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Observador, são 8 horas.

Jornal das 8, com edição do jornalista Carlos Pedro. O primeiro-ministro, a ministra da Justiça e o ministro da Administração Interna articularam em conjunto a decisão de avançar com as auditorias à Polícia Judiciária.

As investigações fazem parte da estratégia do governo para afastar suspeitas de proteção política a Luís Neves e para retirar força à Comissão Parlamentar de Inquérito pedida pelo Chega no Executivo. Acredita-se que este escrutínio pode reforçar a posição de Luís Neves no governo. O certo é que Luís Montenegro mantém confiança no atual ministro da Administração Interna, enquanto Rita Judas, a ministra da Justiça, garante que o governante tem gerido o processo da melhor forma. Estas duas auditorias somam-se às investigações já em curso. São três: um inquérito do Ministério Público, uma averiguação da Procuradoria Europeia e um processo no Tribunal de Contas. O governo não acredita que o processo venha a comprometer a continuidade de Luís Neves no Executivo. Pode ler mais sobre este tema no artigo assinado pelo editor-adjunto da seção de política do Observador, Miguel Santos Carrapatoso, em observador.pt. Ainda acerca deste caso, a dizer que a Polícia Judiciária confrontou o diretor financeiro da PJ sobre a ligação à Constro Barcelos, mas recusa avançar com o processo disciplinar. Também Álvaro Pires já tinha desmentido a investigação do jornal Nascer do Sol e da TV ICNN Portugal. A reportagem alegava que o empreiteiro amigo de Luís Neves também tinha feito obras na casa deste outro elemento da Polícia Judiciária.

O Presidente da República remeteu para o Tribunal Constitucional o diploma que consagrava as novas alterações à Lei do Retorno.

António José Seguro considera que os juízes do Palácio Ratton devem apreciar se a lei respeita os princípios da dignidade da pessoa humana, da proporcionalidade e da proteção da liberdade pessoal. O presidente tem reservas em relação ao tempo máximo de detenção de imigrantes em situação ilegal no território português. O diploma aumenta o período de permanência nos centros de instalação temporária para o máximo de 180 dias, mas esse prazo pode ser prolongado por outros 180 dias. António José Seguro levanta ainda dúvidas sobre a possibilidade de separação entre pais e filhos, a expulsão indireta de menores portugueses e o afastamento coercivo de crianças estrangeiras com menos de cinco anos nascidas em território português. Ainda assim, o chefe de Estado reconhece a necessidade de combater a imigração ilegal e de garantir a defesa das fronteiras, de forma a assegurar a dignidade de quem procura vir para Portugal.

Foi também promulgado o diploma que cria a nova prestação social única, mas com avisos deixados ao governo.

Diz o presidente da República que nenhum processo de simplificação pode resultar na diminuição da proteção social. Refere também António José Seguro que ninguém deve ser prejudicado face à situação atual. A promulgação foi publicada no site oficial da Presidência da República e dá ainda conta de que o chefe de Estado procurou dar luz verde antes do final do mês para cumprir o compromisso com a União Europeia. O chefe de Estado deixa ainda palavras de incentivo ao dizer que a redução de burocracias e a eliminação de sobreposições são passos no caminho certo, mas deixa a ressalva também de que vai estar particularmente atento à execução desta reforma para garantir que os mais vulneráveis não vão sair prejudicados. Na tarde de ontem, o governo garantiu também que o valor da prestação social única vai ser igual ou superior para 94% dos futuros beneficiários.

O PS pede esclarecimentos ao governo sobre se há ou não risco de caducidade das barragens da EDP.

Em causa, as notícias desta semana sobre o risco de caducarem € 335 milhões devidos a impostos pelo negócio das seis barragens transmontanas vendidas pela EDP à Engie. O PS já questionou, através do Parlamento, o ministro das Finanças. O partido quer perceber, diz o deputado Miguel Costa Matos, em que ponto está o caso que preocupa.

Nós estamos preocupados, naturalmente. Este é um processo que dura muitos anos, que foi alvo de uma inspeção da AT, foi alvo também de análise do Ministério Público. Está hoje claro, pela conclusão desses mesmos processos, que são devidos impostos. E aquilo que nós queremos saber é se a AT informou o governo de algum risco de caducidade.

O socialista Miguel Costa Matos, que questiona também o governo sobre o atraso na publicação de um decreto-lei que cria o fundo para transferir estas receitas fiscais para os territórios que são abrangidos por estas barragens da EDP.

E continuamos a falar de ambiente, Carlos, até porque a ministra do Ambiente afasta a hipótese de qualquer desclassificação do Parque Natural de Sintra-Cascais.

Maria da Graça Carvalho falou ontem aos jornalistas à margem da apresentação de uma aplicação da Parques de Sintra Monte da Lua. A aplicação vai permitir que os turistas possam calcular a pegada de carbono da visita ao parque. Fora isto, a ministra diz que não deve mudar mais nada.

