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Este é o som da Comissão de Inquérito das manhãs 360. Hoje é nosso convidado Diogo Luís, comentador desportivo na CNN, economista, antigo jogador de futebol. Bom dia.

Bom dia.

Bem-vindo.

Olá, bom dia.

Já sabemos que é competitivo.

Tem de ser.

Isto vai ser bom. São cinco perguntas, cada resposta certa vale cinco pontos. Se pedires a nossa ajuda, damos-te escolha múltipla, três hipóteses. Se acertares, recebes dois. Vamos a isto?

É justo.

É justo? A Taça da Liga dos Campeões é pesadita, cerca de sete quilos e meio, mas existem outras ainda com mais quilos. Qual é o troféu da UEFA mais pesado de todos?

Em primeiro lugar, deixa-me agradecer-vos o convite. É um gosto estar aqui com vocês, aqui nas manhãs.

O gosto é nosso.

Relativamente à tua pergunta, eu acho que é da Liga Europa. Falhei ou acertei?

Acertaste. Sabes quanto pesa?

Não faço a menor ideia, mas sei que é maior, que é mais alta.

O dobro, 15 quilos. É muito pesado.

É muita taça.

Levantar aquilo no final custa mais do que pensava.

O jogador que a for levantar tem que estar preparado.

Exatamente. Diogo Luís, tu viveste por dentro o balneário. Hoje analizas o futebol. Quando vês um miúdo de 18 anos a assinar contratos de milhões de euros, o futebol perdeu completamente a noção da realidade económica do nosso país ou o valor que recebem é justo perante a fortuna que também gerem para a indústria?

Isto tem a ver com procura e oferta. A partir do momento em que há procura, em que há quem queira investir, naturalmente-

Agora o economista está a falar.

Sim, naturalmente, depois os valores vão ao encontro disso. O que eu percebo a tua questão, não há muitos com 18 anos que assinam por milhões, têm que ser alguém especiais ou pelo menos têm que ter um potencial enorme, mas a realidade é que muitos deles não estão sequer preparados para receber, eu não digo milhões, mas milhares ou centenas de milhares. E esse é um dos problemas que eu acho que existe no futebol e no desporto. Aliás, há um estudo na NBA. Na NBA ganham muito mais do que no futebol, porque nós temos ideias, na NBA os milhões são muito superiores àqueles que recebemos aqui no futebol e na Europa, que já é bastante. A verdade é que cinco anos após o término de carreira, eles estão praticamente falidos, apresentam falência. Isso tem a ver com a falta de literacia financeira. Agora estou a falar um pouquinho de outra área, mas eu misturo sempre as duas áreas.

E tem a ver uma com a outra?

Com a ausência de literacia financeira. É a perceção de que, de repente, o miúdo que começa a ganhar esses milhões, se não tiver os pés bem assentes no chão, pode-se perder rapidamente. Há vários exemplos desses. E a verdade é que eu acho que tem que ter sempre uma boa sustentação familiar, que nem sempre é fácil, porque já no meu tempo, que não se falavam destes milhares e destes milhões.

Era isso que eu ia perguntar. Se notas muita diferença, provavelmente.

Noto. Há muita diferença, naturalmente. Hoje em dia, os miúdos com 12 ou 13 anos já têm empresário, o que eu acho que é inacreditável. Até porque, o que é que o empresário vai fazer? Vai passar à frente do outro? Não faz sentido. Eu acho que os empresários só faziam sentido mais à frente, mas isso devia haver uma regulação por parte do futebol mundial, por parte das entidades oficiais, de forma a que isso não acontecesse. Até porque, e eu falo por mim, eu acho que eu fui muito mais feliz nas camadas jovens do que nos seniores. Nas camadas jovens, nós vivemos o futebol por paixão. A partir do momento em que nós começamos a chegar aos patamares de empresários, eu acho, e eu falo por mim novamente, perco um pouquinho da paixão, porque começo a perceber que o futebol que eu sonhava não é o futebol que existe.

E isso doeu?

