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Começamos este jornal das 20h com a reforma laboral. O governo acredita que a UGT não está a levar a sério as negociações. O Executivo faz um ultimato e dá mais 15 dias à central sindical para se voltar a pronunciar. Há poucas esperanças no acordo, mas ninguém parece querer fechar a porta às negociações.
Depois do chumbo da UGT à mais recente proposta do governo, a ministra do Trabalho marcou para dia 7 de maio uma nova reunião, ou seja, o Executivo vai deixar passar o 25 de Abril e o 1º de Maio, dias em que os sindicatos costumam fazer demonstrações de força. Mas dentro do governo há a ideia de que a UGT não está a levar a sério as negociações e, por isso, restam poucas esperanças para um acordo. João Gama.
Dentro do Executivo, ouve-se mesmo, cada vez mais, a ideia de que a UGT está, sobretudo, a fazer uma gestão das perceções políticas, em vez de trabalhar para uma lei melhor para os trabalhadores. O Observador apurou também que a unanimidade dentro do Secretariado Nacional da Central Sindical surpreendeu o governo, uma vez que também a tendência social-democrata acabou por votar contra a proposta que estava em cima da mesa. Esta posição não era esperada no PSD. No final de contas, toda a liderança da UGT acabou por concordar no voto contra, incluindo Lucinda Damaso, presidente da Central Sindical e vice-presidente do PSD.
Para já, o governo vai apostar na estratégia de mostrar disponibilidade para negociar até ao limite.
Não só para tentar mostrar à opinião pública que o Executivo não foi inflexível nem esteve de má-fé nestas negociações, mas também porque há outro obstáculo no horizonte: o Presidente da República. António José Seguro anunciou em campanha eleitoral que vetaria uma reforma que não contasse com o acordo da UGT. Ora, o governo quer mostrar que esgotou todas as possibilidades para chegar a um acordo. Para os patrões, já não há grandes dúvidas de que esta negociação já está esgotada.
Ou seja, João Gama, nenhuma das partes quer ficar com o ônus de ter rompido as negociações neste processo que se arrasta desde o ano passado. Na análise, o editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes, fala num braço de ferro entre todas as partes ao nível da narrativa, um braço de ferro que está para durar.
Estão os dois a tentar puxar a corda pro seu lado e agora a ideia pública que dá é que, mais do que estarem os dois muito empenhados a chegar a um acordo, estão os dois muito empenhados em passar a imagem pública que a culpa é do outro. E, portanto, mesmo tendo em conta aquilo que são os sinais e a proclamada esperança, quer de um lado, quer de outro, a disponibilidade pra negociar, não se antecipa que daqui venha com facilidade o acordo que aparentemente os dois querem, ou pelo menos o governo quer. E nesse sentido, eu diria que é um braço de ferro pra continuar nos próximos dias.
A análise do editor de política do Observador na história do dia.
Este é o artigo que faz manchete a esta hora. Vai ser também o tema do Explicador, com Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, e Eurico Brilhante Dias, líder parlamentar do PS. O secretário-geral do PS está convicto de que vai chegar a ser primeiro-ministro quando houver eleições legislativas e recusa ter um opositor interno depois do regresso de Pedro Nuno Santos ao Parlamento.
José Luís Carneiro afasta a ideia de que está a surgir uma oposição interna não assumida no PS. Em entrevista à Agência Lusa, Carneiro mostra-se convicto de que vai a eleições legislativas enquanto líder do PS e que vai vencer.
Estou firmemente convencido que irei a eleições e que vou ganhar as eleições pra primeiro-ministro.
Sejam elas antecipadas ou no seu calendário.
Quando elas ocorrerem.
Sobre o regresso de Pedro Nuno Santos ao Parlamento para reassumir o mandato de deputado, Carneiro afasta qualquer desconforto. Diz mesmo que recebe Pedro Nuno Santos de braços abertos.
Conversamos na sexta-feira passada e disse-lhe que o acolheríamos de braços abertos. E se ele se sente bem hoje no Parlamento, é onde ele deve estar. Ele tem um mandato, tem uma legitimidade. E mais, espero que ele se sinta bem, que seja, digamos, cujas capacidades e experiência política sejam devidamente valorizadas no trabalho parlamentar.
Nesta entrevista, o secretário-geral do PS acusa também o governo de asfixia democrática. José Luís Carneiro afirma que o Executivo cria constantemente instrumentos de distração da opinião pública e dá os exemplos da lei da nacionalidade ou da questão das burcas.
José Luís Carneiro revela também que teria todo o gosto em acolher Mário Centeno como militante do partido e diz que já lhe transmitiu essa intenção.
Deixa vários elogios ao ex-governador do Banco de Portugal e afirma que seria muito benéfico contar com ele no Partido Socialista.
Gostaria, como já lhe transmiti também.
Gostava que ele fosse militante do PS. Gostava de ser o secretário-geral que lhe entrega o cartão.
Também lhe foi transmitido que se ele quiser dar esse passo, nós também temos todo o gosto em acolhê-lo. Aliás, como fizemos no Congresso de Portimão, à Marta Temido. Fui eu que tratei desse processo também, já agora, e depois foi o doutor António Costa, que por vontade dele também, naturalmente, que lhe entregou esse cartão de militante. É um quadro dos mais qualificados que temos no país, que tem de ser valorizado, e se ele puder dar o seu contributo ao PS, pois com certeza que é bem-vindo. Ele e os outros, como tem sido público da minha parte.
