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Jorge de Carvalho. Carla, começamos este jornal das 20 com António José Seguro, que está preocupado com o impacto que a polêmica em torno de Luís Neves pode ter na Polícia Judiciária. O presidente da República quer salvaguardar a honra das instituições sem pôr em xeque a relação com o primeiro-ministro.

António José Seguro está em silêncio há duas semanas, mas deve falar em breve sobre o caso que envolve o ministro da Administração Interna. O Observador sabe que o presidente da República passou os últimos dias a fazer contatos para perceber a real dimensão da polêmica e não terá gostado nada do que ouviu. Seguro poderá reagir de viva voz nos próximos dias e a estratégia já está definida, Rui Casanova.

O presidente da República vai, sobretudo, defender a importância de preservar a dignidade das instituições, sobretudo a da Polícia Judiciária. Uma posição suficientemente forte para sinalizar o desconforto com toda esta situação de Luís Neves, mas sem nunca pôr em causa a relação de lealdade institucional para com o primeiro-ministro. António José Seguro, isso é certo, não fará com Luís Montenegro o que Marcelo Rebelo de Sousa fez com António Costa em 2023, quando exigiu publicamente a demissão de João Galamba por causa de um outro caso. Um dos grandes receios de Seguro, neste momento, é de que toda esta polêmica possa vir a prejudicar ainda mais a imagem da Polícia Judiciária e a comissão parlamentar de inquériito pedida pelo CHEGA pode ter esse mesmo efeito. De resto, o presidente da República, tal como muitos elementos do núcleo mais próximo de Luís Montenegro, suspeita que as histórias em torno de Luís Neves não vão ficar por aqui, algo que pode arrastar o governo e a Polícia Judiciária para um ciclo ainda maior de desgaste político. O Observador sabe que a possibilidade de o ministro da Administração Interna ter de sair está bem presente no pensamento de Seguro e Montenegro. Para já, o chefe de Estado continua em silêncio, mas com a oposição a exigir uma reação de Belém.

Rui Casanova, com as preocupações do presidente da República sobre o caso que envolve o ministro da Administração Interna. Hoje há reunião da conferência de líderes para decidir se Luís Neves é ou não ouvido em reunião extraordinária da Comissão Permanente da Assembleia da República.

É um artigo que está em destaque a esta hora no site do Observador. Continuamos a falar deste tema porque o antigo diretor nacional da PJ, Almeida Rodrigues, nega as críticas feitas por Luís Neves sobre a falta de meios na Judiciária.

Foi na conferência de imprensa desta semana. Luís Neves disse que quando chegou à Judiciária, em 2018, encontrou uma instituição profundamente fragilizada, sem meios e instalações dignas. Almeida Rodrigues, diretor nacional da Judiciária, que antecedeu Luís Neves, quebra um silêncio de oito anos para repudiar estas declarações. Numa carta a que a Agência Lusa teve acesso, faz uma defesa do mandato e destaca vários investimentos de relevo em plena crise financeira.

Almeida Rodrigues diz também que estranha as declarações do atual ministro ao lembrar que, na altura, Luís Neves já fazia parte da direção.

Enquanto líder da Unidade Nacional contra Terrorismo. De acordo com Almeida Rodrigues, Luís Neves integrou a equipa diretiva da Judiciária, participou na gestão global da instituição e dirigiu diretamente a unidade, demonstrando total alinhamento com as decisões tomadas, sem registro de discordância. Almeida Rodrigues garante também que exerceu o cargo com sobriedade, rigor e isenção, sem nunca se envolver em questões de natureza político-partidária.

E Carla, o empreiteiro amigo de Luís Neves, quebrou o silêncio e afirma agora que foi ele quem se ofereceu para guardar o atrelado e os bidões com produtos químicos. João dos Santos Carvalho revela também que tudo foi feito sem documentos.

