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São 8 horas. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Escolas, hospitais, tribunais e transportes devem ser afetados pela greve da Frente Comum de hoje. O protesto começou à meia-noite e o primeiro balanço está marcado para esta hora.
A Frente Comum promete uma grande greve que abrange todos os trabalhadores do Estado. Ao mesmo tempo da greve da Frente Comum, decorre também uma paralisação convocada pela Federação Nacional dos Médicos, que acusa o Ministério da Saúde de não querer negociar. A Rádio Observador está a fazer uma ronda para perceber o impacto do protesto. Vamos já em direto até à Escola Artística António Arroio, em Lisboa. É lá que está a Nadine Soares. Nadine, já há informação, são agora mesmo 08h, já se sabe se os alunos vão ter aulas?
Estamos aqui nesta Escola Artística António Arroio, em Lisboa, e há a indicação de que esta escola não vai abrir. Temos aqui o coordenador da Frente Comum, Sebastião Santana, preparado para prestar algumas declarações à comunicação social. Perguntava-lhe, além desta escola, que mais indicação tem em relação a serviços afetados, o que é que nos pode adiantar a esta hora?
Esta greve arrancou no turno da noite de ontem nos hospitais e na recolha de resíduos. A adesão durante a noite foi muito boa. Tivemos em todo o país perturbações na recolha de resíduos e alguns, bastantes, pontos de recolha completamente encerrados. Foi o que sentimos durante toda a noite, os hospitais em serviços mínimos na sua esmagadora maioria, desde o Hospital de Tondela ao Hospital de Faro, passando pelos hospitais dos maiores centros urbanos, a mesma coisa, a prestar apenas serviços mínimos. E aquilo que estamos a assistir esta manhã é o cenário que temos atrás de nós. Vai ser uma grande greve. Já temos registo de escolas fechadas também em vários pontos do país, outras que sabemos de antemão que não vão mesmo abrir, e isto vai se multiplicar pelos serviços da administração pública.
Bom dia, Sebastião Santana. Em direto para a antena um, tem dados sobre os números de adesão a esta hora?
Os números de adesão a esta hora é muito prematuro estar a dizer. Sabemos que há muitas escolas que já não estão a abrir. Durante a noite tivemos uma adesão a rondar os 90% na recolha de resíduos e serviços mínimos na esmagadora maioria dos hospitais. Perguntavam-me o que é que estava aqui em causa. O que está em causa é que este governo continua a não querer dar resposta aos problemas dos trabalhadores. Nós exigimos aumentos salariais que contrariem os 20% de perda de poder de compra das últimas duas décadas. Temos propostas que não custam um cêntimo, como a erradicação da precariedade na administração pública, atribuindo o vínculo público de nomeação, uma realidade muito sentida também nas escolas, onde a precariedade é perpetuada há demasiado tempo, a valorização dos serviços públicos, valorização das carreiras e há dinheiro para isso tudo.
O essencial das declarações de Sebastião Santana, coordenador da Frente Comum, com este balanço aqui neste iniciar de dia em relação às escolas, mas também indicações em constrangimentos na recolha do lixo, mas também hospitais, aqui em frente à Escola Artística António Arroio. Este início de manhã, já com bastantes constrangimentos. O balanço inicial da Frente Comum, esta greve geral, esta grande greve que está marcada, fica aqui registrado este primeiro balanço.
É um balanço, Nadine Soares, ainda sem números concretos na Escola Artística António Arroio. Vamos já em direto para o Porto. A Maria Rigo está na Escola Secundária Filipa de Vilhena. Maria, essa escola abriu? Já é possível também fazer-se aí um balanço do impacto do protesto, nomeadamente ao nível das escolas?
Ainda não é possível fazer esse balanço aqui na Escola Secundária Filipa de Vilhena. Aguardamos a qualquer momento a chegada do secretário-geral da FENPROF, Francisco Gonçalves, mas falamos há pouco com alunos que nos indicam que num dia normal os portões abririam por volta das 7h20, 7h30, algo que por aqui ainda não aconteceu. Vemos, de facto, algumas dezenas de alunos que aguardam para saber se irão ou não existir aulas hoje. Ainda assim, seria agora de esperar às 8h a abertura do portão ou então a colocação de um aviso na porta para perceber se existe greve ou não. Estava a tentar perceber se já teria sido colocado esse aviso, uma vez que ouvíamos aqui de fundo alguma manifestação destes alunos. De resto, vemos aqui o Sindicato dos Trabalhadores das Funções Públicas Sociais do Norte, que fazem sentir esta presença com várias bandeiras, também da FENPROF, Sindicato dos Professores do Norte, e neste que é dia de greve e aguardamos então a qualquer momento esse balanço, Carla.
Vamos acompanhar ao longo da manhã o impacto desta greve, agora aqui com a Maria Rigo, que está na Escola Secundária Filipa de Vilhena, no Porto. Há outros setores afetados, por exemplo, o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública dá conta de constrangimentos na recolha do lixo na Grande Lisboa durante a madrugada.
Está marcada para daqui a uma hora a votação da Lei da Nacionalidade, mas, Carla, sem garantias de acordo entre o PSD e os partidos da oposição.
Ao mesmo que a lei seja votada hoje, era suposto ter acontecido na semana passada, mas a votação já foi adiada por três vezes. Certo é que PSD, PS e CHEGA têm passado as últimas madrugadas em negociações e que o partido do governo quer resolver o assunto antes do debate orçamental. Vaz Kemal, Renato Correia.