Eu não quero passar esta mensagem às pessoas, porque eu acho que é importante as pessoas terem essa paixão. Mas por isso é que quando eu falo, eu sou muito racional nas minhas análises e as pessoas muitas vezes não gostam das minhas análises, sobretudo aquelas que são mais clubistas, aquelas pessoas mais fanáticas, mas tem muito a ver com isto. Tem muito a ver com tu perceberes que queres lá chegar, chegas lá e de repente olhas para o lado e não é aquilo que se calhar tu pensavas que era. Vês demasiadas pessoas a tirar proveito e vês demasiadas coisas que não devias ver. O futebol é puro, o futebol é essência, o futebol é paixão. As pessoas gostam de ver a bola a rolar. É isso que nós gostamos. Mas a partir do momento em que tu começas a ter que lidar com outras coisas-

É muito negócio, é muita coisa.

Sim, e isso acaba por afetar um pouquinho a paixão. Eu quando era miúdo, posso-vos dizer, chorava. A final da Taça dos Campeões Europeus, acho que foi com a do PSV, que o Van Loo falhou o penálti, eu chorei, fui para o quarto e não falei com mais ninguém. Eu hoje em dia não tenho esse: "Ok, gosto de futebol, gosto de clube".

Não bate da mesma maneira.

Mas não bate da mesma maneira, por quê? Porque eu conheço a realidade por dentro e ainda bem que as pessoas não conhecem a realidade por dentro.

E há poucos com amor à camisola?

Hoje em dia, cada vez menos, natural.

É mais amor ao dinheiro.

Depois também há o desgaste. E essa é outra das coisas, se eu pudesse falar com os miúdos que estão nas camadas jovens, eu dizia-lhes sempre isso. Há momentos em que a pressão é tão alta, o estresse é tanto, que os miúdos saem desiludidos. Há um exemplo agora do António Silva, que saiu do Benfica. O António saiu, eu acho que ele saiu magoado com o Benfica e não devia ter saído magoado com o Benfica, porque ele teve dois anos fantásticos. É verdade que as pessoas o criticam, mas as críticas aparecem sempre. E hoje em dia as críticas ainda são mais imediatas com as redes sociais, é mais difícil lidar com tudo isto. Mas se a pessoa, no final da carreira, quando chegar aos 35 ou 36 anos e terminar a carreira, ela vai olhar para trás e vai dizer: "Eu tive ali momentos tão bons e eu estava sempre estressado". O que eu podia dizer aos miúdos neste momento, muito mais do que preocuparem-se com milhões, é: "Desfrutem, aproveitem o momento". Eu posso dizer, eu raramente aproveitei o momento nos seniores, porque eu estava sempre a pensar no amanhã. Também tem a ver com a minha personalidade, mas o contrato termina daqui a um ano.

Seres competitivo também não ajuda, não é?

E repara, o meu contrato termina daqui a um ano, e como é que vai ser daqui a um ano? Em vez de estar a pensar no hoje, divertir-me, no jogar, desfrutar de estar num estádio cheio, estava sempre a pensar um pouquinho no amanhã. E depois acabas a carreira e pensas assim: "Mas eu fiz aquilo, que era o que eu sempre sonhei desde criança, e cheguei lá e não aproveitei como devia ter aproveitado". Portanto, o conselho que eu daria hoje, muito mais do que olhar para os milhões, é: aproveitem ao máximo, o dinheiro vai e o dinheiro vem. É uma realidade. Claro que se nós pudermos ganhar mais dinheiro, melhor, mas a verdade é que os momentos já não voltam. Os momentos passam e já não os conseguimos recuperar. E eu acho que esse é o melhor conselho que eu podia dar aos miúdos.

Muito bem, Diogo Luís, cinco pontos, para já. E agora vamos ver. Esta aqui é um bocadinho difícil.

Um bocadinho? Só uma coisinha assim.

Não, mas talvez consigas acertar. Na jornada seis da Liga, quantos espectadores assistiram ao Arouca-Santa Clara, o jogo com o menor número de espectadores desta jornada? O estádio do Arouca tem capacidade para 5000 pessoas.

E a seguir o nome de cada um deles.

Eu posso te mandar o número.

Ou podes pedir-

Mas se eu acertar nas centenas já está certo?

Sim.

Então eu diria 800.

Queres uma ajuda? Então vamos lá. 1500, 2800 ou 3200.

