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O Jornal das Nove tem edição da Carla Jorge de Carvalho. Carla, o presidente da Câmara do Barreiro pede um plano ao governo para resolver os constrangimentos nas urgências.

O Hospital Nossa Senhora do Rosário é um dos cinco que esta semana vai começar com as urgências de obstetrícia encerradas. Frederico Rosa quer que o problema não se repita para o ano e considera que quem diz que a situação vai ser resolvida rapidamente, está só a criar alarme social.

O Nossa Senhora do Rosário tem feito a sua parte, mas eu diria que mais importante do que isso, porque estas coisas não são um efeito local, é preciso, sim, um plano para que daqui a um ano não estejamos outra vez os dois a falar sobre a mesma situação. E quem pensa que isto se vai resolver num curto espaço de tempo, está enganado e está também a introduzir na população um erro que depois vai dar um alarme social cada vez maior. E isso é o que nós sentimos no dia a dia, no contato com as pessoas.

O presidente da Câmara do Barreiro defende que os problemas do SNS têm que ser resolvidos independentemente da resposta privada.

Independentemente da resposta privada, que eu acho que não vai desaparecer do país, pelo contrário. É preciso, sim, encontrarmos um plano para o nosso Serviço Nacional de Saúde. Nós no Barreiro estamos a apostar muito no alargamento da rede de cuidados primários. Estamos a construir dois novos centros de saúde, as USF, Unidades de Saúde Familiares, a reabilitar mais duas. Mas estas questões do SNS não podem ser só vistas como questões locais.

Declarações do autarca do Barreiro esta manhã à Rádio Observador, numa semana que começa com cinco urgências de ginecologia e obstetrícia encerradas. Também vários serviços de pediatria de portas fechadas, sobretudo na região da Grande Lisboa.

E os bombeiros lamentam não serem chamados para encontrar uma solução para ajudar as grávidas durante o período de encerramento das urgências.

O presidente da Liga dos Bombeiros refere que o fecho de urgências aumenta a pressão também sobre os bombeiros que têm de prestar assistência. António Nunes lamenta que o organismo não seja chamado para reuniões com os responsáveis pela pasta da saúde para ajudar na resolução dos problemas.

Apesar das conversações que têm havido, ainda não fomos convocados por alguém do setor da saúde para nos sentarmos à mesa e perguntarem-nos o que é que nós precisamos para ajudar a que a primeira linha, ou se quisermos, a segunda linha, porque é aquela que faz o transporte das utentes até às urgências, precisa de ser apoiada ou tem necessidade de ser melhorada para que a resposta também não colapse.

António Nunes diz ainda que nenhum bombeiro pode ser responsabilizado por situações-limite que possam acontecer com grávidas durante esta fase de maior pressão sobre o SNS. O presidente da Liga dos Bombeiros refere ainda que este período, associado à época de incêndios, está a causar uma enorme pressão sobre os bombeiros.

Precisamente, estamos na época de incêndios e em Bragança, chamas no Parque Natural de Montesinho chegaram a ameaçar habitações.

Informação avançada à Rádio Observador pelo presidente da Junta de Freguesia da Carragosa. Hélio Vaz diz que a última noite foi particularmente complicada nas aldeias de Rabal e de França.

A aldeia de Rabal e de França, tem sido uma noite meio complicada para eles.

Têm estado, nessas duas aldeias que me referiu agora, têm estado habitações em risco, pessoas em risco?

Mas a noite passada muito próximo mesmo da habitação tem andado.

O presidente da Junta de Freguesia da Carragosa, há instantes, à Rádio Observador. De acordo com o site da Proteção Civil, o incêndio no Parque Natural de Montesinho está a ser combatido neste momento por 280 operacionais, 96 viaturas. Em relação à dificuldade em combater as chamas, o presidente da Junta aponta o dedo ao ICNF. De acordo com o site da Proteção Civil, neste momento, nove incêndios no Norte e Centro do país estão referenciados, cinco ativos e quatro em fase de rescaldo.

E um juiz foi expulso da magistratura por suspeitas de estar envolvido em vários crimes. Ele é suspeito de associação criminosa, da prática de associação criminosa, e também de auxílio à imigração ilegal.

É a história de Hélder Claro. O antigo juiz terá cometido estes crimes durante o período em que exercia a profissão de magistrado judicial. Um dos casos envolve suspeitas de auxílio à imigração ilegal. O redator principal do Observador, Luís Rosa, refere que é um caso rocambolesco.