Sem documentos, apenas com uma combinação informal. Em declarações à TVI e CNN Portugal, o empreiteiro considera que não fez nada de mal.

Nada de estranho, por quê? Não havia documentos. Veio uma autoridade à frente. Veio uma autoridade à frente de um documento, não é? Ou não é?

Não é um documento, é a autoridade.

Pronto, mas uma autoridade recusa descrever. Ou não é verdade? Basta respeitar.

Foi ao abrigo disso que veio para aqui.

Não sei, meu.

E sem papéis, sem nada, isso não o preocupava?

Nada.

E como é que saiu de lá? Só com a PJ, não há nenhuma guia, não há nenhum documento, nada.

Que eu me lembre, não.

Não, o João Carvalho garante também que não recebeu qualquer pagamento por guardar o material. Já sobre as obras na casa do ministro da Administração Interna, garante que também foi ele quem se ofereceu para realizar os trabalhos e afirma que todos os pagamentos foram feitos pela mulher de Luís Neves. É uma versão diferente da inicialmente apresentada pelo ministro, que disse que foi o próprio a pagar.

Pedro Passos Coelho admite preocupação perante todas estas polêmicas e afirma que estes casos vão além da espuma dos dias.

E é assim que Passos Coelho volta a falar em público e a deixar recados aos governantes. Afirma que há motivo para preocupação e que estes casos devem merecer uma reflexão.

Julgo que não haverá ninguém que esteja despreocupado com o que se passa. E elas não devem ser tomadas, estas situações que têm vindo a ocorrer, como uma mera espuma dos dias, porque estão para além da espuma. Mas isso remete para uma reflexão e para alguma ação, que é preciso empreender, para a qual eu não quero estar nesta altura a deitar asas para a fogueira.

Pedro Passos Coelho, em declarações aos jornalistas, à margem de um evento ontem em Lisboa, o ex-primeiro-ministro saúda ainda o que chama de intenção clara reformista do governo, mas repete que preferia que houvesse um ritmo mais intenso.

Quase mil operacionais, apoiados por 320 viaturas, continuam a combater um incêndio que começou em Vale de Passos. O fogo não dá tréguas desde terça-feira.

Começou em Vale de Passos, distrito de Vila Real, mas já chegou aos concelhos de Mirandela e de Vinhais, no distrito de Bragança. Num balanço feito ontem à noite, o autarca de Vinhais, Luís Fernandes, dava conta de uma situação mais calma devido à diminuição do vento. Ainda assim, este incêndio continua por dominar e é o que mobiliza mais meios a esta hora. Já o fogo em São Domingos, no Conselho de Chaves, é combatido por quase 200 operacionais e cerca de 60 viaturas, que combatem duas frentes ativas. Este fogo começou ontem ao início da tarde e estes dois incêndios a norte do país estão separados por 30 quilômetros.

Destaque agora para a entrada ilegal em Espanha de milhares de pessoas vindas de Marrocos. O presidente do governo espanhol e o ministro da Administração Interna viajam esta manhã para Ceuta, que se transformou num dormitório improvisado.

É a expressão utilizada pela imprensa espanhola para descrever a situação. Há registro de pelo menos 18 mortos. É em Ceuta que o governo espanhol vai avaliar no terreno a situação provocada pela chegada de milhares de pessoas, que provocou o caos na fronteira entre Marrocos e o enclave espanhol. O caso levou já ao colapso dos serviços de acolhimento da cidade, mas o executivo de Pedro Sánchez assegura que está empenhado em dar resposta a esta crise migratória sem precedentes. Carlos Pedro.