1500, 2000 e quê?

2800 ou 3200.

É que está a vir tudo, mas eu acho que é um exagero. Vou para 1500.

1558. Estes números não são preocupantes para a Liga Portuguesa? Afinal, que produto é este, que é tão enaltecido, mas que depois não consegue atrair espetadores para o estádio?

É porque os espetáculos também são pobres. A verdade é essa. E os relvados também muitas vezes são pobres e os estádios também não têm condições. Portanto, eu acho que nós, para começarmos a ter um produto, temos que criar condições para ter o produto. E aqui nós estamos a fazer tudo ao contrário, estamos a começar pelo telhado. Ou seja, nós vamos construir a casa pelo telhado. Primeiro vem o dinheiro e depois vamos criar as condições para que o dinheiro efetivamente seja maior, o cubo seja maior. Isso não pode acontecer.

E aí pode ser decisiva a centralização dos direitos televisivos?

É, mas repare, antes da centralização já devias ter pensado tudo isto. Se calhar já devias ter conseguido angariar um conjunto de investimento de forma a que os estádios estivessem em melhores condições, porque tu falas no Arouca, mas se estiver a chover num dia de inverno, quantas pessoas é que vão a Arouca? A bancada é tapada, só uma parte, nem sei se há uma parte que é tapada. Portanto, como é que fazes um jogo? Levas o guarda-chuva, vais-te molhar com o frio, depois ainda ali também há correntes de ar naquela zona, que aquilo é tudo aberto. Não é fácil e os espectadores depois não são atraídos por isso. Além de que os espetáculos também, por norma, infelizmente, e temos que o dizer, por norma, são pobres.

Os espetáculos dentro do campo.

Tens que criar, se calhar, outra mentalidade a todos, porque eu percebo que os treinadores querem todos vencer, mas acima de tudo também têm que perceber que estão a trabalhar para os espetadores, porque se queres vencer, mas de repente o jogo não é minimamente interessante, quase que adormecemos a ver um jogo de futebol, as coisas ficam complexas de conseguires atrair público, atrair investimento.

E até como espetáculo televisivo é mais pobre se as bancadas estiverem vazias.

Repare, mais vale pagares, dares bilhetes a escolas e teres aquilo cheio do que propriamente 3500 e ganhares 10 € por bilhete. Eu também sou pelagista disso, quanto é que é a lotação? 5000. Vamos arranjar 5000 e metemos lá e depois o que ganhas nos bilhetes vais ganhar se calhar em publicidade, porque tens todos os dias, todos os jogos dos estádios cheios. Eu vou-vos dar um exemplo. Eu joguei no Beira-Mar, em Aveiro, e nós tínhamos o velhinho Mário Duarte, que era incrível. O velhinho Mário Duarte tinha uma característica muito própria, que era as pessoas iam ao Mário Duarte ao domingo para se juntarem para falarem umas com as outras e cada uma já tinha o seu lugar. E a verdade é que aquilo enchia praticamente todos os jogos. Era uma norma, as pessoas iam, gostavam, estavam ali, confraternizavam. Inverno e verão, as pessoas juntavam-se. O Beira-Mar passou para o estádio novo e eu também fiz essa transição. De repente tinha 30 e tal mil lugares. A cidade naquela altura acho que tinha 30 mil pessoas. Como é que tu ias encher um estádio com 30 mil lugares? Era impossível.

E para um jogador é diferente estar a jogar com a bancada cheia.

Completamente, era muito mais motivante. E até ganhavas mais dentro do relvado, porque os adeptos também te puxavam e davam-te aquela garra e acabavam por também influenciar o jogo. No estádio Mário Duarte, que era mais pequenino, até me lembro quando o fiscalinho levantava fora de jogo, os velhotes iam lá, abanavam a rede e o fiscalinho levantava, atirava. Era uma mística diferente e também era uma pressão diferente para quem vinha de fora. E portanto, tu tens que, depois dentro das próprias regiões, tu tens que encontrar um estádio que esteja dentro das condições da cidade. Há exemplos positivos.

O Gil Vicente, por exemplo.

