que começa logo a seguir ao jornal das 14h. Na região de Lisboa, as grávidas vão ter de tocar à campainha para aceder às urgências nos hospitais, isto se não estiverem referenciadas. Esta medida está a ser preparada por um grupo de peritos nomeado pelo governo. De acordo com o semanário Expresso, a medida já foi discutida com os diretores dos serviços de obstetrícia. O atendimento das grávidas vai passar a ser referenciado, ou seja, por telefone, encaminhamento do médico ou por urgência pré-hospitalar. As mulheres que chegarem às urgências de obstetrícia sem avaliação vão ter de tocar à campainha dos serviços. O Expresso refere que a estratégia está a ser preparada por um grupo de peritos nomeado pelo governo e deve avançar dentro de três semanas. O objetivo passa por organizar a resposta às grávidas. A região de Lisboa é vista como prioritária, mas a ideia é estender a medida a todos os hospitais do país com urgências obstétricas. E no Médio Oriente, nas últimas 24 horas, mais de 90 pessoas morreram e outras 150 ficaram feridas na sequência dos ataques israelitas no Líbano. É a tensão a crescer entre Israel e o Hezbollah. Desde segunda-feira, já terão morrido mais de 700 pessoas. Esta é uma informação do Ministério da Saúde do Líbano, citada pela Al Jazeera. E o líder da diplomacia norte-americana diz que intensificar os ataques no Líbano só vai tornar mais difícil aos civis voltarem para casa. Em ambos os lados da fronteira entre Israel e Líbano, é o que refere o Departamento de Estado norte-americano, depois de uma reunião com o ministro de Israel dos Assuntos Estratégicos. Este alerta de Antony Blinken acontece depois de as autoridades israelitas terem rejeitado publicamente um apelo internacional, liderado pelos Estados Unidos e pela França, para um cessar-fogo de 21 dias entre Israel e o Hezbollah. E depois dessa rejeição, o gabinete do primeiro-ministro de Israel revela que o cessar-fogo está a ser discutido com os responsáveis dos Estados Unidos. Uma informação que é confirmada nas redes sociais pelo gabinete de Benjamin Netanyahu, depois de um encontro entre as autoridades israelitas e responsáveis dos Estados Unidos. Tel Aviv afirma que foi discutida a iniciativa norte-americana. É ainda referido que estas discussões vão manter-se ao longo dos próximos dias. E o candidato à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe hoje Volodymyr Zelensky. O encontro que deve ficar marcado pela discussão do apoio norte-americano à Ucrânia, em caso de uma vitória do candidato republicano nas presidenciais. Trump diz que aceitou o pedido do presidente ucraniano porque considera a guerra na Europa um cenário horrível. Ainda assim, o antigo presidente norte-americano deixa críticas à União Europeia.

O presidente Zelensky pediu para reunir comigo e esse encontro vai acontecer. É uma pena o que está a acontecer na Ucrânia. Tantas mortes e tanta destruição é uma coisa horrível. Uma das coisas que me incomoda mais nesta situação é o facto de a Europa estar a contribuir muito menos do que os Estados Unidos para ajudar a Ucrânia. E temos um oceano entre nós e a Rússia. Eles não.

Donald Trump, em declarações ontem à noite. O encontro com Zelensky vai ser na Trump Tower, em Nova York. Entretanto, a Ucrânia vai receber mais um pacote de ajuda da Casa Branca. O governo norte-americano vai enviar cerca de €7000 milhões ao executivo ucraniano. São 14h10, Carla, é a hora que outras notícias marcam a atualidade. Marta Temido vai hoje à Comissão Parlamentar de Inquérito ao chamado Caso das Gémeas. A antiga ministra da Saúde é chamada a responder aos deputados depois da autorização dada para tratamento em Portugal de duas bebés residentes no Brasil que adquiriram a nacionalidade portuguesa. Temido sempre disse que desconhece qualquer documento que autorizava o acesso a um medicamento. A Rádio Observador vai acompanhar esta audição, que começa às 15h. Vamos também acompanhar em direto, numa emissão especial, a ida ao Parlamento da ministra da Justiça. Depois de ontem os deputados terem questionado as antigas responsáveis pela pasta, Francisca Van Dunem e Catarina Sarmento e Castro, hoje é a vez de Rita Alarcão Judice. Em causa está a fuga de cinco prisioneiros de Vale de Judeus. A PSP registou perto de 3300 contraordenações junto a escolas no início do ano letivo. De acordo com o comunicado da Polícia de Segurança Pública, tratou-se de uma operação realizada no âmbito do programa Escola Segura, que decorreu entre os dias 9 e 20 deste mês. A nota da PSP indica que foram feitas mais de 600 ações de fiscalização e sensibilização. A maioria das contraordenações foi registrada por estacionamento indevido junto às escolas. Logo a seguir, surge o uso de telemóvel durante a condução. No futebol, o Sporting joga hoje em casa do Estoril, no arranque da jornada sete do campeonato. Rúben Amorim não vai poder contar com Pedro Gonçalves e Marcos Edwards, que estão lesionados. O jogo está marcado para as 20h15 desta noite e vai ter relato em direto aqui na Rádio Observador. Agora vamos falar de super-heróis. Batman é o primeiro super-herói com uma estrela no Passaio da Fama. Parece-me mais do que justo. Também já tem 85 anos. Já está velho, já tem tudo.

Já tem 85 anos o Batman? Está na mesma. Está para as curvas.

Os anos não passam por ele.

Ninguém diria.

É porque ele leva Botox.

Deve ser aquele fato de licra. É licra aquilo? Meu Deus!

Vinil.

Pronto.

Pois é, não sei. O Batman nasceu, o látex é isso que me faltava. Nasceu crescido. Quando é que nasceu? Em 1939. Já viram o que aconteceu ao mundo? É da vossa.

Exato. É da nossa década.

E logo a lutar contra o mal. Imaginem tudo o que ele já viu acontecer. Desde pequenino, é impressionante. Tem uma longa história para contar. Tem, tem muita. Ali em Gotham, mas também em todo o lado. E até apareceu depois no cinema e é por isso que agora lhe surge a estrela no Passaio da Hollywood. Vai, Batman, estamos contigo.

É um grande ator.