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São 8 horas. As notícias com o jornalista Luís Soares. E começamos com a Operação Marquês, o julgamento de José Sócrates e outros 20 arguidos arranca esta manhã.
Julgamento que chega a tribunal quase 11 anos depois da detenção de José Sócrates. Pela primeira vez, um ex-primeiro-ministro vai sentar-se no banco dos réus acusado de corrupção no exercício de funções. A sessão começa às 9h30 da manhã, no Campus da Justiça, em Lisboa, onde já está a esta hora a repórter do Observador, Nadine Soares. Nadine, na próxima hora devem começar a chegar os protagonistas deste processo.
Sim, mais de uma década depois, o Campus de Justiça prepara-se agora para aquele que é o julgamento mais mediático da justiça portuguesa. A Operação Marquês começa hoje a ser julgada, como dizias, a primeira vez que um ex-primeiro-ministro vai sentar-se no banco dos réus. José Sócrates é o principal arguido, entre uma lista de 21 nomes que respondem por 117 crimes. O antigo primeiro-ministro vai ser julgado por 22 crimes, três de corrupção passiva de titular de cargo político, 13 de branqueamento de capitais e seis de fraude fiscal qualificada. Destacamos ainda o amigo de Sócrates, empresário Carlos Santos Silva, o ex-banqueiro Ricardo Salgado e antigo ministro Armando Varanda, e ainda os antigos chairman e CEO da PT, Enrico Granadeiro e Zeinal Bava. José Sócrates já apresentou mais de 100 recursos, reclamações e incidentes. A defesa do ex-primeiro-ministro tem contestado ao longo destes últimos anos tudo o que envolve esta Operação Marquês. E relembro até que Sócrates apresentou esta semana uma queixa contra o Estado português no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. O ex-primeiro-ministro insiste que este julgamento é ilegal e que se baseia num lapso de escrita que fez reaver um caso que estava adormecido. É uma resta de esperança de Sócrates para que este julgamento caia por terra, mas parece que é mesmo hoje que esta Operação Marquês começa a ser julgada e que vai sentar um ex-primeiro-ministro no banco dos réus. Para já, Campus de Justiça vazio, a preparar-se para receber os arguidos deste megaprocesso. A sessão deve arrancar pelas 9h30 da manhã.
Nadine Soares, em direto do Campus da Justiça, onde vai decorrer esse julgamento da Operação Marquês. Estão marcadas, para já, 53 sessões que se estendem até o final do ano. De notar que José Sócrates já saiu há pouco de casa, na Ericeira, em imagens transmitidas pela SIC e pela RTP mostravam o ex-primeiro-ministro a sair de casa, entrar no carro, mas sem prestar declarações aos jornalistas.
Rómulo Mateus é o procurador do julgamento da Operação Marquês. Aos 63 anos, enfrenta o último grande desafio da carreira.
O de liderar o Ministério Público neste megaprocesso, que vai julgar o ex-primeiro-ministro. Rómulo Mateus tem um percurso, Miguel Gato, que cruza tribunais, prisões e até o Kosovo.
Nasceu em Angola na década de 60, mas foi em Portugal onde completou a formação acadêmica. Licenciou-se em Direito na antiga Universidade Clássica de Lisboa e iniciou a carreira ainda nos anos 80 como auditor de Justiça no Centro de Estudos Judiciários. Na década seguinte, Rómulo Mateus iniciou o périplo por diferentes comarcas, até ser eleito inspetor-coordenador na Direção-Geral dos Serviços Prisionais. Estávamos em 2009 e no mesmo ano embarcou numa aventura pela Europa. Foi enviado pela União Europeia numa missão para construir o Estado de Direito no Kosovo. Em 2018, o procurador passou a integrar o Juízo Central Criminal de Lisboa, no Campus da Justiça.
E no ano passado, Miguel, Rómulo Mateus foi indicado para esse julgamento da Operação Marquês.