O Gil Vicente é um exemplo positivo. Olha, é um exemplo positivo, os balneários já têm ar-condicionado, já estão preparados. É, porque muitos balneários não tinham nada disso. Chegavas lá, ficavas a tremer para te vestires.

E são adequados à dimensão da região.

E os adeptos têm conforto, porque o estádio é tapado para os adeptos, seja no verão, seja no inverno, e tu consegues criar uma dinâmica, mas depois para chamar os adeptes tens que praticar um bom futebol, aproximar o clube da cidade. De repente, não há uma pessoa que compra o clube e não quer saber da cidade. Tu tens que também perceber que estás envolvido num contexto e esse contexto é que é fundamental para tu cresceres. E depois seria importante em Portugal que os clubes a jogarem em casa jogassem mesmo em casa, porque a verdade é que em poucos estádios os clubes grandes jogam fora. Os clubes grandes jogam fora, se calhar, em Guimarães, jogam uns contra os outros.

Agora um bocadinho no Braga também.

Talvez o Marítimo e um bocadinho no Braga, apesar do Braga também ser muito vermelho, como nós sabemos, vermelho Braga não é diferente.

Mas entretanto, nos últimos anos alterou-se um pouco.

Vamos para mais uma pergunta, Diego Luís. É também um número, mas este é curtinho, infelizmente. Quantas medalhas olímpicas conquistou Portugal nos últimos Jogos de Paris?

Ui. Eu tenho um número, mas se calhar vou pedir a vossa ajuda para vocês me ajudar.

Qual é o número que tens?

Eu tenho para aí três ou quatro.

Isso não é um número, são dois.

São dois?

Um deles está certo.

Pois está. Por isso é que eu vou pedir a ajuda de vocês.

Nada, é arriscar.

Se arriscar, tens cinco. Se não arriscas, tens dois.

Então eu digo quatro. O Bruno deu-me aqui um toque.

Mas é sintomático não sabermos isto assim de cor, não é? O futebol, quando olhamos para o desporto em Portugal, o futebol domina e seca o resto das atividades.

Domina por completo os programas. E não é só o futebol, são os três grandes. Porque não é futebol, isto não é futebol. Os três grandes são uma realidade diferente. O futebol é muito mais do que os três grandes. Aliás, o futebol é muito mais do que a primeira divisão. O futebol, efetivamente, são todos os praticantes.

Sim, até as camadas jovens, como estamos a falar.

O futebol é benéfico para a sociedade por uma questão de saúde, porque os miúdos jogam, porque os miúdos aprendem a trabalhar em equipa. Isto não se passa nos três grandes, passa-se nas camadas jovens, no país inteiro. Há muitas pessoas que trabalham e dedicam-se e não recebem nada com isso. Esses é que eu acho que são os verdadeiros campeões, não são os outros.

Então, quer dizer, o país não gosta verdadeiramente de futebol. Tem uma tribo.

Sim, eu acho que cada vez mais o país gosta de clubes, é clubite. Aliás, basta ver nas redes sociais ou os comentários que são feitos ou quando fazemos um comentário qualquer na televisão.

Vocês devem ser alvo dessa tela.

Sim, quer dizer, eu não ligo muito, vou ser sincero com vocês. Eu sei que me maltratam ou não. Depois depende do comentário que faço, se apoio, se não apoio, ou se apoio, se não, se diz aquilo que é uma forma positiva do clube em causa, se diz contra o outro clube.

E tens pressões? Desculpa, Paulo, sentes pressões, nomeadamente os três grandes?

Não, olha, eu acho que eles já tentaram de alguma forma, mas depois, no meu caso, perceberam que não iam conseguir. Eu até tenho uma característica que é peculiar, que é se me tentam pressionar, eu fico ainda um bocadinho mais assim.

Ficas ao contrário. Viras ao contrário.

Porque eu começo a remoer cá dentro e não gosto. Não sou politicamente correto. Posso-vos dizer que não ganho nada com isso, pelo contrário, se calhar ganhava mais se fosse um bocadinho mais politicamente correto, mas é feitio e como é feitio

Mas esses programas, nos vários canais e nos vários meios de comunicação, também não alimentam um pouco essa polarização?

