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São 8 horas. Jornal das 8 da Rádio Observador, edição do Luís Soares. Bom dia, Luís, mais uma vez.

Bom dia.

Começamos em Espanha. As Forças Armadas vão mobilizar hoje mais de mil militares na operação para atenuar os efeitos da devastação na província de Valência.

O jornal "El País" cita fontes militares que explicam que o objetivo é terminar o dia com 3 mil militares em tarefas de remoção de escombros, distribuição de ajuda humanitária ou resgate de instalações inundadas. Este aumento duplica o exigido ontem pelo presidente valenciano, que solicitou a incorporação hoje de mais 500 militares. Ontem de manhã, 500 militares do Exército, Marinha e Aeronáutica juntaram-se aos 1200 efetivos da União Militar de Emergência, já presentes na região. À tarde, aderiram mais 250. Hoje, vão aderir mais mil. A Ministra da Defesa não fixou limites à contribuição das Forças Armadas e garantiu que todos os meios solicitados serão fornecidos enquanto forem necessários. Ontem à noite, subiu para 207 o número de vítimas mortais confirmadas desde terça-feira. Os dados foram avançados à rádio Cadena SER pelo ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.

A última atualização que tenho é de 207 vítimas mortais registadas. Quanto aos desaparecidos, é impossível dizer e seria imprudente avançar com um número. Levaria ao erro e não iria gerar confiança.

O ministro do Interior sublinha que é razoável pensar que o número de vítimas vai subir, mas não quer avançar, por agora, com o número de desaparecidos.

E Luís, entretanto, subiu para laranja o aviso de chuva para hoje na Comunidade Valenciana.

Inicialmente, a chuva prevista para a região era fraca, com aviso amarelo, o mais baixo. No entanto, na última atualização dos alertas desta noite, a Agência Meteorológica Espanhola elevou o nível de aviso para laranja, o segundo mais grave. Assim, há hoje três comunidades com aviso laranja, as Ilhas Baleares, a Catalunha e a Comunidade Valenciana. Os dados mais recentes da Agência Meteorológica Espanhola mostram que na terça-feira foram batidos todos os recordes de precipitação. Caíram 179 litros por metro quadrado na zona de Valência em apenas uma hora. O anterior valor máximo tinha sido atingido também na Comunidade Valenciana, em outubro de 2018, quando caíram 159 litros de chuva por metro quadrado. Junta-se a nós em direto este Jornal das 8 a Joana Moreira, uma das enviadas do Observador a Valência. Bom dia, Joana. Ontem estiveste com o João Porfírio em Sedaví, onde a esperança de encontrar desaparecidos com vida parece ser cada vez menor.

Viva, Luís. É exatamente assim. Aquilo que encontrámos foram muitas pessoas cada vez mais resignadas com o desfecho que muitos temem, mas que muitos antecipam. A polícia cortou as estradas e os acessos a Sedaví, esta povoação de 10 mil habitantes a poucos quilómetros de Valência, pelo que as pessoas estão praticamente entregues à sua sorte. Aliás, fonte dos bombeiros, ontem, de Alicante, revelava precisamente ao Observador que a busca por pessoas desaparecidas foi inclusivamente-

Perdemos aqui o contato com a Joana Moreira, que está em direto de Valência. Ela que está com algumas dificuldades técnicas. Vamos tentar retomar esse contato com a Joana Moreira. Não parece que seja possível nesta altura esse contato. Perdemos, realmente, as ligações são complicadas com Valência.

Por questão da rede, Luís.

Exatamente, as comunicações são muito difíceis. Vamos tentar retomar. Joana Moreira, penso que já te conseguimos ouvir agora outra vez. Exatamente, já estamos contigo, Joana. Estavas a explicar o que te contava uma fonte dos bombeiros de Alicante relativamente a esta questão da possibilidade de encontrar desaparecidos com vida.

Sim, esta fonte dizia-nos que a busca de pessoas desaparecidas tinha parado por parte das autoridades locais e que neste momento o foco era a recolha de corpos mortos. Entretanto, chegou uma equipa especializada de Madrid, são os bombeiros Ericama, um grupo de emergência especializado precisamente em resgate e buscas. Trabalham sobretudo em incêndios, em terramotos, e são os elementos desta equipa especial que estão, neste momento, à procura de pessoas desaparecidas. No entanto, às primeiras horas desta busca, aquilo que nos relataram foi que têm encontrado, sobretudo, corpos mortos. É um cenário desolador em Sedaví.

Precisamente, como é que se faz essa busca por desaparecidos num local que está praticamente incontactável e sem comunicações?

Sim, o que acontece é que muitos dos bombeiros nem sequer conhecem bem a zona. Portanto, o que está a acontecer é: estão a dirigir-se para determinadas localidades e a perguntar na rua a pessoas onde são os locais que é mais provável que se encontre vítimas. Falamos de parques de estacionamento, caves das casas, até porque muitas destas localidades falamos de casas que têm muitas caves, que estão neste momento ainda alagadas. Há uma expressão que foi utilizada por um bombeiro que falou connosco, que foi: "Onde há caves, há pessoas". E é essa a busca que está a ser feita agora por esta equipa de emergência, procurando que os corpos ainda estejam vivos, mas sem grande alento.