José Luís Carneiro em entrevista à Agência Lusa. Já sobre o Presidente da República, o secretário-geral do PS fala numa relação de respeito mútuo, mas admite que podem vir a surgir visões diferentes sobre alguns temas. Tiago Antunes abdica da candidatura a Provedor de Justiça. O antigo secretário de Estado diz que foi vítima de cancelamento e que foi caracterizado como um perigoso socratista. O nome proposto pelo Partido Socialista não reuniu o consenso de dois terços dos deputados na Assembleia da República. Assim, falhou a primeira eleição para o cargo de Provedor de Justiça e não vai tentar uma segunda. Num artigo de opinião publicado no semanário Expresso, Tiago Antunes explica por quê. Diz que não foi honrado o acordo entre PS e PSD para a eleição e que foi alvo de uma campanha vil, assente em falsidades, em que foi caracterizado como um perigoso socratista, apesar de ter tido um papel menor no gabinete de José Sócrates. A ligação de Tiago Antunes ao antigo primeiro-ministro foi apontada como uma das principais razões para ter sido chumbado no Parlamento. No artigo em que faz uma defesa da honra, o antigo secretário de Estado lembra que já foram eleitos provedores de Justiça com passado partidário e acusa os deputados de alimentarem campanhas persecutórias e de brincarem com o bom nome das pessoas. Por todas estas razões, diz não contem com ele para voltar a tentar ser eleito Provedor de Justiça. Donald Trump anunciou a extensão do cessar-fogo entre Israel e Líbano por mais três semanas. O presidente dos Estados Unidos acredita num acordo de paz duradouro, mas o embaixador de Israel junto das Nações Unidas avisa que o cessar-fogo não é 100%. Numa entrevista à CNN Internacional, garante o embaixador que, apesar do cessar-fogo, Israel vai responder em caso de ameaça. O anúncio do prolongamento do cessar-fogo foi feito ontem à noite por Trump nas redes sociais, depois das negociações que decorreram na Casa Branca. Trump garante que os Estados Unidos vão trabalhar com o Líbano para se proteger do Hezbollah. Os Estados Unidos estarão, entretanto, a planear ataques dinâmicos a alvos do Irão no estreito de Ormuz. Notícia avançada pela CNN Internacional, a citar fontes iranianas. Caso o cessar-fogo não seja respeitado, o exército norte-americano estará a desenvolver um novo plano militar. As fontes iranianas dizem que os planos devem incluir uma campanha de bombardeamento mais concentrada nas vias navegáveis pelo Irão contra barcos e lanchas rápidas que estejam a bloquear o estreito de Ormuz. São temas para analisarmos no Domínio da Guerra desta manhã, sempre com o major-general Arne Moreira, depois das notícias das 9h30. Vamos ao desporto. O Torriense está de regresso à final da Taça de Portugal, 70 anos depois. A equipa de Torres Vedras venceu o Fafe por 2 x 0 e junta-se ao Sporting no Jamor. E é a sétima vez na história que uma equipa fora da Primeira Liga consegue chegar à final da Taça de Portugal. O técnico Luís Tralhão não esconde o desejo agora de vencer o atual detentor do troféu.
Eu adorava que acontecesse. Vamos trabalhar para isso, mas tenho consciência e temos que ter todos consciência que é uma tarefa bastante difícil. Nós estamos aqui a subir a montanha, mas agora parece que estamos a chegar ao topo e ainda subiu mais um bocadinho. Vamos fazer os possíveis para ter um jogo, na medida do possível, bastante equilibrado, organizado, ler bem aquilo que são as forças do Sporting e poder contrariá-las com aquilo que são as nossas armas.
Do outro lado, o Fafe foi eliminado, mas para a história ficam as 13 equipas da Primeira Liga que foram afastadas pelo conjunto minhoto. O treinador Mário Ferreira está orgulhoso com o percurso da equipa.
Sabemos que tínhamos um adversário de muito valor aqui, porque estamos a falar de um clube com uma estrutura muito superior à nossa, com uma luta neste momento para subir à primeira divisão, com valores individuais fantásticos em plantel também. Agora destacar também o orgulho da nossa equipa e o trajeto que fizemos.
Mário Ferreira, o técnico do Fafe, em declarações à Sport TV, depois do jogo de ontem à noite da segunda mão das meias-finais. A final da Taça entre Sporting e Torriense está marcada para o dia 24 de maio. São agora 08h10. Carla, antes dos Momentos de Glória, que outras notícias marcam a atualidade? A Operação Babel, o ex-vice-presidente da Câmara de Gaia, Patrocínio Azevedo, fica hoje a conhecer a decisão judicial. É um dos 16 arguidos no processo que está relacionado com a alegada viciação de normas e instrução de processos de licenciamento urbanístico em Gaia. A leitura do acórdão está agendada para daqui a hora e meia, no Tribunal de Vila Nova de Gaia, mais de um ano depois do início do julgamento, sendo que hoje os procuradores do Ministério Público estão em greve nacional. É um protesto convocado pelo Sindicato dos Magistrados do Ministério Público. Com a ameaça de uma crise no setor da aviação, o governo tem pressa em fechar o processo de privatização da TAP. O futuro acionista privado da transportadora aérea deve ser conhecido até setembro. Os dois interessados na operação, Air France-KLM e a Lufthansa, têm aí 90 dias para formularem a oferta vinculativa, o que atira a data de entrega para julho. A Parpública terá depois 30 dias para analisar as propostas, entregar o relatório, o que já coloca a data em agosto. O governo há de depois escolher a proposta vencedora. Há de ser até setembro.