Sim, porque reparem, vocês também vivem de audiências. Agora estamos aqui a falar que ia haver publicidade para pagar ordenados. Portanto, se tu queres que as pessoas vejam, tu dás o produto que as pessoas querem ver.

E as pessoas querem ver.

E as pessoas querem ver. E esse é que é o problema.

Quanto mais clubismo, melhor para as audiências.

Não é clubismo, tu tens que falar daquilo que é interesse das pessoas. E a verdade é que em Portugal os três grandes têm 95% de adeptos. E por isso é que eu há pouco referia: seria importante que as regiões começassem a criar uma ligação com os clubes maior, porque a Espanha é muito maior que Portugal.

Vemos na segunda divisão, no Championship, em Inglaterra, estádios cheios.

Mas por quê? Porque eles são do clube da região. Eles apoiam o clube da região e eles têm a norma, a rotina de ir ver os jogos do clube e apoiam o clube.

E seria ideal acontecer em Portugal.

Mas é um trabalho que tem que ser feito, um trabalho duro, até porque isso já aconteceu mais no passado. Se calhar na década de 80 tu tinhas mais isso.

Havia mais diversidade de figura a apoiar cada clube.

A partir do momento em que isto foi evoluindo, a verdade é que eu acho que se foi perdendo um bocadinho essa mística dos próprios clubes, também com decisões negativas, com situações que não fazem sentido. Compra clube, vende clube, depois o clube desaparece, depois entra a Sátis, o exemplo do Belenenses, que era um clube que tinha muito apoio e de repente aquela confusão toda também gerou desinteresse. Portanto, eu acho que tem muito a ver também com o clubismo mesmo, é clubite. E eu acho que nós não gostamos de desporto, mas não é só futebol. Olham para as outras modalidades e se forem falar de básquete tem que estar lá Benfica, Porto ou Sporting, se forem falar de futsal tem que estar lá Benfica, Porto ou Sporting, senão as pessoas não se interessam.

E quando falámos da questão das medalhas olímpicas, mesmo nas reações ao desempenho dos atletas, muitas vezes não ganham uma medalha, é um falhado.

Certo.

É que nem é exigência, é não querer saber quando não ganham e quando ganham são os melhores do mundo.

E acho que as pessoas não têm noção da dificuldade que é ganhar uma medalha em termos mundiais ou participar nos Jogos Olímpicos, sobretudo com as condições que os portugueses têm. Se calhar na canoagem nós temos condições ímpares, mas em tudo o resto não temos. Temos condições ímpares, não temos condições salariais. Quer dizer, nós vamos competir com Estados Unidos, com China, com Alemanha.

Com profissionais, muitas vezes.

Se vocês soubessem o subsídio que é dado aos atletas olímpicos, é inacreditável. E é com recibo verde. Portanto, se tu queres efetivamente teres mais medalhas, também tens que apostar mais. Mas para apostares mais, até é bom para a sociedade, tens que dar dinamismo, tens que estar tempo de antena, tens que olhar para eles, tens que depois criar também empresas que se queiram associar. Acho que é importante. Nós temos grandes atletas, os nossos atletas ganham jogos olímpicos, medalhas mundiais, eu acho que são mais uns verdadeiros campeões do desporto.

São muito esforçados. Muito bem, vamos para a quarta.

Tens que estar com 12 pontos.

A quarta questão, Diogo Luís. Esta é muito fácil. Que episódio ficou conhecido como o 25 de Abril do futebol português?

O 25 de Abril do futebol português? Foi o jogo da final da Taça?

Não foi um jogo, foi um episódio.

É um episódio, é um caso que envolveu a seleção, que foi recordado há pouco tempo.

Há pouco tempo, aqui.

Foi no México, o Mundial do México, aquela confusão que houve lá entre eles.

Exatamente. Que há o nome de uma cidade, se não me engano. Lembras-te dessa cidade?

Não me lembro.

Saltillo.

Saltillo, exatamente.

É uma questão geracional, certamente.

Tens que ter considerado 16 anos.

Claro. Eu sou um bocadinho distraído do fenómeno futebolístico, mas reparei que há para aí mais umas investigações, uns áudios de uns árbitros e por aí fora. O futebol em Portugal é assim uma espécie de sucessão de casos de polícia.