Uma classificação ou uma desclassificação de um parque compete só ao governo por proposta da autoridade nacional, que é o ICNF. Não há nenhuma intenção de fazer qualquer mudança neste parque. Aliás, este parque, como eu disse agora durante a visita, é uma pérola nacional que precisa ser protegida, acarinhada. É uma das joias da nossa natureza.

A ministra Maria da Graça Carvalho sobre o estatuto do Parque Natural de Sintra-Cascais.

Na atualidade internacional, destaque para a tensão entre Madrid e Roma. O governo espanhol decidiu repor os controles fronteiriços com a Itália.

A medida entrou em vigor à meia-noite de Espanha, 11 da noite em Portugal, e deverá manter-se para já durante um mês, até 7 de setembro. A decisão surge depois de Roma ter recusado levantar as restrições impostas a viajantes vindos de Espanha. A Itália, recorde-se, reintroduziu estes controles a 1 de agosto, após a chegada massiva de migrantes à cidade espanhola de Ceuta, em território africano. Madrid pedia o fim destas medidas antes do próximo domingo, mas o governo de Giorgia Meloni recusou, dizendo que não aceita qualquer ultimato. Mas agora Pedro Sánchez responde na mesma moeda.

E hoje, Carlos, continua o regresso da Primeira Liga. O Sporting visita hoje o terreno do Estrela da Amadora e para Rui Borges, técnico do Sporting, é uma deslocação complicada.

O técnico leonino diz que a equipa do Estrela está motivada e que pretende tirar pontos a um candidato ao título, logo no arranque do campeonato.

É um campo particularmente sempre muito difícil para qualquer equipa grande. É um início de época onde a equipa contrária vai estar super motivada em poder defrontar o Sporting, em poder tentar fazer tudo para roubar pontos ao Sporting. Por isso a nossa exigência tem que ser máxima dentro daquilo que tem sido, dentro daquilo que tem demonstrado ao longo destes jogos pré-época, mas agora é a sério. Agora é um pouco isso, é perceber também nós enquanto treinadores, de que forma é que vamos sentir essa ansiedade e essa pressão boa.

Do outro lado, o técnico Pepa, do Estrela da Amadora, diz que não há dúvidas sobre a qualidade do emblema de Alvalade, mas garante que o foco está no que os estrelistas podem fazer para surpreender os leões.

Mais do que aquilo que eu possa esperar do Sporting, a minha preocupação principal, a nossa, é o Estrela. Isso para nós é o mais importante, independentemente de quem está do outro lado. Quem está do outro lado, nós sabemos, uma equipa muito forte, bem orientada, com reforços, como falou e muito bem, muitos e bons, também com várias saídas, faz parte do mercado, mas isso é a casa deles, é o Sporting. Nós sabemos, está identificado, está estudado, é fácil de identificar.

As antevisões deste Estrela da Amadora x Sporting esta noite na Rebola, a partir das 20h30, para ouvir aqui na Rádio Observador. Há ainda outros dois jogos durante o dia de hoje: Marítimo casa Pia às 15h30 e Vitória Arouca às 18h. Ontem, no arranque oficial do campeonato, o empate a um golo entre Estoril e Famalicão. Marcou a primeira equipa minhota pelo reforço grego Giorgios Kotzias, empatou o marroquino Yanis Begraoui já na segunda parte.

Ainda no desporto, dar conta de mais uma etapa da Volta a Portugal em bicicleta, Carlos.

E hoje é dia da etapa mais longa da corrida entre Beja e Elvas. São mais de 180 km pela planície alentejana. É também a terceira etapa desta Volta a Portugal. A nota para a contagem de montanha, de terceira categoria no Castelo de Monsaraz, no Conselho de Reguengos de Monsaraz, é ao quilômetro 92 e vai constituir a única dificuldade desta prova. O português e campeão olímpico de 2024, Rui Oliveira, volta a partir com a camisola amarela pelo segundo dia consecutivo. Tem três segundos de vantagem para Rafael Reis e nove para Miguel Salgueiro.

E a fechar, um alerta para os utilizadores do Metro de Lisboa.

Sim, João, a estação do Cais do Sodré está encerrada ao público a partir de hoje e até o dia 26 deste mês. Em comunicado, o Metro de Lisboa justifica o fecho da estação com a realização de trabalhos de sinalização ferroviária, relacionados com a futura linha circular. Durante este período, a linha verde funciona apenas entre Telheiras e Baixa-Chiado nos dois sentidos.

Alerta importante para estes dias e até o dia 26 de agosto. Fechamos por aqui o jornal das 20h com edição do jornalista Carlos Pedro, que está de regresso às 20h30.