Amadeu Guerra, procurador-geral da República, escolheu um magistrado discreto, à antiga, sem qualquer ligação ao caso e com grande capacidade de trabalho. É assim que o descrevem várias pessoas que trabalharam com Rómulo Mateus ao longo dos anos, como a ex-ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, a antiga diretora do DIAP de Lisboa, Maria José Morgado, ou o procurador-geral adjunto jubilado, José Góis. Vários colegas gabam-lhe o espírito de missão, a presença, o rápido raciocínio e a boa capacidade de comunicação, características para a realização de um bom trabalho em julgamento. Ao Observador, várias fontes dizem também que Rómulo Mateus tem noção do peso que a Operação Marquês tem para o Ministério Público e estão confiantes de que o procurador vai fazer um ótimo trabalho.
Miguel Gato e o perfil do procurador do julgamento da Operação Marquês, Rómulo Mateus. Susana Seca, a juíza que vai presidir à sessão, tem também a boa reputação. É descrita ao Observador como experiente, célere e também capaz de lidar com o megaprocesso que vai julgar José Sócrates.
E falamos agora das eleições presidenciais. Eduardo Ferro Rodrigues apoia uma candidatura de Sampaio da Nova a Belém.
Ferro Rodrigues, o líder socialista, afirma ao Observador que apoiaria uma candidatura a Belém do antigo reitor da Universidade de Lisboa. Numa curta declaração, lembra que votou nele em 2016. Ferro Rodrigues considera mesmo que Sampaio da Nova daria um excelente presidente da República. Este apoio, o primeiro dentro do PS, surge depois da saída de cena de Augusto Santos Silva.
E o nome do antigo reitor tem sido abordado por membros do PS, Bloco de Esquerda e até do Livre.
A eventual candidatura é vista como capaz de agregar a esquerda. O Observador apurou que as conversas para avaliar os apoios intensificaram-se nos últimos dias e que o antigo reitor está próximo de tomar uma decisão definitiva. A jornalista Rita Tavares explica que Santos Silva e Sampaio da Nova terão falado recentemente sobre essa corrida a Belém.
Nos últimos dias, terá existido até uma conversa entre os dois sobre este assunto das presidenciais. Santos Silva não quis confirmar essa conversa ao Observador e diz que a sua decisão de hoje só o responsabiliza a si mesmo. Mas a verdade é que aquilo que disse sobre a necessidade de existir uma candidatura de uma figura independente nesta altura do campeonato acaba por colocar uma pressão imensa sobre Sampaio da Nova, o nome que já concorreu nas presidenciais em 2016 e até com o apoio de parte do Partido Socialista, que tinha tido também como uma candidata adversária de Sampaio da Nova, uma antiga presidente do partido, Maria de Belém, tinha sido presidente do PS até 2014.
Rita Tavares, jornalista da Editoria de Política do Observador, na história do dia de hoje, nas presidenciais de 2016, o reitor honorário da Universidade de Lisboa foi o segundo candidato com mais votos, cerca de 23%, ficou apenas atrás de Marcelo Rebelo de Sousa.
É o tema em destaque a esta hora no site do Observador. 8h06, Luís, que outras notícias marcam esta manhã?
Luís Montenegro e André Ventura reúnem-se hoje em São Bento. Vão falar sobre as propostas de IRS e também de imigração, que vão ser debatidas amanhã no Parlamento. O encontro está marcado para às 17h e foi pedido pelo presidente do Chega, é o que indica uma nota divulgada pelo gabinete do primeiro-ministro. O Hamas vai libertar 10 reféns e entregar os corpos de outros 18 durante o acordo de cessar-fogo de 100 dias com Israel. É o que avança o jornal norte-americano New York Times. Também é indicado que este processo de libertação de reféns vai ser feito em cinco fases. Contrariamente ao que aconteceu no passado, não vai ser feita nenhuma cerimônia durante a libertação desses reféns. Luís Filipe Vieira vai mesmo avançar com uma candidatura à presidência do Benfica. O Observador apurou que houve quem desaconselhasse Vieira a avançar, mas o antigo líder encarnado quer voltar à liderança do clube. Rui Costa, atual presidente, ainda está em período de reforma