É um pouco, mas depois é como na sociedade também nunca chega o bom tempo. Nunca chega o bom porto. As coisas que iam andando, e depois acabam sempre por ser todos absolvidos, que eu acho que é um dos problemas da sociedade, porque depois fica difícil tu provares que aquilo aconteceu. Aliás, depois as escutas já são ilegais, já não são legais. Está sempre aqui um subterfúgio.

Clubes processuais.

Sim, mas repare, eu acho é que é um conjunto de interesses. Eles estão todos ligados de mãos dadas. Eu digo isto de uma forma aberta, não tenho problema nenhum em dizer.

Quando dizes eles, dizes os três grandes, por exemplo.

Os que dirigem o futebol, os que dirigem as entidades.

A federação, a liga, por aí fora.

No caso dos clubes eu até percebo, porque os clubes têm que pensar em si próprios, têm que pensar no que é o melhor para si e vencer. Mas nas outras entidades eu acho que não. As outras entidades têm que pensar, o presidente da Federação Portuguesa do Futebol, tem que pensar o que é o melhor para o futebol, mas eu acho que o presidente da Federação Portuguesa do Futebol pensa no que é o melhor para ele, como é que a carreira dele vai progredir da melhor forma se ele estiver ligado a determinados. Então é uma classe de favores. Dás um favor aqui para ires buscar outro ali. Se calhar a sociedade também vive assim, nós não sei. Se calhar também vivemos um bocadinho assim.

O futebol a nível mundial está muito assim. Veja-se a guerra entre a FIFA e a UEFA.

O futebol é o exemplo da sociedade, mas mais potenciado. Mas lá está, era aquilo que eu vos dizia no início, nas camadas jovens não sentimos isto, quando chegamos aos seniores sentimos isso. E há poucas pessoas que efetivamente estão no futebol para acrescentar e que não querem saber se vão progredir depois ou se não vão progredir. E eu acho que muitas das pessoas chegam para o futebol porque ficam deslumbrados de ir para um camarote presidencial, por exemplo, ou de ir num avião para uma viagem numa Liga dos Campeões e estar lá presente, estar naquele meio envolvente, ou mesmo para depois progredir na carreira, para terem estatuto, para terem poder. É sinceramente a minha opinião. Não é toda a gente, lógico, há sempre os bons samaritanos, mas os bons samaritanos muitas das vezes acabam por ser engolidos no meio deste turbilhão. Não é fácil remar contra a maré, mas nós cá estamos também para alertar e para ir falando e para ir criando algumas dificuldades neste tipo de manobras, que eu acho que não são nada benéficas nem para o futebol nem para a sociedade.

Muito bem, vamos à última pergunta. Diogo Luís, até ao momento 17 pontos, pode chegar aos 22.

Vamos lá.

Tem a ver com o campo. Qual o primeiro título que Jorge Jesus conquistou no futebol enquanto treinador?

Um título...

Agora é assim.

Nunca ouvi falar nisto.

Ele ganhou a Intertoto.

Ganhou a Intertoto, é verdade.

Intertoto.

O que é a Intertoto?

Era uma competição da UEFA que Na altura, o Braga ganhou não por ter conquistado uma final, mas porque foi o clube que foi mais longe dos clubes que tinham entrado nessa competição.

Eu acho que depois houve jogos finais, mas aquilo depois era uma competição cujo objetivo final era quem ficasse os três primeiros, salvo erro, conseguia ter acesso à Liga Europa. E portanto, o Braga não conseguiu diretamente através do campeonato, foi à Intertoto e conseguiu. Eu ia dizer Taça de Liga ou Campeonato do Benfica, mas estou me lembrando da Intertoto.

Intertoto em 2008. Jorge Jesus é agora o selecionador, quais são as tuas expectativas e se esperas novidades, surpresas para esta convocatória?

O Jorge, o estrando, traz-nos sempre surpresas. A grande expectativa é que joguemos um bocadinho melhor futebol. Já não digo muito, digo um pouco, porque a verdade é que temos atletas fantásticos, mas a realidade é que dentro do relvado parece que aquilo não funciona.

Porque não conseguem jogar em equipe? O que se passa? São os egos?