Joana Moreira, muito obrigado por ter estado em direto conosco. Uma das enviadas especiais do Observador a Valência, com este relato da região de Sedaví, uma das mais afetadas pelas inundações desta semana. Ela e João Porfírio vão continuar também no terreno a trazer-nos as informações e os relatos do que se vai passando. O governo regional de Valência restringiu ontem a circulação automóvel para facilitar o trabalho das equipas de emergência nas zonas mais afetadas pelas inundações. A proibição de circulação entrou ontem em vigor e assim vai permanecer até o final deste fim de semana.

Este é um assunto ao que vamos continuar a dar destaque ao longo desta manhã. Marcelo Rebelo de Sousa visitou ontem os familiares de Odair Moniz, o homem morto a tiro pela PSP no passado dia 21 de outubro.

Foi uma visita que aconteceu sem a presença dos jornalistas, já que não constava da agenda de Marcelo Rebelo de Sousa, a agenda oficial para a comunicação social. Foi mais tarde, depois, divulgada essa visita, através de duas notas publicadas na página da presidência. Nesse comunicado, o chefe de Estado explica que iniciou ontem visitas informais às zonas da Grande Lisboa afetadas pelos tumultos na sequência da morte de Odair Moniz. Marcelo Rebelo de Sousa esteve na Amadora, juntamente com o presidente da Câmara Municipal, Vitor Ferreira. Foi no bairro do Zambujal, onde visitou a esquadra da PSP e conversou também com diversos moradores, incluindo familiares de Odair Moniz. A visita do presidente estendeu-se ainda até o bairro da Cova da Moura, onde também contactou com vários moradores.

Está desfeito o tabu. José Mourinho justificou ontem os motivos pelos quais aceitou ser o novo treinador do Manchester United, ainda antes de terminar a quinta época ao serviço do Sporting.

Tal como tinha prometido no início da semana, o técnico dos Leões falou na conferência de imprensa depois do jogo em Alvalade, frente ao Estoril da Amadora, um jogo que o Sporting venceu por 5-1. José Mourinho estava emocionado, aproveitou o momento para fazer algumas revelações. Explicou que já tinha decidido que esta seria a última época no Sporting, pediu para que a transferência só acontecesse no final da época, mas os ingleses não quiseram.

No início da época, eu tive uma conversa com o presidente e com o Viana e fiz questão disso, muito antes do Viana sair. Eu disse que acontecesse o que acontecesse, era a minha última época no Sporting. E isso o presidente está aí e pode confirmar. A época começou, nós todos começámos a fazer uma época muito boa e surgiu esta situação do Manchester United. O Manchester United apareceu, pagou acima da cláusula e o presidente defendeu os seus interesses. Nunca menti, nunca discuti nada com o presidente. O único pedido que eu fiz foi que fosse no final da época, foi o único pedido e estive três dias a pedir isso. Foi-me dito que não era possível, que era agora ou nunca e que senão iria se buscar outra opção.

José Mourinho a explicar a decisão, ele que deixou também garantia de que não vai levar nenhum jogador do Sporting no próximo mercado em janeiro.

E quem também marcou presença na conferência de imprensa a prestar esclarecimentos foi o presidente do Sporting.

Frederico Varandas, que garantiu que a sucessão do José Mourinho já estava a ser tratada antes mesmo da proposta do United e aproveitou para revelar a data do anúncio do próximo técnico leonino.

Os adeptos têm o privilégio de viver o presente, nós temos que estar a preparar o futuro. E assim já o estávamos a fazer. Obviamente que esta chegada do United não era o que queríamos. A decisão do treinador, como ele disse aqui, foi outra, foi deixar que era o momento de ir. Respeitámos, respeitamos e apenas antecipámos em sete meses o que já estava tudo preparado. O treinador será sempre a peça-chave do projeto desportivo. É a minha conceção, disse exatamente esta frase. José Mourinho era a nossa peça-chave porque era o nosso treinador e entendemos que vamos escolher um treinador que será a peça-chave do projeto desportivo. O futuro treinador do Sporting será anunciado dia 11 de novembro.

Frederico Varandas, respeita a decisão de Mourinho, deixou também muitos elogios e referiu que o treinador do Sporting vai ficar para sempre na história do clube. Quanto ao jogo, o Sporting goleou o Estoril da Amadora por 5-1, chegou às 10 vitórias em 10 jogos. Os Leões continuam isolados na frente da tabela classificativa com 30 pontos conquistados. Hoje é a vez do Benfica entrar em campo também a contar para a jornada 10. Vai ser à frente ao Farense, jogo marcado para às 18h.

E com relato em direto e comentário aqui na Rádio Observador, emissão especial para acompanhar aqui na sua rádio. Fica por aqui o Jornal das 8 com o Luís Soares.