Os problemas começaram há 10 dias e durante este período conseguiram entrar em Ceuta entre 1500 a 2000 pessoas. Atiraram-se ao mar em Marrocos e a nado chegaram a solo espanhol. Pelo menos 18 marroquinos terão morrido na tentativa de chegar à terra. Ontem a situação piorou com milhares de pessoas a entrarem a pé durante o dia em Ceuta, também depois de terem nadado desde Marrocos. Na maioria são jovens com menos de 30 anos de idade. Há também centenas de menores de idade. As autoridades locais avisam que há vários dias que os centros de acolhimento temporário de emergência estão sobrecarregados e também por isso o "El País" conta que Ceuta amanheceu hoje com centenas de jovens migrantes amontoados em parques e jardins públicos. O "El País" diz mesmo que Ceuta se tornou num dormitório improvisado.

De tal forma que o presidente da Cidade Autônoma de Ceuta já pediu ao governo espanhol que declare no território a situação de emergência nacional, com o envio de meios do Estado central para gerir esta crise. Mas Carlos, o que sabemos sobre os motivos que levaram a esta situação?

Não há certezas e as várias explicações que têm surgido não são consensuais. As forças de segurança dizem que desconhecem os motivos que levaram milhares de jovens a cruzarem a vedação de Ceuta. No entanto, relatos de migrantes que entraram em território espanhol falam numa reação a uma sentença da Justiça espanhola. É que no início do mês, o Supremo Tribunal determinou que os migrantes que chegam ilegalmente ao país por mar não podem ser imediatamente repatriados. Ainda assim, tanto Espanha como Marrocos atribuem oficialmente a culpa desta crise migratória a redes de tráfico humano.

Carlos Pedro a descrever a situação em Ceuta, poucas horas da chegada ao território de Pedro Sánchez e também do ministro espanhol da Administração Interna. Nas últimas horas, o governo italiano admitiu estar a considerar a suspensão do Acordo de Schengen, que mantém com Espanha, pondo assim em pausa a livre circulação entre os dois países. Entretanto, a Comissão Europeia diz que está pronta para aumentar o apoio a Madri para resolver esta crise migratória.

Já vamos aos Momentos de Glória desta sexta-feira, mas antes disso, outras notícias que também estão em destaque a esta hora.

Os números de telemóvel, os e-mails e as moradas do presidente da República, de dois ministros e do líder das secretas estão expostas na internet. A denúncia foi feita por um especialista em cibersegurança ao Centro Nacional de Cibersegurança, que comunicou depois o caso à Polícia Judiciária. A notícia, hoje avançada pelo "Expresso", revela que há dados pessoais de centenas de milhares de portugueses que estão disponíveis através de plataformas comerciais de agregação de contatos. O Centro Nacional de Cibersegurança esclareceu que não há indícios de comprometimento de nenhuma infraestrutura conhecida, mas reconhece que tem havido casos recentes de fugas de informação. A Missão Escola Pública volta a denunciar problemas no processo de reapreciação dos exames do secundário. Por exemplo, algumas provas só começaram a chegar aos professores na quarta-feira, quase a meio do período de classificação. À Rádio Observador, a porta-voz deste movimento diz ainda que há professores que receberam provas de disciplinas diferentes das que lecionam. As inscrições para a prova especial de exames para acesso ao ensino superior terminam hoje. Donald Trump anuncia que o Conselho da Paz chegou a um acordo para o desarmamento total do Hamas. O presidente dos Estados Unidos adianta que o plano será aplicado de forma faseada e que prevê a retirada das forças israelitas da Faixa de Gaza. Na Truth Social, Trump classifica o acordo como histórico e diz esperar que o processo abra caminho à formação de um novo governo palestiniano. O Benfica segue em frente na Liga Europa. Venceu o St. Gallen, no Estádio da Luz, ontem à noite, por 5x0. Pavlídis fez um poker, o outro gol foi apontado por Lenglet. O Benfica tem agora encontro marcado com os escoceses do Hearts na terceira pré-eliminatória de acesso à Liga Europa. Quem também segue em frente nas competições europeias é o Sporting de Braga. Os bracarenses venceram em casa o Crvena zvezda, da Sérvia, por 4x0 para a Liga Conferência.