Tem a ver com uma boate chamada Tamariz. Era uma boate que era frequentada, segundo o despacho de acusação, com muita regularidade pelo então juiz Hélder Claro, e havia uma ex-funcionária, uma senhora de nacionalidade brasileira, com quem o juiz teria tido um caso e terá também um filho. E há um contato do então juiz Hélder Claro, por informação do dono da boate, porque o dono da boate do Tamariz precisava de bailarinas. E, portanto, há aqui um contato do juiz Hélder Claro com esta senhora brasileira chamada Samanta Gama. É alegadamente pedido que Samanta recrute bailarinas brasileiras para Portugal. E esta senhora pede, por exemplo, ao seu cabeleireiro que crie uma coreografia para o novo corpo de bailarinas que irá para o Tamariz.

Mas não há só esta história. Hélder Claro é ainda suspeito de envolvimento em crimes informáticos. Devido a estas suspeitas, acabou por ser expulso da magistratura. Foi em maio deste ano. No entanto, Luís Rosa garante que as decisões tomadas enquanto juiz não estão em causa.

Não está em causa isso. O que está aqui em causa são situações que nada têm a ver com a sua atividade como juiz. O juiz é expulso de uma magistratura, porque está em causa uma questão de perceção da sua idoneidade enquanto juiz. E o juiz tem que ser idôneo. Portanto, não pode ter essas suspeitas que recaírem sobre si.

As explicações de Luís Rosa a propósito deste caso de Hélder Claro. O juiz foi expulso da magistratura por suspeitas de envolvimento em vários crimes.

9h08min, Carla, antes do Explicador, com entrevista à Procuradora-Geral Adjunta Maria José Fernandes, que outras notícias estão a marcar a atualidade?

A população de cinco comunidades nos arredores de Atenas foi retirada, esta madrugada, de casa. As autoridades estão a combater o incêndio que deflagrou domingo e está a aproximar-se da capital grega. Dois hospitais foram também evacuados. Estão a apenas 15 km de Atenas. Oito pessoas foram, entretanto, hospitalizadas com problemas respiratórios devido a estes incêndios. Morreu o presidente do Comitê Olímpico de Portugal, José Manuel Constantino, tinha 74 anos. Morreu no dia em que encerraram os Jogos Olímpicos de Paris. O presidente da República já veio lamentar esta morte. Um terço dos trabalhadores portugueses relata níveis moderados e elevados de discriminação com base na idade. A maior perceção de desigualdade está nos mais jovens, são mais de 40%, enquanto que cerca de 25% dos mais velhos dizem que se sentem também eles discriminados. São as conclusões de um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, divulgado no Dia Internacional da Juventude, que se assinala hoje. E ontem foi o último dia dos Jogos de Paris, mas há histórias desta edição que vão continuar na memória de muitos.

E houve uma história ontem ao cair do pano, não foi? A do homem que escalou a Torre Eiffel com a ajuda das suas próprias mãos. Não houve cordas nem truques.

Podia ser essa a história que trago agora. Foi de Titân. Trago a história de uma atleta que chegou à meta da meia maratona uma hora e meia depois da vencedora.

Não se chamava Carla Jorge Carvalho.

Essa não seria hora e meia, seria um pouco mais. Mas não, estou a falar de uma atleta que foi uma das três enviadas aos Jogos Olímpicos pelo Butão. Um pequeno país asiático com pouco mais de 800 mil habitantes.

Onde reina a felicidade.

Onde dizem que reina a felicidade. Esta atleta levou 3h52min a terminar a meia maratona. Ainda assim, não desistiu e foi recebida com o apoio entusiástico do público, que ficou completamente eufórico à chegada da atleta.

Muito bem. Portanto, chegou 1h30 depois da vencedora. Teve algum problema? Preparou-se mal para a prova? Alimentou-se mal? O que aconteceu?

Deu o melhor que tinha. Mas ela participou nos Jogos Olímpicos pelo princípio da universalidade, ou seja, aqueles países a quem dão a oportunidade de participar em competições olímpicas, são países que investem menos no desporto, têm menos atletas. Aliás, o Butão ainda nunca recebeu nenhuma medalha olímpica.

Uma atleta do Butão a fechar o jornal das 9, com edição da Carla Jorge Carvalho.