Pode também ser os egos, mas, por exemplo, também temos o Benfica ano passado com os mesmos jogadores que este ano, o ano passado não jogava nada e este ano joga bom futebol, joga um futebol incrível. E portanto, isto também tem a ver muito com o treinador, com a forma como o treinador consegue entrar na cabeça dos jogadores, as ideias, se calhar não pode passar ideias demasiado complexas, como o Martinez. Aliás, eu não sei bem quais eram as ideias do Martinez.

Nem ele, talvez.

Acima de tudo, acho que o Jorge Jesus traz uma coisa positiva, ele é muito confiante. E eu acho que a nossa seleção precisa de alguém confiante, que acredite mesmo que: "Nós somos os três melhores e vamos lá para dentro e não vamos estar só a olhar para os outros", porque eu acho que neste momento-

Foi sempre assim que correu bem com a seleção, não é?

Certo. Quero dizer, com o Fernando Santos, não, por acaso correu bem.

Mas era um homem de fé.

Mas eu acho é que nós, neste momento, temos que nos concentrar muito mais em nós próprios do que nos outros. E o Martinez concentrava-se sempre muito mais nos outros. A estratégia era sempre em função do adversário. Nós temos equipa, jogadores, para efetivamente sermos nós a mandar no jogo. Depois, aqui ou ali, um apontamento, uma gestão em função do adversário, estrategicamente, sim. Agora, a dificuldade do Jorge Jesus é meter todos a jogar coletivamente. E depois lá está a grande questão, o elefante na sala.

Era aí.

Sei que vocês querem lá chegar. Cristiano Ronaldo, se vai ou não. Eu já dei a minha opinião várias vezes, eu acho que neste momento já não faz sentido.

Mas ainda pode ser chamado e ter um papel relativamente secundário ou ele tem um estatuto tão grande que isso não é possível?

Não, mas ele é que tem que aceitar isso. De repente, ele pode ser convocado e entrar, porque o Cristiano Ronaldo entra e o estádio abana. E isso às vezes em alguns jogos é importante e mesmo depois com os adversários desgastados. Agora, eu não estou a dizer com isto, porque depois há aquela retórica de que: "São ingratos, o Cristiano Ronaldo fez muito". Eu não estou a dizer o contrário, mas o Cristiano Ronaldo cresceu pelo mérito, e eu acho que ele não ia gostar que neste momento fizéssemos-

O Cristiano Ronaldo de 18 anos.

Eu acho que ele não ia gostar que fizéssemos força para que ele jogue por aquilo que ele conquistou e não pelo mérito. Portanto, ele é um exemplo do mérito. Se ele é um exemplo do mérito, como exemplo do mérito que é, ele tem que reconhecer que neste momento há outros melhores que ele ou que têm melhores condições.

Ser demasiado racional para ser entendido.

Não, mas é tão simples como isto, porque há coisas do desporto que não vivemos do passado, mas reconhecemos o passado e não estamos com isto a desrespeitar minimamente. O Cristiano Ronaldo é o melhor jogador de sempre de Portugal e um dos melhores do mundo, de sempre, de futebol. Assim, por exemplo, como o José Mourinho, que agora está no Real Madrid, tem uma nova oportunidade, mas os últimos 10 anos de José Mourinho não foram bons. E portanto, nós criticarmos o Cristiano Ronaldo ou o José Mourinho, estamos a criticar o hoje. E eles dentro do relvado são iguais aos outros. Podem me dizer: "Mas ele é especial". Sem dúvida, ganham muito e é incrível, ele abriu portas a muita gente. Mas eu tenho que comentar o que eu vejo dentro do relvado e eu acho que dentro do relvado, infelizmente, para ele e para nós, porque já não podemos ver aquele Cristiano Ronaldo fantástico, já não consegue desequilibrar como desequilibrava antigamente, ele sozinho resolvia jogos.

Olha, Diogo Luís, tu desequilibraste muito bem, foste o melhor desta semana, 22 pontos.

E a vossa ajuda, é por isso. Falem um bocadinho mais, já vi 9,58.

Vais aqui satisfeito.

Obrigada por teres aceitado o nosso convite. Obrigada.

Obrigado.