Dentro do PSD, Carla, comenta-se que o partido se quer fazer caro nestas negociações, mas hoje pode mesmo ser o dia em que a Lei da Nacionalidade fique resolvida para que não esbarre com a discussão do Orçamento do Estado, que arranca na segunda-feira. Por isso mesmo, Luís Montenegro pede que os partidos da oposição saibam ir além de birras ou de ciúmes e se foquem no que interessa.
Nós queremos resolver os problemas das pessoas e os problemas do país
Não estamos interessados em discutir se o fazemos com o maior apoio, participação ou colaboração do partido A ou do partido B, e muito menos nos queremos intrometer em algumas atitudes mais ciumentas de um e de outro. Sinceramente, as pessoas estão cansadas disso. As pessoas querem mesmo resultados e é nisso que nós nos estamos a concentrar.
E se Montenegro fala de um ou outro partido, o líder parlamentar Hugo Soares é mais direto, avisa o Chega, que deve parar de esticar a corda em público e focar-se nas conversas em privado.
O Chega, Vasco, que apresentou ontem quatro linhas vermelhas para esta lei da nacionalidade.
Insiste que a perda de nacionalidade deve ser automática para quem cometa certos crimes graves, como terrorismo ou violação. Pede também regras mais apertadas no regime mais facilitado para a CPLP. Exige que ninguém viva de subsídios ou apoios sociais no momento em que pede a nacionalidade e que a obtenção dessa nacionalidade através de documentação fraudulenta seja um impedimento irrevogável. Estas exigências surgem numa altura em que André Ventura acusa o PSD de estar a trair o próprio eleitorado.
E isto porque nas últimas horas o PS se tem tentado aproximar do Executivo nesta matéria.
Ao Observador, fonte do grupo parlamentar do PS confirma que o partido quer ir ao encontro do Governo e para isso apresentou várias sugestões de alteração às próprias propostas iniciais. Por exemplo, admite agora aumentar o período em que alguém tem de residir legalmente em Portugal para obter a nacionalidade portuguesa de cinco para seis anos, no caso de cidadãos da União Europeia ou da CPLP, ou para nove anos nos restantes casos. Além disso, passa agora a pedir que os requerentes de nacionalidade portuguesa passem a ter de provar que além da língua, conhecem também a história e os símbolos nacionais. E admite agora também o PS que quem tenha sido condenado a uma pena de prisão de dois anos já não possa pedir a nacionalidade.
Vasco Maldonado Correia, com as últimas movimentações para aprovar a lei da nacionalidade. Depois de três adiamentos, a votação está marcada para às 09h no Parlamento. Destaque agora para as presidenciais. Afinal, o Livre só vai decidir na segunda-feira se dá apoio imediato a Jorge Pinto ou se deixa a decisão para as primárias. Carla, as opiniões dentro do partido estão divididas.
Sendo que é o próprio Jorge Pinto a pedir que o nome ainda vá internamente a votos antes de receber o apoio formal do Livre, sendo que Ricardo Sá Fernandes, antigo membro da Comissão de Ética do Livre, acusa Jorge Pinto de se autoimpor antes de um debate interno. Lamenta também que o Livre não tenha seguido o caminho da unidade de esquerda que esteve na matriz do partido. Assim sendo, Ricardo Sá Fernandes avança ao Observador que vai votar em António José Seguro. Considera que é a única candidatura de esquerda com hipóteses de passar à segunda volta e de ser eleito. Perante este cenário, a Assembleia do Livre agendou com urgência este debate sobre presidenciais para definir calendário e metodologia. Vai ser na segunda-feira.
Este é o artigo que faz manchete a esta hora no site do Observador. São 08h09, Carla, que outras notícias estão em destaque a esta hora?
Quase 1 milhão de pessoas continuava à espera de uma primeira consulta hospitalar no final do mês de junho e mais de metade espera para além dos tempos máximos de resposta. É o que indicam os dados da Entidade Reguladora da Saúde. O organismo concluiu que no final de junho, mais de 970 mil utentes ainda aguardavam por uma primeira consulta nos hospitais públicos. É um aumento de 25% face ao mesmo período do ano passado. O presidente do Conselho Europeu recusa a ideia de fadiga europeia em relação ao apoio à Ucrânia. Declarações de António Costa no final do Conselho Europeu, ele que garante que os 27 têm vontade de continuar a apoiar a Ucrânia nesta guerra contra a Rússia. Falta de resultados, venda de jogadores da formação e o estado das finanças, foram vários os temas em destaque no debate entre os seis candidatos à presidência do Benfica, transmitido pela BTV. Rui Costa, João Noronha Lopes e Luís Filipe Vieira estiveram em evidência com ataques entre os três. As eleições para a presidência do Benfica realizam-se amanhã. O Futebol Clube do Porto sofreu a primeira derrota esta época. Os Dragões perderam em casa do Nottingham Forest, em Inglaterra, por 2x0, um jogo a contar para a Liga Europa. Já o Braga venceu o Estrela Vermelha por 2x0. E não se esqueçam, é este fim de semana que muda a hora. Vamos entrar no horário de inverno.
É de sábado para domingo, temos de atrasar o relógio uma hora, não é?
Vou fazer um desenho, quando forem 02h em Portugal continental, atrasamos o relógio 60 minutos para a uma.
Carla, six, seven.
One, two.
One, two. One, one.
Pronto, e ninguém percebeu nada.
Claro.
É de sábado para domingo, às 02h.
Uma a mais.
Às 02h passa para a uma.